Meu namorado (im)perfeito
6 6 – A distância entre o que é certo e errado
Notas iniciais

6
Levy fez uma nota mental para nunca, jamais, se esquecer de como foi árdua a semana que se passou.
Ter que tentar empurrar alguma cabeça na cabeça de Gajeel era muito difícil, imagina então ter que transformá-lo no número 1 do colégio! Missão impossível que nem James Blonde daria conta. No final de semana, Levy estava exausta e nem sequer estava disposta a sair no final de semana com as amigas. Também pudera. Uma chorava pelo leite derramado, a outra estava sobrecarregada com as tarefas do conselho e Levy só queria descansar a mente, pois jurava ter gasto metade de seus neurônios no exercício mental que fazia para ensinar o brutamonte Gajeel, assim como ela mesma definia.
Sendo assim, o final de semana das três amigas foi um tanto quanto... Tedioso demais. E Gajeel, bem... Gajeel estava abarrotado de questões que Levy propôs, mas não sabia nem para onde ia.
Era segunda-feira quando tudo estava mais tranquilo.
Erza e Levy conversavam animadamente antes de começarem as aulas:
— O que quer dizer com isso? — Indagou a pequena de cabelos azulados e de aspecto de palha seca. — Não entendi absolutamente nada.
— Exatamente o que ouviu. Vamos lá! — Erza puxou Levy pelo braço para fora da sala.
Era difícil para a pequena Levy acompanhar os passos de Erza que tinha pernas longas e corria rápido. Ela estava se destrambelhando toda e rezando interiormente para que não caísse de cara no chão e o colégio todo caçoasse dela. Bem, quem sabe assim as pessoas prestassem mais atenção nela. Ultimamente estava tão apagada que nem pra ter má fama ela prestava. Era simplesmente invisível para a maioria ali.
— Ok, você falou rápido demais e eu não pude entender muita coisa. — Levy foi mais rápida e conseguiu tirar do bolso o seu inseparável bloco de notas. Talvez aquilo servisse para uma boa matéria na sua coluna do jornal. — Fala de novo.
Erza parou um instante de correr e Levy foi se encontro às suas costas, tombando nela. Teria caído se Erza não estivesse segurando-a pela mão.
— Eu disse que terá um festival de inverno aqui no colégio e eu fui encarrada de organizar todo o evento — disse com um estranho brilho nos olhos. Um brilho maligno e sonhador ao mesmo tempo. — Imagina só! Como vale ponto, eu poderei mandar em todos os meninos do colégio como se fossem meus capachos, e até mesmo os Dragon Slayers!
Oh, aquilo sim era uma boa notícia!
Era costume da maioria dos colégios nas terras nipônicas realizarem festivais de verão, mas poucos eram os que preparavam algo para celebrar a chegada do inverno. Desde a última direção do colégio o Verônia não fazia algo do tipo.
— Grande novidade, Erza! — Levy bufou enquanto escrevia o título da matéria do jornal em seu bloco de notas. — Você já manda em todos naturalmente desde que se tornou a presidente do conselho estudantil. Quer dizer... — Levy se corrigiu. — Você já mandava em todos antes mesmo de assumir o posto. Ele só facilitou a sua vida.
— Ora, alguém precisa assumir as rédeas. — A ruiva deu de ombros como se aquilo não fosse nada de mais. — E não é para tanto, porque eu nunca consegui por ordem naqueles gorilas que fazem parte do time baseball, mas este ano as coisas vão ser diferentes. Eles vão sofrer na minha mão!
Isso era verdade. Mas não seria uma coisa fácil de fazer e não só Levy sabia disso, mas Erza também. Era quase a mesma complexidade que tinha a missão de Levy em ensinar Gajeel a ser CDF.
— E você está contente só por isso? — Perguntou com desdém para que a amiga desistisse da ideia. Sabia que logo, logo os Dragon Slayers dariam o troco. Eles eram as personificações dos demônios de Lúcifer.
Só que Erza não cederia nunca.
Nem em sonhos.
— MAS É CLARO! — Ela respondeu massacrando seus tímpanos e deixando Levy levemente surda por alguns instantes. — Agora eu poderei dar o troco naquele pervertido.
