Meu querido sonâmbulo 2

9 Minha querida paranoia


— Então, hyung, o que você fazia por aqui?

Era a segunda vez que Kim Namjoon perguntava aquilo ao mais velho e, realmente espantado por ter encontrado Yoongi justamente ali de todos os lugares possíveis, esperava uma resposta mais esclarecedora e conclusiva do que a primeira que tivera ainda dentro da casa funerária: aqui não é o melhor dos lugares para conversarmos, vamos lá para fora.

Agora, os três — sim, três, pois o instinto de Shinhye lhe mandara ir atrás dos dois amigos ao invés de cumprir com a sua missão anterior. Porque por algum motivo, olhando nos olhos fundos e assustados de Yoongi, ela acreditou que o tal Hoseok não deveria ser a sua prioridade naquele momento — já estavam do lado de fora, mais especificamente no estacionamento. Agora, próximo do carro que Haechan havia emprestado para Shinhye e distante das pessoas que movimentavam a casa funerária, Namjoon esperava com paciência e curiosidade pela resposta do amigo.

— Um conhecido meu do trabalho faleceu esta manhã e está sendo velado aqui também, no terceiro andar. Parece que foi um acidente feio e, por isso, eu e mais um pessoal do laboratório passamos para prestar uma última homenagem. — Min Yoongi respondeu, por fim. — Jamais imaginaria que encontraria você por aqui. E você, o que faz aqui?

Mesmo com o rumo da conversa agora sendo desviado para Namjoon, Shinhye não fazia nenhuma questão de tirar os olhos do Min. Ele parecia mais calmo e normal depois de dar a sua explicação, contudo, vez ou outra ainda arranhava a própria nuca e também parecia incomodado com o olhar fixo da Kim em si. Shinhye não sabia explicar, mas simplesmente se sentia estranha desde o momento no qual se deparara com o rapaz de cabelos descoloridos.

— Realmente, nós viemos nos desencontrando em casa já faz alguns dias... Quem diria que nos encontraríamos em um lugar como este? — Namjoon comentou um pouco avoado e, só então, lembrou-se de responder à pergunta do Min. — Ah, eu vim apenas acompanhando a Shinhye. A propósito, eu não apresentei vocês ainda, não é? Shinhye, esse é Min Yoongi, meu amigo da época de colégio e agora colega de apartamento. E hyung, essa é...

— Kim Shinhye. — a terapeuta interrompeu o Kim com certa firmeza enquanto estendia uma mão na direção de Min Yoongi, um cumprimento não muito comum na Coreia. — Eu sou a médica do Namjoon.

Yoongi tinha se sentido repentinamente intimidado pela mulher e, quando aceitou o aperto de mão da mesma, Shinhye pode sentir a hesitação presente até na mão que ele a estendia de volta. Ela sabia que ele estava tentando disfarçar ou, ainda, esconder algo, mesmo que nem o próprio Namjoon parecesse se dar conta daquilo. Alguns poderiam chamá-la de paranoica, contudo, um dos seus antigos professores na academia de polícia possuía um bordão que, de tanto repeti-lo ao fim de cada aula, começara a virar uma espécie de filosofia a ser seguida para a Kim: desconfie de todos que consiga desconfiar. Ela, no fim das contas, sequer tinha se tornado uma policial de fato, mas não era como se isso a impedisse de continuar seguindo alguns costumes daquela época.

Ou de tomar algumas precauções.

— Médica? — Yoongi perguntou, parecendo preocupado. Sua mão já tinha se soltado da de Shinhye e nem mesmo um prazer em conhecê-la foi ouvido; de nenhuma das partes, na verdade. — Você está doente?

— Há alguns anos já, não? — foi a própria Kim quem rebateu, atraindo a atenção do Min de volta para si. — Na verdade, eu sou especializada na área do sono e seus distúrbios. Estou tratando do sonambulismo do seu amigo.

Dito isso, o olhar de Yoongi voltou vagarosamente para a direção de Namjoon, como se ele ainda estivesse processando a informação no meio do caminho. Shinhye ainda o observava com atenção, ao passo que o Kim ainda se perguntava como todos tinham ido parar justamente ali; cada um tinha a sua velocidade e malícia, no fim das contas. O fato era que Namjoon jamais olharia para o melhor amigo com outros e desconfiados olhos.

