Michael
11 Hacker
– Tem certeza disso?- a expressão era séria. Juan confirmou com a cabeça, e olhou para baixo. A avenida Paulista, estava lotada de manifestantes, protestavam a favor da construção da usina de Fusão Nuclear, que acabaria com a dependência das companhias energéticas instaladas no Nordeste brasileiro. — É engraçado como as coisas mudam, não é? — Eu era criança quando instalaram o primeiro parque eólico em Sergipe — O moreno espiou os prédios que se estendiam até o horizonte -, na escola tinha uma professora que dizia que o petróleo iria acabar e blá blá blá... Dracco se dirigiu para dentro e convidou Juan para segui-lo. — Meu avô, me disse uma vez que os nordestinos eram considerados atrasados, preguiçosos... — o traficante sentou na sua cadeira — O destino como sempre é irônico! Agora, são vocês que detém a energia, o dinheiro! Pois é! Mas não vou perder o foco... — Vamos encerrar essa ladainha! — Juan largou um objeto retangular na mesa de alumínio — Faça! Os olhos rubros de Dracco se fixaram na coisa jogada pelo garoto. — Sabe, que se eu fizer isso, poderá acontecer danos e... Juan levantou os braços para que ele parasse, tirou a camisa e retirou do bolso uma esfera do tamanho de uma moeda: — Substitua o processador, por este aqui! Um sorriso enviesado surgiu no rosto do traficante. — Carbon 14 YHz? — ele assoviou — Sabe o que isso vai fazer com você? O garoto se esgueirou em cima da mesa de modo a encarar Dracco nos olhos. – Tenho que encontrar uma pessoa... O traficante estalou os dedos ossudos, assoviou e murmurou algo em chinês. — Muito bem! Quero que sua majestade sente em seu trono — e apontou para uma cadeira que estava no fundo da sala, no alto da mesma figurava uma estrutura oval, de onde surgiam um emaranhado de pinças, bisturis, tesouras, lasers e outros instrumentos que Juan não fazia nem ideia para quê serviam. — Tome! — Dracco ofereceu uma pílula vermelha. Por acaso aqui é Matrix? Pensando bem, depois disso a realidade não será mais a mesma! Duas horas haviam se passado, o oriental suava bastante, para se refrescar virou uma garrafa de cerveja, sorveu tudo com goles demorados, generosos. — Memória de 3,4 x 10'2345 bytes; Capacidade de 14 Yotta ciclos por segundos. Mais foda que isso... — Dracco voltou a beber. Sua cabeça parecia vibrar, sentia seu corpo distante, os sentidos pareciam estar mais aguçados. De repente foi atropelado por um turbilhão de pensamentos, imagens, sons, cheiros e sensações. Seu amor fraterno Dany se converteu em uma paixão ferida pela perda, sentia saudades de seus pais. Não vou me esquecer quem eu sou! Juan lutou contra os sentimentos estranhangeiros. Ao abrir os olhos, Dracco estava diante dele, com os olhos puxados arregalado. — Tá tudo bem? — Não sei... — o garoto regurgitou o almoço. — Merda cara, respire! — Dracco o levou para o banheiro. Tudo ao redor girava, não conseguia manter equilíbrio. Depois de estar com o estomago vazio, todos os músculos de Juan tremiam, sua cabeça latejava como um sino de uma igreja. O seu amigo injetou algo no braço, logo as coisas voltaram ao normal. Nossa, que viagem! Depois de ter relaxado, o traficante veio mangando: — Pensou que era durão? Ele ofereceu um copo de leite gelado. — Não acabou não viu? Isso é só um paliativo, logo você não pensará normalmente! Dracco pressionou uma agulha na testa do garoto. O traficante estava fazendo de novo, Juan o impediu. — Parece que já está funcionando! — o asiático sentou-se e terminou de beber a cerveja. O garoto pardo percebeu que tudo se repetia constantemente, olhou para o rosto do seu amigo, ele pôde ver todos os músculos trabalhando lentamente, se contraindo e relaxando... Parecia estar vendo tudo em câmera super lenta, os objetos eram muito mais nítidos, os sons tinham sua duração estendida. — Pense rápido! — Dracco jogou a garrafa vazia na direção da cabeça do garoto. Juan deu um sorriso, Dracco virava a cerveja até consumi-la totalmente. — Obrigado! — o moreno se levantou e dirigindo até a porta deu um aceno de despedida. — Eu sei que sou demais! — Dracco brindou sozinho.
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