— De quem está falando? — Levy perguntou, porque não se lembrava dele. Para Erza todos os homens eram pervertidos, mas tinha um que era mais do que todos em especial. E se Levy se recordasse quem era ele, jamais teria feito essa pergunta à ruiva.
— DELE, LEVY! — Erza explodiu. — Jellal Fernandez, o novato da cara de bunda.
Que não tinha nada de cara de bunda.
Como a maioria dos integrantes do time de baseball, o cara era um Deus Grego. Estava em forma e seus músculos eram tonificados. Normalmente usava regatas que deixavam seu corpo longo à mostra e arrancava suspiros femininos por onde passava. Mal havia sido transferido e já estava na lista dos “dez meninos que eu daria no primeiro encontro” das garotas mais levianas da instituição. E muitas, muitas meninas, até mesmo as mais recatadas, gostariam de passar a língua naquela tatuagem tribal que ele tinha no rosto.
— A minha vontade é de amassá-lo feito papel até quebrar por completo os seus ossos e jogar no lixo mais próximo — Erza continuou, com a raiva já tomando forma em seu rosto bonito. — Ou melhor! Quem sabe triturar os seus músculos em um moedor de carne bovina. Eu poderia arrancar os fios de seu cabelo também, um a um, para fazer um tapete de banheiro e por na minha casa pra eu pisar em cima dele todos os dias.
— Ok, Erza, eu já entendi que você odeia muito esse cara... — Levy tentou acalmar a amiga que não parava de falar.
— Eu ainda não acabei! — Gritou ela e continuou. — Eu posso também arrancar os seus testículos e usá-los como bolinhas de gude. Ou usar a sua pele para fazer roupas de botijão de gás. Posso usar a cara dele como um porta-lápis também, e fixar nele a caixa de lápis de cor de 48 cores que eu comprei na semana passada na liquidação da papelaria da esquina. Ou também-
— Calma, Erza! — Levy alertou murmurando: — Estão todos olhando pra você como se fosse uma louca...
Erza se deu conta de que era verdade o que Levy falou. — O QUE VOCÊS ESTÃO OLHANDO? — Despistou todos como rebanhos de vacas. — Não tem mais o que fazer, não? XÔ! XÔ!
O ódio que Erza sentia pelo garoto novo estava dando náuseas em Levy e ela temia que ela voltasse a falar sobre ele. Sua criatividade de bolar vinganças era excepcional e bizarra demais, e a reprodução de todas as cenas que Levy conseguiu fazer em sua mente estava lhe causando arrepios da espinha. Erza era a típica menina “faço tudo o que digo e não duvidem de mim”. Seria amiga dela para sempre, com certeza!
— Como eu estava falando... — A ruiva começou a tomar ódio outra vez.
— Eu já entendi que você o ama muito. Pode parar por aí.
— Ô Levy, você está querendo morrer por acaso? — Ela apontou um lápis grafite de ponta afiada para a outra, que tremeu de medo sob a ponta ameaçadora. — Não diga que eu amo alguém que é mais insignificante que uma bactéria! Aquele traste não merece nem a vida.
— Tudo bem, ok. Eu não vou mais falar isso. — Levy se rendeu com as mãos espalmadas para o ar. — Aliás, você ainda não me contou o que foi que ele te fez. E então?
Erza ficou tão vermelha quanto a cor de seu cabelo.
No entanto, a atenção das duas foi voltada para Lucy, a terceira amiga que chegava ao colégio cabisbaixa e ainda com algumas marcas de agressões escondidas com pouca maquiagem. Todos perceberiam que ela estava machucada, até porque o dia não estava assim tão frio para que ela usasse um casaco de mangas tão longas e um cachecol no pescoço. Ela deu um singelo “bom dia” que foi imediatamente respondido pelas duas, mas não disseram mais nada. Resolveram que dariam mais um tempo para ela ficar sozinha, depois dariam todo o suporte que fosse necessário.
— O que você acha? — Levy perguntou à amiga com um olhar triste.
— O mesmo que você — suspirou. — Natsu está fazendo da Lucy um saco de pancadas.
— Não há outra razão para ela estar usando roupas tão longas — Levy complementou. — Está escondendo marcas e hematomas. Eu queria muito ajudá-la, Erza.
— Nós vamos, Levy. Nós vamos! — A ruiva falou com determinação.
