Meu porto seguro
27 Trauma
Notas iniciais
Embora tenha dormido como uma pedra, acordei escutando um barulho estranho. Sasuke estava... Vomitando ?!
Abri os olhos e me sentei de uma vez, olhei para o lado e vi meu amigo deitado de lado, com a cabeça pendurada para fora da cama enquanto vomitava.
— Mãe... — Ele gritou de forma arrastada, não demorou quase nada para que a tia Mikoto aparecesse no quarto.
Ela acendeu a luz, o que, inicialmente, incomodou minhas vistas por conta da claridade.
— Sasuke ! — Ela se espantou com o que viu, Sasuke realmente estava passando mal, embora não vomitasse mais.
Inicialmente ele pareceu ter melhorado, tia Mikoto limpou a bagunça e tudo pareceu normal. O relógio já estava marcando 10:58, é, dormimos bastante mesmo.
Sasuke não quis levantar, preferiu ficar na cama e também não comeu nada. Era óbvio que sentia-se mal, sua mãe insistiu para que ele comesse, mas com o Sasuke não tem muita conversa.
O rapaz dormiu novamente, era até bom, talvez ele acordasse melhor.
Fui para a cozinha, estava ajudando a tia Mikoto com o almoço. Tio Fugaku viajou pela manhã, Itachi provavelmente almoçaria na faculdade, então ela decidiu fazer apenas um macarrão com carne moída.
Não demorou muito para que Sasuke, mais uma vez, gritasse pela mãe. Fomos correndo até o quarto e vimos que ele vomitava novamente.
Provavelmente foi algo que ele comeu, mas aquilo o estava incomodando muito. Não era aquele mal estar que passa no momento em que você vomita, Sasuke sentia o estômago doer bastante, não era apenas enjôo.
Isso se repetiu durante a tarde. Sasuke sentia fome, mas seu estômago doía tanto que ele se recusava a comer e, quando comia por pressão da mãe, vomitava logo em seguida.
Ele tomou um banho para ver se passava o mal estar (Dessa vez com a ajuda da tia Mikoto), pareceu ter resolvido, ele estava melhor.
Estávamos juntos no quarto, coloquei um filme para nos distrair, dessa vez não foi de terror; escolhi "A fantástica fábrica de chocolate". Pois é, um filme bastante nostálgico...
[...]
— Sasuke, descobri uma coisa terrível — Falei com desgosto e o garotinho pareceu ter ficado curioso.
— O que é, Sakura ? — Ele perguntou enquanto abria seu ovo de Páscoa, ansioso pelo brinde.
— Meu primo me falou que o coelhinho da Páscoa não existe — Cruzei os braços e fiz um bico gigante. Me joguei no chão, sentando ao lado de Sasuke que já estava com o seu precioso brinde em mãos — Não é ele que traz os ovos de chocolate.
— Lógico que não, Sakura — Ele falou como se fosse óbvio, tirou um pedaço do ovo e me deu. Sasuke estava mais empolgado com o bonequinho do Batman que veio de brinde do que com o chocolate — Só criancinhas acreditam que os coelhinhos trazem os ovos de chocolate. Coelho nem bota ovo — Ele falava como se já fosse muito crescido, mas ainda nem tinha completado seis anos — Eu sei de onde vêm os ovos de chocolate.
— Sabe ? — Indaguei com um brilho no olhar e a boca cheia de chocolate — Então me conta.
Sasuke se levantou do chão, limpou as mãozinhas sujas na bermuda e caminhou calmamente até a estante da sala. Abriu uma gaveta, retirou um DVD, colocou no aparelho e ligou a televisão.
— Eu vou te mostrar de onde vêm os ovos de chocolate — Ele sorriu vitorioso enquanto passava algumas cenas do filme até chegar naquela parte que mostra um rio de chocolate — É daqui. Eles vêm da fábrica do Willy Wonka, são feitos pelos Umpalumpas.
— Minha nossa, que demais ! — Nunca senti tanta empolgação, por um instante eu me imaginei naquele rio de chocolate — Quem te contou ?
