Meu querido sonâmbulo 2

6 Meu querido estranho


Notas iniciais
Cheguei cedo para compensar a espera pelo capítulo passado, espero que gostem desse!

Os saltos de Shinhye — os mesmos que ela batia com confiança contra o chão da delegacia naquela manhã, afinal, ainda se tratava do mesmo dia — agora iam nervosamente de encontro com o porcelanato branco e brilhante do seu consultório. O Louboutin direito, mais especificamente, ia e voltava numa velocidade de cinco batidas por segundo, o que era incrivelmente rápido para um salto fino e produzia um som oco que irritantemente começava a se espalhar pela clínica cada vez mais vazia e, por consequência, mais silenciosa. Enquanto isso, a Kim encarava a tela em descanso do seu computador com o queixo apoiado nos dedos das mãos, esses firmemente entrelaçados, enquanto comprimia os lábios num gesto de pura ansiedade.

Já era noite, algum horário passado das oito. Depois do seu almoço com Taehyung, o qual felizmente resultara na promessa do seu irmão em ajudá-la com as informações sobre Namjoon, seu dia tinha corrido perfeitamente normal — e esse era justamente o problema. Como qualquer outro dia de trabalho, ela tinha atendido a alguns pacientes, cuidado de assuntos relacionados à gestão da clínica, feito ligações comerciais e, bem, nada além disso. Nenhum sinal do Kim sonâmbulo ou de nada sobre ele, o que por si só já fazia com que Shinhye pensasse que as coisas não estavam indo exatamente como ela planejava. Quando saiu de casa naquela manhã, estava obstinada a desvendar todos os mistérios sobre Kim Namjoon e esperava que, no mínimo, metade deles já estivessem resolvidos em suas mãos no final do dia.

Pois bem, ela tinha esperado incrivelmente errado.

O tal final do dia já tinha aparecido e ela não tinha absolutamente nada em suas mãos além de um cartão amassado com um número de telefone anotado; o número de Namjoon, no caso, que tinha lhe entregue o pedaço de papel antes de se despedirem no parque. O homem achou que seria muito mais fácil para os dois se a terapeuta pudesse apenas ligar quando precisasse contatá-lo, ou no mínimo era menos pior do que tentar alugar seu tempo como da última vez. Tirando isso, as mãos nervosas de Shinhye estavam completamente vazias. Tinha mandado uma mensagem para o seu irmão no meio da tarde, mas o mesmo lhe respondera horas depois dizendo que estava tendo um dia ocupado na rua e que provavelmente só voltaria para a delegacia tarde da noite, isso se voltasse, então não tinha como pesquisar nada naquele momento. A Kim bufou ao ler aquilo, mas não é como se pudesse cobrá-lo nem nada, afinal, já estava arriscando demais a cabeça do irmão com seu pedido.

Além dessa frustração, tinha a demora no histórico hospitalar que ela havia dito para Haechan solicitar no Hospital Geral de Daegu, aquele no qual Namjoon tinha sido internado após o acidente.

— Por falar nisso... — a mulher murmurou para si mesma, percebendo algo. — Onde diabos Lee Haechan se meteu?

E, como num passe de mágica, três batidas rápidas e nítidas foram ouvidas em sua porta, um sinal claro de quem estava prestes a passar pela mesma. Só havia uma pessoa dentre todos os funcionários daquela clínica que batia sempre daquele jeito na porta do consultório de Shinhye, então ela já sabia o que estava por vir e nem se espantou mais com o surgimento do seu assistente logo após mencioná-lo. Era como se o Lee fosse uma espécie de duende assistente ou coelhinho mágico que saía da cartola quando você mais precisava.

O que sempre acabava lhe sendo extremamente útil, então a Kim nunca reclamava.

— Pode entrar. — a terapeuta autorizou ainda com os olhos fixos na tela do computador diante de si, porém interrompendo os movimentos nervosos de seus saltos. Como esperado, a figura de Haechan logo se fez presente na sala e, antes mesmo que o mais novo terminasse de fechar a porta, Shinhye já estava sacudindo a cabeça. — Você não morre nem tão cedo.

