Meu querido sonâmbulo 2

14 Meu querido problema


Notas iniciais
Pois olha eu aqui de volta com um capítulo novinho, cheiroso e grandinho só para vocês, ainda antes do que eu previa! Pois bem, eu prometi uma coisinha nas notas finais do último capítulo que eu não cumpri nesse, mas vamos à leitura primeiro, ok? Depois vocês me apedrejam à vontade kkkkkk. Boa leitura!

— Como assim o Namjoon sumiu? — a terapeuta perguntou pega completamente de surpresa pela notícia.

Depois de deixar para trás no cemitério a urna do seu pai, abandonando junto das suas cinzas mais alguns outros fantasmas que a perseguiam há anos suficientes para que ela já tivesse perdido a contagem dos mesmos, Shinhye decidiu que daria uma última chance a Namjoon. O fato era que, ainda que alguns pontos do passado do Kim apontassem fortemente que o próprio seria o culpado pelas mortes de Seokjin e Hoseok, Shinhye ainda não tinha colocado as mãos em nenhuma evidência concreta, acabando por reduzir tudo o que tinha descoberto a evidências apenas circunstanciais. Por isso, como tinha aprendido na academia de polícia, não se deixaria influenciar pelo o que sabia sobre Namjoon, afinal, nenhuma daquelas informações realmente provava a culpabilidade ou inocência do Kim.

Resolveu, então, voltar à estaca zero — mas sem ignorar por completo tudo o que já descobrira durante a sua breve investigação, claro. Procurou o contato do Kim assim que bateu a porta do carro, ainda no estacionamento do cemitério, mas a ligação foi direcionada diretamente para a caixa postal. Tentou mais um par de vezes, mas o resultado acabou sendo o mesmo.

Talvez ele estivesse trabalhando e não pudesse atender ao celular. Já era começo de tarde e aquela seria a explicação mais lógica, então Shinhye não tardou em dar partida no carro e logo seguiu rumo à cafeteria onde Namjoon trabalhava, a mesma que vendia o seu café preto favorito e onde eles dois tinham se encontrado pela primeira vez. Alguns minutos depois, a Kim estacionava poucos metros antes do estabelecimento um tanto movimentado por causa do horário, porém, suas expectativas foram frustradas pela segunda vez naquele dia quando finalmente alcançou o balcão.

— Kim Namjoon? — um outro atendente repetiu o nome do colega de trabalho quando Shinhye perguntou pelo mesmo, já que ela não tinha visto o rapaz alto e de pele relativamente bronzeada atendendo a nenhum cliente. — Ele não apareceu para trabalhar hoje.

— Não? — a Kim perguntou, confusa. — Mas ele ligou para avisar, justificar ou algo do tipo?

— Na verdade, não. — o rapaz respondeu e, em seguida, assumiu uma expressão pensativa enquanto enxugava algumas xícaras de porcelana. — Parando para pensar, é a primeira vez que eu o vejo fazendo isso. O Namjoon sempre foi o mais trabalhador daqui da cafeteria, chega antes de todo mundo e vai embora por último. Será que... aconteceu alguma coisa com ele? Bem, eu poderia ligar para perguntar, mas acho que não tenho o número dele.

Dito isso, o atendente apenas deu de ombros e voltou a sua atenção para as tais xícaras novamente, como se a conclusão na qual acabara de chegar sobre um colega de trabalho não fosse nada preocupante o suficiente para atrapalhar mais um dos seus dias de trabalho. Já Shinhye, por um momento, sentiu um aperto um tanto incômodo tomar conta do seu peito ao imaginar um possível sumiço permanente da parte do Kim. E se Namjoon tivesse feito alguma besteira depois de sair do seu apartamento naquela manhã? Ou pior ainda: e se tivesse tomado alguma decisão mal pensada por causa dela e de tudo que ela havia lhe dito?