— Você não me contou que finalmente tinha buscado tratamento. — Yoongi comentou um tanto que mecanicamente. — Fico feliz por você.

— Bem, eu não busquei exatamente, mas aconteceu. — Namjoon finalmente respondeu, rindo sem graça.

Por mais que ele e Yoongi fossem melhores amigos, Namjoon ainda não tinha contado para o Min sobre Shinhye, como os dois tinham se conhecido e mais tudo sobre aquela noite — da qual sequer se lembrava, na verdade — e nem pretendia contar. Estava usando como desculpa o fato de que ele e o Min mal tinham se encontrado desde aquele dia, apenas um ou outro esbarrão rápido pelo apartamento, mas agora, mesmo sem a mesma, ainda não falaria nada. Ele não sabia o que tinha acontecido consigo mesmo, o que tinha feito e muito menos como chegara até a vizinhança de Shinhye, então o que lhe restara para contar seria sobre ter sido encontrado desacordado num beco escuro e coberto de um sangue alheio... Ou seja, não era algo de que ele se orgulhava nem por um mísero milímetro. Yoongi até sabia sobre o seu sonambulismo, afinal, o próprio tinha descoberto aquela condição do Kim ao encontrá-lo vagando pela casa no meio da noite e enquanto dormia, mas os acontecimentos daquela noite em específico estavam num patamar muito além daquele. Namjoon não queria preocupá-lo e, sendo franco consigo mesmo, tinha medo da reação que Yoongi poderia ter.

“E se ele me achasse um assassino ou algo do tipo? Na verdade, eu até poderia ser...”

Namjoon estava apavorado com toda aquela situação e, se Shinhye não tivesse o encontrado e agora parecesse tão disposta a ajudá-lo, ele não tinha ideia de o que estaria fazendo com aquele problema gigantesco e totalmente fora do seu controle.

— Na verdade, o Namjoon chegou a comentar sobre um remédio que você lhe deu para ajudá-lo a dormir melhor ou algo do tipo. Ele iria me trazer para que eu desse uma olhada nos comprimidos agora de manhã, mas acabou se esquecendo. — Shinhye quebrou o silêncio que se formara entre os três e fitou o Kim um tanto acusadoramente, que encolheu os ombros e abaixou a cabeça. — Mas, já que você já está aqui, isso facilita as coisas. Que remédio é esse, especificamente?

Shinhye fazia questão de ser direta e, de fato, Namjoon não tinha visto nenhum problema naquilo. O único a enxergá-lo foi o próprio Min Yoongi.

— São comprimidos homeopáticos. Não se preocupe, doutora. — o Min respondeu com uma firmeza repentina, ao contrário do que Shinhye esperava ao questioná-lo. — Foram produzidos por uma equipe especializada nisso no laboratório onde eu trabalho, então eu achei que não teria problema em ajudar o meu amigo os indicando.

— A homeopatia é sempre preocupante. — a Kim rebateu no mesmo instante. — Sem querer ofender a sua equipe, claro, mas a base desses remédios costuma ser a própria causa da doença e, se administrados ou produzidos na dosagem errada, podem piorar ainda mais a condição do paciente.

Yoongi a encarou, sério, e assim permaneceu durante alguns segundos. Até que, de repente, ele soltou uma risada fraca e nasalada e balançou a cabeça, como se tivessem o substituído por outra pessoa.

— Você tem razão. — concordou pacificamente. — Como a médica do meu amigo, deveria mesmo dar uma olhada nos comprimidos. Eu posso mandá-los pelo Namjoon com a receita detalhada e tudo, se preferir.

— Eu prefiro. — a Kim foi rápida em aceitar.

