Meu querido sonâmbulo 2

5 Meu querido irmão


Antes de mais nada, deixe-me esclarecer que, muito provavelmente, há uma grande diferença entre o conceito de visitar que vocês, leitores e pessoas aparentemente normais, possuem e aquele que se passa pela cabeça de Kim Shinhye. Não, ela não estava indo à casa de uma velha amiga fazê-la uma breve visita ou, ainda, encontrar um conhecido em alguma cafeteria da vida repleta daqueles cafés que a mesma Kim detestava por não serem amargos ou escuros o suficiente... Vocês até podem levar em consideração que ela, de fato, estava indo se encontrar com alguém que não via há algum considerável tempo, mas certamente não num ambiente esperado. Na verdade, Shinhye estava, naquele exato momento, batendo os saltos do seu precioso par de Louboutin contra o chão frio e cinzento de uma delegacia.

Mas se acalmem, eu posso explicar. Alguém se lembra daquele irmão mais novo, o tal Kim Taehyung, que é um policial muito ocupado e que só a procura em casos extremos, como o assassinato de um vizinho? Pois bem, eu tenho um spoiler para vocês: é justamente ele que Shinhye está indo visitar.

Agora, até que a delegacia não se parece com um cenário para visitas tão inusitado assim, não é mesmo? Pelo menos ela estava indo visitar alguém que estava do lado de fora das grades prestando um belo serviço para a sociedade coreana e tudo mais.

Na verdade, isso tudo foi apenas para adicionar um pouco de dramatização à história, me perdoem.

Prossigamos, então.

— Shinhye-ssi! — a mulher ouviu logo nos seus primeiros passos dados dentro da delegacia, um lugar nem muito grande ou muito pequeno, apenas no tamanho certo para se parecer com um ambiente familiar diante dos olhos da Kim.

Sim, ela considerava a delegacia um ambiente familiar e há uma explicação lógica para isso, mas nós vamos voltar nesse assunto mais tarde.

A exclamação alegre e vigorosa vinha do Oficial Lee, um dos mais antigos policiais daquela delegacia e também chefe da equipe de patrulha, mais especificamente aquela da qual Taehyung fazia parte antes de ser promovido e efetivado, há poucos meses, como oficial de polícia — e tudo isso faz parte de uma hierarquia muito particular da polícia coreana que, sinceramente, não vale a pena ser explicada agora. Um detalhe curioso que vale toda a pena ser mencionado é que o Lee, além de ex-superior de Taehyung, por pouco também não fora o da própria Shinhye. Sim, pasmem, pois a renomada terapeuta que naquele momento adentrava a delegacia com sua roupa social refinada e seus caríssimos saltos de solado vermelho, quase fora um daqueles oficiais uniformizados que corriam com as suas botinas pesadas de um lado para o outro na agitada delegacia. Inclusive, eis o motivo pelo qual a Kim estava tão familiarizada com aquele lugar; aquele era, na verdade, para ter sido o seu local de trabalho, onde ela passaria a grande maioria das horas dos seus dias ao invés de estudar os problemas do sono na confortável clínica que hoje gerenciava.

No caso, ela muito provavelmente teria problemas com o seu sono se tivesse seguido aquela carreira.

— Sunbae! — Shinhye exclamou de volta também animada, virando-se para encontrar o homem de estatura mediana, barriga pesada e sorriso torto que vinha na sua direção. Apesar de não ter seguido carreira na polícia, a Kim ainda nutria um enorme respeito por todos aqueles que conhecera na academia onde estudara e na própria delegacia, em especial pelos mais velhos que tanto a ajudaram. — Céus, quantos anos o senhor conseguiu envelhecer desde a última vez que nos vimos?

Tudo bem, talvez nem tanto respeito assim. Contudo, o homem, apesar da aparência realmente cansada, riu da brincadeira da mais nova.

