O sono fora desconfortável, as tiras que o prendiam á cama, deixaram marcas que coçavam e ardiam. Por que os dormitórios eram independentes do resto da estação, não sofriam os efeitos da centrifugação. Por isso, Michael abandonou o dormitório da hospedaria, seguiu para uma das salas, com o chão transparente.

Lá estava uma moça, com seus olhos castanhos que pareciam estar perdidos em outro mundo.

O loiro olhou para o piso, de onde a Terra reluzia azulada e serena, o espaço estava pontilhado de uma vastidão de estrelas, uma hora ou outra passavam naves de transporte.

– Sem sono?

Ele se sobressaltou, aquela garota que estava antes sentada, agora figurava de pé.

– Sim! — respondeu Michael, tentando disfarçar seu fascínio pelas belas curvas da jovem.

Os longos cabelos negros e lisos escorriam na frente de seus pequenos seios, sua pele era bronzeada, como manda a moda, seus lábios carnudos e avermelhados estavam úmidos, sua voz era macia como veludo.

– Meu nome é Cassandra, mas pode me chamar de Sandra! — ela se aproximou e alisou os cachos dourados dele.

É a sua chance, diga algo que preste...

– E... Você é daqui? — foi o que saiu.

– Por que não esquecemos essas formalidades idiotas e vamos nos distrair?

O coração dele estava aos saltos, antes que tomasse conta estava sendo levado pelo pulso por Sandra. Ela era magnetizante, Michael não conseguia dizer nada, apenas babava.

Chegaram a um pequeno dormitório, não muito diferente do que ele estava hospedado. Dentro, tudo era adaptado ao ambiente de micro gravidade: As cadeiras estavam fixas por poderosos imãs, tiras de Led iluminavam o ambiente, os móveis estavam no "teto", para seguirem até a cama tiveram que tomar impulso e flutuar até lá.

A cama não tinha lençóis, ou deviam estar fixados na mesma. Ela tomou a dianteira despiu primeiro sua blusa preta, o loiro viu os seios cor de oliva, os cabelos dela flutuavam como se estivessem embaixo da água. Logo depois, estava totalmente descoberta. O outro estava sem reação, paralisado em sua própria timidez.

Ela puxou a mão dele, até que tocar no sexo dela, Michael sentiu que estava molhado. Sandra puxou um beijo, longo e demorado.

Gosto de morango, como a boca de Dany...

O loiro tirou sua camisa suada e suas roupas inferiores. Ela deu um sorriso inocente, e o puxou para que ele a penetrasse, Michael obedeceu.

....

A estação espacial Elon Musk, fora inaugurada oficialmente no ano de 2061. Foi a primeira de seu tipo construída com recursos mistos: com um crowdfounding, duas empresas e cinco países. Mas só começou a ser usada nos anos 80, com a formação das primeiras colônias domésticas da Lua e de Marte.

– Obrigado! — Michael saiu do restaurante, pela primeira vez desde a semana passada em que enterrara seu amor de longa data, ele estava se sentido bem e com energia.

O movimento na estação estava lento e pacato. O desjejum do loiro, fora simples: carne (impressa), suco de mangaba (uma raridade) e uma porção de batatas fritas assadas depois de um banho ultrassônico.

Decidira ir até a sala de jogos, para passar o tempo. Parece que hoje tenho mais sorte!

Levou um chute e quicou no chão. Mas que droga é essa? Outros vieram empurrando e gritando, mães agarravam seus filhos e invadiam os estabelecimentos em busca de abrigo. A maioria das pessoas insistia em fugir dali, o máximo que pudessem.

Um homem gordo vinha em meio à multidão amedrontada, calmamente. Quando Michael se deu conta do que estava acontecendo, o homem roliço desapareceu e houve um clarão um milésimo de segundo depois. Os materiais de que eram feitos a maioria das lojas e restaurantes eram frágeis e baratos, os tetos destes amassaram como copos descartáveis. As pessoas mais próximas do gordo foram incineradas instantaneamente, Michael foi empurrado violentamente por uma das pilhas de corpos que o cobriram.

Gritos ecoavam, o cheiro de sangue e de carne torrada abundava no ar, o calor aumentara bastante.

Juan, e Erik... Onde estão?

Com a centrifugação interrompida, os destroços e os mortos flutuavam em todo o interior da estação cilíndrica. Muitos gritavam, choravam, rezavam ou amaldiçoavam. Michael estava tonto, se preocupava agora com o paradeiro de seus amigos, ás vezes vinha até sua memória uma ponta de preocupação com a garota...

– Juan é você? — gritou ele virando-se para ver se era seu amigo que o estava puxando.

Entre o polegar e o indicador da mulher que o tinha rendido, brilhava uma pequena peça de fibra de carbono e ouro: uma pistola Dragon X43, 8 mm, capaz de apenas dois disparos até ser carregada. Ideal para matar a queima roupa, ainda melhor por que não deixava rastros de sua ação. Agia como um supercapacitor lançando uma descarga mortal de 2430 watts em um instante de meio segundo.

Ela se parecia muito com aquela máquina do espaço porto. Não se tinha como saber se era artificial ou não, até testemunhar sua força ou testar se emite calor. Michael foi arrastado até a zona de exaustão — de descarte do lixo -, entraram em um corredor imaculado, até uma escotilha amarela. Esta se abriu com a chegada dos dois.

Não... Hoje não é o meu dia de sorte!

Uma fileira de centenas de cápsulas onde se eram lançados os resíduos em direção até o Sol, Michael esperneou, tentou escapar, mas antes que se dessa conta estava dentro de uma dessas cápsulas.

Pouco depois, foi lançado no espaço.

...

Sozinho, nu, suando como uma bisteca numa churrasqueira, preso em um invólucro de metal sem janelas. Michael se empurrava de um lado para outro, socando, gritando, mas tudo isso se mostrou em vão. A iluminação vinha das próprias paredes, que emitiam um fraco brilho avermelhado.

Vá lá...

As luzes piscavam incessantemente, conforme o ritmo da música, a boate tremia com os saltos dos presentes sem rosto. Atrás do mar de gente, ela estava sentava bebericando uma taça de vinho, suas pernas refletiam as luzes como ébano. Lisas, macias e fortes. O homem tímido sentou-se ao lado da joia negra, puxando conversa mole.

– Desculpe está falando comigo?

Pronto ela está falando com você, não me decepcione!

– É... você vem... Sempre aqui? — soltou Michael.

Idiota, burro! Berrou a voz da IA que ele tinha baixado para ajudá-lo nos flertes. Pergunte para ela se já experimentou o vinho Bernini safra 2010, e ofereça gentilmente para ela.

Ele se esqueceu de perguntar, mas comprou a bebida. Ao virar para dar a ela, a garota havia desaparecido.

– Droga de aplicativo! — Michael sacou o minúsculo fone e esmagou no chão.

Ele abriu seus olhos, no ar, minúsculos rubis estavam flutuando por toda a cápsula. Meu suor!

A temperatura aumentou repentinamente e toda a estrutura começou a sacolejar, quando sua pele tocava nas paredes elas estavam pelando.

Cadê minhas roupas... Ah... Esqueci que as tinha tirado por causa do calor...

O balanço aumentou cada vez mais, Michael não sabia se gritava, ou chorava, ou se ria. Já era! Vou morrer! Me ferrei, como sempre...

Repentinamente a cápsula parou de chacoalhar e o loiro foi jogado no lado oposto da mesma.

– AI MEU DEUS...

O tênis dele veio de encontro aos seus testículos, agora Michael decidiu chorar.