Na verdade, algo em Yoongi já a incomodava antes; contudo, agora, estava também a assustando. Não que Shinhye fosse do tipo de pessoa que se deixava amedrontar facilmente pelas outras, mas algo que ela não conseguia explicar estava simplesmente lá, dando um toque escuro na áurea de Yoongi. O rapaz, apenas um ano mais velho do que ela, a encarava de volta às vezes como quem se intimidava pela sua firmeza e iniciativa e, em outras, como quem estava disposto a confrontá-la sem maiores problemas. Fora uma conversa rápida entre os dois, de fato, mas bastaram aquelas palavras para Shinhye perceber que havia algo extremamente errado em Min Yoongi, fosse em sua personalidade ou apenas no seu modo de agir. Ela o encarava de volta e queria dizer algo para, ao menos, finalizar a conversa com o tom de quem sabia daquilo — contudo, acabou tendo a sua atenção roubada por uma outra figura, essa também curiosa.

A alguns carros de distância dos três, Hoseok cruzava o estacionamento enquanto olhava em todas as direções possíveis que o rodeavam. Ele andava apressado e parecia preocupado em estar sendo observado ou seguido, o que automaticamente chamou a atenção da Kim. Mesmo que Hoseok não tivesse cabelos tão vermelhos, ela teria o avistado de um jeito ou de outro.

— Com licença. — disse e, sem se despedir de Yoongi, apenas virou-se para Namjoon. — Você pode me esperar aqui?

O Kim apenas balançou a cabeça positivamente e, num piscar de olhos, Shinhye já tinha sumido do seu campo de visão. Yoongi estranhou a atitude da terapeuta e, por isso, manteve os olhos na mesma enquanto ela se afastava cada vez mais, até se tornar uma figura embaçada que abordava uma outra não muito diferente. O Min espreitou os olhos, mas não precisou fazê-lo muito para, de cara, reconhecer quem era o homem que Shinhye tinha saído tão apressada para ir atrás.

— Jung Hoseok? — ele sussurrou para si mesmo, surpreso. — O que diabos ela quer justamente com ele?

— O que disse, hyung? — Namjoon perguntou diante dos murmúrios do mais velho, que ainda mantinha o olhar sobre a dupla distante.

De repente, ele se sentiu extremamente ameaçado. Algo do qual ele não tinha conhecimento algum estava acontecendo bem diante dos seus olhos, contudo, acontecia fora do seu alcance e controle, pegando-o completamente desprevenido. Min Yoongi não gostava de quando as coisas não saíam como ele planejava e, com isso, começava a se sentir vulnerável; como se o seu plano pudesse ruir a qualquer momento.

Algo que não poderia acontecer sob nenhum tipo de hipótese.

— Eu perguntei se ela é mesmo só a sua médica. — questionou o Kim, mentindo, ainda que não estivesse direcionando sua atenção total para o mesmo. — Vocês parecem bem próximos... Por acaso, você contou a ela sobre o seu acidente?

— Bem, eu tive que contar. — Namjoon o respondeu. — Nós sempre dissemos que isso poderia estar ligado ao meu sonambulismo, não é?

Extremamente ameaçado.

— Tome cuidado, Nam. — o mais velho disse em tom de alerta. — Ela realmente só quer lhe ajudar?

— E o que mais ela poderia querer de alguém como eu? — o Kim rebateu, rindo da observação superprotetora do amigo.

Na verdade, Yoongi vinha cuidado dele daquele jeito desde quando o Kim acordara do coma, como se tudo e todos quisessem lhe fazer algum tipo de mal. Ele agradecia a preocupação e sabia que poderia se tratar de algum tipo de trauma da parte do Min, por ter assistido ao melhor amigo tão machucado e em coma ou algo relacionado a tudo aquilo, contudo, não era como se aproveitar-se justamente de Namjoon seria algo realmente proveitoso para alguém. Sem uma boa condição financeira, uma saúde física meia boca, distante da família e ainda desmemoriado... o que exatamente sobrava para ser aproveitado?

— Eu não sei. — o Min respondeu e deu de ombros. — Só fico preocupado porque você costuma acreditar muito facilmente nas pessoas.

Bem, aquilo não deixava de ser verdade, mas Namjoon ainda não conseguia enxergar segundas intenções na ajuda oferecida por Shinhye. Ele estava prestes a dizer algo para o amigo, contudo, foi interrompido por um tapinha amigável no seu braço direito.

— Eu preciso ir, estou atrasado para o trabalho. — Yoongi disse. — Despeça-se da doutora por mim, por favor.

