~Seja muito bem-vinda Miillaa~

...

Nós saímos do banheiro bem a tempo de voltar á sala.

Depois de uma aula inteira de técnica redacional a diretora entra na sala sorridente.

– Bom dia alunos.

– Bom dia – respondemos.

– Eu tenho uma ótima notícia para as meninas.

Automaticamente todas nós ficamos mais alegres.

– Como todas devem saber Lucas Leicam agora é aluno da nossa escola. Para dar uma oportunidade para as meninas conhecerem ele melhor e quem sabe até balançar o coração dele, nós estamos organizando um concurso – ela anuncia orgulhosa.

Todas as garotas batem palma e suspiram. Sabe aquela alegria que eu senti no inicio? Então, ela acabou de desaparecer, quanto mais distância eu tiver dele melhor. Aquele idiota!

– As garotas que quiserem participar, por favor, preencham o formulário e depositem na urna que estará na diretoria, até o final da semana – afirma ela – e que a sorte esteja sempre á seu favor – ela anuncia e sai.

Assim que a porta se fecha o burburinho começa. Parece que todas as garotas estão animadas para essa droga. Tenho dó delas, porque ele é um completo idiota e elas só estarão desperdiçando o tempo.

– Ai meu Deus! – diz Clara se virando.

– Você não vai concorrer – eu provoco.

– Por quê? – pergunta ela sem entender.

– Porque ele me magoou e você disse que ele é um idiota- eu digo, fingindo indignidade.

Ela faz um piquinho e abaixa a cabeça, sabendo que estou certa. Eu começo a dar risada, ela me olha sem entender.

– É claro que eu não ligo pra isso Clara, você é tão boba. Eu não te impediria de fazer algo que te alegra.

– Ai, Sabrina, você quase me mata de susto – ela anuncia, colocando a mão no coração.

Nós rimos e a aula continua. Quando ela finalmente acaba eu vou para o banheiro correndo, porque minha bexiga está explodindo. Quando eu saio do banheiro e vou até meu armário, parece que todo o colégio já foi embora.

Quando eu estou quase chegando até meu armário vejo uma silhueta grande parada perto dele. Reconheço pelas roupas de grife que é o idiota do ator. Como é o nome dele mesmo? E parece que o armário dele é ao lado do meu. Que sorte a minha! Só que não.

Vou até meu armário e o abro, fingindo não notar ele. Vejo pela minha visão periférica que ele está me encarando. Eu guardo alguns livros e quando vou pegar os que preciso, não me contenho.

– Perdeu alguma coisa aqui? – pergunto virando-me para ele.

Eu acho que a minha boca se abriu em um “O” perfeito. Eu não acredito! É o cara da TV de outro dia. Não é possível que alguém tão lindo, seja tão idiota, que desperdício.

Ele me encara e eu intensifico meu olhar ainda mais. Eu não vou baixar a guarda só porquê ele é um famoso metido a besta! Não mesmo!!!

– E então? – pergunto de novo já que ele não responde nada.

– Não – diz ele.

– Então para de me encarar. Sua mãe não te ensinou que é feio encarar as pessoas? – digo na maior naturalidade, como se ele fosse ninguém.

– Ensinou – diz ele em um tom que não entendo muito bem.

Eu pego meus livros e bato a porta do armário com força. Saio dali pisando duro. Que cara idiota.

Quando finalmente chego em casa eu consigo respirar direito. Meu Deus ele é tão lindo pessoalmente. Não sei como, mas os olhos dele eram ainda mais azuis. Tudo bem Sabrina, pára. Ele é um idiota. E logo eu afasto meus pensamentos.

Quando minha mãe chega, eu lhe conto como foi chato o meu dia e como o Lucas é um idiota. Ela apenas dá risada. Nós jantamos sozinhas. Eu tomo banho e subo para o meu quarto. Já eram 22:00 horas e meu pai ainda não tinha chegado. Com certeza estava em algum bar de esquina.

Quando eu estou quase pegando no sono, eu escuto a porta se abrir e alguma coisa cair, fazendo um barulho alto. Eu permaneço imóvel. De novo não, por favor. Eu começo a pedir a Deus, mas parece que ele não ouve minhas preces, porque logo a gritaria começa.

Mais uma vez eles estão discutindo. E os gritos entram por meus ouvidos e perfuram minha alma da forma mais dolorida que existe. Eu me sento enrolada e abraço minhas pernas, me balançando. Logo minhas lágrimas desesperadas rolam, pedindo por socorro em silêncio.

Onde estão meus irmãos? Quem vai fazer com que eles parem? Quando isso vai acabar?

– Socorro – eu sussurro.

A discussão continua. Eu tento ao máximo não ouvir o que eles dizem, mas os xingamentos ainda são audíveis, mesmo quando eu tampo meus ouvidos até minhas mãos doerem pelo esforço de bloquear o som.

........................

Eu acordo meio assustada no dia seguinte, eu não me dei conta de que adormeci. Meu corpo inteiro dói pela péssima posição da noite. Eu dormi, literalmente, sentada.

Eu tomo um banho para relaxar a tensão, mas não funciona muito. Tomo algumas pílulas para dor de cabeça, pois parece que a minha vai explodir. Quando desço pro café vejo sangue no tapete da sala. Eu tento não me desesperar, mas é impossível.

Eu saio correndo de casa mesmo sendo cedo de mais para ir á escola. Eu tento esquecer o que vi e não pensar nas possibilidades, mas é impossível. Eu acabo imaginando. Ele bateu nela? Eu não posso acreditar nisso. Se ele teve essa coragem, ele deixou de ser meu pai.