Pensando nisso, Shinhye deixou o tal atendente e a própria cafeteria para trás sem dizer mais nada. Agora, sentindo dentro de si uma inquietação muito maior do que quando tinha começado a sua busca pelo Kim, ela apressou o passo de volta para o seu carro e resolveu seguir para o único local relacionado a Namjoon que restara em sua mente — o apartamento que o mesmo dividia com Min Yoongi. O prédio não era muito longe de onde Shinhye já estava, já que Namjoon escolhera de propósito um dormitório de aluguel barato e mais próximo do seu trabalho do que o antigo, então fora questão de poucos minutos para que Shinhye estivesse estacionando diante do mesmo. Felizmente, tinha decorado bem o caminho por causa da última vez que estivera ali, podendo agora encontrar o prédio sem maiores problemas. Não sabia ao certo qual era o número do apartamento de Namjoon, mas não hesitaria em perguntar para a primeira pessoa que encontrasse em seu caminho.

Ironicamente, a primeira pessoa com ela se deparou saberia lhe responder àquela pergunta sem sequer pensar duas vezes. Ainda na calçada do prédio, enquanto seguia em direção ao interior do mesmo, Shinhye foi obrigada a interromper a sua caminhada quando teve o braço bruscamente puxado por um, até então, desconhecido. Assustou-se, porém, como já tinha recebido aulas de autodefesa até pelas suas futuras gerações, automaticamente virou-se para trás e agarrou de volta o braço que a segurava — e ela teria terminado o golpe ao torcer o dito membro, isso se não tivesse tido um vislumbre de quem a puxava tão agressivamente primeiro.

— Min Yoongi? — perguntou surpresa ao se deparar com o dono daquela pele pálida e dos cabelos descoloridos, porém igualmente irritada. — O que diabos você pensa que está fazendo?

Shinhye tentou puxar seu braço de volta para si, mas Yoongi, que o apertava com firmeza na região acima do cotovelo, não o soltou.

— Cadê o Namjoon? — retrucou transbordando fúria em sua vez. — O que você fez com ele, sua infeliz?

Os olhos do Min, que geralmente eram pequenos e preguiçosos, se encontravam quase saltando para fora do seu rosto tamanha era a quantidade de adrenalina que corria em suas veias. Ele usava alguma espécie de uniforme que consistia em uma camisa social azul clara e uma calça bege, além de sapatos pretos. Além disso, Shinhye reparou que Yoongi estava suando por debaixo da roupa e com o rosto avermelhado, como se tivesse corrido ou andado debaixo de sol por um longo período de tempo. Ela puxou o braço mais uma vez, contudo, novamente, Yoongi não a soltou.

— Você enlouqueceu? — ela rebateu. — Nós sequer nos conhecemos direito para você...

— O Namjoon sumiu e eu sei que tem dedo seu nessa história! — o Min exclamou, nervoso. — Kim Shinhye, saiba que, se alguma coisa acontecer a ele ou ao o meu plano, eu juro que não respondo por mim.

— Como assim o Namjoon sumiu? — a terapeuta perguntou pega completamente de surpresa pela notícia. De repente, se deu conta do restante da frase de Yoongi e automaticamente franziu o cenho. — E que plano é esse que você mencionou?

— Eu tenho certeza de que você disse ou fez alguma coisa para ele na noite passada e foi por isso que ele não voltou para casa. Não respondeu às minhas mensagens, não atendeu às minhas ligações... — Yoongi dizia, praticamente cuspindo as palavras. — Até a mãe dele me disse que não sabe onde ele está, por telefone.

Naquela altura da conversa nada amigável entre os dois, Shinhye se sentia extremamente perdida pela mais recente novidade de que Namjoon teria sumido, contudo, se sentia igualmente furiosa pelo modo como Yoongi estava a tratando, fosse ali no meio da rua ou em qualquer outro lugar.

— Está certo, a culpa é minha! O Namjoon sumiu por minha causa! Satisfeito? — exclamou e seu tom de voz se sobressaiu ao do Min, que se assustou. — Mas eu não sou a única culpada dessa história, sou? Qual é o seu papel em tudo isso, Min Yoongi? É por sua causa que o Namjoon tem perdas de memória, não é? O que você dá para ele tomar? Vamos, diga!