[...]
Era o intervalo da terceira aula quando se pegou escrevendo a matéria do dia.
Novas tendências nesse inverno: o retorno do festival anual!
Há muito que não celebramos a chegada do inverno no Verônia, mas nesse ano as coisas vão ser diferentes. O diretor voltou atrás com a decisão de todos os anos de sua falecida esposa e este ano celebraremos a chegada do inverno como fazemos todos os anos com a chegada do verão. Os eventos estarão sob a coordenação da presidente do conselho estudantil, Erza Scarlet, e para mais detalhes todos deverão procurá-la. Já estão pensando em novas ideias? Vamos pô-las em prática e fazer desse ano um agradável final de ano com muita neve e diversão.
Por Miss Love,
Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013.
— O que está fazendo, tampinha? — Uma voz masculina chegou por trás querendo bisbilhotar.
— NADA! — Levy disse nervosa e riu. — Não estou fazendo nada.
— Nada, é? — Ele puxou uma cadeira, sentou e ficou de frente para ela. — Eu não acho que não esteja fazendo nada. Acho que está fazendo algo suspeito.
— Eu já disse que não estou fazendo nada, cérebro de metal — Levy falou cerrando os olhos, já começando a se irritar com a sua insistência.
Ele provocou com mais gosto ainda. — Pois para mim você estava em um site pornô.
— E-eu não ve-vejo essas c-coisas! — Levy nunca ficou tão vermelha na vida. — O QUE VOCÊ QUER AQUI?
— Essas questões... — Ele jogou um amontoado de papeis em cima da sua mesa. — Não consegui responder nenhuma.
— Não pode ser... Deixe-me ver. — Levy pegou algumas folhas com questões. — Gajeel, essas foram as questões mais fáceis que eu poderia te dar. Com a explicação que eu lhe dei, você poderia respondê-las fácil, fácil. Oh, God.
Se antes Levy desconfiava, agora estava começando a ter a certeza de que Gajeel era um caso perdido. Estava fazendo um teste e tentando usar o método infalível de aprendizagem que descobriu, porque aquele método seria muito estressante. Passaria muito tempo com ele e irritá-lo constantemente criaria um clima desagradável entre dois e impossível até mesmo de respirar. Mas se esta fosse a única solução, teria que usar mesmo assim.
— Escute — ela tomou uma decisão —, eu vou ter que te irritar para que possa aprender algo. Está de acordo? Você quer entrar para os Dragon Slayers?
— Mas é claro que eu quero! — Respondeu sem pestanejar.
— Então você está de acordo — concluí. — Vejamos... — Tremeu um pouco, olhou para os lados e tomou forças para continuar. — O que aconteceu com os EUA no ano de 1929?
— Não faço ideia... — Respondeu sem dar importância e tirou a cera do ouvido com o dedo.
— Olha, aquele ali não é o Natsu? — Levy mentiu e apontou para a porta da sala.
— Onde?! — Gajeel se virou para procurar, mas não tinha ninguém ali. — Ali não tem nada de Nat-
Levy beijou ele na volta. E dessa vez ela se atreveu a por a língua na boca dele e chupar sua língua. Não estava acostumada a fazer isso, até antes de Natsu beijá-la não sabia como se dava verdadeiramente um beijo e não tinha noção de como era um beijo bom ou ruim, mas sabia que um beijo com relutância, como aquela que mostrou a Natsu, era ruim. E sabendo disso, já assumiria que Gajeel relutasse e o beijo fosse ruim para ele. Foi o que ele fez.
— O que está fazendo, sua anazinha do caralho? — Ele empurrou ela de volta na cadeira e limpou a boca com a mão.
— Quer outro beijo? — Ela ameaçou sem fôlego. — Não?! Então responde logo o que aconteceu nos EUA no ano de 1929. Vamos que eu expliquei isso na semana passada.
— Eu vou partir você em duas! — Ele olhou pra ela com muito ódio.
— Ah, você não vai responder? Ok, então.
— Espera, espera! — Ele parou ela no meio do caminho com cara de nojo. — No ano de 1929... — Ele fez um esforço para se lembrar. — O ano de 1929 nos EUA ficou marcado como a crise de 29, que foi a quebra da bolsa de valores de Nova York.
