Meu vizinho?

5 Detenção.


' Você sabe que foi sua culpa, né? – Esbravejou Julian com certo tédio em sua voz, seus olhos se concentravam no celular que ele teclava descontroladamente, enquanto meus olhos estavam olhando para a lousa, estávamos na detenção, já que depois de termos sido expulso daquela aula, acabamos por resolver não assistir mais nenhuma.

— Minha culpa? Era só uma brincadeira, mas até parece que você queria assistir aquela aula. – Falei dando de ombros, enquanto brincava com uma mexa do meu cabelo.

Detenção...Isso deveria ser algo ruim, mas eu poderia ter todos os dias que não ligava, porque o professor Alan era completamente engraçado e sempre deixava todos na detenção conversar sobre o que gostávamos, desse modo a detenção era aonde os bagunceiro se encontrava para conversa asneira ou marcar festas, muitos poderiam achar que nos só pensávamos em quebrar a escola, mas estavam enganado, pensávamos em outras coisas também.

Aqui era aonde poderíamos ser nós mesmo, mas nunca foi assim, só quando o professor Alan chegou, ele mostrou que poderíamos ser amigos, ou uma família, e a partir daquele dia, quando todos entram nessa sala, destruímos nossas barreiras ou o cadeado que abre a porta dos corações que temos escondidos.

— Mad, minha garota. – Falou Freddie com uma voz rouca ao mesmo tempo em que se aproximava de mim, fazendo-me desviar meus olhos para o garoto a minha frente, ele era aquela pessoa que passava horas conversando e você nem percebia, ele estava vestido todo de preto, era raro ele com alguma cor colorida e atrás dele estava Libby, sua namorada.

— Freddie, meu garoto. – Falei de um modo descontraído, ao mesmo tempo em que me levantava da cadeira para cumprimentar o garoto que vinha em minha direção, meus braços foram entorno do seu pescoço, ao mesmo tempo em que sentia a mão dele em minha cintura.

— Pode falar que você resolveu aprontar porque sabia que eu estaria aqui também. – Falou ele em um tom descontraído, ao mesmo tempo em que olhava para sua namorada. – Olha, vou falar a verdade, não aguento mentir... Mad vive dando em cima de mim.

Se ele era idiota? Que isso.

— Fred, só eu que sou louca por querer você. – Falou Libby enquanto tentava empurrar seu namorado para tentar me abraçar, ela era igual a ele, ambos costumava vestir preto e fazia o casal mais perfeito daquela escola, pelo menos era o que eu achava.

— Não precisa disputar meu abraço, eu sei que sou irresistível. – Falei me afastando de Freddie para abraçar a garota de preto, aonde acabei por dar um abraço apertado na mesma, tinha sentindo faltas dela, nessas férias os dois resolveram viajar, e isso fez eu não ver eles nenhum dia. – Mas porque os dois estão aqui?

— Adivinha? Aqueles trouxa resolveram encher de novo, pensei que tínhamos conseguido dar um jeito neles, mas parece que eles gostam de apanhar. – Falou ela com certa raiva, enquanto ia dar um abraço em Julian.

— Merda, parece que vai ser a mesma palhaçada do começo do ano... Vamos fazer algo que eles iram se arrepender – Freddie comentou com um sorriso maquiavélico no rosto, ele gostava dessas coisas, pois sempre teria alguém para ele bater.

Solto um leve suspiro e acabo por voltar a sentar novamente na cadeira, não acredito que aqueles idiotas vão tentar acabar com o nosso grupo de novo, bem, mas como o Freddie falou tudo vai começar de novo e teremos que pensar em algo para nos defender. Mas uma rivalidade que dura desde os primeiros dias de aula não iria acabar tão facilmente, pelo menos era o que tinham me falado quando eu comecei a estudar aqui, porem quando eu entrei depois de um mês que já tinha começado, eu acabei reparando que não era unida, mas eu não queria ter entrado na circunstancia que eu entrei, ou como Julian também venho parar nessa escola.

Logo meus pensamentos me levaram no primeiro dia que começou essa rivalidade.

....

— Você tem que se acalmar. – Disse Julian me seguindo, enquanto vasculhávamos toda a escola, era quase meia noite e estávamos atrás de Cindy, ela não tinha chegado em casa e sua mãe tinha perguntando se ela estava comigo.