Diante da enxurrada de perguntas tão repentinas e do aumento de voz da Kim, que já começava a atrair alguns olhares curiosos na direção dos dois, o Min recuou e finalmente soltou o braço da terapeuta. Shinhye não podia afirmar com certeza absoluta de que Namjoon tinha sumido por conta própria e depois de ouvir a possível verdade da sua boca, mas sabia que aquilo afetaria Yoongi e resolveu usar daquela carta da melhor maneira que conseguia. Conhecia bem o tipo de personalidade do Min e tinha certeza de que aquilo o assustaria, já que ele não era do tipo de pessoa que gostava de atrair a atenção alheia para si.

Ou, pelo menos, não estava em condições para o mesmo.

— Você sabe mais do que eu imaginava. — Yoongi balbuciou enquanto sentia a velocidade de todo aquele ódio que corria junto do seu sangue pelo seu corpo diminuir gradativamente. — Isso é um problema.

A figura do Min, ainda que fosse ligeiramente mais baixa do que a de Shinhye e igualmente menos arrumada, era um tanto ameaçadora naquele momento. Yoongi tinha aquela áurea negra e descontrolada capaz de afastar pessoas apenas com um olhar irado, mas que, por um outro lado, ainda não era o suficiente para assustar Shinhye.

A Kim deu um par de passos na sua direção e, de propósito, abaixou o tom de voz.

— Problema é o que você acabou de arrumar para si. — sussurrou, porém alto o suficiente para que o Min a ouvisse com clareza. — Eu vou descobrir o que você está tramando e, aí sim, você terá um problema. Porque saiba que, Min Yoongi, se alguma coisa acontecer ao Namjoon por sua causa, eu juro que não respondo por mim.

Depois de utilizar da frase de Yoongi contra o mesmo, Shinhye o encarou com a mesma intensidade do olhar furioso que recebia e, em seguida, deu as costas para o mais velho sem dizer mais nada. Yoongi jamais admitiria aquilo sequer para si mesmo, contudo, a Kim era muito mais ameaçadora do que ele imaginava que ele próprio conseguia ser. Ficou para trás, espumando de raiva e rancor e, consequentemente, tentando descobrir qual deveria ser o seu próximo passo agora que as coisas estavam mais claras entre ele e a terapeuta. Assistiu à mulher bater com força a porta do seu carro e acelerar rua afora logo em seguida, decidindo que a sua prioridade deveria ser encontrar Namjoon para, só depois, dar um jeito em Kim Shinhye.

Mesmo que, infelizmente, o Min agora estivesse correndo contra o tempo para conseguir alcançar aqueles dois objetivos.

Ainda tomado pela raiva, Yoongi deu meia-volta e resolveu retomar suas buscas por Namjoon, ainda que não fizesse ideia de onde mais procurar pelo amigo — e ele estava tão entretido com os próprios pensamentos que não reparou que, do outro da rua, alguém tinha assistido com atenção a toda a cena que ele e Shinhye tinham acabado de protagonizar. Sentada em sua cadeira plástica de sempre, a senhora conhecia por tomar conta da vida da vizinhança, inclusive do próprio par de amigos, balançava a cabeça de forma negativa conforme via o Min tomar um caminho e Shinhye, por sua vez, tomar o oposto.

— Eu avisei para a moça que ela deveria tomar cuidado com ele... — comentou consigo mesma, lembrando-se do dia que tinha alertado Shinhye para não se envolver com o rapaz no qual tinha acabado de trombar. — Parece que ela não me ouviu.

***

— Quem será a uma hora dessas? — a Sra. Kim perguntou por alto quando ouviu o barulho da campainha soar estridente pelo interior da casa, já que estava sozinha na cozinha enquanto terminava de preparar o jantar.

