Meus Sapatos Por Um Beijo Seu.
2 Problema ao quadrado.
Ele se moveu quando Kiba e Chouji decidiram ir embora. Depois de acompanha-los até à porta e vê-los sumindo estrada à fora, sentou-se de frente à Ino e a analisou. Uma moça bonita, bonita até demais... Porém algo em sua mente o aconselhava à manter distante, ela parecia ser um poço de problemas.
—Você quer comer algo? – Ele disse, com suas mãos formando um triangulo.
—Estou faminta... Se não for incômodo.
—Ótimo. Se você quiser tomar um banho, o banheiro fica lá em cima. – Apontou para a escada – Fique à vontade!
—Obrigada... –Ela se sentiu meio constrangida, mas resolveu não questionar. Tomar um banho era o que ela mais queria.
O rapaz preparou um jantar simples, e sentou-se à mesa, esperando que sua “hóspede” saísse do banho, que ele achou demasiado longo. Mas quando ouviu os passos na escada , agradeceu mentalmente pelo cheiro delicioso que exalou dela. Odiou admitir, mas Kiba estava certo: “cheiro bom” era tudo o que passava pela sua cabeça. Ter aquela... "Ino" perto de si seria problemático demais.
Ela saiu do banheiro trajando um vestido branco de um tecido leve e estava descalça. Ao vê-la andar, parecia que flutuava, ao invés de trocar passos. Pensou estar delirando. balançou a cabça para voltar à realidade.
A mulher sentou-se frente à ele, mas mal ela se acomodou, ele levantou.
—Pode comer. Não precisa me esperar. — nem ele soube porque fizera isso.
Logo depois, Ino ouviu o barulho do chuveiro. Pensou em espera-lo, mas nem se lembrava quando foi à última vez que comeu. Talvez fosse o jantar do dia anterior. Encheu um prato, pegou os talheres e praticamente devorou a refeição. Estava delicioso.
Shikamaru desceu usando apenas uma calça jeans. O dorso nu, com pequenas gotas sobre a pele morena, os músculos bem definidos, o cabelo ainda preso. Ino o encarava, analisando todos os detalhes, mas quando encontrou os olhos castanhos e viu que eles estavam sobre si, corou. Desviou o olhar pra qualquer outro ponto na cozinha. Ele fingiu ignorar.
—Vou preparar a cama para você... Eu tenho que ir à cidade amanhã de manhã... – Disse antes de começar a comer – Você quer ir? Digo... Você deve estar desesperada pra voltar pra casa.
Ino não quis admitir, nem pra si mesma, mas algo dentro dela lhe dizia pra ficar. Deu um sorriso amarelo antes de confirmar. Permaneceu sentada, enquanto Shikamaru apreciava sua refeição lentamente. Ele parecia meio... lento? Ele olhou para ela no exato momento em que esse pensamento tomava forma e sua expressão não era a mais agradável. Sentiu as bochechas esquentarem. Ele lia pensamentos?
—Você ainda está vermelha. – Ele constatou.
—O-o que?!
—O sol. Te queimou. — Voltou o olhar para o seu prato.
“Sério demais.” ela confirmou em seus pensamentos.
—Ah... Sim... Me queimou... – Falta de respostas nunca tinha sido um problema pra ela, até agora.
—Não está ardendo? — Ele se aproximou e tocou o ombro dela.
—Um pouco, mas...
Os dedos de Shikamaru estavam queimando sua pele, e nem era pelo sol. Ela um calor tão bom que quase fechou os olhos para apreciar, mas a sensação se afastou dela tão rápido quanto a tocou.
Ele tirou um maço de cigarros do bolso, pegou um e levou à boca. Acendeu. Tragou. Eram movimentos ensaiados, pensou, de tão perfeitos. O que aquele cara estava causando nela? A maneira que ele sugava a fumaça e a soltava um pouco depois a fez sentir inveja daquele cigarro, ainda que odiasse cigarros.
Ela tentou afastar a fumaça de perto de si com as mãos, com uma careta. Ao perceber, Shikamaru revirou os olhos, preferiu evitar problemas. Deu meia volta e saiu pela porta da frente, sentando-se na varanda.
—Fique a vontade. — Gritou do lado de fora, assim que se acomodou.
Ino sentou-se no sofá, analisando a sala. As fotos, o tapete felpudo, as poltronas floridas e confortáveis, tudo tão aconchegante. Aquele não era, definitivamente, seu mundo. Porém, tinha medo de que não conseguisse encaixar-se de novo naquele ao qual pertencia. O que seria da sua vida?! Ela não sabia se virar sozinha. Não tinha dinheiro algum, que não fosse o do pai. Sentiu um bolo formando-se em sua garganta ao segurar as lágrimas que queriam descer aos montes. Abraçou uma almofada qualquer, afundando seu rosto nela e gritando. Estava tão exausta que acabou dormindo ali mesmo.
