Michael
12 Balada
As pessoas dançavam absorvidas pela música, algumas estavam drogadas. Na zona leste de São Paulo, era impossível não se impressionar com o domo de vidro, um pedaço da cidade onde se concentravam as maiores houses das Américas. Cada uma das pistas de dança era voltada para um público específico, também dependia do poder aquisitivo do mesmo.
Welcome for the Hell's Gate!
Non stop for dancing!
Dance like the Bad Guy!
Because this is the end!
Because our lives is one Ragnarok battle!
Juan atravessou o piso espelhado, apressado temia que se ficasse parado as miríades de informações que invadiam sua mente o derrubassem.
Please, Please
Don't Panic my baby
Scream, Dance, Fast
Because our lives is one Ragnarok battle!
As batidas eram de fazer os molares rangerem. O garoto moreno vislumbrou seu alvo sentado numa mesa, cercado de mulheres jovens, algumas aparentavam serem novas demais.
– Ali está ele! — uma voz ressoou em sua mente.
Juan a voz de Michael costumava aparecer de forma inesperada. Mesmo assim decidiu fazer aquilo. Preciso chegar até Ariel! E só Mike podia me ajudar...
– Está pronto? — agora ele sabia que era a mercenária – Já estou posicionada!
– Aguarde! — murmurou Juan.
Os dois estancaram as duas possíveis rotas de fuga do alvo: Edward Deep, líder da maior quadrilha de crackers dos últimos vinte anos, famoso pela sua invulnerabilidade judicial, mantida como recompensa pelos serviços prestados ás companhias de energia brasileiras atuais damas de ferro da nação tupiniquim.
A música tinha mudado desta vez havia somente uma verdadeira tempestade de vozes aleatórias, que acompanhavam o ritmo energizante.
– Vou em frente! — anunciou Juan.
Ao chegar perto da área VIP, foi barrado e revistado, sendo liberado em seguida.
– Juan! — gritou o cracker mascando um chiclete de maconha — Soube que estava no país...
A mesma ladainha de sempre!
– Estou aqui a negócios, aliás trabalho é trabalho! — o garoto permaneceu de pé sendo observado pelos seguranças. A maioria destes são ciborgues, são mais rápidos e mais fortes, na verdade para nesse tipo de emprego esse é um pré-requisito.
– Mande para o Moura aquele abraço — Deep ergueu a taça em um brinde solitário.
– Tenho certeza de que ele deseja o mesmo de você... Tem visto Ariel por essas bandas? — Juan pegou uma bebida e se sentando.
A feição do cracker ficou sombria, logo deu um sorriso de canto e tomou um gole.
O segurança que estava à esquerda de Juan colocou uma mão no ombro deste: — Não acha que está na hora de ir?
Mantendo os olhos fixos em Edward, o garoto falou sereno: — Sei que tem visto Ariel, e sei também que esta noite você vai me contar tudo! Tin por tin...
O berro do segurança foi abafado pela música intensa. As mulheres que estavam com o cracker fugiram como passarinhos diante de uma águia, Deep se levantou com uma arma em punho. Três seguranças desabaram inconscientes no chão, os outros estavam confusos e dispararam contra Juan.
Vamos dançar um mambo!
Chutou uma cadeira na direção de um dos capachos, saltou com a celeridade de um gato e rendeu Edward num piscar de olhos.
Mais seguranças desabavam inertes, a house estava quase vazia aquela altura, Juan espetou uma agulha na nuca do cracker.
– Dá para apressar o passo? — reclamou a mercenária pelo comunicador.
– O que porra você quer comigo? — gritou Deep, com sangue escorrendo pelas narinas.
– Eu disse que você iria me contar tudo... — dito isso, Juan retirou o instrumento da cabeça do cracker e um disparou um choque subsônico que desnorteou o mesmo.
Vamos embora! Fez um sinal para a sua aliada e atravessaram o salão vazio.
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