Michael
1 Meu Cunhado
- DANIEL! DANIEL...
Os gritos rasgavam o ar morno de fim de tarde, o céu estava azul recortado por nuvens róseas e dourado. As crianças corriam agitadas, algumas estavam lanhadas por causa de quedas, por isso era comum suas mães estarem sempre passando nelas creme antisséptico e cicatrizante.
Ele está demorando...
Esses fedelhos não se cansam de berrar?
Para completar, uma saúva atacou o dedão do pé de Michael. Irado, o garoto esmagou a formiga com os dedos.
- Parece que hoje você não está com sorte!
Ao se virar, Michael pode ver aquele que esperava: — Por que demorou tanto? — reclamou ainda coçando o local da picada.
- Você sabia que não é tão fácil, passar pela blitz sendo assim?
- Assim como? – retrucou o loiro.
- Com essa aparência, tudo é mais difícil: Se é para pedir uma cervejinha...
Michael olhou para seu amigo. Esse daí sempre gosta de fazer cena, mas não passa de um...
Uma bolada o despertou de seu devaneio, Juan pegou a bola e lançou para o grupo de crianças que mangavam da cara de Michael.
- Bando de viados! — ele falou alto demais.
- COMO É? — os garotos berram.
- Nada, nada — se esquivou Juan sacando a mochila de Michael e empurrando o mesmo para cima da moto. Rapidamente deu partida e saiu disparado.
....
- Bem que você poderia pegar leve às vezes, né? — reclamou Juan enquanto recarregava a moto.
Michael tentou explicar, mas o outro só meneava a cabeça: — Tem que se acalmar, só quero ver como será quando chegarmos lá... Não vai durar nem dois dias!
- Tenho que ir... — falou Michael escapando do sermão e entrando no posto.
Juan enviou uma mensagem que foi projetada na lente de contato do loiro, mandando ele se apressar. Terminou de urinar e saiu do estabelecimento. Estava vazio, a não ser por um homem truculento que tomava café demoradamente. Ouviu uma buzina familiar.
- Já vou, já vou...
Colocou o capacete e logo a dupla estava de volta à estrada, o vento frio provocou uma súbita onda de sono em Michael. Quase adormeceu...
- Acorda! — gritou o outro com a voz abafada pelo capacete — Quer morrer? – ele estava caindo da motocicleta.
Já estou me arrependendo... Michael começou a lamentar.
Um som grave atraiu a atenção dos dois. Uma carreta vinha em alta velocidade na mesma pista em que eles estavam. O loiro percebeu que só havia uma pessoa que estava dirigindo. Estranho...
Juan foi para a outra faixa, esperando o apressado passar.
- Nunca vi um AD ir tão rápido!
- Não é automático — gritou Michael em meio ao som ensurdecedor do caminhão -, ele está dirigindo manualmente!
- Não é possível!
Antes que qualquer um dois falasse, o veículo de carga virou na direção da moto, empurrando-a para o acostamento. Juan conseguiu evitar o choque, mas o para-choque do caminhão deu um "beijo" na traseira da moto, arranhando a pintura.
- Filho da puta, miserável! — gritou o loiro – Quer destruir a minha moto?
Juan parou o veículo. Logo depois a carreta também encostou.
- Fique aqui, vou dar uma palavrinha com esse idiota! — instrui-o Juan, também irritado.
A noite estava escura. Escura demais! Michael se lembrou dos maníacos que assaltavam e depois matavam e depois vendiam os órgãos das vítimas. De lá ele pôde ver o motorista que permanecia sob a sombra do caminhão e seu amigo teimoso que berrava. De repente, outra pessoa saltou da carreta.
- CUIDADO!
Juan soltou um grito de surpresa, o motorista que havia descido o agarrou, depois de um breve clarão azulado, o seu amigo tinha parado de se mover.
Com o coração aos saltos, Michael deu uma arrancada e avançou contra os agressores. Apressado, o que parecia ser o motorista jogou Juan dentro do caminhão. O farol a laser da moto iluminou os dois. O homem no posto! Mas o outro...
O loiro tentou desviar, o outro cara encarou a moto e com o braço direito esmagou a roda dianteira e com o outro agarrou Michael, tudo foi rápido demais para o garoto perceber.
Surpreso, não reagiu a tempo, logo o homem truculento topou em seu pescoço e Michael esperou ver o clarão.
O homem soltou um grunhido, Juan tinha saltado em cima dele.
- Eu pensei que você estava desmaiado... — gritou Michael animado. Apesar do momento de euforia, o outro que o segurava o lançou violentamente no chão e voltou sua atenção para o outro garoto.
Procurando ser útil, o loiro sacou um pedaço da moto destruída e golpeou o que antes o havia rendido. O ataque rasgou a roupa que o cobria, revelando uma carcaça de metal e plástico, o robô deu meia volta e segurou o segundo ataque de Michael e o chutou para longe.
Mas que merda...
Juan agora lutava corpo a corpo com o caminhoneiro, e o androide vinha na direção de Michael com a peça da moto que o loiro antes tinha usado na mão.
- Minha sorte não pode ser tão ruim...
Mas revelou ser, o ataque do robô atingiu seu ombro de raspão.
As aulas de jiu-jitsu bem que serviram para alguma coisa!
Michael ouviu um baque, percebeu que seu amigo tinha aplicado um choque no motorista.
- Rá! — ele gritou — O feitiço virou para o feiticeiro! Oh não...
O androide lançou outro ataque, o loiro conseguiu escapar. Minha vez...
Apesar de seu estomago estar doendo, e muito, Michael saltou e agarrou o pedaço de metal.
Foi fácil!
Com um safanão lançado pelo robô, o garoto foi lançado alguns metros e bateu com a cabeça, ouviu apenas Juan o chamando de idiota.
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