— Você não muda, não é mesmo? — comentou, sacudindo a cabeça. — Aquele pentelho do seu irmão bem que poderia aprender um pouco sobre senso de humor com você. Você acredita que ele nunca riu de uma piada minha? Que tipo de ser humano não ri das minhas piadas?

Por livre e espontânea vontade? Nenhum, mas aquele não era o melhor momento para desiludir o simpático veterano. Ao invés disso, com um gesto rápido com a mão, Shinhye pediu para que o homem se aproximasse, fazendo como quem estava prestes a lhe contar o segredo da existência humana ou algo do tipo.

— Não conte para ninguém, mas... — ela sussurrou. — Acontece que eu roubei todo o senso de humor da família quando nasci, sabe? Assim, sobraram para o Taehyung apenas os genes caretas e sem graça.

Na verdade, aquela não era uma Shinhye que se via normalmente. Ela não costumava fazer aquele tipo de brincadeiras nem mesmo com os mais próximos de si —Jungkook que os diga — e, especialmente em seu ambiente de trabalho, se mostrava sempre como uma pessoa centrada e às vezes até um tanto sisuda. Era como se houvesse uma Kim Shinhye muito bem guardada dentro de si, a qual poucas pessoas tinham o privilégio de ter acesso, aquela que fazia piadas e ria de mais algumas outras que não possuíam um pingo de graça.

Como as próprias piadas do Oficial Lee, por exemplo.

Mas, parando para pensar, não somos todos assim, ainda que um pouco? Costumamos mostrar, mesmo que inconscientemente, a versão nossa que mais nos convém para aqueles e quando nos convém também. Talvez faça parte do nosso processo de adaptação e sobrevivência na natureza, mas eu suponho que Darwin seria a pessoa mais adequada para explicar esse tipo de coisa.

Ou algum sociólogo, quem quer que se candidate primeiro.

— Na verdade, sunbae, é pelo Taehyung que eu estou aqui. — Shinhye explicou. — O senhor sabe se ele está na delegacia?

O homem pareceu pensativo, de primeira se perguntando porque diabos a Kim simplesmente não havia ligado para o irmão. E ela teria o feito se não soubesse que, assim que perguntasse para o mais novo se ele estaria ou não na delegacia naquele horário, ele imediatamente fosse lhe responder que não. E mesmo se estivesse ele diria que não, pois Taehyung era aquele tipo de pessoa que irritava um bocado a irmã mais velha, fosse de propósito ou não. Na verdade, os irmãos Kim, apesar de sempre demonstrarem uma forte união quando era necessário, tinham um relacionamento um tanto complicado e instável, o que resultava em coisas do tipo Shinhye tendo que aparecer de surpresa no meio do dia numa delegacia para conseguir encontrar o próprio irmão.

O Oficial Lee a encarou.

— Não tenho certeza, pois mesmo sendo o horário de almoço dele, ele geralmente come alguma porcaria na rua, mas...

— Quem disse que eu como porcaria? — a voz grave interrompeu o mais velho, pegando-o de surpresa.

De trás do homem, um Taehyung relativamente magro — na verdade, a primeira coisa a não passar despercebida pelos afiados olhos de Shinhye fora o peso que seu irmão parecia ter perdido nos últimos dois meses que ficaram sem se encontrar — surgiu com sua farda azul-marinho e uma expressão facial que não demonstrava muita coisa, como de costume. O cabelo preto e impecavelmente aparado estava penteado para trás, seguro pelo boné também azul que estampava o emblema da polícia de Seul em dourado bem no seu centro, além da barba feita e o uniforme bem esticado. Para quem tinha passado a manhã inteira trabalhando pelas ruas da grande metrópole sul-coreana, Kim Taehyung estava bem arrumado ao ponto de causar inveja nos oficiais que o espiavam de escanteio.

— Pelo visto, você não tem comido qualquer tipo de comida. — Shinhye comentou enquanto fitava o irmão de cima a baixo. — Vamos, eu vou lhe pagar uma refeição decente.