— Que mais? — Levy se aproximou fazendo biquinho para beijá-lo se não respondesse tudo.
— Os efeitos da Grande Depressão foram sentidos no mundo inteiro, principalmente em países industrializados que dependiam dos EUA. Em outros países subdesenvolvidos, por outro lado, acelerou o processo de Industrialização. Milhares de acionistas perderam, literalmente da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Muitos perderam tudo o que tinham. Essa quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente, causando grande deflação e queda nas taxas de venda de produtos, que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais, elevando assim drasticamente as taxas de desemprego.
Genial.
— Bom garoto! — Ela assanhou os seus cabelos.
[...]
Logo a quarta aula do dia começou e Levy foi obrigada a trocar de classe. O Verônia, apesar de ser um colégio japonês, adotava costumes norte-americanos e misturavam os alunos em várias turmas. A aula de geografia de Levy seria na (polêmica) sala 32 e não gostava da companhia de agora.
— Calados! — O professor Strauss, irmão da secretária do diretor do colégio, que também tinha o mesmo sobrenome, tentava pôr alguma ordem naquela classe. Era considerada “a melhor” por alguns e “a pior” por outros. — Eu disse: calados! — Ele jogou um livro pesado sobre a mesa e chamou a atenção até mesmo dos líderes da bagunça. — Eu estou tentando dar um aviso importante, mas vocês são um bando de selvagens!
O professor Elfman era novo no colégio e como já era costume, demoraria um certo tempo até que conseguisse o respeito dos alunos.
— Olha, professor — um aluno ousado se aproximou de sua banca —, você acha mesmo que tem alguma moral com a gente? Nós estudamos geografia pelos livros e tiramos notas melhores do que você mesmo tiraria se respondesse a sua própria prova. Agora dê o fora da sala que estamos morrendo de fome.
— Como é o seu nome? — O professor não estava com medo do fedelho de tom ameaçador.
— Meu nome?! — Ele riu. — Meu nome é Sting. Sting Eucliffe.
— Sting Eucliffe... — O homem procurou em sua pasta a ficha do aluno. Todos se calaram para ouvir. — Achei. Sting Eucliffe... Suas notas são excelentes em Geografia. É verdade, não mente. Mas a letra dessa prova é muito feminina, não acha? Você tem letra de mulherzinha, Sting?
Por sorte ou azar, professor Elfman estava com algumas provas feitas antes de ele assumir o cargo pelo antigo professor, que pediu afastamento por conta de problemas familiares.
— Você está tirando sarro da minha cara, professor? — O loiro de olhos caídos e com um brinco topázio em uma das orelhas perguntou o desafiando.
— Você ficou magoado por ter letra de mulherzinha? — O professor caçoou mais uma vez. — Não se preocupe, garota. Você tem ótimas notas em geografia. Isso é o que importa, não é? Você pode se retirar da sala.
— Ora, seu-
— O que está havendo, Sting? — Uma nova presença naquela sala chegou perguntando.
A verdade era que na sala estava faltando componentes importantes. Erza, a presidente do conselho estudantil, que tinha uma certa autoridade sobre os outros alunos, tinha ido dar um pulo na secretária do colégio para acertar alguns detalhes sobre o festival de inverno. E Natsu, antes de chegar, provavelmente estaria se atracando com alguma vadia por aí, enquanto Lucy, sua verdadeira namorada e mãe do seu filho, estava sentada na última carteira da fila da parede, mirando o nada e distraidamente observando o dia lá fora com um olhar vago.
Levy sentiu vontade de ir conversar com ela quando a viu, mas achou que seria melhor deixá-la um pouco mais sozinha, para organizar a sua mente.
E esta, a nossa protagonista, só estava anotando coisas no seu bloco de notas. Já estava acostumada àquela baderna e uma briga entre Sting ou outro integrante do poderoso time de baseball era mais do que certa. Iria implicar com o novo professor, como sempre acontecia quando um substituto chegava.
— Que baderna é essa aqui? — Natsu tornou a perguntar.
