Notas iniciais
Comecei a escrever essa Fanfic há bastante tempo. Meio que perdi o jeito dela, mas não perdi a vontade de terminá-la. Portanto, vou reescrever esse e o outro capítulo para adaptá-la à maneira que escrevo atualmente.

Ino não acreditou quando viu a quantia mostrada no taxímetro. Mais da metade do que tinha na carteira já tinha sido gasta e não alcançaram ainda nem um terço do percurso desejado. Seu pai tinha razão: ela tinha a noção de realidade distorcida. Afinal, não era preciso contar cédulas com o cartão de crédito , pensou.

Maldita ideia de fugir de casa! Devia ter ficado! Discutido mais um pouco! Ou, no mínimo, ter pego mais dinheiro...

Pagou ao taxista a quantia mostrada no taxímetro depois de pedir pra ele deixa-la lá: no meio do nada, embaixo de um sol escaldante, calçando saltos altíssimos e puxando uma mala enorme com um quarto de suas roupas preferidas e seis pares de sapato (que foi o que coube).

Teria que ir à pé até a cidadezinha por onde tinha passado há 20 minutos, para que, pelo menos, conseguisse um sinal para o celular, já que estava no meio do caminho entre o fim do mundo e lugar nenhum.

—-x--

Shikamaru limpou o suor da testa no lenço que trazia no bolso pela centésima vez e colocou de volta o chapéu. Mas aquela vez foi a mais satisfatória, enfim, terminara o serviço. Ele e Chouji haviam marcado as 182 cabeças de gado que a Sra. Tsunade comprara. Abriu a porteira de ferro e os soltou para o pasto. Observou a euforia dos animais enquanto bebia um gole d'água.

—Shikamaru, já terminou? – A voz enérgica soou atrás de si, ele nem tinha percebido a presença dela no curral.

—Sim, Sra. Tsunade. Estão todos marcados...

—Já os vacinou? — A mulher estava afoita.

—Não. O Kiba ainda não recebeu as vacinas e...

—Aquele incompetente! – A loira interrompeu. – Que seja! Estão dispensados! — E seguiu seu caminho para a sede da fazenda.

Os olhos de Chouji até brilharam quando ouviu a sentença da patroa. Ele lavou suas mãos e agarrou com gosto o pequeno embrulho que estava dentro da caminhonete vermelha “mais ou menos velha”, como Shikamaru definia e deu uma boa mordida no sanduíche.

Shikamaru sentou-se no banco do motorista e gritou para Chouji se apressar. Queria sair logo daquela fazenda. Não que não gostasse dali, mas queria voltar pra sua casa, deitar-se na grama e ver o sol se pôr.

Ligou o motor, assim que o amigo bateu a porta do lado do passageiro e arrancou, levantando uma nuvem de poeira. Ligou o som e deu um sorriso quase imperceptível — talvez o tenha realizado apenas em sua mente — e sentiu o vento refrescar a pele.

Porém, minutos depois de saírem da fazenda, avistou uma mulher alguns metros à frente. Era esbelta e tinha um cabelo loiro muito longo. Ela acenava e tentava chamar a atenção.

—-x--

Já devia ter andado uns bons 4 kilmometros e não avistou nenhum vestígio da cidade. Nada além daquele tapete de cimento que se estendia até sumir da vista. Seus pés já estavam com bolhas, porém, entre ter alguns calos ou pisar descalça naquele asfalto escaldante, que sujaria e deixaria seus pés grossos, preferiu aguentar a dor das bolhas.

Devia ter colocado um sapato mais baixo, pensou. Mas como ia imaginar que acabaria nessa situação?! Molhada de suor, com a pele queimando, morta de sede, faminta e sem contar aquela mala, que ficava mais pesada à cada passo. Estava a ponto de ter alucinações.

Foi o que pensou estar acontecendo quando escutou um ronco de motor e viu um carro vermelho se aproximando. Reuniu o resto das energias e começou a acenar, gritar, pular na beira do asfalto: qualquer coisa que pudesse fazê-la ser notada e alguém lhe salvasse daquele pesadelo, nem que só lhe desse um copo d’água ou uma carona.

Quando a caminhonete se aproximou o bastante para que ela pudesse enxergar os ocupantes dela, não conseguiu ver mais nada: a escuridão tomou conta de sua vista e os sentidos abandonaram seu corpo: Ino desmaiara em cima da sua enorme mala roxa.

—-x--

Shikamaru frenou o carro repentinamente, o que fez Chouji perder seu sanduíche, que saíra pela janela e caiu no meio do milharal.

—Merda! – Shikamaru praguejou, antes de descer do carro e ir até a moça, sendo seguido por Chouji. –Moça! Moça! — Chamava, enquanto a chacoalhava pelos ombros tentando despertá-la.

—Shika, não é melhor chamar um médico? – Chouji perguntou, um pouco assustado com a situação.

—Um médico, Chouji? Aqui? Vamos levar ela pra minha casa, depois chamamos um médico.

Shikamaru a levantou pelos ombros, enquanto Chouji a segurou pelas pernas e a levaram para a caminhonete e a colocaram na carroceria.

—Você dirige, está bem? Eu vou com ela aqui atrás.

—Ahn... Shika? – Havia um pouco de receio na voz do rapaz.

Chouji apontou para a mala gigante e as coisas esparramadas que caíram de dentro da bolsa. Shikamaru revirou os olhos antes de descer e recolhê-las.