— Me acalmar, você sabe que ela nunca sairia sem avisar a mãe dela. – Comentei abrindo a porta da ultima sala que faltava, e ao ver que não tinha ninguém lá dentro, acabava por olhar para Julian, a luz da sua lanterna estava em minha cara e seus olhos davam para ver enquanto ele estava nervoso e tentava não demonstrar.

Enquanto isso eu não conseguia fingir que estava estável, como conseguiria, minha melhor amiga estava desaparecida e eu não sabia onde ela estava e eu odiava pensar que algo tinha acontecido com ela, me lembro quando nos conhecemos no parque, depois de eu sem querer ter acertado a bola na sua cara, desde o primeiro dia que conversei com ela eu sabia que a amizade dela seria importante para mim e estava certa, ela se torno a pessoa que eu mais confio no mundo, ela e o Julian são as pessoas que mais amo.

Era a primeira vez que estava naquela escola e me lembro em como a Cindy insistia para eu conhecesse a escola dela, mas eu sempre falava que quando pedisse transferência da escola que eu estudava ela poderia me mostrar, eu sabia que tinha algo errado desde cedo, pois ela não tinha retornado minhas ligações e eu estava animada para contar que poderia ir na próxima semana para a escola dela e que agora seriamos da mesma sala e que Julian iria vir no pacote.

— Eu já vim uma vez aqui por causa do campeonato da escola, ainda não vimos o banheiro da quadra. – Falou ele tentando dar alguma esperança, enquanto voltava a andar pelos corredores da escola, enquanto eu ia atrás dele sem dizer nada.

Depois de passar alguns minutos e andarmos por vários corredores, saímos na quadra e fomos em direção ao banheiro masculino e estava vazio como a escola inteira, logo viro minha cabeça e olhos para o lado e vejo o banheiro feminino.

— Cindy. – Gritei enquanto ia em direção a porta e tentava abrir, estava fechada. – Cindy, esta ai?

"Merda, não acredito que isso esta acontecendo, ninguém some do nada, o que irei falar para a mãe dela, que eu estava mentindo, que ela não estava na minha casa, que na verdade, eu também não sei aonde ela esta" Pensei enquanto continuava a olhar para a porta a minha frente.

— Madelyn, é você? – Disse alguém atrás da porta, sua voz estava fraca, mas era Cindy, eu conheceria a voz da minha amiga em qualquer lugar. – Por favor, diz que é você.

Solto um suspiro pesado ao ouvir que ela estava atrás daquela porta, enquanto gritava para Julian que continuava no banheiro masculino. – Julian, eu achei ela. – Levei minha mão até a maçaneta da porta, enquanto tentava abrir, mas não conseguia, pois ela estava fechada.

— Deixa que eu faço isso. – Eu não tinha reparado que Julian estava atrás de mim, mas logo eu vejo ele me puxando para sair da frente dele enquanto ele tentava derrubar a maçaneta com um extintor que tinha achado, ele bateu em torno de quatro vez até ver a maçaneta quebrando e a porta abrindo, me impressiono as vezes em como ele era inteligente em certa coisas e como ele conseguia agir bem na hora do desespero.

Adentro no banheiro e olho para todos os lados, tentando de algum modo achar ela, logo ao ver ela sentada no chão, só com peças intimas e seus braços tentando abraçar seu corpo, acabo por ficar parada onde eu estava, eu olhava para ela em estado de choque, eu não me lembrava como era respirar, eu só sentia raiva, raiva por alguém ter feito isso com ela, como alguém era tão idiota ao ponto de deixa-la desse jeito, principalmente no frio que estava essa semana.

— Quem fez isso com você? – Ao voltar a raciocinar, vou em sua direção com passos rápidos e abraço ela fortemente, depois de alguns minutos sinto ela retribuir, ela respirava irregular e ao olhar para ela melhor, vejo algumas lagrimas caindo do seus olhos e acabo por sentar ao seu lado, ao mesmo tempo que tentava pensar em algum modo de tentar anima-la, eu não gostava de pessoas chorando, porque eu não sabia como agir e nesse momento eu só conseguia olhar para ela e esperar ela se acalmar.

