Meu namorado (im)perfeito
5 5 – A descoberta de uma técnica infalível
Notas iniciais

5
Natsu Dragneel era o tipo de garoto que controlava todos os aspectos de seu mundo. Era normal que aquele “eu sempre fui afim de você” abalasse Levy. E não só a abalou, como lhe causou um certo nojo. Afinal, ele era o pai do filho que uma de suas melhores amigas estava esperando, além de ser o homem por quem a pobre sempre esteve apaixonada e cega. Ela conseguia imaginar como Natsu era capaz de impor todas as armas que possuía em prática para fazer sofrer as pessoas que estavam ao seu lado depois do acontecido. Aquele soco ganho iria sair muito caro.
E, ainda que não fosse culpada por ter sido pega de surpresa, Levy ainda se sentia como se tivesse posto um belo par de chifres em Lucy. Principalmente agora que estava fragilizada é que a questão se agravaria muito.
Estava tão preocupada com o rumo que as coisas tomariam, a coitada, que não se importou quando aquele brutamonte apareceu para lhe salvar. Naquele momento, como em nenhum outro, estava feliz em vê-lo. A sua presença foi para ela como lufadas de ar fresco que davam alegrias às suas noites solitárias e sombrias. A mesma sensação refrescante, energizante e romântica.
Enquanto ainda estava em choque, Natsu encarou Gajeel como nunca fez. Os dois eram primos e costumavam ser os melhores amigos, mas nem por isso um poderia se intrometer nos assuntos do outro. E se Natsu estava certo ou errado, não era Gajeel quem poderia julgar, e iria pagar caro por ter feito isso. Talvez Natsu voltasse atrás algum dia, mas não perdoaria Gajeel tão cedo por ter feito ele passar o ridículo na frente de Levy. Claro que Natsu era forte, mas Gajeel ainda era mais alto, mais musculoso e mais forte do que ele. Não iria encarar, apenas caiu fora e deu aquele olhar de “game over” para o nosso protagonista.
Para Levy, nem olhou. Não passou nem perto. Mas só Deus sabe como depois ele buscaria se vingar da baixinha.
— Foi por pouco, hein? — Ele escorou um braço na parede. — Mais um pouco... Só mais um pouco e ele teria abusado de você. Acha que eu vivo exclusivamente para lhe salvar? — Ele fez um som de desagrado com a boca, algo como um “tsc”. — Cresça e apareça, porque da próxima vez eu posso não estar por perto e aí você já era.
Mas ele estava evitando olhar nos olhos de Levy. Estava sendo rude, mas ao mesmo tempo, cauteloso. E isso era fofo. Era como se ele estivesse preocupado com ela. Como se ele soubesse como estaria o seu coração apreensivo naquele momento. Será que sabia mesmo? Aparentemente, sim.
E ele também tinha outros sentimentos. Estava furioso com Natsu, porque por mais que assumisse um comportamento violento algumas vezes, o que o outro estava prestes a fazer era violência sexual. E isso era demais para ele. Nojento.
— Eu estou bem, obrigada por perguntar — disse ironicamente.
Apesar de estar muito grata a ele, não podia deixar se exceder nos agradecimentos e preferiu tratá-lo como se a forma rude como falou fosse mais importante. Obviamente que ele nunca diria algo como “você está bem?” e Levy sabia disso, é claro.
Depois que a confusão estava terminada, as coisas ficaram melhores — ou piores — para Levy. Rapidamente, o colégio que parecia estar vazio mostrou que no seu interior ainda tinha um bom contingente de pessoas, que se aproximaram para ver a briga de pertinho. Mas depois foram embora, porque chegaram tarde demais e Levy e Gajeel fingiram que os dois não tinham culpa no cartório. O que nenhum dos dois imaginava era que o Sr. Alberona estava no meio desse montante de gente e que sabia que a cara dos dois estava muito suspeita... Suspeita demais e com cara de "mereço uma advertência".
E, assim, os dois foram levados para a detenção sem mais e nem menos. Podia até ser que os dois não estivessem envolvidos com a misteriosa briga que ninguém viu, mas iriam ter que provar. E para isso, o Sr. Alberona faria questão de usar o seu infalível método interrogativo.