— A mamãe me disse isso quando o Itachi me contou que não é o coelhinho quem faz os ovos.
— Ah sim... Acho que ela tem razão, faz mais sentido do que o coelho, já que coelhos não põe ovos.
— Exatamente, coelhos não põe ovos ! — Sasuke soltou um suspiro alto e bateu na própria testa — Só mesmo crianças muito bobas para acreditarem em coelhinho da Páscoa. Será que ninguém pensou nos Umpalumpas ?
[...]
Sasuke riu assim que chegou na parte do rio de chocolate, ele com certeza se lembrava da época em que jurava de pés juntos que os ovos de Páscoa vinham da fábrica do Willy Wonka.
— Esse filme me traz lembranças — Sorri nostálgica.
— Minha mãe me iludiu — Sasuke balançou a cabeça em sinal negativo — Isso não se faz.
— Eu discordo. Acho errado acabar com as fantasias de uma criança...
— Por quê diz isso ? — O moreno arqueou a sobrancelha.
— Bem... Um dia as crianças vão crescer e isso é realmente triste. Então, pra que acabar com as fantasias de uma fase tão gostosa que não volta mais ?
— Acho que você tem razão — Ele sorriu sem graça e olhou para a garrafinha com água de coco que segurava em suas mãos.
Sasuke respirou fundo e tomou um gole de água, seu estômago devia estar começando a doer novamente. Não duvido nada que ele e o Itachi tenham inventado de atacar a cozinha no dia anterior, ou o Sasuke comeu demais.
Me lembro de uma vez que o Itachi inventou de fazer um sanduíche gigante, com tudo que tem direito. Enfim, não deu em outra, tanto ele quanto Sasuke amanheceram passando mal e levando bronca da tia Mikoto por ficarem comendo porcarias de madrugada. A mãe dos rapazes estava indignada enquanto contava essa história para a minha mãe, lembro de que eu ri horrores.
— Sasuke — Chamei — Você não acha melhor ouvir o que a sua mãe diz e ir logo para o hospital ?
— Lógico que não — Ele respondeu sério, como se quisesse colocar um fim no assunto — Nem vem com esse negócio de hospital, não vou.
— Você já vomitou umas quinhentas vezes hoje — Bufei — Você nem tá conseguindo comer ! Não acha que é bom procurar um médico ?
— Não, não acho — Ele deu mais um gole na água de coco e desviou seu olhar para a televisão, ignorando o que eu dizia. Como pode ser tão teimoso ?
— Cabeça dura — Cruzei os braços e revirei os olhos — Ao invés de ir para o hospital e ser medicado, prefere ficar aí sofrendo.
— Olha — Sasuke me encarou com a cara fechada — Da última vez que eu fui pro hospital ser medicado, fiquei quase dois meses lá e continuei sofrendo.
"Por que você ficou teimando e não quis ir antes" — Pensei, mas jamais ia falar algo assim para o Sasuke, mesmo que minha língua estivesse coçando para fazer isso, eu não poderia. Seria como jogar na cara dele que ele próprio foi o culpado pela doença ter se agravado tanto.
Posso dizer que consegui compreendê-lo. Tendo acompanhado tudo de perto, as visitas tanto quando ele estava no hospital quanto quando ele já estava em casa... Enfim, posso dizer que, mesmo não tendo sofrido na pele o que ele sofreu, consegui compreendê-lo perfeitamente.
Sasuke já sofreu tanto no hospital que é até aceitável o fato de ele estar, digamos, apavorado... Ou, devo dizer, traumatizado.
-Mas não é como da outra vez, Sasuke — Falei com a voz doce, embora a minha vontade fosse dar um puxão de orelha nele. Literalmente ! — Só vão medicar você e depois te liberam.
O rapaz abaixou o olhar, fitando a garrafinha em suas mãos. Parecia pensativo, rezei para que ele estivesse consultando a sua própria consciência e que tomasse a decisão mais sensata.
— Sakura — Ele colocou uma mão sobre a boca — Eu preciso vomitar.
Revirei os olhos e bati na minha própria testa. Sabia que isso aconteceria, mas Sasuke não me dá ouvidos. Parecia até aquelas crianças teimosas que necessitam de umas palmadas.