O marido tinha saído com Namjoon para mostrar como estava ficando a venda de frutas da família, animado com a volta do filho para casa e, também, em mostrar os frutos do seu trabalho suado naquela obra, já que cada fragmento de cimento tinha sido preparado e colocado no lugar por ele mesmo. A filha mais nova, por outro lado, já deveria estar para chegar do colégio, mas tinha a chave da porta da frente e nenhum motivo aparente para tocar a campainha.

— Ela pode ter esquecido a chave. — a mulher comentou consiga mesma novamente, pensativa.

Enxugou as mãos em um pano de prato, diminuiu o fogo da única panela que ainda estava sendo aquecida pelo calor do fogão e se dirigiu em direção à porta da frente. Sem pressa, ela destrancou a mesma e a abriu, se surpreendendo com quem encontrou do outro lado. Tratava-se de uma moça relativamente alta e de cabelos compridos, muito bonita e bem arrumada, por sinal, usando roupas sociais que a faziam parecer uma advogada ou médica. A mulher realmente esbanjava beleza e um porte bem-educado, apesar de também aparentar um certo cansaço através de seus olhos mais fundos.

— Pois não? — a Sra. Kim perguntou, desconfiada como de costume.

— Boa noite. — a mulher disse, primeiramente. — A senhora deve ser a Sra. Kim. Muito prazer, meu nome é Kim Shinhye e eu sou... médica do Namjoon.

— Médica? — a mais velha franziu o cenho. — Mas meu filho não me disse nada sobre estar indo ao médico. Pelos céus, ele está doente?!

— Ele está bem, fisicamente. — Shinhye respondeu, ainda que aquela não fosse a melhor resposta para se dar a uma mãe preocupada. — Na verdade, ele está em casa? Eu estive o procurando o dia inteiro, mas não consegui contactá-lo.

De repente, a Sra. Kim se lembrou do pedido que o filho havia lhe feito naquele mesmo dia, mais cedo. Segurando as mãos da mãe, ele praticamente implorou para que ela não contasse a ninguém que ele estava ali, caso alguém o procurasse — e ela chegou a mentir para Min Yoongi, o melhor amigo do filho, quando o mesmo ligou parecendo nervoso e perguntando por Namjoon.

Por que haveria, de repente, tanta gente procurando pelo seu filho?

— Ele não está. — ela respondeu, por fim, e pigarreou. — Já faz um bom tempo que ele não aparecesse em casa, na verdade.

Shinhye encarou a mulher, pedindo piedade com o silêncio do seu olhar. Entendia a mulher e como ela provavelmente só estava protegendo o próprio filho, sabendo ou não sobre o que estava acontecendo com o mesmo, mas não podia simplesmente desistir daquele jeito.

— Sra. Kim, eu só quero ajudá-lo. — a mais nova admitiu, sincera. — Eu juro.

Dito isso, a dona de casa se sentiu balançada. Shinhye parecia estar dizendo a verdade, mas num tom diferente de qualquer outra pessoa; parecia estar esgotada e implorando por um mísero voto de confiança para que, assim, pudesse voltar a respirar livremente de novo.

— Por que você veio procurar pelo meu filho aqui? — questionou, séria.

Shinhye não precisou pensar duas vezes para responder àquela pergunta, deixando um leve e cansado riso nasalado escapar de si.

Era para onde ela mesma também queria estar indo naquele momento, caso ainda tivesse aquele tipo de refúgio.

— Porque só há um lugar para onde as pessoas confusas e assustadas consigo mesmas podem fugir. — respondeu. — Para casa.

Ao ouvir a resposta daquela mulher, a Sra. Kim, estranhamente, não sentiu mais como se a mesma fosse apenas uma desconhecida. Ficou em silêncio por alguns segundos, apenas a encarando e pensando consigo mesma, e em seguida fez o que seu coração de mãe lhe ordenou: abriu espaço na passagem da porta para que Shinhye pudesse entrar em sua casa. E assim, com um olhar agradecido pela confiança majoritariamente cega que a mais velha estava depositando em si, a Kim assentiu também em silêncio e adentrou na residência.