— Gajeel RedFox e Levy McGarden, vocês podem entrar agora — a sua secretária saiu de sua sala e disse. Ele os deixou esperando na salinha dela, antes de entrarem.
— Como é que ele está hoje? — Levy perguntou sobre o humor da fera, já tremendo a bronca.
— Hoje?! — Indagou meio... Sonhadora? — Hoje ele está quente... — Abanou-se. — NÃO! Não, eu não quis dizer isso. Eu quis dizer que a sala está quente! — Ok, ficou claro pra todo mundo que a secretária sentia atração pelo homem. — O zelador ficou de vir concertar o ar condicionado, mas ainda não chegou. A sala está um verdadeiro forno!
Era claro o seu constrangimento.
E também pudera! Gildartz Alberona ainda estava nos seus joviais 43 anos com cara de 36. Seu cabelo era de um tom de cobre sedutor e sua expressão facial era implacável, às vezes sério demais, às vezes até mesmo sexy. Comandava o seu pequeno mundo, e comandava o coração daquela pobre mulher solteirona e fogosa nos seus 32 anos: Mirajane.
Ouviam-se rumores por todo o colégio de que os dois tinham um caso, mas nada comprovado. O que não seria nada de mais, porque a vida continua. Estava viúvo desde que a filha de 17 anos tinha 13. Mas talvez não gostasse de misturar o pessoal com o profissional, mas o amor escolhe bem seus alvos? Talvez o amor só não residisse ali.
— Nós entendemos, Mira-san. Estamos entrando, viu? — Levy deu uma piscadela tentando forjar cumplicidade. É sempre bom ter seus contatos.
Gajeel seguia reclamando baixinho, odiava estar tantas vezes na sala do diretor para receber a sua sentença de morte. Ou detenção, como muitos chamam. E aparentemente, ele fazia uma coleção delas. Toda semana, uma diferente. Os seus erros não passavam tão impunes como os de Natsu.
Mas os dois já tinham uma desculpa, certo? Por que se preocupar? Era só dizer a verdade: que Gajeel estava defendendo-a. Mas sério, quem acreditaria nessa história? Os dois se odiavam desde sempre. E foi justamente o Sr. Alberona que sugeriu que eles passassem um tempo juntos; mas não iria acreditar que em tão pouco tempo os dois passaram a se dar bem ao ponto de Gajeel defender Levy de algo ainda não comprovado.
— Fala, velhote! — Gajeel já chegou colocando os pés em cima da mesa do diretor. Se antes ele tinha alguma chance de sair daquela sala sem uma advertência, agora não tinha mais.
— ...? — Levy não sabia o que dizer, estava abismada com o descaramento do rapaz. — Sr. Alberona, não vai dar uma advertência a essa rapaz? Que falta de educação!
— Jovens — o homem começou com as mãos cruzadas, sério —, vocês são minha salvação! — Aí ele levantou os olhos para os dois, que petrificaram.
Levy pensou em beliscar a si mesma para acordar de um possível sonho, de uma ilusão que a levava a imaginar uma cena de comédia daqueles desenhos japoneses, mas seria idiotice demais. Mas a cena era real, sim senhor. E ela não iria se machucar com um beliscão porque, afinal de contas, não era burra e sabia disso.
— O que disse, Sr. Alberona? — Indagou a garota.
— Que vocês são a minha salvação. — Simples assim.
— Mas que merda é essa? — Gajeel estava confuso e desconfiado. — Você não nos deve nada, somos nós que devemos.
Nesse momento, Levy teve a certeza de que aquele grande arsenal de músculos, ossos longos e pouco cérebro não era somente um brutamonte, ele também era burro. Estava ali a chance de eles escaparem ilesos e ele estava querendo desperdiçar. Talvez tenha se acostumado a levar broncas. Ok que ele até poderia ser um cara legal quando queria, ele ajudou Levy com Natsu — seu melhor amigo —, mas ele não fazia grandes esforços pra ser burro assim como fazia para ser bom.