— Pensei que ninguém ia me achar...Pensei que ninguém ia lembrar que eu existo. – Sua voz era fraca, seus olhos estavam vermelhos, provavelmente ela estava chorando antes de termos chegado, ela não parecia a garota quieta que eu conhecia, ou aquela que sempre falava alguma besteira depois de ter esquecido da timidez, ela estava olhando para a porta de um dos banheiros. – É melhor irmos embora, eles podem voltar... Eles podem machucar você, ou o Julian. – Seu tom saiu de um modo desesperado e rouco, enquanto ela voltava a chorar.

E ao olhar como ela estava aquilo me machucou, de um modo que eu pensava que nunca iria acontecer, me machucou ainda mais porque ela estava preocupada comigo e com Julian, que no momento que ela estava daquele jeito, ela pensava que o mesmo poderia acontecer com a gente. Mas eu vendo ela desse jeito, frágil e com medo, fez toda a minha raiva voltar, agora que eu vou vir estudar nesse inferno, eu vou ser pior que eles, eles vão se arrepender por ter feito isso com ela, eles vão ver que ninguém pode mexer com alguém que eu gosto, principalmente se essa for minha melhor amiga.

— Eles não vão voltar, se voltarem iram se arrepender. – Disse Julian se aproximando e dando o seu casaco para ela, aonde ela pegou rapidamente e vestiu, ao mesmo tempo em que ele voltava seu olhar para mim, e eu via a mesma coisa que eu pensava, nos dois faríamos de tudo para protegê-la.

— Começa a contar, porque queremos saber de tudo que aconteceu aqui. — Falei em um tom serio.

....

Logo sinto alguém me acorda dos meus devaneio, ao mesmo tempo em que sentia minha mão se fechar em forma de soco e minha respiração ficar irregular, sempre quando eu me lembrava do que tinha acontecido para essa guerra na escola ter acontecido eu ficava com raiva, porem não era só eu, qualquer pessoa que soubesse das barbaridades que eles fizeram, ficava daquele jeito.

— Estão vendo gente, eu chego pra dar aula para os delinquentes e alguém já esta me olhando com um olhar mortal. – E ao ouvir isso acabo por soltar uma gargalhada descontraída ao olhar para o Professor Alan me olhando de um modo descontraído.

— Ei velhote, você sabe que é meu sonho te bater. – Falei em um tom sarcástico, onde eu abria um sorriso malicioso em minha face.

Alan era novo, ele tinha por volta de trinta anos de idade e todas as garotas da escola achavam ele completamente sexy e eu era uma dessas garotas, ele era muito bonito e parecia com um modelo, me perguntava o porque dele ficar dando aulas, mas o melhor de tudo isso, era que ele era um professor substituto, porem sempre pegava as aulas da detenção.

— Vocês viram galera, essa pirralha esta me ameaçando, vou chamar o diretor e vocês serão a prova que ela fez isso mesmo, ok? – Falou ele olhando para todos que estavam na sala, fazendo-me reparar que tinha ficado muito tempo perdida em meus pensamentos, porque agora tinha em torno de quinze pessoas sentadas e concordando com o que o professor falava. – Se ferrou garota, agora vou acabar com você. – Falou ele em um tom maléfico ao mesmo tempo em que batia em suas mãos e dava risada digna de filme de terror.

— Professor, desse jeito eles vão pensar que é algo pessoal, sabe, que você me odeia. – Comentei em um tom dramático, enquanto fazia um biquinho, de um modo que parecia que eu estava preste a começar a chorar. – E nossas juras de amor?

— Madelyn, era para isso ser segredo. – Alan disse entrado na brincadeira, porem começava a soltar uma risada alta em seguida, sendo acompanhada por mim e pela sala. – Por isso eu gosto de vocês, vocês sabem como é entrar em uma brincadeira.

Ele era professor de teatro, então a maioria das aulas na detenção a gente escolhia algo para encenar e isso era algo que eu mais gostava.

— Então galera, o que vamos fazer hoje?

E lá vai mais uma detenção, a primeira de muitas que iram vir, parece que as férias fez todos voltarem com mais animação para aprontar e claro continuar a vingança de muitos nessa sala.