— Eu já almocei. — o Kim mais novo rebateu no segundo seguinte, fincando as botinas onde estava.

Shinhye o encarou, séria. Tinha certeza de que o tal almoço do irmão, se é que ele tinha de fato comido algo, não passaria de um macarrão instantâneo ou alguma besteira nada saudável do tipo. Por isso, se estava ali para ocupar seu tempo e lhe pedir um favor, que no mínimo alimentasse o mais novo decentemente.

Taehyung até poderia ser teimoso, mas ela tinha roubado também grande parte desses genes da família para si antes sequer do garoto pensar em nascer.

— Então vai almoçar de novo. — ela disse, simples. — Agora, você vai por livre e espontânea vontade ou eu terei que puxá-lo pela farda para fora da delegacia?

— Você não... — Taehyung pensou em terminar a frase com “faria isso”, mas sabia que a irmã era louca o suficiente para fazê-lo. Por isso, entre almoçar duas vezes ou ser arrastado delegacia afora na frente de quase todos os seus colegas de profissão, ele preferia se empanzinar de comer. — Vamos, eu não tenho muito tempo de sobra.

Dito isso, Shinhye exibiu um sorriso vitorioso, um contraste um tanto cômico com a expressão espantada e desconcertada que predominava no rosto do Oficial Lee, que ainda estava ali observando os dois irmãos.

— Eu nunca vou me acostumar com o modo como vocês brincam e dizem essas coisas com uma cara séria. — o homem comentou, atraindo um olhar inexpressivo de Taehyung.

— Não é brincadeira. — o mais novo esclareceu e, em seguida, já estava seguindo a irmã para fora da delegacia sem mais dizeres, deixando para trás um Oficial Lee duas vezes mais preocupado.

— Eu realmente não entendo esses dois... As crianças de hoje em dia são muito confusas. — Lee disse para si mesmo, frustrado, enquanto observava as duas silhuetas do mesmo sobrenome deixarem a delegacia lado a lado, sendo a de Taehyung pouco menos de dez centímetros mais alta do que a da irmã. Brigas e alfinetadas a parte, lá estava o Kim mais novo abrindo e segurando a porta para que Shinhye passasse primeiro, se certificando em segundo plano de que não houvesse nenhum perigo no caminho da mesma. — Mas até que são fofas, pelo menos.

***

— Uau, então você me trouxe para comer jokbal? — Taehyung perguntou retoricamente, já que o fazia enquanto observava a garçonete depositar o prato com pés de porco cozidos e seus acompanhamentos sobre a mesa, que inclusive era a sua comida preferida. — Deve ser um favor dos grandes que você está para me pedir.

Shinhye fez uma careta azeda, obrigada a engolir a seco o fato de que Taehyung estava relativamente certo. Não tinha como rebater sua provocação, já que tinha ido atrás do irmão justamente para lhe pedir um favor, mesmo que não estivesse lhe pagando uma refeição apenas por aquele motivo.

— Você nem nega mais. — ele concluiu com um riso nasalado, apanhando uma boa porção de jokbal e colocando sobre a tigela de arroz fresco e quentinho diante de si. Mesmo que estivesse almoçando pela segunda vez, sua boca salivava diante da aparência deliciosa do prato.

Até porque, seu primeiro almoço tinha sido um mísero pote de macarrão instantâneo picante.

— Você não acha que se eu só quisesse pedir um favor, já não teria feito isso na delegacia mesmo e depois ido embora? — a mais velha rebateu, pegando para si uma porção tão generosa quanto a do irmão de pé de porco. — Parece que você não come há dias de tanto peso que perdeu desde a última vez que nos vimos... Eu queria, no mínimo, que você tivesse uma refeição decente para aguentar o trabalho puxado.