Gajeel RedFox sempre foi alguém a quem Levy sempre teve grande repúdio. O fato de ele tê-la ajudado não mudava muito as coisas. Ele poderia ter feito isso para aproveitar a oportunidade de surrar Natsu e não ser expulso. Sabia que eram melhores amigos... Mas, até que ponto? Um melhor amigo jamais tentaria passar a perna no outro roubando seu título de capitão do time de baseball e, ainda por cima, o título de número 1 do colégio.
— Sr. Alberona, por obséquio, poderia nos explicar porque é que somos a sua salvação? — Levy puxou uma cadeira e se sentou, ficando de frente para ele. Levy lamentou por não estar com o seu bloquinho de notas e poder escrever sobre a bomba que estava prestes a explodir, mas se lembraria disso pelo resto da vida, dependendo da explicação que ele desse. — Não estou entendo aonde quer chegar.
Era coisa de aspirante à jornalista essa mania de não poder guardar segredos. Levy era péssima para guardar segredos. Sempre! Por isso temia que os seus planos de transformar Gajeel em um CDF o obter proveito disso escapasse de sua boca para rumos desnecessários e que a prejudicaria. Nunca se sabe quando o ego sobe. E o ego dela iria subir consideravelmente se seu plano fosse obtendo um rápido êxito. O que a deixava tranquila mesmo é que não era tão burra à ponto de ferrar com a própria vida, mas estava se afundando no contraste.
— Ainda pergunta, jovem McGarden? — Ele disse todo formal.
— E não é óbvio? — Retorquiu Gajeel que já se aproveitava em comer alguns biscoitos de um pote. Continuou de boca cheia, recebendo um olhar de nojo de Levy: — Você disse que somos a sua salvação sem explicação justa, eu estava esperando alguma advertência.
Cala a boca, Gajeel!
— Continua com a explicação, Sr. Alberona — Levy tentou reverter a situação, muito eufórica. — Não ligue para esse débil mental. — Riu nervosa.
A secretária entrou na sala para trazer alguns papeis, mas estava claro que não se aguentava de curiosidade quando ouviu a palavra "salvação", quando colocou o copo na porta para ouvir a conversa. Era um de seus hábitos virulentos. Levy reparou que ela entrou sem pedir permissão e que isso era intimidade mais. Que suspeito.
— Secretária, será que poderia me trazer mais café? — Gajeel pediu descaradamente ainda com a boca cheia de biscoitos estraçalhados. Levy estava achando muito nojento ver como aqueles farelos saiam para fora da boca. Alguns não voltavam.
— Isso! Traga mais café para os jovens, Mira-sana — dessa vez, pediu Sr. Alberona à amante... Digo, secretária! — McGarden, gosta forte e sem açúcar?
— Eu gosto de explicações — respondeu. — Explicações detalhadas.
[...]
— Não, merda! — Ela colocou as mãos na cabeça, em sinal de desespero. Já não sabia mais o que fazer. — Está tudo completamente errado.
— EXPLICA DIREITO ESSA PORRA, ENTÃO! — Rosnou.
Depois de um dia que tinha tudo para ser calmo, Levy foi para o lar cuidar nos afazeres e por volta das sete da noite recebeu Gajeel em sua casa. Era chegada a hora de por o plano "Faça de um brutamonte sem cérebro um CDF em 3 meses!" em prática. E como já se previa, os dois começaram mal. Muito mal, para falar a verdade.
Eles não chegavam a um consenso e mais muito brigavam do que Levy ensinava e Gajeel aprendia. Ele estava procurando brechas para implicar com ela, e ela procurava por outras para responder às implicâncias à altura.
— Você não é uma professora muito sexy, sabe? Então, no mínimo, você deve ser mais calma e explicar essa porcaria com mais detalhes. Eu não sei para onde vai essa coisa! — Disse esticando os pés e colocando-os em cima da mobília, novamente.
— Vai pousar esses pés sujos em cima da gorda da sua mãe! — Levy o espetou com um lápis de ponta bastante afiada; modéstia à parte, feita por ela mesma. Além de um sinônimo para problemas, Gajeel conseguia sempre ser bastante folgado. — Você está pensando que aqui é a casa da mãe Joana*, meu filho?