O assistente arregalou os olhos, levando o comentário mais a sério do que deveria. Havia esse pequeno detalhe sobre Lee Haechan: tirando seus estudos e seu trabalho na clínica, o aspirante a psicólogo, no auge dos seus vinte anos de idade, não conhecia mais nada sobre a vida. Era um rapaz relativamente bonito, dono de uma pele um pouco mais escura do que o famigerado padrão coreano, uma altura aceitável e um corpo magro, mas também não se dava conta disso. Ele não colocava uma gota de álcool sequer na boca quando saiam em confraternizações no trabalho, não tinha mais do que um par de amigos e partia os naturalmente sedosos fios castanhos em sua cabeça ao meio, penteando-os para baixo feito uma criança do século passado.

Provérbios e ditos populares? Ele não conhecia nenhum mísero sequer.

Percebendo o silêncio do assistente, Shinhye desviou os olhos do computador e os pousou no mais novo, mais especificamente na sua expressão confusa. Ela sempre esquecia sobre sua inocência e ele, mesmo já estando trabalhando para a mulher há mais de um ano, ainda não havia se acostumado com o seu humor um tanto ácido. Resumindo, aquelas falhas de comunicação eram um tanto recorrentes entre os dois, o que ainda assim não fazia de sua sintonia menos eficaz.

— Alguma resposta do hospital de Daegu sobre o prontuário que eu pedi? — foi a primeira coisa que a Kim perguntou, ignorando a momentânea confusão de Haechan.

O assistente fez o mesmo.

— Na verdade, esse é um dos motivos pelos quais eu vim até aqui, Dra. Kim. — iniciou formalmente. — Eu liguei para lá e expliquei a situação, mas eles disseram que, por ser um caso relativamente antigo, pode demorar um pouco até que encontrem o prontuário dele. Prometeram retorno em até quarenta e oito horas.

— Dois dias?! — a mulher resmungou, agora triplamente mais frustrada. — Isso é muito mais tempo do que eu esperava...

— É um paciente urgente? — o Lee indagou preocupado, sua cabeça já formulando milhões de outras alternativas para ajudar a sua chefe.

— Pode-se dizer que sim. — considerando que ele pode ser um assassino à solta, sim. — Mas não é como se eu pudesse invadir os arquivos do hospital e procurar eu mesma, então o que me resta fazer é esperar.

Dito isso, Shinhye começou a bater seus saltos contra o chão novamente. Haechan sabia que aquilo era um sinal do quão ansiosa e frustrada ela estava com algo e, mentalmente, fez uma nota de trazer um chá para a mais velha assim que saísse daquela sala.

Mas, primeiro, ele tinha um último assunto a tratar antes de ir.

— Dra. Kim, eu tenho uma outra coisa para falar. É um pedido, na verdade. — o rapaz iniciou um tanto hesitante e, com um aceno de mão, Shinhye permitiu que ele prosseguisse. — Eu posso acompanhar a polissonografia que o Dr. Yoon fará essa noite?

Era comum que Haechan se enfiasse nos mais diversos exames realizados pela clínica para tomar notas e tudo mais, mas nunca sem pedir a autorização de Shinhye. Na verdade, ele tinha ido primeiro até o Dr. Yoon, o responsável por aquele exame em específico que monitorava o sono dos pacientes enquanto os mesmos passavam a noite dormindo na clínica, mas mesmo depois de receber uma resposta positiva do médico mais alto, ele ainda fazia questão de que a Kim lhe autorizasse também; afinal, ela era a autoridade máxima dentro da clínica quando o próprio dono, o qual Haechan nunca sequer tinha visto pessoalmente, não estava.

— Quem é o paciente? — a médica perguntou.

— Park Jimin. — o assistente respondeu prontamente. — Aquele que, por causa do seu sonambulismo, perambula pela rua no meio da noite até chegar naquela casa antiga e...

Aos poucos, conforme os neurônios de Shinhye começavam a enviar sinapses úteis uns para os outros, Haechan foi perdendo a sua atenção até chegar no ponto no qual a Kim não o ouvia mais.

Sonâmbulo. Polissonografia.

Era isso.

— E a outra sala de polissonografia? — Shinhye interrompeu o Lee, que ainda lhe dava detalhes não muito úteis sobre o caso do tal Park Jimin. — Estará ocupada também?

— Não, nós só temos um exame desse marcado para hoje.

— Então reserve-a para mim. Além disso, mande todos os funcionários que ainda estiverem pela clínica e que não forem acompanhar o Dr. Yoon hoje para casa. — a terapeuta ordenou, nitidamente mais animada agora.

