Meu nome não é Kyle

3 Capítulo 2: The savior of the broken, the beaten and the damned


– Definitivamente suas roupas não ajudam – Disse Joan, assim que passamos pelo grande portal escrito West Side High School, muitos alunos estavam passando por nós naquela hora, e eu estava com vontade de dar um tapa nela por falar tão alto – Você é um gay nada fabuloso.

– Fala mais alto, a essa altura o pessoal sentado lá na fonte ainda não sabe que eu sou gay – Respondi com ironia, ela veio o caminho do Brooklyn todo até West Side me dando uma aula de como ser gay, de acordo com ela, pra ser gay eu preciso chamar a atenção de outros gays, porque eles são interesses amorosos em potencial.

– O que o seu radar diz? – Disse ela, apontando com a cabeça em direção a Chad Wayland.

– Que radar? – Me fiz de desentendido, mesmo sabendo que ela estava falando do tal ''Gaydar'' que supostamente os homossexuais tem, o que eu acho uma grande tolice.

– O seu Gaydar, ele é o primeiro garoto que eu vejo você Stalkeando, deve haver um motivo, você devia seguir os seus instintos.

– Claro que há um motivo, ele é ''Muito'' gostoso – Olhei ele sentado nos degraus de acesso ao prédio, com seus três amigos e uma menina abraçando seu pescoço pelas costas. – E só, não vai passar disso, não é melhor eu me contentar com a fantasia do que poderia ser, do que ir lá e levar uma surra, ou ser humilhado na frente de toda a escola?

– Você precisa perder o medo...e a virgindade, por você não baixa o Grindr no seu celular, e localiza o Gay mais próximo. Quem sabe você encontra Chad Wayland, e ele curte garotos de olhos verdes, com senso de estilo nota zero.

– Isso é desespero, além do fato do meu celular não ser compatível – Tirei o meu celular modelo sony ericsson W380, de tipo uns três anos atrás e segurei em frente ao rosto dela – E o que há de errado com as minhas roupas?

– Eu nunca reparei que seu celular era tão velho, se livra disso.

– Joan, porque tanto interesse assim na minha vida amorosa?

– Porque eu estou irritada, e entediada minha avó vai acabar me enlouquecendo com aquela história de me levar pra igreja, ela me perguntou seu fumo maconha acredita? Só porque eu grudei na parede do meu quarto um pôster do Bob Marley. Além de que eu me preocupo com você, acho que você está perdendo todas as experiências das quais tem direito ficando no armário – Ela jogou a bolsa de pano com as cores da Jamaica sobre o ombro esquerdo e cruzou os braços – Você devia ser como aqueles gays descolados com barriga tanquinho que a gente vê no Tumblr.

– Claro, eu provavelmente também deveria pintar o meu cabelo com as cores do arco- íris e chegar na escola com uma calça de couro , porque isso faz todo o sentido do mundo.

– Muito passiva, não...

– Eu sei...

Eu fiquei ali olhando a Joan falar sem parar, desejando ter ficado em casa comendo e dormindo o sono que eu tinha perdido durante a noite. Ir a escola na segunda feira é muito chato, nos outros dias da semana também, é desgastante olhar os mesmos rostos. Foi quando algo me chamou a atenção por trás do cabelo rastafári cheio de trancinhas dela. Era a fonte, parecia uma briga ou algo do tipo, alguém estava sendo mergulhado com muita força, e muitas pessoas olhavam em roda.

– O que foi? – Perguntou ela, mas quando ela se virou pra olhar eu não precisei responder.

Nós nos aproximamos aos poucos, dando alguns passos a frente, foi quando vimos um garoto sendo segurado por dois meninos da nossa turma, Rick e Brad, mas quem estava forçando a cabeça do menino na água era Billy, o capitão do time, o cara mais egocêntrico e troglodita que eu já conheci. Billy é tão narcisista que pensa que é bonito, porque todas as meninas do nosso ano –Tirando a Joan, é claro — Se jogam pra cima dele, mas ele é na realidade só um cara grande e desajeitado. Mas que nesse momento tem nos olhos um ódio incontrolável quando afunda a cabeça do menino na fonte.