Ele acomodou Ino em seu colo da melhor maneira que pôde e a manteve seus olhos fixos nela durante todo o percurso até sua casa, na esperança de que ela acordasse ou tivesse alguma reação. Mas nada.

Assim que chegaram, deitaram a mulher desfalecida e Shikamaru pediu para que Chouji fosse até à cidade procurar ajuda.

Shikamaru, então, foi até o banheiro e trouxe uma bacia com água e uma toalha enquanto Chouji ganhava a rodovia, o mais rápido que pôde. O rapaz pôs-se à molhar a toalha e passá-la delicadamente pelo rosto da desconhecida. A respiração estava acelerada, pôde notar.

—Á-águ...a – Ela pediu, quando ele molhou levemente os lábios ressecados.

Ele pegou um copo na cozinha, agachou-se ao seu lado, apoiou a cabeça dela em seu antebraço e a fez beber o conteúdo, lentamente.

—-x--

—Onde ela está?! – Perguntou o homem do outro lado da linha, furioso.

—Eu... eu não sei! Ela não avisou ninguém onde iria. — tentou explicar.

—Não me espanta que você esteja prestes à falir, Inoichi! Não consegue nem domar sua filha, imagine sua empresa.

—Basta, Hidan! – O loiro se exaltou. -Eu não admito que você fale assim!

—Trate de encontrá-la, Inoichi. – o tom de voz soou assustador. – Se não, nosso acordo já era! Se eu não me casar com sua filha, não vou ajudar essa sua empresa de merda. Lembre-se, Inoichi: 5 milhões! — E desligou o telefone.

Inoichi massageou as têmporas. Estava perdido! Tinha feito um acordo que não via como ser cumprido. Ele odiaria ver sua filha infeliz.

—MERDA! — Gritou, socando a mesa.

—-x--

—Acho que é insolação... Ela tá vermelha!

—Mas ela está desmaiada! — Chouji retrucou.

—Deve ser por exaustão. Não vai demorar para ela acordar.

—Tem certeza? — Dessa vez foi Shikamaru quem duvidou.

—Shikamaru, confie no Kiba! – Chouji intrometeu-se.

—Chouji, eu pedi pra você trazer um médico, e você me traz o KIBA! Como você quer que eu confie nele?- O moreno debochou.

—Assim você me ofende, Shikamaru. – Kiba fez um biquinho e logo caiu na risada – Eu sou veterinário, mas a anatomia não é tão diferente assim... Além do mais, a Dra. Shizune está ocupada com o parto de Sakura.

—Sakura? Então vai nascer o segundo de Naruto?! — Shikamaru estava espantado. Não fazia muito tempo desde que recebera a notícia de que o amigo teria outro filho.

—O segundo e a terceira! São gêmeos. – Kiba respondeu.

Shikamaru revirou os olhos só de imaginar o trabalho que o casal de amigos teria cuidando de gêmeos e do pequeno Minato.

Ino resmungou alguma coisa que ninguém conseguiu entender, porém, todos voltaram sua atenção para ela.

—Eu não... vou... – Ela murmurou e Kiba aproximou seu rosto do dela para ouvir melhor.

—Que cheiro bom! – Disse mais para si mesmo do que para os outros e Shikamaru lhe deu um peteleco.

—Quietos! – Chouji reclamou.

—Hidan... não... NÃO! – Ino abriu os olhos e tentou levantar-se – Mas o que?! – Não entendeu nada ao ver três homens analisando como se fosse uma coisa totalmente diferente. – Quem são vocês?!

—Até que enfim você acordou! Nós queríamos saber... — Chouki começou e logo foi interrompido.

—Achamos você na estrada.

—Na... estrada? — Ainda estava atordoada. Não lembrava de muita coisa. Apenas flashes.

—Kiba Inuzuka! Ao seu dispor, princesa! — Adicionando uma piscadela.

Ino deu uma sonora gargalhada e Shikamaru fez uma careta com a cara-de-pau do amigo.

—Eu sou Chouji!

—Shikamaru... Nara.

—Meu nome é... — Hesitou para falar. — Ino. — Dizer seu sobrenome seria seu fim.

—Então o que traz você aqui? – Kiba foi direto ao ponto.

—Férias. – Respondeu com um sorriso amarelo. Não que estivesse mentindo. De fato, queria mesmo tirar férias de sua vida, que havia se tornado um pesadelo. – Mas o taxista teve que voltar, me deixou naquele meio do nada e meu celular não estava pegando. E... bem, o resto da história vocês já conhecem...

—É. Estamos sem rede desde que a tempestade de ante-ontem derrubou as torres. – Chouji comentou.

Em qualquer outra situação, ela estaria desesperada. Mas talvez fosse bom ficar em um lugar em que ela não poderia ser encontrada. Um sorriso discreto formou-se em seus lábios.

Shikamaru manteve-se na mesma posição durante seis... dez... treze minutos e vinte e sete segundos, foi o que deduziu. Apoiado na parede com as mãos nos bolsos, analisando todas as possibilidades do que ocorreria à partir dali, e e alguma coisa dentro de si lhe dizia que ela não iria embora tão cedo.



Notas finais
Por enquanto é isso! Peço que me avisem se encontrarem algum erro. Também estou aberta à sugestões! Obrigada por lerem até aqui! :D