Meu namorado é uma superestrela
27 Capítulo 2
Notas iniciais
POV Sabrina
Foi estranho ouvir o Lucas revelando todas aquelas coisas. Eu nunca imaginaria que até mesmo pessoas como ele fossem corruptas. Foi um grande tapa descobrir toda a verdade e também meu estado. Então até o bêbado do meu pai veio visitar-me, eu não imagino o escândalo que ele fez.
Então eu estava famosa?! Que grande merda!!! Não quero ter nenhum fã, não quero ter que viver para ninguém além de mim mesma. Não quero ser o exemplo, pelo contrário, começaria a viver no instante em que saísse daqui. Finalmente seria a minha vez de viver pra valer.
..............................................
POV Lucas
...............................................
Meses depois...
.............................................
– Ela está melhor que nunca agora e hoje mesmo ela é liberada do hospital. – digo confiante e mais feliz que nunca.
– E então? Vai buscar ela? – perguntou-me o apresentador.
– É claro. – sorrio para a câmera.
– Boa sorte e que tudo ocorra bem. – ele apertou minha mão, sorrimos para as câmeras e então as luzes do palco de apagaram.
Eu finalmente estava livre para ir buscar o meu amor, depois de quase 2 horas nesse programa chato. Sai dali em disparada sem cumprimentar ninguém. Depois de meia hora eu estava entrando pelas portas duplas do hospital.
Minha alegria era tão visível que eu ao passar fazia com que as pessoas sorrissem também. Acho que todos nesse país esperaram por esse dia. O dia em que ela finalmente sairia desse lugar onde passou 1 ano se tratando.
O pior era que ela havia perdido um ano da vida, mas nada que eu não fosse fazer o possível para ela recuperar logo.
Entrei na sala dela e logo a avistei. Ela sorriu.
– Oi. – disse envergonhada.
– Podemos ir? – perguntei.
– Só estávamos te esperando. – ela disse abaixando a cabeça e então eu pude ver a mãe dela sentada à janela.
– Oi, senhora. – cumprimentei.
– Boa tarde, Lucas. – ela sorriu.
– Vamos então. – eu concluo.
............................................
POV Sabrina.
É estranho chegar a casa depois de tanto tempo sem vir aqui. Parece que faz séculos que não venho aqui e é quase isso mesmo, infelizmente. Adentro com minha mãe e ela sorri, mas eu sei que tem algo que ela quer me contar. Eu sinto isso desde o dia em que eu acordei e a avistei.
Assim que chegamos, eu dispensei o Lucas, não queria que ele entrasse aqui mais uma vez. Eu precisava me distrair e relaxar um pouco.
– Vou tomar um banho e comer algo que preste. – eu disse, dando risada pela primeira vez em meses.
Automaticamente os olhos de minha mãe se iluminaram um pouco com meu bom humor repentino. Eu dei um beijo em sua bochecha e subi para meu quarto.
Parece loucura, mas eu abracei casa coisinha que tinha no meu quarto, como eu senti falta do meu refugio preferido. Sentei-me na cama e fiquei pensando em nada na verdade. Fiquei só encarando o teto e pensando no como as moscas conseguem ignorar a gravidade. Será que é assim mesmo? Rio comigo mesma.
Pego minhas roupas e desço para um banho. Ao sentir aquela água quente cair sobre o meu corpo foi a melhor sensação que eu tive no dia. Meus músculos rígidos foram relaxando com o tempo. Depois de 30 minutos me lavando eu desligo o chuveiro e saio do banheiro já vestida.
– O que quer para jantar? – minha mãe pergunta-me sorrindo.
– Panqueca. – sorrio.
– Já vou preparar. – ela diz e me abraça. – senti tanto sua falta.
– Eu também, mãe. Te amo.
Separamos-nos e enquanto ela prepara o jantar eu resolvo acessar um pouco a internet. A quantidade de mensagens me incentivando a melhorar foi surpreendentemente alta. Nunca imaginaria que tantas pessoas estivessem preocupadas com meu bem-estar.
Depois de responder algumas mensagens de pessoas conhecidas e ficar ao telefone por meia hora com minhas amigas, eu desci para meu tão esperado jantar.
– Daqui a pouco, sua tia chega e seu irmão também virá. – diz minha mãe com um misto de tristeza e alegria no olhar.
– Qual deles? – pergunto com desdém.
– O Joseph, querida.
Eu reviro os olhos e pego um prato me servindo.
– Não vai esperar as visitas chegarem?
– Não. Minha fome é mais importante que eles. – digo um pouco grossa demais e começo a comer aquela delicia de comida.
..................................................