Por um momento, Taehyung apenas encarou sua tigela de arroz em silêncio. Apesar de tudo, sabia o quanto a irmã se preocupava com ele e que aquele era o seu jeito, ainda que um tanto torto, de demonstrar aquilo. Secretamente, ele tinha apelidado aquelas pequenas e raras ações disfarçadas dos irmãos de “à la Kim”, como o modo aflito com que ele havia ligado para ela naquela mesma manhã depois de saber da morte do seu vizinho.

Francamente, não era de sempre que os dois lidavam um com o outro daquela maneira — muito pelo contrário, devido à infância cheia de restrições provocada pelas dificuldades financeiras sempre presentes na família Kim, os dois costumavam se apoiar um no outro com grande frequência — contudo, as coisas tinham se transformado naquilo ao longo dos anos, em especial depois do tempo que os dois tinham passado juntos na academia de polícia.

Mas, novamente, essa é lã para um outro novelo que nós destrincharemos mais tarde.

O Kim mais novo deixou o ar escapar de seus pulmões, abaixando sua guarda por um momento e encarando a irmã.

— Do que você precisa, noona? — perguntou, em seguida lotando sua boca da carne de porco que tanto gostava.

Foi a vez de Shinhye de respirar fundo, mas agora em sinal de alerta. Precisava da ajuda do seu irmão, contudo, ao mesmo tempo, estava fora de cogitação de lhe contar a verdade sobre o porquê. Por isso, ela precisaria escolher com cuidados suas palavras. Felizmente, já estava acostumada com Kim Taehyung e sabia como driblá-lo, ainda que não fosse tão fácil como poderia parecer.

Pigarreou.

— Na verdade... — a mulher iniciou calmamente, esperando que o irmão terminasse de mastigar para não lhe causar um engasgo nem nada do tipo. — Eu preciso investigar alguém.

Taehyung a encarou com uma sobrancelha arqueada.

— E?

— Bem, não é nada demais, eu apenas preciso saber algumas informações sobre uma pessoa em específico. — ela continuou. — Eu pensei que você poderia acessar a base de dados polícia e...

— Você enlouqueceu? — Taehyung a interrompeu no mesmo instante, chocado com a ideia da irmã. — Eu não posso fazer esse tipo de coisa, muito menos sem você apresentar um pedido formal na delegacia. E, no caso, seu pedido só seria aceito se fosse relacionado a algum familiar direto, o que eu suponho que não seja o caso porque você não procuraria por ninguém da nossa família a essa altura da vida. Além disso, eu estaria infringido a lei de privacidade e proteção de dados pessoais e...

— Não se faça de sonso, eu sei que você investigou o Jungkook quando nós começamos a namorar. — foi a vez dela o interromper, num tom acusador. — Na verdade, você fez isso com todos os meus outros namorados, não fez?

Que não foram muitos, mas isso não anulava o fato de que sim, Taehyung havia usado de sua profissão para checar o passado e presente de todos os possíveis namorados que sua irmã tivera, o que não fora diferente com Jungkook. O Kim mais novo arregalou os olhos que costumavam ser finos como dois risquinhos e engoliu em seco, nitidamente pego no flagra por Shinhye.

Como diabos ela sequer sabia sobre aquilo?

— E por falar no Jeon, vocês terminaram mesmo? — o Kim indagou ignorando a acusação feita contra si, tudo isso com a cara mais lavada do mundo.

— Se você prometer que vai fazer o que eu pedi, eu te conto. — Shinhye aproveitou a oportunidade para chantagear o irmão curioso que, por pouco, não mordeu a isca.

— Esquece, eu posso apenas perguntar a ele pessoalmente. — Taehyung chegou à conclusão com um sorriso vitorioso nos lábios, recostando-se na cadeira com certa folga. — Quanto tempo será que vai levar para ele me contar tudo? Cinco segundos? Talvez três?

— Aish. — a irmã mais velha bufou irritada e sem saber o que fazer. — Você sempre foi inconveniente desse jeito?