Shikamaru perdeu a noção do tempo observando as estrelas que até esquecera de sua “hóspede”. Quando passou pela sala e a viu dormindo tão tranquilamente tentou ignorar a vontade que queimava dentro de si de protegê-la, mas desceu os 3 degraus que já tinha subido só para vê-la melhor. Subiu até seu quarto, pegou um cobertor e a ajeitou melhor no sofá antes de ir se deitar. Longo dia, afinal.
—-x--
Ele acordou com o cheiro de queimado que vinha da cozinha. Queria ter ficado uma hora a mais na cama e continuou a pensar nisso até quando já estava na metade do caminho. Ino estava com uma espátula na mão e o avental florido que era de sua mãe. A pia e a mesa estavam uma bagunça, tal qual o resultado de uma catástrofe natural. Ela o olhou desconcertada, parecia uma criança que fez alguma coisa errada.
—Eu pretendia arrumar tudo antes de você acordar. – Ela exclamou assustada. Shikamaru continuava a olhar incrédulo para a bagunça. –Eu fiz o café da manhã! Ou pelo menos tentei. — Correu para acudir a frigideira com os ovos que estavam queimando. — Ah, não...
O homem estava estatelado. Ele tinha levantado só para encontrar um pandemônio em sua cozinha.
—Olha, Shikamaru, me desculpa pela bagunça... Mas eu pensei que isso seria o mínimo que eu poderia fazer pra agradecer por ontem. –Ela se aproximou dele, beijando-lhe a bochecha.
Porém o momento de tranquilidade foi interrompido por uma voz gritando estridentemente do lado de fora, ao mesmo tempo que esmurrava a porta.
—SHIKAMARU! SHIKAMARU!
Ino viu uma loira com um penteado estranho se aproximar da porta. Parecia histérica. E continuou à gritar pelo nome do rapaz até que ele abrisse. Assim que Shikamaru o fez, ela adentrou a sala observando bem o local e assim que percebeu a presença de Ino, arregalou os olhos. E quando ele viu aquele olhar na face de Temari, quis que, magicamente, um buraco abrisse na sua frente, para que ele pudesse sumir.
—Por Deus! O que foi, mulher?!
A definição de problema estava duplicada ali, na sua casa: Temari e Ino, sob o mesmo teto, frente a frente. Ino olhava sem entender nada para Temari, que estava vermelha e tremendo de raiva. E ele, pobre rapaz, bem no vértice do triângulo.
—Eu não acreditei no que o Kiba disse e vim ver com meus próprios olhos. Você está, mesmo, abrigando uma “vadiazinha” da cidade grande!
Diante do “elogio”, Ino ficou boquiaberta.
—Espera aí, quem você está chamando de “vadiazinha”, seu espantalho mal-feito?! – Ela respondeu com uma mão na cintura e a outra apontando para a adversária.
Temari teria voado, literalmente, em Ino, e vice-versa se o rapaz não tivesse entrado no meio das duas. A partir daí, a cota de arranhões, tapas, chutes, gritos e ofensas que ele poderia suportar estava chegando ao limite. Logo ele, que era sempre tão calmo e tinha preguiça de arrumar confusão. Sua sorte foi Chouji ter aparecido ali, seguindo o carro de Temari. O ruivo agarrou Temari pela cintura, e Shikamaru levou Ino para a cozinha. Mais um minuto, e ele seria decepado por garras afiadas.
—Chouji! Tira a Temari daqui! — Shikamaru ordenou, bufando.
—Você não ousaria, Shikamaru! – Temari gritou da sala, se debatendo para escapar de Chouji.
—Temari, por favor...
—Shikamaru! –Ela protestou.
—Chouji, anda logo! –Shikamaru ordenou.
Chouji teve que arrastá-la até seu carro, enquanto a loira gritava que não deixaria por aquilo mesmo. Ino estava encolhida em uma das cadeiras da cozinha e ele massageava suas próprias têmporas para tentar acalmar-se. Respirou fundo, antes de encará-la.
—Me desculpe... Eu não quero lhe causar problemas...
O moreno aproximou-se dela e ao encarar aqueles olhos profundamente azuis esqueceu qualquer resposta que tinha pensado.
—Está tudo bem...
Talvez estivesse respondendo mais à si próprio do que para ela.
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