~ Seja bem-vinda Laninha Blanco Forever~

...

– Sabe quem está vindo para cá? – pergunta Clara animada na hora do intervalo.

– Não – respondo indiferente, eu estou tentando ler meu livro, mas ela não para de falar.

Finalmente, a Sophia chega onde nós estamos e se senta.

– Onde você estava? – perguntou irritada.

– A professora não liberava a gente.

Sabe quando eu disse que misturaram as salas? Então, essa mistura separou a Clara e eu da Sophia, mas tudo bem, nós vamos superar.

– Sabe quem está vindo para cá? – pergunta Clara de novo.

– Não – responde Sophia.

– Lucas Leicam – diz com animação.

– Não acredito- pula Sophia – ele é tão lindo.

As duas começam a falar desse cara que nunca ouvi falar na minha vida e eu, finalmente, consigo ler meu livro em paz. Depois de 20 minutos o sinal bate e nós voltamos para a sala.

– Quem é esse cara? – pergunto.

– O Lucas Leicam? – pergunta Clara.

– Sim.

– Ele é o ator mais lindo do mundo inteiro e vai vir estudar aqui – ela diz dando pulinhos, ela é tão alegre, diferente de mim.

– Por quê?

– Porque os pais dele estudaram aqui e olha o sucesso que são, ou eram– ela afirma apenas, sussurrando no final.

A professora entra e nós ficamos quietas. Eu fico pensando no que ela disse. É exatamente nessas horas que eu me sinto péssima. Eu sou a única garota pobre nessa escola. Eu sou aquela pessoa sortuda que consegue uma vaga no meio de um milhão de concorrentes.

Eu sou muito diferente de qualquer um aqui. A Clara mora no melhor condomínio da cidade e tem os pais advogados. A Sophia mora no mesmo condomínio e tem o pai engenheiro e a mãe jornalista. Eu moro numa casa simples de poucos cômodos e meus pais não têm profissões que exigem uma faculdade.

Essa escola custa mais do que meus pais ganham em três meses. Eu, como a boa aluna que sou, consegui ganhar a única vaga. Sorte? Talvez. Mas eu me esforcei muito e ainda me esforço, eu tenho que tirar as melhores notas, se não perco a chance e sou descartada. E é claro que isso não pode acontecer, até porque eu prometi a mim mesma que daria o melhor futuro para meus pais e minha família.

Eu suspiro e continuo a resolver as equações. Por incrível que pareça já estou aqui à dois anos. Entrei no primeiro ano do ensino médio, agora só me falta um ano e meio para concluir.

Depois que as aulas acabam, me despeço das meninas e vou para casa abalada. Sabe, eu não tenho vergonha de ser pobre, jamais terei. Mas acontece que o mundo é tão injusto com pessoas como eu. Eu me lembro até hoje como foi minha chegada no colégio.

Eu vestia o uniforme como todos, mas ainda assim me olhavam de cima a baixo, como se já soubessem que eu era a pobretona que ganhou a única cota disponível. O mais rápido possível todos se afastaram de mim. Foi quando a Clara e a Sophia apareceram e salvaram minha vida.

Eu sou tão grata a elas. Assim que cheguei em casa corri para meu quarto e me joguei na cama, as lágrimas vieram instantaneamente. Depois de ensopar meu travesseiro fui até o banheiro e tomei um banho, acho que estou de TPM, pois eu nunca fico tão frágil se não nesses dias.

Como que para confirmar minha teoria dois dias depois fiquei menstruada. Apesar de odiar esses dias, eu tenho que admitir, são neles que fico mais bonita e atraente. Meus cabelos lisos e castanhos ficam mais sedosos e brilhosos. Meu corpo, apesar de estar inchado, fica mais atrativo e cheio de curvas. Meus olhos – que são o que mais amo em mim- ficam ainda mais verdes. Meus lábios pequenos e delicados ficam mais vermelhos. E meu rosto de menina fica mais corado. Nesses dias eu me sinto linda, porque ganho cor, já que não uso nenhum tipo de maquiagem.

Depois de ficar parada em frente ao espelho por uns 10 minutos, coloco meus fones e saio de casa. Hoje eu não vou esperar a Clara, vou ir sozinha para a escola.

Assim que chego todos ficam me encarando, passo reto por todos de cabeça erguida e sem olhá-los. Entro quase correndo na sala e me sento. Ufa, consegui. Como eu odeio atenção. Depois de uns 10 minutos a Clara entra suspirando.