Se antes a sala já estava em silêncio para dar ouvidos à confusão, até mesmo o barulho das formigas no jardim morreu no instante em que Natsu chegou. Levy olhou sorrateiramente para Gajeel, que estava sentado no outro lado da sala, e os olhos dele encararam Natsu com intensidade e competitividade. Levy também olhou para Natsu depois, e em seguida para Lucy. Viu quando a amiga olhou para o namorado que chegou e estremeceu de onde estava. Levy abaixou a cabeça se sentindo culpada pelo beijo que Natsu lhe deu, mas não sabendo, ao certo, se a culpa era mesmo dela.
— Esse homem está querendo por alguma moral aqui. Mas resolveu fazer isso de um jeito diferente, está caçoando da minha caligrafia! — Sting acusou sem medo.
— O que está havendo, professor? — Natsu perguntou a Elfman, que sentiu a atmosfera mudar quando esse aluno chegou.
— Exatamente o que o seu amigo aqui disse. — Apontou para Sting com a cabeça.
— Posso ver a prova dele? — Natsu se aproximou, sério e implacável.
— Claro. — O professor entregou a prova para ele.
Os segundos que Natsu passou analisando aquela prova foram muito tensos.
— Que manda ter essa letra de mulherzinha? — Natsu espedaçou a prova e jogou na cara do que seria o seu companheiro de time. — Diga a menina que você anda comendo que pare de responder as suas provas. Todo mundo sabe que você não é tão inteligente assim. — Natsu caminhou para o seu lugar, e todos o acompanharam com os olhos, engolindo em seco a saliva e tentando fazer o mínimo de barulho com a garganta. — Mais alguma coisa que nos impeça de começar a aula professor?
— Os alunos estavam fazendo uma grande baderna enquanto eu tentava dar um aviso, mas acredito que agora eles ficarão calados. — O homem olhou para Natsu com grande desconfiança nos olhos. — Você é Natsu Dragneel, certo? Ouvi falar muito de você. Tem as melhores notas do colégio, um aluno exemplar.
Ele não estava elogiando, estava encarando-o com algo nos olhos.
— Obrigado — Natsu agradeceu no seu estilo poderoso. — Vocês ouviram o professor, não ouviram? — Ele olhou para os lados. — Vamos, ele quer começar a aula. Sentem-se! — Ele ordenou, e quem estava em pé rapidamente se sentou sem pestanejar. — Sting, senta logo essa tua bunda na cadeira.
Sting estava tremendo de raiva, mas mesmo assim obedeceu a seu capitão, porque ninguém podia fazer nada contra ele. Certo?
Ou será que uma dupla dinâmica poderia?
— Prossiga com o aviso, professor — Natsu disse educadamente, depois de colocar toda a classe em ordem.
O homem deu um sorrisinho. — Como bem sabem, o inverno está chegando energizante e o senhor diretor pediu para que eu avisasse as turmas em que dou aula sobre o festival. Ele pediu para que fossem criativos e que fossem pensando em algo.
[...]
Depois que o professor deixou a sala, a algazarra começou novamente. Levy esperou que todos deixassem a sala para ir falar com Lucy, estava decidida dessa vez a perguntar se estava tudo bem e se estava precisando de algo. Já sabia a resposta e por isso mesmo perguntaria. Queria que ela soubesse que se importava muito. Mas diferente do que esperava, alguém veio ao seu encontro e a fez perder Lucy de vista, que saiu da sala com o mesmo humor que entrou.
— Privada, a que horas começaremos os estudos hoje? — Gajeel perguntou.
Privada?
— Mas que raios de apelido é esse agora? — Retrucou com um olhar de poucos amigos. — Pare com suas ousadias, Gajeel. Não estou aqui para brincadeiras. Se estou te dando aulas é porque quero atingir objetivos que muito me interessam, e não ficar sofrendo bullying.
— Eu ainda não me esqueci do que você me aprontou hoje! — Rosnou como um cachorro. — Do que está reclamando? Esse apelido te cai perfeitamente bem, visto que é do tamanho de uma. Além do mais, onde se acumulam merdas se não na privada?
— O vaso sanitário é só um meio por onde passam as fezes. Eu sou mesmo como um vaso sanitário, e você é a merda que está temporariamente passando por mim.
— Olha aqui, menina... — Ele levantou Levy pela gola do uniforme e lá vamos nós... — Eu sugiro que você meça mais as suas palavras se não quiser ficar presa no armário até o dia de amanhã.
