POV Sabrina

Acordei ao que pareceu um longo sono, que surtiu um efeito contrário ao de descanso. Lembro-me vagamente que da última vez que abri meus olhos eu senti uma terrível dor, por isso decidi permanecer exatamente como estou: imóvel.

Agucei meu sentido de audição. Tudo está muito quieto.

– ...certo. – ouvi uma voz ao longe.

– Como eu disse. – outra voz sussurrou.

– Sabrina? Consegue me ouvir? – a primeira voz disse.

Por que todos estão falando tão baixo?

Sim! Estou te ouvindo! – tentei responder, mas meus lábios nem ao menos se moveram. Acho que estou fraca demais até mesmo para falar.

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POV Lucas

Foram intensos meses. Tudo passou tão depressa em um momento e depois os minutos pareceram se estender para o infinito.

Quando eu recebi a noticia de que a ultima selecionada havia sido encontrada, meu coração quase parou. A Sabrina foi encontrada em uma cidade do interior leste de São Paulo, uma cidade que era desconhecida para o mundo.

Uma mulher de uns 50 anos a encontrou, ou melhor, a Sabrina a encontrou. Na reportagem que a senhora deu à televisão ela disse as seguintes palavras:

“Uma garota tocou minha campainha e quando eu fui atender ela simplesmente tinha desmaiado. Eu desesperada liguei para a emergência. Os médicos chegaram de pressa e eu acompanhei a menina. Quando chegamos ao hospital alguém a reconheceu como ‘a garota desaparecida’ e então eu me senti uma heroína por ter encontrado ela na porta da minha casa”.

Lembro-me das palavras exatas, porque elas eram ditas a todo o momento na televisão, durante os últimos cinco meses. Depois de a Sabrina ser atendida superficialmente naquele hospital, a diretoria informou minha equipe de que a garota tinha sido encontrada.

Eu fiquei sabendo no mesmo momento e então todos fomos para lá o mais rápido possível. Foi um choque terrível quando soube do estado dela. Insolação, desidratação, infecções em várias partes do corpo por conta de inúmeros cortes, o maxilar deslocado. E o pior de tudo, quando ela caiu desmaiada o pacto em sua cabeça foi tão grande que o crânio se fraturou e o cérebro sofreu algumas seqüelas, causando perda da consciência, dor de cabeça forte e persistente e ainda é possível a perda da visão e a paralisia em um lado do corpo.

Quando o médico me disse isso eu morri, não literalmente, mas emocionalmente e psicologicamente. Ordenei que ela fosse transferida para o melhor hospital de São Paulo imediatamente e assim foi feito.

Ela passou um mês inteiro se recuperando sem nem ao menos abrir os olhos ou dar sinal de vida. Até que em um dia ela simplesmente se levantou do nada e caiu com a cara no chão, abrindo o corte que havia sido feito na cirurgia em sua cabeça.

Sua mãe e eu que estávamos do lado de fora do quarto entramos em pânico. Eu tentei ajudar ela, mas antes que eu sequer entrasse no quarto, os paramédicos já a estavam levando para a sala de cirurgia outra vez.

Eu quase morri ao ver ela daquele jeito. Seu corpo fraco caído na maca, sua cabeça, seu pescoço e parte dos seus braços cobertos por sangue, e o pior de tudo, seus olhos chorando, clamando por socorro. Eu me senti destruído naquele momento, eu só conseguia pensar em uma coisa: no quanto precisava salvar ela.

Pode parecer tolice, mas eu tentei correr atrás dela, como se eu pudesse mesmo fazer alguma coisa. Como se eu pudesse salvar ela do que quer que a estivesse fazendo sofrer. Meu Deus! Eu estava enlouquecendo e mais do que nunca eu sentia meu amor crescendo por ela.

Por sorte tudo ocorreu bem na sala de cirurgia. Eu tentei convencer de que eles deveriam me deixar entrar no quarto e ficar com ela, mas como ela estava na UTI me proibiram.

Os pais dela provavelmente me odiavam, já que tudo o que havia acontecido era culpa minha, mas a mãe dela em momento algum demonstrou isso. O pai dela, as poucas vezes que vi, ele estava fazendo barraco com os seguranças, provavelmente havia bebido por não suportar ver a filha assim. Eu também queria encontrar algo para afogar minhas magoas.

Depois do ultimo acontecido ela ficou apagada por quatro meses sem dar sinal de vida e respirava com ajuda dos aparelhos. Nesse ultimo mês eles fizeram novos exames e concluíram que ela estava melhor. Ela começou a respirar por conta própria. Pode parecer bobagem, mas foi como se eu mesmo voltasse a respirar.

Na ultima semana os médicos permitiram nossa entrada no quarto para tentar falar com ela, segundo eles, ela já podia nos ouvir, já que estava voltando à consciência. Nossa esperança era que ela, no mínimo, movesse os lábios ou abrisse os olhos, mas parecia sonhar alto demais quando eu via seu estado frágil e apagado.

Nesse momento eu estava ouvindo as orientações do médico mais uma vez.