– O que foi? – pergunto.

– Ele chegou – ela afirma, suspirando mais uma vez.

– Quem chegou? – pergunto sem entender.

– O Lucas – ela diz boba.

– Ah. Que série ele está?

– Infelizmente, terceiro ano – ela afirma um pouco carrancuda.

– As meninas devem estar pirando.

– E estão mesmo. Você tinha que ter visto como se jogavam em cima dele quando chegou.

– Quantos anos ele tem mesmo?

– 17.

– Então ele repetiu ou o que?

– Ele faz aniversário no começo do ano. Você, realmente, acha que alguém como ele repete? – ela me olha como se eu fosse um ET.

– Sim, ele é humano.

– Não, ele não é humano. Ele é Lucas Leicam – ela suspira de novo e eu a deixo em paz com seus sonhos.

Na hora do intervalo está tudo uma loucura, nem parece ser o colégio onde todos são comportados. Parece mais um hospício, é menina correndo para lá e para cá com cadernos na mão. Algumas gritam e suspiram. Meu Deus, que medo! Eu vou para meu banco de sempre, enquanto Clara e Sophia correm igual ás outras garotas. Eu dou risada da cena.

Depois de um tempo ela chegam descabeladas. Eu caio na gargalhada.

– O que aconteceu? – pergunto entre um riso e outro.

– Nem vem – diz Clara.

– Ah não, vão contar sim.

– Acontece que o Lucas tirou a blusa que estava vestindo e jogou para nós – afirmou Sophia.

– E?

– Nós tentamos pegar.

– Com mais todas as outras garotas, no final, a blusa ficou em pedaços e cada uma ficou com um – concluiu Clara.

Eu caio de novo na gargalhada.

– Eu imagino a cena, vocês caindo no chão, rolando e brigando, por causa de uma blusa idiota.

Eu espero as duas brigarem comigo, mas não acontece. Elas ficam olhando para trás de mim igual a duas estatuas. Eu fico com medo de virar.

– Não me diz, que ele está atrás de mim!?

As duas afirmam com a cabeça e eu permaneço quieta.

– Senhorita Clara Vasconcelos? – diz uma voz para Clara. Acho que já ouvi essa voz antes, mas não estou lembrando.

– Sou eu – diz Clara, meio atordoada.

– Prazer, meu nome é Lucas Leicam e nossos pais são grandes amigos – ele diz indo até Clara.

Quando ele passa por mim eu sinto um cheiro maravilhoso, mas não consigo ver seu rosto, porque ele é rápido e fica de costas para mim, falando com Clara.

– Ah, essas são minhas amigas, essa é Sophia Mascaranhas e aquela é Sabrina – ela diz apontando para nós duas, mas ele apenas cumprimenta Sophia, ignorando-me por completo.

Eu fico com tanto ódio que saio dali correndo com lágrimas nos olhos. É claro que ele já sabe que sou pobre, não tenho um sobrenome que se preze. É claro que os pais dele conhecem Clara, ela é importante na sociedade, é claro que ele reconheceu Sophia, a mãe dela deve ter entrevistado ele alguma vez, agora eu, eu não sou nada.

Depois de alguns minutos as meninas vêm correndo ao meu encontro. Eu estou no banheiro, tentando parar de chorar, mas os soluços insistem em sair.

– Calma Sá, ele não fez por mal – me acalma Sophia.

– Não? Ignorar uma pessoa não é fazer por mal? – pergunto soluçando mais alto.

Nesse momento entram duas garotas no banheiro e olham para mim com desprezo. Que ódio!

– Olha, não liga, ele é um idiota! – afirma Clara.

– Idiota? Você ama ele, Clara – ironizo.

– Eu odeio qualquer um que faça minha amiga chorar – ela afirma e me dá um abraço.

Eu fico ali até conseguir me acalmar.

– Olha desculpa – pede Clara.

– Pela idiotice dele? Você não teve nada a ver – afirmo.

– Não. Eu não deveria ter falado o sobrenome da Sophia – ela diz envergonhada.

– Tudo bem, a culpa não é sua se eu não tenho um nome importante – digo de cabeça baixa.

– Não importa se você é rica ou não, todas nós sabemos que você é melhor do que todas as pessoas desse colégio juntas – afirma Sophia.

– Obrigada – sussurro e me levanto.

Notas finais
Hello leitores lindos do meu coração. Tudo bem com vocês? :DDDD