O lugar era aconchegante e aquecido na medida certa pela lareira da sala de estar, uma peça rústica que já pertencia à família há mais de três décadas. A Sra. Kim acompanhou Shinhye até o velho sofá do cômodo e, coincidentemente, a mulher se sentou exatamente no mesmo lugar no qual o seu filho tinha se sentado mais cedo. Ofereceu um chá para a mais nova ou algo para beber, mas a mesma alegou não querer incomodar e gentilmente recusou a oferta. Ainda assim, a Sra. Kim foi obrigada a voltar na cozinha para desligar aquela única boca do fogão que deixara ligada antes, e Shinhye logo sentiu o cheiro do ensopado de pato tomar conta da sala de estar, que ficava ao lado da cozinha. Inconscientemente, a Kim esboçou um tímido sorriso triste ao sentir aquela essência tão familiar e inconfundível para si.

Aquele costumava ser o prato preferido de sua falecida mãe.

Retornando da cozinha, a Sra. Kim se sentou no sofá de frente para aquele que Shinhye estava. A mulher exalava toda uma áurea calma e acolhedora, ainda que Shinhye pudesse perceber nela uma nítida preocupação com o filho.

— O que está acontecendo com o meu filho, Shinhye-ssi? — perguntou sem medo, porém com o coração apertado. — Não minta para mim, por favor.

A Kim mais nova não esperava que a conversa fosse começar daquele modo e definitivamente não poderia contar toda a verdade para a mais velha, porém, decidiu ser o mais sincera que poderia naquele momento, ao menos para retribuir a confiança que a Sra. Kim tinha depositado em si ao permitir que uma estranha que procurava pelo seu filho simplesmente entrasse em sua casa.

— Resumidamente, o Namjoon está tendo problemas com o sono dele. Eu, no caso, sou uma terapeuta especializada nessa área e estou o ajudando a lidar com isso. — Shinhye explicou o mais sutilmente possível e a Sra. Kim balançou a cabeça positivamente, como quem estava se esforçando para acompanhar a história. — O que acontece é que, na verdade, esses problemas parecem estar ligados ao passado do Namjoon... Mais especificamente, ao atropelamento que o mesmo sofreu quando tinha dezenove anos.

A menção ao ocorrido fez os olhos da Sra. Kim saltarem em surpresa.

— O que ele lhe contou sobre isso? — perguntou no mesmo instante, tentando manter a sua calma tão habitual.

Contudo, Shinhye ainda conseguiu sentir um leve tremor em sua voz, o qual ela decidiu ignorar pelo momento.

— Não muito, já que ele parece realmente não se lembrar do que aconteceu nem de nada anterior ao acidente, mas... — por um momento, a Kim pausou enquanto decidia se deveria mesmo seguir com a conversa daquele jeito. Pois bem, já que já estava ali, que perguntasse tudo diretamente para a pessoa que mais deveria saber sobre o ocorrido daquela época. — Eu sei de tudo. Bem, quase tudo. Sei quem o atropelou e o que aconteceu com os dois depois, só não entendo o motivo para terem feito isso e o porquê de terem se safado tão descaradamente. Eu sei que pode soar evasivo estar perguntando sobre isso, mas poderia realmente ajudar no caso do seu filho se eu...

— Não era para nada disso ter acontecido com o meu filho. — a Sra. Kim interrompeu a mais nova com a voz embargada. Aquela tinha sido a época mais dolorosa de toda a sua vida. — O maior problema do Namjoon sempre foi ter um coração bom demais... Ele não via maldade nas pessoas e não pensava nas consequências da mesma, sabe? Então teve esse dia, ele estava voltando do colégio e viu um garoto de uma outra turma apanhando de outros dois meninos em um beco. Ele fez o que eu ensinei, entende? Ele foi lá e ajudou o tal garoto... Ninguém fazia ideia de que isso traria consequências tão horríveis para o meu filho um ano depois.