— Só com você.

Bufando novamente, Shinhye não podia deixar de pensar que, mesmo que jamais fosse admitir aquilo em voz alta, Taehyung era o seu retrato fiel no quesito teimosia. O mais novo tinha resposta para tudo, retrucava tudo e ainda conseguia terminar uma discussão com os pés firmes nos seus argumentos.

Sinceramente, Shinhye não sabia se deveria se sentir orgulhosa por tê-lo influenciado a crescer daquele modo ou se, no caso, o mais correto fosse se jogar no chão e lamentar a besteira que tinha feito.

— O que custa você me ajudar? — Shinhye apelou para uma última cartada.

Birra.

— Meu emprego. Minha liberdade também, se alguém descobrir. — Taehyung respondeu sem pestanejar e, naquele momento, sua irmã já estava realmente cogitando a possibilidade de se jogar no chão e se lamentar.

O Kim encarou a mais velha, que parecia ocupada demais em descobrir um jeito de convencê-lo — e foi justamente isso que lhe causou estranhamento. Shinhye não costumava ser uma pessoa muito paciente e, àquela altura da discussão, ela já teria desistido de convencer Taehyung há um bom tempo, além de largá-lo sozinho no restaurante para pagar pela própria comida como castigo. Contudo, naquele momento, ela parecia realmente determinada a conseguir a ajuda do irmão e o mesmo desconfiava que não era nem um pouco por causa dele.

— Quem é? — o Kim perguntou, atraindo a atenção da irmã para si novamente, que franziu o cenho. — Quem é a pessoa que você quer que eu investigue?

Shinhye instintivamente arregalou os olhos, surpresa pela pergunta repentina. Taehyung provavelmente só estava perguntando por curiosidade, o que significava que ele ainda não tinha aceitado ajudá-la, mas que para a Kim já era parte do caminho.

— O nome dele é Kim Namjoon. — Shinhye respondeu, ajeitando-se melhor na cadeira que ocupava na tentativa de transmitir confiança.

Agora sim a Kim tinha a atenção do irmão.

— Kim Namjoon? — o policial perguntou, pensativo. Era como se alguma luz de alerta tivesse se acendido em sua mente, ele só não sabia dizer qual. — Esse nome não me é estranho, parece que eu o ouvi há pouco tempo.

— Ouviu? Onde? — Shinhye disparou as perguntas. Mesmo com medo das respostas que poderia receber, ela prosseguiu. — Por acaso, foi na delegacia?

Pelos céus, que não fosse.

Taehyung buscou mais um pouco em sua memória, mas realmente não conseguia se lembrar ao certo.

— Não sei, talvez eu só esteja confundindo as coisas. — deu de ombros. — Mas enfim, o que você quer saber sobre esse tal de Kim Namjoon?

Shinhye sorriu, sem graça.

— Na verdade, eu preciso saber tudo o que puder sobre ele.

— Tudo? — Taehyung indagou com uma sobrancelha arqueada. — Noona, quem diabos é esse Kim Namjoon?

Shinhye respirou fundo e fitou o irmão, ponderando o que deveria contar sobre toda a história bizarra na qual tinha se metido por livre e espontânea vontade, o que tornavam as coisas ainda piores. Por onde começar? Talvez, contar como de fato conhecera Namjoon e toda a situação sobre ter sido traída por Jungkook não fosse o ideal, já que o Kim mais novo muito provavelmente sairia dali direto para a universidade do Jeon para que os dois conversassem melhor. Tudo bem, talvez devesse começar pelo assassinato em sua rua e...

Não, definitivamente não.

Por Namjoon ensanguentado em sua rua, então?

Péssima ideia.