— A senhora vai receber um paciente? Quem? — o mais novo acabou contagiado pela médica, não conseguindo segurar a curiosidade. — Se quiser, eu posso ajudá-la ao invés de acompanhar o...

— Não precisa. — o interrompeu novamente, imediatamente afastando a possibilidade de que mais alguém acabasse descobrindo sobre Namjoon ou, no caso, sobre quem o Kim poderia possivelmente ser. — Se fizer o que eu lhe pedi, já estarei mais do que grata. Além disso, não precisa me trazer aquele chá que eu sei que você estava planejando me preparar também. — completou e sorriu, pois já conhecia o assistente bem o suficiente para antecipar seus próximos passos. — Eu já tenho a cura para a minha ansiedade.

Como a boa Kim Shinhye que era, a mulher não aguentaria ficar mofando em seu escritório à espera do arquivo prometido pelo seu irmão ou, ainda, do contato do hospital de Daegu.

Se as informações não iam até a montanha, a montanha iria até às informações.

E foi isso que ela começou a colocar em prática assim que Lee Haechan deixou sua sala, apressado em dispensar os outros funcionários. Digitou em seu celular o número que estava no pedaço de papel amassado sobre sua mesa e, cerca de três toques depois, a pessoa do outro lado da linha a atendeu.

— Alô? — Namjoon atendeu sem reconhecer o número, pois não tinha salvo o contato da terapeuta.

Pelo menos sua voz não estava sonolenta, o que era um ótimo sinal para Shinhye.

— Kim Namjoon, aqui é Kim Shinhye. — ela disse e, por um momento, se perdeu com a semelhança dos sobrenomes. Balançou a cabeça para manter o foco e prosseguiu, sem respirar. — O que você acha de fazer uma polissonografia hoje? Agora, mais especificamente. Não se preocupe com o horário do transporte público nem nada, eu posso ir buscá-lo na sua casa. Eu só acho que seria uma boa oportunidade de...

— O que diabos é uma polissonografia? — o Kim a interrompeu, completamente perdido. — E, o que quer que isso seja, quanto vai me custar?

— É um exame que monitora o seu sono. Aquele que você dorme com uns fios colados na sua cabeça e tudo mais. — a médica explicou mundanamente, dando de ombros. — E eu não prometi que lhe ajudaria? Não vai lhe custar nada, oras.

Na verdade, aquele era um exame um tanto caro, mas Shinhye sabia que Namjoon ou não aceitaria fazê-lo por não ter como pagar ou, ainda, não aceitaria a ajuda da médica se soubesse a real dimensão e preço daquele exame, então ela preferiu omitir algumas informações em prol de um bem maior. E de fato, no começo, o Kim estava um pouco relutante com aquela ideia, mas Shinhye só precisou gastar mais uns cinco minutos de sua afiada lábia ao telefone para convencê-lo.

Ela poderia ter seguido uma carreira de sucesso na política, se quisesse.

— Está bem, eu faço o exame. — Namjoon se deu por vencido. — Vou enviar meu endereço por mensagem.

Silenciosamente, Shinhye comemorou com um discreto soco no ar, como se o seu time acabasse de marcar o gol da vitória em um campeonato mundial. Despediu-se de Namjoon e insistiu que logo chegaria em seu apartamento para buscá-lo e, alguns poucos segundos depois de finalizar a chamada, recebeu a mensagem de texto com o endereço do mesmo.

— Céus, como ele mora mal. — ela comentou ao ler o nome do bairro, que ficava do outro lado da cidade. — Ainda bem que eu vim de carro e...

Interrompeu-se, lembrando com clareza de ter entrado num ônibus naquela manhã. Maldito JeonJungkook que tinha pegado seu carro emprestado na semana passada e arranhado toda a lateral do mesmo numa mureta em sua faculdade. Se existisse um motorista mais barbeiro do que o Jeon, Shinhye gostaria de saber os locais que o mesmo costumava frequentar apenas para passar bem longe, pois essa pessoa era um verdadeiro perigo para a sociedade.

Depois de fazer uma nota mental de cobrar o ex-namorado traidor pelo conserto do carro, o qual só ficaria pronto em dois dias, ela finalmente teve uma ideia para salvar o seu plano.

— Lee Haechan! — exclamou de sua sala. — Onde estão as chaves do seu carro?!