– Senti sua falta. – diz Joseph enquanto me abraça.
Eu me separo dele e sento no sofá de novo, ignorando a presença de todos eles. Minha cunhada, Karina, fingiu animo ao me ver, mas sei que é puro fingimento, a ultima vez em que nos vimos ela disse que não queria mais ver minha cara, no entanto, aqui está ela. As únicas pessoas que me interessavam naquela sala eram meus tios e mais ninguém.
Meu pai já estava bêbado o que, segundo minha mãe, era normal e cotidiano depois de eu ter ficado em coma.
– Querida, sabemos que é muito cedo para lhe contar, mas sentimos que já está na hora. – começa minha mãe.
– Antes de tudo, saiba que a culpa não foi sua. – completa minha tia.
– Tudo bem. – eu concordo.
Minha mãe e minha tia sentam-se cada uma de um lado meu como se fosse preciso me segurar. O restante das pessoas ficou me encarando para ver minha reação.
– Quando você e as garotas da competição foram seqüestradas ninguém sabia o por quê de tal acontecido. Nós, sua família, ficamos ainda mais preocupados quando as garotas foram liberadas menos você. Todos sabiam que a pessoa que eles queriam era você. – minha mãe tentava manter a calma, mas em algumas partes sua voz falhava.
“ Quando você conseguiu fugir as coisas ficaram piores para nossa família. Seu irmão Michel foi quem deu a ideia para os seqüestradores te seqüestrarem, alegando que ganhariam muito dinheiro como recompensa, quitando assim a divida que ele tinha com os traficantes.”
– Quando você fugiu, eles ficaram loucos de raiva por não conseguirem o que queriam e então foram atrás da família do seu irmão. – a voz da minha mãe falhou e os soluços presos romperam de uma só vez.
– Eles mataram sua cunhada e seu sobrinho primeiro, depois eles torturaram seu irmão e depois o mataram também. Eles entregaram os corpos para sua mãe e disseram que a divida estava quitada e que não precisaríamos mais nos preocupar com o pilantra que era seu irmão. – concluiu minha tia.
Todos estavam esperando alguma reação da minha parte, mas eu não sabia nem mesmo o que pensar. Meu irmão estava morto por causa das malditas drogas?! O que eu podia esperar? Mais cedo ou mais tarde sabíamos que iria acontecer.
Eu não culparia a mim pela morte dele, mas sim a ele mesmo! Idiota, imprestável, desgraçado! Nesse momento eu estava adorando ele ter morrido. Desgraçado! Eu fiquei um ano em coma e passei por todo aquele inferno por culpa dele! Como eu o odeio! Mereceu a morte tortuosa e angustiante que teve.
– Sinto muito, mãe. Você nunca mereceu os filhos que teve. – disse, abraçando-a o mais forte possível.
É claro que todos se surpreenderam com minha reação fria, mas eu pouco me importo. Danem-se eles. Quando eu disse no plural, Joseph me encarou raivoso, eu apenas sustentei o olhar.
– E você Joseph, vai ter o mesmo destino se não parar de ser um covarde! – disse para ele.
– Vai se ferrar, sua puta!- ele gritou, avançando em mim.
Meu pai e meu tio o seguraram e o expulsaram de casa. Logo depois meus tios também foram embora, restando só meus pais e eu.
...........................................
1 MÊS DEPOIS
.......................................
Foi difícil no inicio, mas eu voltei ao meu ritmo “normal” de vida. Como eu fiquei um ano e meio sem fazer nada na minha vida, eu perdi muitas coisas, incluindo a escola. O bom de tudo isso é que o Lucas estava pagando aulas particulares para mim, onde eu poderia finalizar o ensino médio em alguns meses.
Apesar da minha popularidade entre as pessoas, minha vida continuou calma como sempre, sem muitos acontecimentos. É claro que no inicio eu fui aos programas de televisão para dar satisfação às pessoas, mas felizmente foi tudo passageiro.
Agora eu estava tendo aulas com minha professora. Ela vinha à minha casa de segunda a sexta durante toda tarde.
– Muito bem, senhorita. Até amanhã. – ela se despediu e eu a acompanhei até o portão.
– Até amanhã, professora. – dei tchau, enquanto ela dava partida com o carro.
Eu peguei o cadeado e comecei a fechar o portão quando uma pessoa que a muito tempo eu não via surgiu na minha frente, assustando-me.
– Olá, mocinha. – ele sorriu com aquelas covinhas que me enlouqueciam.
– Jonathan. – gritei e pulei em seu colo.
– Senti sua falta, gatinha. – ele sussurrou em meu ouvido.
......................
Fale com o autor