Me levantei da cama para ajudá-lo a se levantar e caminhar até o banheiro.
Ele estava mal mesmo, só tinha ingerido líquido e mesmo assim não segurava no estômago. Me doía muito vê-lo mal, se eu pudesse, juro que não pensaria duas vezes antes de arrastá-lo para o hospital nem que fosse à força.
— Sakura... — Sasuke ligou a torneira para lavar a boca após ter vomitado na pia — Acho que você tem razão.
— Quer que eu chame a sua mãe ? — Indaguei enquanto passava a mão pelas costas dele.
— Quero — Ele respirou fundo, estava de cabeça baixa, com os cotovelos apoiados na pia e as mãos sobre a testa — Me ajuda a voltar pra cama, por favor.
Apenas assenti. Segurei em seu braço, ajudando-o a caminhar até sua cama. Quando Sasuke já estava sentado, com as costas apoiadas nos travesseiros, fui chamar a tia Mikoto.
A mãe de Sasuke ficou aliviada por ele, finalmente, ter cedido. Ela ajudou o filho a caminhar até o carro, então, fomos todos juntos para o hospital.
Ironicamente, fomos para o mesmo hospital que Sasuke ficou internado por quase dois meses, não preciso nem dizer que o rapaz fez um chilique digno de uma criança para não entrar.
— Sasuke, anda logo — Tia Mikoto insistia para que ele saísse do carro, mas o teimoso se recusou.
— Eu não vou entrar aí de novo... — Ele falou aflito enquanto olhava para o hospital.
— Sasuke... — Soltei um suspiro alto, tentando manter a calma, visto que a tia Mikoto já tinha perdido a dela — Você não faz ressonância de vez em quando ? Então...
— Mas não é aqui — Ele respondeu.
Foi quando eu me lembrei que naquele hospital não fazia ressonância magnética, quando Sasuke precisou fazer no período em que estava internado, ele era transferido de ambulância para uma clínica, apenas para fazer o exame.
— Filho, esse hospital é mais perto, vamos logo — Tia Mikoto insistiu, mas Sasuke se recusava a sair do carro.
— Eu não vou entrar nesse hospital — Disse ele — De novo não...
— Vai ser rapidinho — Falei — Você estará em casa ainda hoje.
— Quem me garante ? — Indagou o moreno, os olhos dele estavam vermelhos, como se ele estivesse segurando um choro — Quem me garante que não vão me prender aí como da outra vez ?
— Pelo amor de Deus — Tia Mikoto massageou as têmporas — Você não dava tanto trabalho nem quando era criança, Sasuke ! Você não tem mais idade para ficarmos te adulando pra fazer uma coisa que você sabe que é necessária. Então para de manha e desce logo desse carro.
Ele abaixou a cabeça, não falou nada, mas também não desceu do carro. Ficou só parado lá, sem reação, como se esperasse algo cair do céu.
Sasuke sempre foi uma pessoa de personalidade difícil, e pareceu ter piorado após a doença que mexeu tanto com a cabeça dele. Imagino que Sasuke devia olhar para aquele hospital e se lembrar de tudo que passou ali dentro, realmente devia ser muito difícil para ele. Aquilo foi um grande trauma na vida do Uchiha.
Cheguei pertinho do rapaz que estava sentado no banco do carro, notei que ele esfregava uma mão na outra, sinal claro de nervosismo. Passei a mão pela bochecha dele e desci até chegar no queixo, segurei, virei seu rosto para mim e olhei em seus olhos que transmitiam insegurança.
— Vamos ? — Chamei com a voz doce e sorri, tentando acalmá-lo de alguma forma — Eu garanto que você estará em casa ainda hoje.
Ele forçou um sorriso, engoliu seco e assentiu. Ajudei o rapaz a se levantar, assim como o ajudei a caminhar até o hospital.
Sasuke caminhava devagar, era óbvio que não queria entrar naquele lugar. Estava com medo.
