Meu pequeno anjo
2 Proposta
– Bom dia Senhorita Swan! — Falou o senhor sentado em uma das macas da enfermaria
– Bom dia Senhor Tommpson. Machucou outra vez? — Falou a loira olhando seus cotovelos ralados e um dos joelhos com um corte bem feio.
– Cai da moto outra vez — O senhor deu de ombros sorrindo.
Emma abraçou a filha dele, Donna, uma morena belíssima, que cuidava do pai devido ao seu enorme atraso mental. Sua idade real era 63 anos, mas se comportava como se tivesse 30.
– Ele não muda — Falou Donna meio que rindo.
Emma sorriu para ela e começou a limpar o ferimento do joelho. Estava feio, mas não fundo, logo, logo iria sarar.
– Vai precisar de alguns pontos e vai ter que aposentar aquela moto — Emma falou. Não que tivesse qualquer tipo de formação para dar esse tipo de receita, mas aquela era uma área de classe baixa e com pouquíssimos médicos. O que mais poderia fazer?
– Ah Senhorita Swan! — Disse o Senhor Tommpson rindo — Não posso. Sou jovem e minha moto também.
Ela riu, junto com Donna e pediu que um dos poucos enfermeiros fizesse os pontos e passasse os devidos remédios.
Seguiu para a outra sala, onde estariam as cozinheiras, já preparando o desjejum dos poucos pacientes ali.
– Bom dia Senhorita Swan — As cozinheiras disseram em unissom.
– Bom dia! — A loira respondeu sorrindo — Querem ajuda com os pães?
– Sim por favor querida — A cozinheira chefe respondeu, apontando para os saquinhos com pães disposto sob a mesa.
O cardápio dessa manhã era café com leite, pão com manteiga e ovos mexidos.
Após terminar, Emma ajudou a levar o café para os internados. Pessoalmente, gostava de levar para as crianças. Haviam apenas três ali, duas irmãs Elsa e Anna que iriam fazer uma cirurgia simples de apêndice e um menino chamado Roland, o qual era o que mais gostava de ajudar.
O rapazinho de apenas oito anos que estava com algumas manchas avermelhadas pelo corpo, e suspeitavam ser câncer. Apesar do possível diagnóstico, mostrava estar sempre feliz.
– Emma! — O menino lhe sorriu — O que temos para hoje?
Emma riu — Hoje é café com leite, pão com manteiga e ovos mexidos.
O menino arregalou os olhos — Adoro ovos!
– Todos sabemos querido — A mulher de cabelos negros falou — Bom dia Emma
– Bom dia Regina — Abraçou a amiga , mãe de Roland.
– Como está sua mãe? — Regina perguntou, sentando-se novamente na poltrona em que estava.
– Muito bem. Parece que vai receber um aluno novo na classe, está super feliz.
– Acho lindo essa paixão dela por... Roland! O menino riu e pegou de volta os pedaços de pão que a pouco jogara pela cama.
– E seu irmão Regina? Ele já está menos carrancudo?
A morena riu — Quem me dera. Mesmo depois de quatro anos Killian ainda não quer superar o acidente.
– É uma pena. Por que ele não vem aqui? Nos podemos ajudá-lo.
– Ele não quer sair de casa — Regina falou tristemente.
Killian era o irmão mais velho de Regina e há quatro anos sofrera um acidente. Não se sabia as sequelas pois Regina não gostava de falar sobre isso, e Roland não falava com o tio desde esses tempos, logo não sabia o que se passava com ele.
– Bem, vou voltar ao trabalho. Até de tarde
A loira se despediu deles e saiu do quarto, pensando no quanto a vida de Regina mudara. A mesma havia engravidado quando tinha apenas 15 anos, mas Robin, na época com 18, assumiu o menino de bom grado. Até mesmo compraram uma casa e hoje conseguiam se sustentar sem muitos problemas, apesar da atual enfermidade do menino.
No resto da tarde, ajudou as enfermeiras a preparar os pacientes para exames colocando os roupões, trocou roupas de cama, ajudou a acalmar uma criança enquanto tomava vacina, auxiliou na cozinha e ajudou a dar apoio no grupo de adolescentes que se multilavam. Este último demorou a acabar, por incrível que pareça apareceram 23 jovens, todos com os pulsos e pernas cortados, alguns apareciam também com cicatrizes nos ombros e virilha, o que lhe causava arrepios. Essa reunião se estendeu até as oito da noite, quando começaria a reunião do AA, por tanto resolveu não participar dessa vez.
Juntou suas coisas e seguiu para o carro, rumo a sua casa. Antes até de ligar o veículo, apanhou um sanduíche que guardou para comer depois da última reunião, mas como não estaria lá mesmo, resolveu comer ali mesmo.
Deu a primeira mordida e saiu com o carro do estacionamento, seguindo pela rua principal como sempre fez, reparando no poste ainda torto e o muro do terreno baldio quebrado. Aquela imagem lhe causava calafrios...
– Chegou cedo! — Emma viu seu pai aproximar-se e lhe abraçar — Como está?
– Bem pai, obrigada — Sorriu, amava tanto quando ele estava em casa!
– Querida, fiz pipoca, vamos ver um filme conosco — Ginnifer chamou lhe mostrando dois baldes de pipoca cheios.
– Vou só tomar um banho, daqui a pouco eu desç, mas podem ir adiantando o filme.
Os dois mais velhos assentaram, enquanto a filha subia as escadas para o quarto.
Jogou a camisa que vestia no cesto se roupa suja no canto do quarto e foi ao banheiro, onde tomou um banho rápido, até que o celular tocou.
– Oi Regina — Falou, logo depois de ver a foto dela e de Roland na tela.
– Emma, tenho uma enorme novidade! Está sentada?
Emma riu — Agora estou.
– Conseguimos uma consulta com o Doutor Whale, um renomado médico que pode tratar de Roland.
– Regina isso é incrível! Quando ele vem?
– Na verdade ele não vem... Nós é que vamos. Ele mora e trabalha no Maine. Vamos para lá daqui a duas semanas.
Emma permaneceu calada por alguns minutos, até que a voz da amiga a chamou mais uma vez.
– Bem, desejo uma boa viagem a vocês então...
– Bem, na verdade — Ouviu um suspiro e outra voz, provavelmente de Robin, mandar que falasse de uma vez — Roland quer que você vá conosco! Ér.. Nós queremos. Eu, Roland e Robin.
– Regina, eu não posso... E não tenho condições para isso.
– Emma por favor. Roland conta com você, ele gosta muito de sua companhia, e eu também. Já até Vi um emprego pra você. Sei de alguém que está precisando de uma cuidadora e você é perfeita para isso. Sem falar que já está na hora de você sair de Vancouver.
– Regina, me da umas horas pra pensar, por favor... Tenho que ver como a unidade de saúde vai ficar, como meus pais vão reagir.
– Okay Emma. Mas por favor pense com carinho. Eu só quero ajudá-la.
Agradeceu e desligou.
Definitivamente Regina era uma amiga para todas as horas.
Colocou uma calça de pijama com uma blusa de alças e desceu para a sala, juntando-se aos pais.
O filme era um de comédia, e assumiu que era de fato engraçado, a ponto de chorarem de rir. Há quanto tempo não parava para ver um filme em família?
Mantinha sua agenda bem ocupada, mas a partir de hoje separaria um momento para a família também. A não ser que aceitasse a proposta de Regina.
Quando o filme chegou ao fim, seus pais lhe deram um beijo de boa noite e a loira seguiu para o quarto, onde se deitou pegando no sono logo em seguida.
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