— Isso! — Gargalhou. — Faça isso! Você perderá um dia de estudos! Esquecem que só temos menos do que três meses agora?
Ele raciocinou e chegou à conclusão óbvia, mesmo que não concordasse com ela. — Você tem muita sorte, mas não abuse dela. — Ele colocou Levy de volta no chão, com a camisa toda amarrotada como um maracujá velho. — Que horas na sua casa? Acho que vou chegar tarde.
— Calma, vamos por partes. — Ela se sentou de volta em sua cadeira e cruzou as pernas de forma autoritária. De tanto passar o tempo ao lado de Erza, acabou aprendendo algo com ela. — Primeiro você tem que parar de me por esses apelidos humilhantes. Eu os detesto. Lembre-se que você quer a minha ajuda.
— Você também quer a minha ajuda, estamos na mesma!
— Podemos entrar em um acordo, então. — Levy achava estranho como ele podia ser experto para algumas coisas, como detectar ameaças por exemplo.
Gajeel também puxou uma cadeira e se sentou de frente para ela.
— Irei passar muito tempo com você e isso é muito chato. Quero ter algum tipo de diversão. Posso moderar nas ofensas, mas não peça para que eu pare com elas.
— Você é mesmo um cabeça dura, Gajeel! — Levy bateu as duas mãos na mesa, mas ele nem sequer recuou. Alguém pequeno demais como ela nunca conseguira por medo em um grandalhão como ele, e disso ela já devia saber. Ela se levantou para ir embora: — Chegue a hora que quiser lá em casa, só que não chegue depois das nove.
[...]
No fim da tarde, depois das atividades extracurriculares, Levy estava aproveitando o silêncio da sala de informática para terminar um trabalho de biologia. Quando estava na metade, recebeu uma ligação que impediu que continuasse.
— Do que está falando, Erza?
— O que você ouviu — ela suspirou apreensiva no outro lado da linha. — Estava resolvendo uma papelada quando vi Lucy deixar o colégio chorando e fui atrás... — Ela abaixou mais ainda o tom de voz.
— Onde vocês estão? — Levy abandonou o trabalho de biologia e desligou o computador rapidamente. Ele poderia esperar para depois. Se dirigiu aos armários do corredor para pegar o seu material e ir embora. — Eu quero estar com vocês. Aconteceu mais alguma coisa?
— Sim — lamentou. — Estamos em uma clínica ginecológica e Lucy optou por abortar o bebê.
— COMO É QUE É?!
— Shhhiu — Erza a repreendeu. — Não grita!
— Eu quero estar com vocês. Eu quero tentar convencê-la a não fazer isso sem antes ter parado para refletir mais. Ela não pode se arrepender depois que fizer isso.
— Não demore, então. — Erza fez uma parada de silêncio. — Logo será a sua vez.
— Ok, eu não vou demorar. — Levy quase não conseguia respirar direito com a pressa. — Logo estarei aí.
Levy desligou o telefone e recolheu o resto do material.
A surra que Natsu poderia ter dado em Lucy naquele final de semana devia ter sido mais grave do que Levy imaginava, porque a pobre loira estava plenamente convencida de que não iria abortar a criança.
Quando Levy estava pronta para dar no pé, alguém apareceu de súbito e a prensou no armário. — Oi?
— Mas o qu-
Beijou-a.
Seu beijo foi ganancioso, devorador e, ainda sim, pela forma como a segurou em seus braços, suave e reverente. Seus braços eram fortes como as garras de um predador certo de sua presa, do ratinho preso em sua toca felina. O estômago da jovem se contraía fortemente, preparando-me para um golpe emocional daqueles quando se desse conta quem era a pessoa que estava beijando-a.
Pensou na amiga.
Ela estava perdendo tempo ali, mas o que poderia fazer? A resposta estava naquele beijo? A sensação gostosa envolvendo os músculos faciais e a sensação de ter o hormônio do prazer liberado na sua corrente sanguínea era um aviso de que não deveria impedi-la? Certo que o corpo era dela, mas será que o bebê tinha culpa de ter vindo ao mundo? Mil coisas rondavam a sua cabeça e, diante disso, teve coragem para empurrar aquele que fazia sombra contra o seu corpo.
— Você?!
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