– Tudo bem, já entendi. – conclui – certo.

– Como eu disse. – falou ele mais uma vez.

– Sabrina? Consegue me ouvir? – falei em seu ouvido.

– Continue tentando. – ele incentivou. – os deixarei a sós.

– Obrigado.

Ele saiu e fechou a porta atrás de si. Éramos só nós naquele quarto agora.

– Amor da minha vida? Por favor, volta pra mim. Eu não estou conseguindo viver sem ti. O que é estranho, já que nem nos falávamos direito. Mas eu sinto tanto sua falta. Lembra quando você vivia brigando comigo? Naquela época eu ficava tão irritado com sua teimosia, mas hoje eu sinto tanta falta que você nem tem ideia.

“Quero tanto que você acorde logo. O mundo precisa de você, sabia? Devia ser crime você nos restringir do seu brilho. Muitas pessoas sentem sua falta aqui.”

“Sua mãe não sai nem um minuto daqui e ela vive rezando para que você volte logo. Seu pai também veio aqui te ver, princesa. Mas como você está na UTI, não podemos te ver muito. E é por isso que amo esses poucos minutos que tenho contigo.”

“Você provavelmente não sabe, mas ganhou muitos fãs quando ainda participava da competição. Eles criaram vários fã-clubes para você. E tem muita gente te incentivando a melhorar logo, mocinha, por isso trate de se curar logo.”

“A mídia a todo o momento fala de você, pois é! Você já é famosa agora, tudo bem que eu preferia essa fama em outras circunstâncias, como quando você fosse ganhar seu prêmio por ganhar a competição.”

“Ah é! Você não sabia né? Desde o inicio foi pura encenação. Eu entrei no colégio, porque precisava aparecer mais na mídia por conta da minha carreira e tal. Nada melhor que uma competição televisionada para deixar a novela mais famosa e eu ganhar mais dinheiro.”

“Claro que eu não queria nada disso, mas fui obrigado por meu pai que me ameaçou, dizendo que contaria a todos sobre como minha mãe morreu. Então eu aceitei e entrei no jogo.”

“A diretora também participou e foi até muito importante desde o inicio para nossa encenação. Você gosta de complicar as coisas né mocinha? A diretora foi obrigada a te ameaçar para participar da competição. Você era nosso alvo desde o inicio”

“O colégio é considerado muito preconceituoso por não aceitar pessoas pobres. Já que você conseguiu ganhar a única vaga disponível, nós te colocaríamos como a vencedora e assim mostraríamos que todos têm uma chance na vida.”

“Eu não sabia da sua resistência até aquele dia em que você me contou. Eu fiquei tão bravo que discuti feio com meu pai, por isso quando você dormiu lá em casa aquele dia, nosso relacionamento estava como se eu mandasse na casa. Era só porque eu tinha ameaçado contar toda a verdade caso ele abrisse a boca sobre o que estava acontecendo com a gente.”

“Mas no final tudo foi por água abaixo quando você e as outras foram seqüestradas. A competição foi cancelada assim como a minha atuação na novela. Mas está tudo bem, porque as gravações já começaram e como eu não saio do seu lado, seria impossível eu gravar de qualquer forma.”

– Senhor? Hora de a paciente tomar o medicamento. – interrompeu uma enfermeira.

– Já estou saindo. – disse e me virei mais uma vez para a Sabrina. – volta logo meu amor. Eu te amo. – beijei sua testa e sai, deixando para trás não só meu amor, mas também minha vida.

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Notas finais
Olá! Gostaram do primeiro capítulo da segunda temporada? Eu quis mostrar como foi o processo de tratamento dela com detalhes~acho que consegui o que eu queria pelo menos~. Também quis mostrar como foi a competição desde o inicio e o por quê da diretora fazer tanta questão da Sah participar... Duvidas sanadas? Espero que sim! ;D Estou aceitando criticas! Porque quando vocês falam o que eu preciso melhorar, eu realmente tento melhorar!!! Por isso, tratem de deixar suas criticas nos comentários. U.U Também aceito elogios se for o caso...;D E sim, estou um pouco decepcionada com vocês, porque ninguém nunca mais recomendou minha fic, nem favoritou, nem nada, acho que ela não está assim tão boa e digna. :C Bem, agora eu queria recomendar uma fic para vocês!!! Ela está no inicio e eu conheci ela ontem! Ela não é nem um pouco de romance...ela é só para maiores de 18 e pode ser considerada meio mistério...Eu curti muito ela e gostaria que vocês lessem ela para dar uma força para o escritor, já que eu não quero ter a fic excluida. :D Vão ler? O link é esse: http://fanfiction.com.br/historia/553562/Dream_Reality/ É isso por hoje! Ah, só mais uma coisa...essa semana é o recesso! Então provavelmente escreverei mais um capítulo antes do domingo, mas NÃO é certeza, porque ainda tenho o curso a tarde... Agora sim... Beijos amoras e amores do meu coração. OBS: se eu não receber presentes de vcs~comentários, favoritações, recomendações~não posto de jeito nenhum outro capítulo!