~ Hello Yasmyn Faray ~
...
Eu definitivamente odeio ser adolescente! Por que todo mundo acha que todas as garotas são iguais? Droga! Eu não sou uma vadia.
– Calma Sabrina – diz minha melhor amiga Clara.
– Impossível.
Ela ri e nós continuamos a andar- correr – em direção a escola. Quando chegamos, a diretora fecha o portão bem na nossa cara! Aff, como se eu precisasse de mais motivos para ficar irritada.
– Por favor, senhora Lucia, foi só desta vez – implora Clara.
– Nem pensar meninas, voltem para casa – diz ela do outro lado do portão.
– Droga – resmungo baixinho e me viro para ir embora, Clara segura meu braço.
– Só um minuto – ela sussurra para mim – Por favor, senhora, nós prometemos não chegar mais atrasadas.
O portão se abre e a diretora está parada com as mãos na cintura, olhando-nos zangada.
– Eu vou ligar para os pais das senhoritas.
– Tudo bem – respondemos em uníssono.
Depois de ela ligar para nossos pais e nós assinarmos o “livro preto”, nós, finalmente, subimos para a sala.
– Valeu Clara, ajudou muito – digo irônica.
– De nada – ela ri.
Nós batemos na porta e para nossa felicidade – sinta a ironia – nossa professora Catia abre a porta.
– Entrem meninas.
Nós entramos e como de costume eu sento na última carteira da fileira da porta e minha amiga senta na minha frente. Todos ficam nos encarando. Eu já disse que odeio essa sala? Pois é, desde que misturaram nossa antiga turma com essa, nossa sala piorou, ficou uma porcaria.
– Como eu estava dizendo, apenas alguns alunos leram “Senhora”, e como o esperado a maioria foi mal na prova – a professora começa a falar e eu paro de escutar.
Sabe, eu estou cansada de tanto blá blá blá. É sempre a mesma coisa, ninguém faz o que os professores pedem, eles reclamam e começam a falar que nós seremos inúteis no futuro. Blá blá blá.
Depois de duas aulas de reclamação e dissertação e outra de prova surpresa, nós finalmente somos liberados para o intervalo.
– O que aconteceu com você Sabrina? – pergunta Sophia.
– O que?
– Você está com uma cara péssima.
– Ah! Isso? Nada não – dou de ombros e Clara começa a rir.
– Nada não? Eu tenho dó do garoto que você quase matou – ri mais um pouco e seca uma lágrima do olho.
– Me conta Clara – diz Sophia empolgada, reviro os olhos.
– Nós estávamos correndo para chegar a tempo e tinha um monte de garotos de camisa branca vindo em nossa direção, daí um deles entrou bem na frente da Sabrina e gritou “OI”, ela quase jogou ele no meio da rua.
As duas caíram na gargalhada.
– Chega vai – implorei.
Eu odeio quando essas coisas acontecem. Quando algum garoto fica olhando para mim ou mexe comigo, eu morro de vergonha e ódio. Isso porque eu não sou do tipo que gosta de elogios ou até mesmo de atenção.
Depois da escola, o que pareceu durar um milênio, eu vou para casa. Assim que chego esquento o almoço e como em silêncio. Meus pais então trabalhando e eu, como sou a única filha a morar com eles, fico sozinha o resto da tarde. Depois de almoçar arrumo a casa e faço meu dever da escola. Subo para meu quarto e começo a ler um livro que peguei na biblioteca.
Quando chega a parte em que os dois ficam juntos, eu começo a pensar em mim. Eu devo ser a única garota de dezesseis anos na face da Terra que ainda não beijou um garoto que seja! Sim, isso é vergonhoso, mas o que eu posso fazer?
Eu suspiro. Eu sempre imagino como seria. Sabe aqueles filmes de romance onde tudo é perfeito? Então, é tipo isso, só que mais perfeito. Ahhh, isso nunca vai acontecer.
Olho para o telhado do meu quarto, como se os buracos nele, fossem me dizer o que vai acontecer comigo no futuro. Será que só eu quero saber como vou ser no futuro? Tipo, do que vou trabalhar? Será que vou me formar? Será que vou ter meu príncipe encantado ou vou virar freira? Ai! Como não saber isso é angustiante.
– Sabrina? – ouço alguém me chamando.
Vou até a janela e vejo minha tia-madrinha me chamando.
– Já desço – grito pra ela e disparo pela escada.
Abro a porta e ela entra.
– Oi – digo e lhe dou um abraço.
– Eu vim pegar o dinheiro que a sua mãe deixou – afirma.
– Ah é – respondo e vou pegar o envelope.
– Obrigada – diz ela quando pega o embrulho – eu já tenho que ir, seu tio está no carro.
– Tudo bem, tchau.
– Tchau.
Ela sai e eu fecho a porta.
O meu relacionamento com a família em uma escala de 0 a 10 é -1000. Isso não é hipérbole, é que eu realmente não sei me relacionar com as pessoas. Eu nunca tenho assunto e, geralmente, pareço ser muito grossa com as pessoas. Mas não é minha culpa ser tímida, bem, antes eu era muito pior, agora já melhorei.
Vou para a sala e ligo a TV, eu nunca assisto, porque, sei lá, não passa nada legal e de cultura. Na tela aparece um garoto muito bonito, alias bonito é eufemismo, porque ele é lindo de morrer.
Ele tem os cabelos castanhos e rebeldes, olhos azuis profundos – acho olhos azuis maravilhosos, porque não conheço ninguém que tenha – ele aparenta ser alto 1,88, tem certo músculo, mas não aqueles ridículos e exagerados. Tem rosto angelical e um sorriso de morrer, eu suspiro só de ver.
Assim que me acostumo com sua beleza, começo aprestar atenção no que ele diz- que voz, meu Deus- ele fala sobre algo de uma nova novela, é claro que ele é ator. Ao lado dele tem uma garota muito bonita também, loira e superficial como as garotas da TV. Ambos sorriem e dão tchau para a tela, depois entram os comerciais.
Eu bufo e desligo a televisão. Minha vida é uma merda! Eu nunca vou ter um namorado como ele, como eu invejo aquela garota idiota e sortuda. Ah!
Quando dá umas 18:00 horas minha mãe chega.
– Oi filha – ela diz e me beija.
– Oi mãe – dou um abraço nela. Minha mãe é a única pessoa no mundo que demonstro meus sentimentos. Eu a amo tanto.
– Como foi seu dia?
– Normal. A diretora ligou para você? – perguntou aguardando o xingo.
– Ligou – ela me olha, repreendendo – e a partir de amanhã você vai sair de casa mais cedo, ouviu?
– Certo – concordo – mas a culpa não foi minha, um garoto me atrasou.
– O que?
– Um idiota entrou na minha frente e gritou “OI” daí eu fiquei com raiva e xinguei ele, por isso nos atrasamos.
– Tudo bem, a sua tia veio aqui?
– Sim, alias para que o dinheiro?
– É aniversário do seu tio.
– Ah, tinha esquecido.
Depois de uns trinta minutos meu pai chega como sempre bêbado.
– Oi pai – digo e subo para o meu quarto.
Eu odeio quando isso acontece, ele fica insuportável. Não que ele tenha me agredido ou a minha mãe. É só que ele começa a falar e não para mais, e eu odeio isso.
Depois de jantar no meu quarto e tomar um banho rápido eu me deito. Durante a noite eu sonho com aquele ator.
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