***

Pouco mais de meia hora depois de falar com Namjoon pelo celular, Shinhye estava estacionando em sua porta — estacionando o carro de Haechan, no caso, que lhe entregou as chaves do veículo recém-comprado sem pensar duas vezes. O homem morava em um pequeno conjunto de apartamentos numa área mais afastada do centro da cidade, um prédio de cinco andares o qual um estava nitidamente mais desgastado do que o outro, ou pelo menos era naquela conclusão que Shinhye chegara olhando-o por fora. Não havia porteiro ou sequer uma portaria, já que os apartamentos ocupavam até mesmo o térreo do prédio, então a Kim teve que informar Namjoon de que já estava lhe esperando por mensagem. O Kim respondeu poucos segundos depois dizendo que em breve desceria para encontrá-la, então o restara para a terapeuta era, mais uma vez, esperar.

Shinhye suspirou e olhou em volta, deixando seu modo observador tomar conta de si por um momento. Aquela vizinhança era uma das poucas familiaresque ainda restavam em Seul, onde podia-se ver crianças brincando livremente pelas ruas e senhoras de idade sentadas em suas cadeiras plásticas em frente a portões alheios, reunidas com o único objetivo de comentar sobre a vida dos outros vizinhos. Aquele cenário provocava uma certa nostalgia dentro da Kim, que havia crescido em um bairro como aquele, e quando ela se deu conta já estava saindo do carro para conseguir ver melhor o que a rodeava. Avistou um pequeno grupo de garotos que usavam o próprio asfalto da rua como campo de futebol e, por um momento, lembrou-se da pequena figura de Taehyung que costumava fazer o mesmo. Eram frequentes as vezes nas quais Shinhye precisava se enfiar no meio da brincadeira para literalmente puxar o irmão de volta para casa, pois já estava tarde e ele, um completo caos fisicamente, não tinha sequer feito o dever de casa ainda.

Perdida nas próprias memórias, a Kim riu sozinha enquanto observava as crianças brigando para decidir se uma delas havia feito um gol ou não, mas seu momento nostálgico acabou sendo interrompido de uma forma um tanto brusca ao esbarrar em um estranho. O homem parecia estar com pressa e, por isso, acabou atingindo com força o ombro de Shinhye, que só não reclamou porque sabia que estava distraída o suficiente para não o ter visto se aproximar e, assim, desviar do mesmo.

— Desculpe. — o estranho foi o primeiro a dizer, enquanto Shinhye ainda estava se recompondo.

Ela ergueu a cabeça, encontrando um homem na casa dos vinte anos, estatura mediana, pele extremamente alva e olhos castanhos pequenos. Vestia um moletom preto e uma calça da mesma cor e, por um momento, aquela voz baixa e rouca soou um tanto familiar aos ouvidos da Kim. O rapaz já estava indo embora quando ela resolveu, num impulso, chamá-lo de volta.

— Com licença! — exclamou, o que fez o homem parar. Ele já estava de costas para Shinhye e o máximo que fez foi fitá-la por cima do ombro, parecendo querer sair dali o mais depressa possível. — Desculpe, mas... nós nos conhecemos?

O estranho não moveu um músculo sequer para ter uma visão mais nítida da Kim, o que deixava claro que ele não a conhecia ou, na verdade, não queria conhecê-la.

— Não. — ele afirmou curtamente.

Estava na cara que o desconhecido tinha pressa e, por isso, Shinhye resolveu não segurá-lo ainda mais ali. Parecia ser uma pessoa um tanto peculiar e a Kim se deu conta de que, se realmente conhecesse alguém assim, certamente não teria se esquecido de tal pessoa.

Sacudiu a cabeça.

— Eu devo tê-lo confundido com alguém, me desculpe. — disse. — E desculpe pelo esbarrão também.

Sem dizer mais nada e muito menos se virar para a Kim, o rapaz simplesmente voltou a seguir seu caminho, deixando para trás uma terapeuta intrigada. Parada no meio da rua por onde raramente passavam carros, ela observou o estranho que vestia preto da cabeça aos pés se afastar rapidamente, ainda com a breve sensação de que o conhecia de algum lugar. Talvez não fosse nada demais ou sequer o conhecesse de fato, contudo, eram raras as vezes nas quais sentia aquele tipo de coisa de modo equivocado; uma herança deixada pelo tempo que havia passado na academia de polícia, diga-se de passagem.

— Cuidado, minha filha. — Shinhye ouviu a voz feminina dizer e, mais uma vez, teve seus pensamentos interrompidos por uma pessoa desconhecida.