— Ele é um paciente. — Shinhye acabou respondendo num impulso, pois aquela era a única explicação decente que sua mente conseguia encontrar sob pressão e, tecnicamente, não era uma mentira completa. — É um caso muito complexo e eu suspeito que tenha alguma coisa a ver com o passado dele, mas ele não se lembra de nada. Eu não tenho com o que trabalhar, por isso preciso de tudo o que puder saber sobre ele.

Por um momento, Taehyung apenas permaneceu em silêncio, analisando aquelas informações como o policial sagaz e de faro aguçado que era.

— Você já tentou contato com a família dele?

E lá estava algo no qual a profissional e esperta Kim Shinhye não havia pensado antes: investigar Namjoon por conta própria, começando pelos mais próximos do sonâmbulo. Procurar por familiares e amigos poderia, de fato, acabar sendo de grande ajuda, mesmo que não resolvesse o problema todo — ela precisava da ficha criminal do homem, essa era a verdade. Por isso, ela definitivamente incluiria aquilo na sua lista de futuras tarefas relacionadas a Kim Namjoon.

Contudo, se Taehyung soubesse daquilo, a mandaria procurar primeiro antes de arriscar sua cabeça na delegacia e ela teria que passar por toda a guerra de convencê-lo novamente.

E aquilo também não era uma opção.

— Ele não tem família. — ela acabou mentindo, por fim. Namjoon tinha mencionado sua família quando contou sobre o acidente que sofrera, então consequentemente ele teria uma. Cabia, agora, a Shinhye encontrá-la e torcer para que isso lhe ajudasse em sua tentativa de descobrir quem era o verdadeiro Kim Namjoon. — Eu nunca lhe pedi algo assim antes e, se não fosse realmente importante, eu não teria chegado a esse ponto. Eu preciso da sua ajuda, Taehyung, de verdade.

Dito isso, o Kim mais novo fitou a irmã com atenção. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que ela não estava lhe contando toda a verdade e que deveria haver um motivo que provavelmente o faria desistir de ajudá-la por trás disso, mas também tinha certeza de mais uma coisa: Kim Shinhye estava sendo sincera em seu pedido. Estava nítido o fato de que aquilo era realmente importante para ela e que também, quem quer que fosse aquele tal Kim Namjoon, ela estava disposta a ajudá-lo.

E, se Kim Shinhye tinha certeza e determinação sobre algo, Taehyung apenas fechava seus olhos e confiava na irmã mais velha. Sempre fora assim e, mudanças no relacionamento entre os irmãos à parte, continuaria sendo para o resto de suas vidas.

— Está bem. — o Kim mais novo se deu por vencido. — Eu vou ajudá-la.

Notas finais
Vamos lá, eu tenho algumas coisas a dizer e não o fiz nas notas iniciais para não prolongar ainda mais a espera infinita de vocês por essa atualização. Primeiramente, eu quero agradecer do fundo do meu coração àqueles que me esperaram por exatos dois meses, eu juro que demorar tanto não é e nunca foi a minha intenção, mas fico feliz que alguns tenham permanecido aqui. Eu passei (e sigo passando, na verdade) por um bloqueio criativo horrível e não consegui escrever sequer mil palavras nesses últimos 60 dias. Esse capítulo só está aqui hoje porque eu me forcei, por 2 longos dias, a escrevê-lo e revisá-lo para entregá-lo com o mínimo de capricho que vocês merecem. Eu confesso que ainda não gosto dele por inteiro, mas eu resolvi entregar mesmo assim por vocês e por mim, porque agora me sinto um pouco mais motivada a escrever. Eu sei que vocês são leitores maravilhosos e compreensíveis, mas entendo perfeitamente se tiverem reclamações a fazer e quero que saibam que estou aberta para receber todas elas, de verdade. Enfim, eu peço desculpas novamente e agradeço a compreensão. Espero que possamos nos encontrar em breve. Também espero, especialmente, que estejam todos bem nesse momento de caos que estamos atravessando, físico e mentalmente. Se cuidem e continuem voltando para cá, combinado? Até ♥