Ele tirou o braço rapidamente. Uma resposta biológica. A dor foi intensa, mas passageira. E assim que ela passou, Levy se ferrou:
— Quem você está chamando de gorda, sua tábua? — Ele a pegou pela gola da camisa, e se não estivessem no chão da sala, ele a teria deixado na ponta dos pés. — Chama ela de gorda novamente que eu afogo você em uma piscina com óleo quente até que ele penetre por osmose em você. Suas células adiposas vão explodir! Então, além de uma anã, será uma anã gorda!
Levy ficou estupefada.
E o mais interessante que o motivo não eram as ameaças da Gajeel, que faria qualquer ser humano com bom senso se borrar nas calças, pois já estava acostumada a isso.
Um Gajeel a ameaçando com a mão cerrada prestes a atingir a sua cara não a assustava. Um Gajeel a agarrando pela gola da camisa, quase lhe arrancando o ar preciso para viver, não a assustava. Aquele seu olhar furioso não a assustava. Nenhum dessas coisas a assustavam e nunca iriam. O que havia a assustado, no entanto, foi o show de conhecimentos que ele expressou ao lhe fazer uma ameaça.
Esplêndido.
— Gajeel, você sabe o que são células adiposas e osmose! — Ela saltitou contente, sentindo que sua noite talvez não tenha sido em vão.
— E daí? — Ele não quis saber de conversa, não deu muita importância.
— E daí que você tem salvação! — Se eles se desse bem, nesse momento eles se abracariam. — Cara... Você tem salvação! Você tem!
Ele largou Levy no chão de uma vez por todas. — Oi?
Gajeel se sentia um cego em tiroteio. Às vezes Levy falava umas coisas que o deixavam muito confuso. E parece que ela tinha tirado a noite para fazer excepcionalmente isso. Ele não se achava burro, é que o modo de ela explicar as coisas não era claro o suficiente. E o mesmo para os professores. Se eles explicassem a aula de um modo mais divertido e dinâmico, talvez valesse à pena prestar atenção e se separar um pouco dos fones de ouvido.
— Você parece ter um conhecimento acumulado que o libera quando está com raiva. Eu não havia reparado nisso! E há tempo nós brigamos. Deixe-me pensar... Já sei! — Levy era inteligente demais, e chegava fácil às conclusões. — Você precisa estar em contato com os livros, com os estudos... Algo assim. É como uma mágica. Uma poção que precisa de um tempero especial.
— Fala a minha língua, agora.
— Algumas pessoas conseguem absorver grande quantidade de conteúdos quando estão contentes, tiram as melhores notas e possuem um melhor rendimento escolar quando estão submetidas a situações de intenso bem estar físico e psicológico. Em resumo, você parece funcionar de uma forma contrária a essas pessoas.
— Vá à merda! — Bufou entediado. — Vocês nerds são sempre complicados assim? — Ele abriu uma das latas de cerveja que trouxe para passar a noite. Levy apostava que seu fígado já não mais existia, mas não era como se ele fosse um alcoólatra.
Era estranho ver aqueles dois sentados juntos no chão da sua sala, compactuando em algo em comum. Se a Senhora McGarden chegasse naquele instante, faria festa pensando ser o namorado da filha. A mulher era uma espécie de "Santo casamenteiro" desde que fazia doces para a quermesse do bairro nos dia dos namorados. Mas eles formavam um casal estranho. Um alto demais, a outra pequena demais. Era o demônio e o anjo. Viviam um contraste em vários âmbitos. E o mais importante, não sentiam sentimentos bons um para com o outro.
Certo?
Aqueles dois poderiam, pela convivência, se apaixonar algum dia?
— A questão não é essa. — Ela cruzou os braços e se encostou na mobília da casa, cansada. — A questão é que você é um brutamonte sem cérebro que é burro demais para nos entender. Mas nós vamos dar um jeito nisso... Temos que dar!
— E como será isso?
— Será que está tão difícil assim de entender que eu vou te ensinar de uma forma diferente? Que o meu plano de ações mudou de rumo e, agora, para que possa aprender, terei que te irritar constantemente enquanto ensino a matéria? — Ela queria gritar, mas não poderia mais gastar em excesso as suas cordas vocais que estavam sempre no limite quando falava com ele, então disse calma.
