Michael
6 As irmãs
Na hora do almoço, a tripulação da Virgem Ousada foi apresentada para o recém-desperto. Havia duas mulheres a bordo, mas elas estavam no mini submarino caçando os restos da cápsula.
O cardápio era filé de peixe, comarroz, salada de alface hidropônica e regadas a um bom e velho rum.
Depois da refeição, Michael ficou na cabine do capitão conversando com o mesmo e quem contratou a tripulação e o barco: Erik.
– Temos estado de olho em vocês desde o espaço porto — começou o capitão Silva.
– Por isso, decidi encontrara-los na estação! — explicou Erik.
– Então foram vocês que explodiram aquela bomba?
– Não, Michael! Isso deve ter sido obra dos cristãos fundamentalistas ou de algum outro grupo revoltoso — respondeu o sueco.
– Mas afinal, quem são vocês? — falou o garoto, espantando uma mosca.
– Não posso responder... — murmurou Erik, com o capitão confirmando com a cabeça -... pelo menos não aqui!
Isso deve ser mesmo grave!
– O que nós temos a ver com isso? E por que me jogaram do espaço?
– A bomba... — começou Erik — Foi ela que atrapalhou tudo, tivemos que improvisar!
– E o Juan?
– Eu o trouxe para cá comigo, você tinha sumido durante a noite, só pude deixar um androide para lhe ajudar... — Erik disse isso e começou a falar sozinho.
Atendendo uma chamada!
Michael se despediu com um aceno e saiu. O clima estava seco e quente, ao se debruçar na beirada percebeu que o barco não tocava a água, mas flutuava centímetros acima desta.
– Está enjoado?
Juan veio apenas de bermuda azul com manchas brancas: — Se precisar de alguma coisa pode dizer...
– Não, estou bem! — respondeu o loiro analisando o outro — Você sabia de tudo isso?
– Na verdade sabia, mas não achava que teria que te meter nisso!
– Mas... O que isso tem a ver com a sua irmã?
O moreno piscou o olho: — Depois te conto...
Michael ficou remoendo o que ele queria dizer com aquilo. O vento constante passou a emitir um cheiro forte de peixe podre.
– Hah!
– Ninguém merece... — resmungou o loiro.
– E aí testinha? — saldou Jon — Trabalhei a noite toda...
– E eu com isso? — rosnou Michael, já irritado.
– Não quer tomar banho comigo? — Juan estava gargalhando — Olha! Deixo você até esfregar minhas costas! — exclamou o marinheiro como se isso fosse ganhar um bilhão de bitcoins.
Com rosto avermelhado, o garoto saiu.
– Que bicho mordeu ele — interrogou Erik, que vinha descendo as escadas.
– Conheço esse tipo aí — falou Jon escarrando no mar — Hoje mesmo eu vou fazer ele suspirar e gritar de prazer...
Os outros dois choravam de tanto rir.
– Deixe o cara em paz... — exclamou Juan enxugando suas lágrimas.
A noite estava sobre eles, quando as duas mulheres voltaram do fundo do mar. O barco parecia ter ganhado vida: As conversas eram mais divertidas e elas sabiam escolher as melhores refeições, motivo suficente para todos ficarem mais a vontade.
– Então, o que vocês faziam antes de vir trabalhar no mar? — perguntou o bêbado timoneiro, Dijon, pela décima vez.
– Alguém tire esse idiota daqui! — gritou alguém.
Os outros, inclusive as mulheres, sorriam.
– São casadas? — recomeçou Dijon.
A mais baixa, de cabelos rubros foi quem respondeu: — Eu sou. Já a minha irmã Melissa, prefere variar o cardápio, não é? — ela olhou para outra.
– Prefiro ser livre, leve e solta!
Os homens rugiram, bateram na mesa e gargalharam.
– Que tipo de homens você prefere?
– Na verdade, gosto daqueles durões e mais velhos, experientes na cama! — respondeu Melissa, olhando para todos e para ninguém em particular.
– Não gosta de mim? — gritou o sueco tropeçando com um copo de cerveja na mão.
– Talvez Jon goste! — exclamou Michael de repente, rindo.
Mas ninguém o acompanhou, todos se silenciaram.
– NÃO! — trovejou Jon — Sabe que só tenho olhos pra você!
Todos na mesa caíram na gargalhada, Michael ficou vermelho como uma amora.
Como que do nada, o loiro subiu na mesa e exclamou: — Eu o desafio!
Os outros ficaram sem reação, olhando para o garoto magrela apontando para o marinheiro.
– Desafia a quê? — Jon soou sério.
– A... — E agora? – Sabe lutar?
– Vale-tudo? — perguntou Melissa.
– Isso mesmo! — rosnou Michael entre os dentes e encarando o outro — Se eu ganhar, vai me deixar em paz o resto da viagem.
– Aceito! — grunhiu o marinheiro — Mas... Se eu ganhar, depois de terem tratado seus ferimentos, você será meu uma noite INTEIRA!
– Fechado!
Os dois selaram com um aperto de mãos.
O restante da tripulação já faziam suas apostas.
Devo ter ficado maluco! Só não posso voltar atrás...
Os sonhos foram confusos, ele acordou se sentindo tonto. Dormira em uma rede, no mesmo dormitório para os outros homens, que com exceção do capitão e das mulheres — que tinham quarto próprio — dormiam naquele quarto.
Ainda bem que ganhei a luta!
Michael resolvera então caminhar, respirar ar puro, clarear as ideias e relaxar os músculos doloridos.
Sonhei com você! As lembranças daquele treze de junho flutuavam em sua mente, junto com o rosto da menina que tanto havia amado. Ela me salvou daquela vala...
Um chapinhar chamou sua atenção, por um momento achou que tinha visto uma cabeça submergir nas águas negras.
– AH! — ele deu um salto para trás.
Dois braços semitransparentes tentaram segurá-lo. Michael desviou e atacou com um chute, não surtiu efeito. A coisa tentou esmagar sua cabeça com um golpe, o loiro correu em direção à cabine do capitão, gritando. Tropeçou, bateu a cabeça na barra de segurança.
– Au... — gemeu, por um momento esquecera-se do invasor. Este estava na sua cola e atacou, Michael apenas se protegeu com seus braços, então ouviu um estampido. A máquina caiu no oceano.
– Você está bem? — gritou Melissa, que portava um revolver de aparência antiga.
– SALTEM!
No ar planava uma sonda, que disparou um foguete. Tudo parecia estar em câmera lenta, um recurso do implante que ele tinha no cérebro (um neocórtex) que em momentos de alta descarga de adrenalina era ativado e aumentava a capacidade de percepção e de coordenação motora.
Dando tempo de ele poder ver os outros tripulantes saltarem para a água, e de acompanhá-los. A explosão iluminou a noite sem estrelas, pedaços de metal e madeira foram lançados em todas as direções.
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