Naquela altura da conversa, a Sra. Kim já tinha o rosto tomado por lágrimas desesperadas — o desespero que tinha sentido ao ver o filho entubado e em coma em um hospital há anos atrás alinhado ao, naquele momento, de ainda não fazer ideia de como ajudá-lo anos depois. A mulher fungou algumas vezes e Shinhye apenas esperou que ela conseguisse se recompor para questioná-la sobre algo que repentinamente tinha se tornado mais claro em sua mente.

— Esse garoto que ele ajudou, por acaso, se chamava Min Yoongi? — a mais nova perguntou.

A Sra. Kim estava magoada demais para se surpreender com a quantidade de informações que aquela mulher parecia saber sobre o passado do seu filho e, por isso, apenas balançou positivamente a cabeça.

— O Yoongi era um bom menino e nos contou, mais tarde, que costumava passar por aquele tipo de coisa perversa porque os outros garotos implicavam com o fato de que ele era pobre e não tinha família. Eles estudavam em um colégio para ricos, sabe? O meu filho só estudava lá porque conseguia a bolsa de estudos todo o semestre por causa das suas boas notas e o Yoongi, bem... — a mais velha pausou. — O Yoongi só tinha a uma avó e a mesma estava muito doente no hospital, porém, ela ainda fazia questão de que a pensão do falecido avô do menino fosse destinada para a sua educação, então o seu último desejo era que ele estudasse em uma boa escola. E ele ia para o colégio para não a contrariar, mas a vida para ele não era fácil lá.

— Então era por isso que o Hoseok e o Seokjin odiavam tanto o Yoongi? — Shinhye sussurrou para si mesma sem que a Sra. Kim pudesse ouvi-la, assustada com a perversidade do que deveriam ser, naquela época, apenas dois pré-adolescentes. De repente, voltou-se para a mulher novamente. — E o que aconteceu depois que o Namjoon ajudou o Yoongi?

— A nossa vida virou um verdadeiro inferno. — uma terceira voz feminina se fez presente na sala, pegando as duas mulheres de surpresa.

A Sra. Kim, que já conhecia mais do que bem a dona da tal voz, virou-se para trás e se deparou com a filha mais nova parada na soleira da porta enquanto cerrava os próprios punhos. A garota, que ainda usava o uniforme do seu último ano de colégio, tinha os cabelos curtos soltos e um rancor inexplicável exposto em seu jovem olhar.

— Minha filha, o que você está fazendo aí? — a Sra. Kim perguntou, rapidamente enxugando as próprias lágrimas. — Você estava ouvindo a nossa conversa? Não foi isso que eu...

— Eu só estou dizendo a verdade, mãe. — a garota a interrompeu. — E a verdade é que Min Yoongi pode não ter sido o culpado direto pelo atropelamento do meu irmão, mas ele ainda é o responsável por ter acabado com a vida do Namjoon.

— Kim Namkyu! — a mais velha a repreendeu. — O Yoongi é amigo do seu irmão.

— Amigo? — a garota debochou. — Quando ele fez o que fez, sabia que traria consequências graves para o meu irmão, mas ainda assim o enfiou até o pescoço na sua rixa eterna com aqueles dois. Desculpa, mãe, mas amigos não fazem esse tipo de coisa.

Em silêncio, Shinhye fitou a presença forte daquela adolescente, percebendo que dali poderia finalmente vir a resposta para todas as suas perguntas.

Notas finais
E então, o que acharam? Pois é, nada de Namjoon e Shinhye se encontrando nesse capítulo (de novo), maaaaaas eu juro que tenho uma explicação para isso! A primeira parte do capítulo não estava nos meus planos, mas eu tive essa ideia e precisei trazer esse Yoongi todo dark pra vocês (até para vocês conhecerem um pouco mais da personalidade do Min), o que acabou empurrando o tal esperado encontro para o próximo capítulo kkkkkkk. Me perdoem e não desistam de mim, amo vocês ♥ Até a próxima!