Fomos para a emergência, uma enfermeira aferiu a pressão de Sasuke (que estava um pouco baixa) e verificou sua temperatura (que estava normal) para colocar junto com os dados numa ficha.
Ele não esperou muito, a emergência estava vazia, logo o Sasuke foi chamado. Tia Mikoto entrou no consultório com ele enquanto que eu fiquei esperando.
Sasuke nunca gostou muito de hospitais, mas nunca teve medo de entrar em um. Nem mesmo quando criança, nem nas campanhas de vacinação; Sasuke nunca teve medo dessas coisas. Realmente, ficar dois meses internado traumatizou o moreno.
Logo eles saíram do consultório, Sasuke estava com a cara emburrada, mas ao mesmo tempo parecia bastante aliviado. Com certeza ouviu que não ficaria internado ali.
Pois é, meu amigo faz uma verdadeira tempestade num copo de água. Mas, o que podemos fazer ? Sasuke sempre foi assim.
Fomos para uma salinha pequena, Sasuke precisou ser medicado e também teve que tomar soro, uma vez que não tinha comido praticamente nada e estava bastante fraco.
Tia Mikoto e eu ficamos lá com ele, óbvio, esperando o soro acabar para que pudéssemos ir embora. Foi quando o celular dela tocou.
— Alô — Ela atendeu — Ah, oi Itachi, estou no hospital com o seu irmão, mas não se preocupe, já está tudo bem — Tia Mikoto estava com a expressão normal, até que ficou indignada. Ela bufou e revirou os olhos — De novo ? Que maravilha — Ironizou — Tô chegando — A mulher pareceu irritada, guardou o iPhone na bolsa e se levantou para sair — Itachi esqueceu as chaves de casa e tá trancado do lado de fora. Enfim, vou lá acudir ele e já volto.
Sasuke riu e revirou os olhos, com certeza não era a primeira vez que seu irmão esquecia as chaves de casa. Na verdade o Itachi é do tipo que só não esquece a cabeça por que nasceu com ela grudada no pescoço.
Ficamos a sós. Caminhei até a cama que Sasuke estava deitado, e me sentei de frente para ele.
— Doeu ? — Indaguei séria e cruzei os braços, afinal, aquele drama do mundo todo não serviu para nada.
— Um pouco — Ele respondeu e eu revirei os olhos — Olha, pode parecer frescura, mas eu ainda preferia estar em casa.
— Preferia estar passando mal ? — Arqueei a sobrancelha.
— Ah, isso é detalhe — Sasuke é doido — Eu não queria estar no hospital. Não gosto desse ambiente, não me sinto bem aqui.
— Sasuke, ninguém gosta — Expliquei — Mas às vezes é necessário. Bem, mais cedo sua mãe te deu um comprimido para dor no estômago e você logo vomitou. Então, se em casa não dá pra resolver o problema, o jeito é procurar um médico, afinal, ninguém gosta de ficar passando mal.
— Eu fico lembrando do quanto já sofri aqui — O moreno suspirou pesadamente — E, voltando pra cá novamente, penso na quantidade de pessoas que também devem sofrer internadas aqui, e nas famílias também. É um local realmente triste.
— De fato, é ruim mesmo — Sorri para ele — Mas você não vai precisar ficar internado novamente, daqui a pouco você vai pra casa.
— Olha — Sasuke desviou seu olhar para o soro que tinha começado a pingar há pouco tempo — Acho que não vai ser tão daqui a pouco. Esse troço vai demorar pra caramba, será que não pode mexer aí pra aumentar a velocidade dessas gotas ?
— Sasuke ! — Dei um tapa de leve no braço dele e comecei a rir.
— O que foi ? — Ele perguntou, rindo também. Foi bom vê-lo alegre novamente.
— Você e essas suas idéias de jerico ! — Bufei — Se a enfermeira deixou assim, então é pra ficar assim. Eu não vou mexer nisso.
— Você é uma chata mesmo — Sasuke cruzou os braços, fingiu irritação e eu ri da cara dele.
— E o senhor pode parar de mexer essa mão, ou então vai precisar ser espetado de novo.
— Não tenho medo de agulhas — O Uchiha deu de ombros.