Dito isso, Namjoon apenas concordou com um aceno de cabeça e logo Yoongi já estava deixando o amigo para trás. Antes de sumir de vez pelo portão principal da casa funerária, deu uma última olhada rápida para trás e encontrou Shinhye ainda conversando com Hoseok.

Nada poderia ameaçar os seus planos.

***

— Com licença!

Quando Jung Hoseok ouviu o primeiro chamado vindo detrás de si, ele já sabia do que se tratava. O jovem arquiteto, famoso pelos seus projetos elegantes e ousados, até pensou em acelerar o passo — afinal, faltava pouco para que ele alcançasse o seu carro esportivo e, depois disso, poderia sumir dali em questão de segundos — mas o medo o fez travar onde estava. Ele não sabia de quem era a voz feminina que o perseguia, contudo, não precisava conhecê-la para já ter noção do que se tratava; para saber que quem vinha logo atrás de si era, na verdade, o seu passado. E, diferente do agora falecido amigo Seokjin, ele certamente não tinha coragem suficiente para enfrentar o mesmo.

Muito menos depois do que tinha acontecido com o próprio Kim.

Uma singela gota de suor escorreu pela sua nuca, molhando a gola do paletó preto que ele tinha sido obrigado a usar naquele dia tão quente.

— Hoseok-ssi?

A dona da voz tinha o alcançado. Pois bem, não havia nada que pudesse ser feito por nenhuma das partes ali, num local tão público, então Hoseok apenas respirou fundo e se virou para trás.

— Sim?

A mulher, que deveria ter mais ou menos a sua idade, usava roupas pretas que lhe vestiam bem, porém parecia cansada por ter corrido atrás do Jung. Endireitou-se e o fitou.

— Eu me chamo Kim Shinhye. — a mulher anunciou e fez uma breve reverência. — Desculpe incomodá-lo, mas eu soube pela mãe do Seokjin que vocês eram grandes amigos. Eu sinto muito pela sua perda.

Hoseok balançou a cabeça como quem concordava com a mulher. Seu nome ou fisionomia não lhe eram familiares, então o que ela poderia querer com ele? E o pior: por que tinha chegado ao velório de Seokjin acompanhada justamente de Kim Namjoon? Alguns bons anos já tinham se passado desde a última vez que os dois se encontraram, contudo, ele jamais esqueceria a fisionomia do Kim, sua pele um tom mais escuro e o porte atlético que, se não lhe falhava a memória, sonhava em ser bombeiro naquela época.

Não podia esquecer.

— Você o conhecia? — perguntou fingindo simpatia, quando, na verdade, estava tentando descobrir quem diabos era aquela mulher.

— Nós éramos vizinhos. — Shinhye respondeu, o que atraiu a atenção do Jung.

Seokjin tinha sido assassinado na porta do prédio onde morava, prédio no qual Shinhye alegava que também morava. Aquilo poderia ser só uma coincidência, mas a mente paranoica de Hoseok não permitia mais que ele acreditasse naquele tipo de coisa desde a morte do amigo.

Na verdade, desde alguns anos antes disso.

— Posso ajudá-la com alguma coisa? — Hoseok insistiu, apressado. — É que eu já estava de saída.

— O velório já acabou? — ela rebateu, ignorando a primeira pergunta do ruivo.

— Na verdade, não. Eu que recebi uma ligação de urgência e precisei sair. — o Jung respondeu. — Sendo sincero, eu realmente estou com pressa, então...

Shinhye sabia que não tinha nenhuma desculpa plausível para segurá-lo ali ou, francamente, sequer tinha certeza do porquê de querer fazê-lo. Contudo, o modo assustado como Hoseok tinha olhado para Namjoon antes e como nitidamente queria sair correndo dali a qualquer custo agora ainda a incomodavam. Pois bem, ela provavelmente não conseguiria achar o Jung novamente, então aquela era a sua última chance para questioná-lo sobre o que quer que fosse. Porém, Hoseok entendeu o seu repentino silêncio como uma deixa para ir embora e, às pressas, tratou de dar as costas para Shinhye.