E dessa vez Gajeel entendeu um pouco. Seria a coisa mais fácil do mundo irritá-lo. Ela estava sempre fazendo isso.
Ela explicou mais uma vez as coisas para que não restassem dúvidas para o grandalhão, mas foi em vão. Apareceu um gato preto na sala miando manhoso e ele ficou olhando para ele, esquecendo de Levy.
— Um gato preto... — Ele disse como se estivesse hipnotizado. Era seu sonho de criança ter um gato preto, mas seus pais nunca deixaram porque não gostavam de animais de qualquer espécie. — Eu curto gatos pretos... — Ele falou como se Levy estivesse interessada nisso.
A bola de pelo gorda era Lilly, o seu gato de estimação. Levy adorava Lilly, mas não estava dando a atenção que ele estava recebendo de Gajeel enquanto explicava mais uma vez qual seria a boa da vez.
Ela percebeu que ele estava distraído demais. — Gajeel, você está me ouvindo? — Questionou sem paciência. Já se podia ver alguma veia saltar na sua testa quente de impaciência. — Está?
Ele respondeu uma coisa que não tinha nada a ver com o que a baixinha perguntou: — As pessoas dizem que gatos pretos são sinônimos de azar, mas eu acredito no contrário. Na idade média, acreditava-se que os gatos pretos eram bruxas transformadas em animais. Por isso a tradição diz que cruzar com um gato preto é sinal de mau agouro. Por outro lado, em outras culturas, os gatos dessa cor são reverenciados, estão associados à presença de boa sorte.
Levy não estava interessada em saber se seu gato dava sorte ou azar. Ela o amava de qualquer jeito. Ela só queria que Gajeel se empenhasse em aprender, mas não estava prestando atenção em nada do que ela dizia. Seria difícil assim.
— Gajeel, eu estou falando com você. Está me ouvindo? — Ela falou baixinho, indicando que estava no limite. Pessoas normais já teriam perdido a paciência há muito tempo, mas estava se controlando o máximo possível.
— Mas — ele continuou —, se levarmos em consideração a primeira teoria, você deve ter um gato preto porque você é uma bruxa e ele é o seu irmão, o que é mais provável. — Ele riu debochado e arrotou alto assim que o último gole da bebida alcoólica desapareceu por entre a sua garganta. — Gi-hi.
Como ela odiava aquele "Gi-hi" dele!
Por isso explodiu.
A hesitação ainda a fez pensar algumas vezes em recuar, mas ao ver em como ele continuava a rir enquanto ela se empenhava, ela foi mais rápida que qualquer solução melhor que tivesse que tomar. Engatinhou até ele — que se encontrava sentado no chão no lado oposto ao seu, no outro lado da mesinha, com os pés em cima desta — e grudou seus lábios nos seus enquanto ele fechava os olhos de tanto que ria. Apenas estava sendo impulsiva e, ao mesmo tempo, deixando claro que agiria assim sempre que necessário.
Ela levou suas mãos ao rosto dele, que ainda estava parado, inerte, parecendo estar tomado pela surpresa. O mais incrível era que era a segunda vez que isso acontecia e ele não movia forças para empurrá-la para longe. Ele preferia apenas gritar com ela depois e não se sabia o porquê.
Era como se ele estivesse no espaço sideral, e assim que retornou à Terra e se deu conta, empurrou ela para longe.
— Não me beije, sua acondroplásica! Da próxima vez que fizer isso, eu faço com que as suas hemácias parem de transportar oxigênio para os seus pulmões e tecidos e parem de filtrar o ar trocando gás carbônico por oxigênio! Aplico, ainda — ele cerrou as mãos, furioso —, uma força de 500 N em você e não poderá escapar viva de novo!
Ela sorriu vitoriosa e ele ficou boquiaberto consigo mesmo, quando se deu conta do que havia dito a ela. Nerd demais.
— Incrível... Funciona mesmo! — Levy disse. — Parece que teremos que fazer isso mais vezes.
QUÊ?
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