– Estraguei sua maquiagem? Héim? seu viadinho... – Billy puxou a cabeça do menino pra fora da fonte, fazendo o cabelo dele espirrar água pra todo lado. Agora eu estou reconhecendo o menino, seu nome é Oliver, como o Chad ele veio transferido de outra escola. Ele é calouro, deve ter uns catorze ou quinze anos, mas assim que pisou na escola eu soube que ele seria um alvo.

Eu não fui muito com a cara dele, as roupas são muito extravagantes e fazem a linha fashionista, e ele é muito afeminado. Sempre considerei ser afeminado algo ruim, e ainda considero, eu acho.

Mas isso não é motivo pra afundar ele na fonte, voltamos a era medieval? Mesmo que ele viesse pra aula usando vestido ninguém teria o direito de fazer isso. Pior do que ver uma cena dessas, é saber como é a sensação, a sensação de estar se afogando. Olho ao meu redor, tem pessoas a minha frente, mas ninguém parece ligar pro que acontece, ninguém se move pra ajudar, mas os celulares de todos estão apontados em direção a catástrofe.

– Você esta chorando? Ou só está molhado? – Disse Billy retirando a cabeça dele da água, mas voltou a afunda-lo. Ficou forçando por uns dez segundos, e tirou novamente.

Os poucos momentos em que o rosto de Oliver estava fora da água eu via o medo estampado em seu rosto. Mas não é como o meu medo, Oliver não tem vergonha de ser como ele é, ele usa as roupas que quer, e anda da maneira que quer. Diferente de mim, que vivo preso dentro de uma bolha que eu mesmo criei, onde nunca aconteceria algo assim.

Como as pessoas conseguem ver algo assim e ficarem parados? Porque ninguém ainda se mexeu. Porque eu não me mexo? Acho que já fazia quarenta segundos que Oliver estava com a cabeça submersa. Eu não sei como aconteceu, mas quando dei por mim já estava lá na frente.

– Pare com isso! – Gritei, fazendo com que Rick, Brad e todos os outros voltassem a atenção toda pra mim – Você vai acabar matando ele!

– Ta com peninha? – Billy puxou Oliver de volta na mesma hora, o que foi bom, pois ele pode respirar e recuperar o folego. E então o soltou fazendo-o cair no chão, ainda tossindo. Joan passou por mim e foi ajuda-lo a se levantar – Vai me dizer que ele é seu namorado?

– Nada a ver cara – Disse apontando pro Oliver – Viu o estado dele? Completamente branco, quase vomitando. Você quase matou ele afogado!

– Se você defende viado,é porque é viado também – Debochou ele, me olhando com aquele olhar sínico que eu só tinha visto em filmes de psicopata.

– E porque vocês estão ai parados sem fazer nada? – Joan gritou com as pessoas ao redor – alguém me ajuda a levar ele pra direção.

– Ninguém sai daqui! – Gritou Billy, me encarando com o olhar intimidador.

– O que esta acontecendo aqui? – Disse a conselheira Moreno, abrindo caminho entre a multidão de alunos a nossa frente, assim que ela pôs os olhos em Oliver franziu a testa – O que aconteceu menino, porque você esta ensopado?

– Por causa desse troglodita – Joan apontou pra Billy com a cabeça – que estava afundando a cabeça dele na fonte.

– Isso é verdade? – Perguntou a conselheira ao Oliver, mas ele estava tão ofegante, ou apavorado demais pra falar alguma coisa.

– É sim e eu vou provar – Na mesma hora tomei das mãos o celular da menina loira a minha direita – Que isso? Me da o meu celular – gritou ela, tentando pegar de volta – Da licença querida! – Respondi e não deixei. Na mesma hora comecei a reproduzir o vídeo pra senhora Moreno ver, ela assistiu os quase um minuto de vídeo com muito repudio, balançando a cabeça em negação.

– Os quatro, na minha sala agora – Disse ela apontando pra Oliver e os três valentões – E o restante podem ir pra aula, acabou o show.

– Meu celular! – Gritou de novo a menina, bem na minha cara, tirando-o das minhas mãos.

Billy passou por mim me encarando, durou pouco tempo, mas naquele momento eu soube o que significava. Era o que eu tinha tentado evitar a vida toda, chamar a atenção pra mim, mas foi exatamente o que aconteceu. E por um momento eu tive a impressão que ele sabia.

Notas finais
Capítulo postado, curti as reviews dos capitulos anteriores, e espero receber desse aqui. O próximo capítulo se chama '' A better target'' e sai provavelmente no dia 11/08.