Entro pelo portão da escola e vou direto para o vestiário vestir minha roupa de corrida- calças de moletom, blusa de manga e tênis de correr. Eu tenho que gastar minha energia de alguma forma. Vou para a quadra e começo a correr. Ainda faltam 30 minutos para começar a aula, tempo suficiente.

Quando os alunos começam a chegar eu vou para o chuveiro. Demoro uns bons 20 minutos na água quente. Quando saio, a primeira aula, como o esperado, já começou. Eu termino de me trocar com a maior tranquilidade possível. Depois vou até meu armário pegar meus materiais do dia, o que dá o tempo certinho para bater o sinal da segunda aula.

Eu vou correndo para a sala e entro antes do professor.

– Onde você estava? – pergunta Clara.

– Correndo – digo apenas.

Eu nunca contei para nenhuma das minhas amigas, nem mesmo as antigas, que meu pai bebia e que tinham brigas freqüentes em casa. Eu não precisava receber olhares de pena em minha direção.

Clara sabia que quando eu corria era por algum motivo, mas ela respeitava meu espaço e não perguntava. Eu era imensamente grata por isso. Ela muda de assunto.

– E ai, já depositou a ficha na urna? – pergunta com uma verdadeira empolgação.

– Não – respondo o obvio – e nem vou.

– Por quê? – pergunta com aquele olhar de “você é um ET”.

– Porque para mim ele pode morrer e não fará falta. Ele já mostrou que é do tipo que esnoba as pessoas simples. E aliás, de onde seus pais se conhecem? – pergunto desviando a atenção, do que eu menos preciso no momento é dela me contrariando.

– Ah, o pai dele e o meu são velhos amigos de faculdade – ela afirma dando de ombros.

– Legal, assim vocês se vêem mais – dou entusiasmo.

– Acho que não – ela diz triste.

...........................

Depois de uma semana entediante a sexta-feira finalmente chega.

– Você tem certeza? – pergunta Clara pela milésima vez.

– Absoluta – afirmo mais uma vez.

Ela e Sophia estão tentando me convencer a participar da competição.

– Mas também tem um prêmio no final – Sophia diz para persuadir.

– Não ligo – dou de ombros.

O sinal bate e nós voltamos á sala. Quando falta só 10 minutos para irmos embora, a secretária da diretora entra na sala.

– Com licença professor, mas a diretora deseja falar com a senhorita Sabrina. O senhor libera?

– Claro – ele diz e aponta para mim.

Assim que eu ouvi meu nome, eu gelei. O que eu fiz de errado? Eu me levanto devagar e vou até a porta, todos ficam me encarando com cara de “bem feito, até que enfim ela será expulsa”. E eu realmente acho que seja isso. Por qual outro motivo a diretora iria me chamar?

Quando eu cheguei á porta da diretora, meu medo aumentou ainda mais, se possível. Eu não posso ir embora, não agora. Se eu for expulsa, minha carreira futura estará arruinada. Eu comecei a tremer.

– Pode entrar – diz a secretária. Eu concordo e juntando forças abro a porta.

– Com licença – digo, entrando na sala.

– Ah, sente-se senhorita Sabrina.

Eu me sento.

– Eu notei que a senhorita ainda não preencheu o formulário para o concurso – ela observa.

Então é isso? Ela me chamou até aqui para falar de um concurso idiota?

– Eu não vou participar – anuncio.

– Por que não? – ela pergunta perplexa.

Por que todos me olham como se eu fosse um ET quando digo isso? Poxa, eu não estou desesperada para gravar com um ator idiota.

– Tenho meus motivos, desculpe-me, mas são muito pessoais.

– Você tem namorado?

– Não.

– Então não vejo motivos. Olha, aqui está o formulário, você pode preencher e depositar na hora que sair – ela me entrega o papel.

– Mas eu não quero – afirmo, como ela pode querer me forçar a fazer isso?

– Você tem que querer. Praticamente todas as meninas depositaram os formulários no primeiro dia. A senhorita é a única que falta – ela diz com um sorriso falso no rosto.

– Não achei que fosse obrigatório – tento contradizer.

– Mas é.

– Mas eu não quero – tento de novo.

– Olha, eu tentei ser boazinha, mas a senhorita gosta de dificultar. Se você não preencher, será expulsa da escola imediatamente – ela afirma com uma autoridade que me dá medo.

Eu pego o papel sem pensar duas vezes e saio da sala dela sem dizer nada. Ela apenas sorri, como se nada daquilo fosse ruim.

Quando eu saio o sinal já bateu, por isso só resta eu naquela escola. Eu sento-me em um banco para preencher o formulário.

Nome. Série. Endereço. Telefone. Até aqui tudo bem.

Cursos extra-curriculares. Idiomas. Talentos. Estado civil. Renda familiar? Para que eles querem saber essas coisas?

Eu bufo indignada e deixo o papel de lado por uns instantes. Por que ela faz tanta questão que eu participe? É obvio que ele tem certa repulsa por mim, ou seja, claro que ele não me escolherá. E mesmo que isso seja um concurso, eu duvido que ele não terá o direito de escolher.

Eu pego o papel mais uma vez e preencho encabulada. Depois que deposito na urna a contragosto, vou embora correndo o mais depressa que consigo. Mas por mais rápido que eu corra as lágrimas sempre me vencem.

Notas finais
E aí, o que acharam? De 0 a 10, qual nota vocês dão? Sejam sinceras, hein por favor. É isso aí, eu fingi que hoje já era amanhã e postei mais um capítulo. Eu acabei de responder os comentários lindos maravilhosos de vocês, por isso postei mais um. Sim, eu sou movida a comentários, rsrsrs. Beijos, até os comentários. ;DDD