— Como é chato — Murmurei enquanto balançava a cabeça em sinal negativo. Sasuke começou a rir e aquilo soou como música para os meus ouvidos, era ótimo vê-lo sorrir — Ah, você acha graça ? — Arqueei a sobrancelha — Eu queria ver se você tivesse que lidar com uma pessoa como você.
— Eu me sentiria honrado — Ele falou com um sorriso no rosto, estava mais alegre, era bom distraí-lo.
— Vamos brincar ? — Indaguei e ele assentiu — Adedonha ?
— Beleza ! — Ele fechou a mão, justo a que estava o soro, e colocou um pouco pra cima — Vamos lá, adedo...
— Sasuke ! -Repreendi. Percebi que tinha um pouco de sangue subindo pelo tubinho. Seria ótimo se o Sasuke ficasse quieto — Pelo amor de Deus, usa a outra mão, olha só — Apontei para o tubinho antes de arrumar a mão dele, colocando-a sobre sua barriga — Pronto, fica assim e para de mexer.
— Ah, deixa de ser chata — Pela cara da criatura, seu objetivo era me irritar com aquilo — Nem tá doendo...
— Não é questão de doer, coisa teimosa — Briguei — Esse negócio vai acabar saindo da veia, será que você pode ficar com essa mão quieta ou tá difícil ?
— Tá difícil — Sasuke respondeu rindo. Estava só querendo me ver irritada.
— Não dá pra falar com você — Bufei e cruzei os braços. Às vezes aquele moleque conseguia me irritar profundamente.
— Tá vendo só como você é chata ?! — Ainda rindo de mim, Sasuke ficou sentado e me abraçou forte, prendendo os meus braços — Mas eu te adoro mesmo assim, sabia ?!
— Sasuke, me larga — Me remexi, na esperança de que Sasuke me largasse, mas o louco só me apertou mais ainda.
— Você tá de castigo, Sakura. Tá de castigo por ser chata.
— Sasuke, a sua mão — Revirei os olhos. Não adiantava, o moreno é como mula quando empaca — Não era você que estava passando mal ? — Arqueei a sobrancelha.
— Mas já estou bem novamente — Ele me largou e riu — Já tô melhor.
— Que bom — Passei a mão pela testa dele, tirando os fios negros que caíam sobre os seus olhos — Agora, por favor, fica quieto, deitado e comportado até esse soro acabar.
— Tá, mandona — Ele fez uma careta, me deu língua e voltou a se deitar, ficando quieto dessa vez.
Foi quando a tia Mikoto voltou, resmungando sobre como seu filho mais velho é esquecido. Sasuke e eu achamos graça, Itachi sempre foi meio desligado pra algumas coisas.
— Então, filho, melhorou ? — Tia Mikoto perguntou para o Sasuke.
— Sim. E, só pra constar, tudo o que a Sakura disser é mentira, eu estava comportado — Sasuke falou com uma cara de "Eu aprontei". Ele sempre se denuncia.
— Acho bom — A mulher olhou para o filho desconfiada e eu ri.
Pelo menos, com a mãe por perto, Sasuke ficava mais quieto. Ficamos conversando até o soro acabar e foi até divertido, eu distraí o Sasuke e ele pareceu nem se lembrar de que estava num hospital.
Foi nesse dia que eu percebi que, mesmo que Sasuke parecesse melhor física e emocionalmente, ele ainda tinha seus fantasmas que o assombravam. Jamais pensei que fosse vê-lo tão assustado por precisar entrar num hospital. Mas talvez não fosse só o fato de ser um hospital, mas o fato de ser o hospital que ele ficou internado na época em que adoeceu, imagino que entrar lá novamente tenha mexido com a cabeça dele e tenha trazido lembranças que ele gostaria de esquecer.
O que me alegou foi que eu consegui alegrá-lo. Foi como se, comigo, Sasuke conseguisse esquecer seus medos. Talvez seja por que somos amigos há muitos anos, não sei, mas a verdade é que eu exerço muita influência sobre o Sasuke.... E ele também exerce sobre mim.
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