Tratava-se de uma daquelas senhoras que, acompanhada das outras amigas idosas, estava sentada em sua cadeira de plástico do outro lado da rua sempre pronta para observar a falar da vida alheia. Shinhye a encarou, confusa.

— A senhora falou comigo? — perguntou de onde estava e a mais velha balançou a cabeça positivamente.

— Aquele rapaz não é o melhor tipo de gente para se aproximar ou se envolver. — a idosa afirmou e, sentada em sua cadeira, apontou discretamente na direção que o estranho tinha tomado e sumido rua afora. — Você deveria tomar cuidado com ele.

— Mas nós nem nos... — Shinhye começou a explicar, mas interrompeu a si mesma ao ter uma ideia melhor. Já que a senhora estava tão disposta a falar, a Kim resolveu aproveitar a deixa. — A senhora sabe quem ele é?

Muito provavelmente não o conhecia, mas não custava nada ter certeza.

— Claro que sei. Ele mora bem aí, nesse prédio onde você deixou o seu carro estacionado. — apontou para o prédio de Namjoon, o que deixou Shinhye duas vezes mais intrigada. Então o desconhecido e Kim Namjoon eram vizinhos? Mas ela nunca tinha estado ali antes e muito mal tinha encontrado Namjoon até então, então aquela novidade poderia ser apenas uma coincidência... — O nome dele é...

— Cheguei!

Céus, por que existem tantas interrupções nessa história?

A voz esbaforida de Kim Namjoon se fez presente, imediatamente desviando a atenção de Shinhye da senhora para a exclamação que vinha detrás de si. Namjoon, que havia parado ao lado do carro de Haechan por imaginar que era nele que a Kim tinha vindo buscá-lo, estava curvado e se apoiando nos próprios joelhos; aquilo unido à respiração acelerada, fazia com que parecesse que ele tinha corrido uma maratona até ali.

— Por que você está desse jeito? — a terapeuta perguntou aproximando-se do carro e, consequentemente, do Kim exausto.

— Você disse que eu precisava arrumar uma bolsa com alguns pertences e tudo mais, então eu fiz tudo correndo. Na verdade, eu achei que você fosse demorar mais e acabei me distraindo e perdendo a hora... — Namjoon explicou, coçando a nuca sem jeito.

Tinha se distraído com o videogame, mas Shinhye não precisava saber daquela parte da história.

A terapeuta deu de ombros.

— Tudo bem, eu nem esperei tanto assim. — disse, o que não deixava de ser verdade. — Podemos ir?

Namjoon balançou a cabeça positivamente, aliviado por poder se sentar e descansar as pernas em um confortável carro com ar condicionado depois de ter corrido tanto dentro do minúsculo apartamento que dividia com o melhor amigo, Min Yoongi. O Kim logo entrou no veículo no lado do passageiro e, em seguida, Shinhye fez o mesmo no lado do motorista. Posicionou-se, travou o cinto de segurança e deu partida no carro, satisfeita por Namjoon ter aceitado tão bem e facilmente a ideia da polissonografia. Estava prestes a descobrir algumas informações sobre o Kim que, mesmo se tratando de dados clínicos, poderiam lhe dizer algo útil ou apontar na direção mais correta para ela seguir — tinha um bom pressentimento sobre aquilo, afinal, não era de hoje que exames como a polissonografia ajudavam e muito no seu trabalho, especialmente no que envolvia casos de pacientes sonâmbulos ou que sofriam de algum outro distúrbio do sono.

Naquele momento, Kim Shinhye estava tão satisfeita por as coisas finalmente estarem caminhando para algum lugar naquele longo dia de espera que, por um descuido seu, acabou se esquecendo do grupo de senhoras que bisbilhotava a vida alheia naquela calçada. Quando deu partida no carro e logo em seguida se viu fora da rua de Namjoon, ele não se lembrou da idosa que estava prestes a lhe contar quem era aquele estranho homem que, por um algum motivo, parecia um tanto familiar para a Kim. Assim, foi embora sem saber sequer o nome do mesmo.

O que ela naquela época não sabia, mas acabou sendo um enorme erro da sua parte.

Notas finais
E então, o que acharam? E esse estranho, ein? Pequeno spoiler inocente para deixar vocês com água na boca: no próximo capítulo teremos um pouco mais da visão de Namjoon sobre tudo o que está acontecendo, inclusive sobre a tal polissonografia. Até ♥