— Você conhece Kim Namjoon? — a Kim perguntou de uma vez, o que fez Hoseok parar de costas para si novamente. Ele não a respondeu e, parado ali, apenas não soube o que fazer. E foi ali que Shinhye soube que tinha cutucado a ferida certa. — Ele não parece se lembrar de você, mas eu vi o modo como você o olhou quando o viu de longe, agora pouco. Você o conhece, não é?

— Ele ainda não se lembra? — Hoseok deixou escapar a pergunta chocada num sussurro, mas que não passou despercebida aos ouvidos da Kim. Percebeu o que tinha feito e pigarreou, endireitando os ombros para fitar Shinhye por cima do direito. — Eu não sei do que você está falando.

— Eu só quero ajudar. — a terapeuta afirmou com sinceridade. — Por favor.

O Jung respirou fundo, consumido pela dúvida. Tinha alcançado um ponto no qual poderia segurar qualquer mão que lhe estendessem, contudo, tinha medo de acabar esfaqueado pela mesma mão. Ele não tinha como diferenciar quem queria ajudar ou não, quem se lembrava ou não ou, ainda, quem dizia a verdade ou mentia.

Ou quem sabia da verdade.

Sinceramente, ele não sabia se amaldiçoava mentalmente Seokjin por tê-lo deixado no meio daquela confusão ou, ainda, se achava o amigo um sortudo por já ter se livrado da mesma, ainda que de um modo tão brutal.

Talvez ele devesse ter sido o primeiro.

— Eu realmente não sei do que você está falando. — ele insistiu e, por fim, se apressou para deixar a Kim para trás.

Shinhye não insistiu e acabou por deixar Hoseok partir. Não era como se ele esperasse que o homem fosse sentar com uma completa desconhecida para tomar um café e, de bônus, contar algumas verdades não muito agradáveis que ele parecia esconder, mas ainda tinha alguma esperança quando correu atrás do mesmo. Agora, vendo Hoseok entrar às pressas num veículo importado para sumir do seu campo de visão em poucos segundos, ela se sentia deixada para trás com o dobro da sua curiosidade lhe acompanhando. Jung Hoseok tinha mesmo algo a ver com Namjoon? Fizera parte do passado esquecido do mesmo? Ele parecia tão assustado que, sinceramente, Shinhye começava a imaginar o quão sérias poderiam ter sido as coisas que aconteceram.

E o pior: imaginava se a morte de Kim Seokjin não tinha sido uma consequência das mesmas.

— Talvez seja tudo coisa da minha cabeça. — ela comentou para si mesma, tentando não pensar no pior.

Em seguida, Shinhye sentiu o seu celular vibrar no bolso de sua calça social preta. Uma vibração única, o que indicava a chegada de alguma notificação. Sacou o aparelho do bolso e, acendendo a tela do mesmo, deparou-se com uma mensagem solitária e curta de Taehyung.

“Tae: Aqui está toda a informação que consegui juntar e achar sobre o tal Kim Namjoon. Fique tranquila, pois eu não li nada. Confio em você e, sinceramente, espero que não me decepcione, noona.”

Shinhye sabia o que o irmão mais novo queria dizer com aquela mensagem e, apesar do jeito ríspido do mesmo, ela não se importou com aquilo. Ele estava se arriscando e arriscando o próprio emprego, esse conseguido com tanto suor e sacrifício, apenas para atender ao pedido da irmã mais velha, então ela sabia o significado de não me decepcione — do seu próprio jeito, Taehyung estava preocupado com a irmã.

Em seguida, a mensagem contendo o arquivo em PDF chegou, fazendo o celular da Kim vibrar novamente. Finalmente, ali estavam todas as informações sobre Kim Namjoon, em especial sobre o seu passado. Tudo o que Shinhye precisava saber para muito provavelmente inocentar — ou culpar de vez, ela ainda não podia dizer com certeza — Namjoon estava bem ali, na palma da sua mão.

— Não se preocupe, irmãozinho. — disse para si mesma, fitando a tela do celular se apagando gradativamente. — Não vou decepcioná-lo.

Notas finais
E então, o que acharam? Alguns personagens já chegaram mostrando as garrinhas, ainda que só a ponta... Aguardo ansiosa para saber o que vocês acharam disso! Até ♥