Meu namorado (im)perfeito
3 3 – Péssimo dia

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Levy saiu correndo aterrorizada pelas ruas da cidade. Mal pôde se despedir de Erza, simplesmente lhe disse que tinha algo importante a fazer; não podia contar a verdade a ela, e foi mesmo Lucy quem lhe pediu isso, pois sabia como a outra amiga era explosiva e acabaria fazendo uma besteira maior do que engravidar do ex-namorado cafajeste. Ela era aquele tipo de pessoa que fazia vingança com as próprias mãos, embora seu pai tenha sido um policial da polícia japonesa de elite e, consequentemente, um homem da lei.
O fôlego e o ar faltavam nos pequenos pulmões de Levy. Estava sentindo aquela ardência o cansaço lhe abater, mas não iria desistir de chegar até a casa da Lucy antes dos minutos combinados por telefone: 3 minutos. Isso deixou a amiga mais tranquila, pois estava com medo de que sua irmã mais velha chegasse em casa e presenciasse sua situação lamentável.
Sentia os batimentos de sua pulsação em seus ouvidos e as pessoas na rua mais pareciam formigas, porque só se via riscos por onde passava de tão veloz que corria, impulsionada pela adrenalina que corria forte em sua circulação, a cada vez que seu pé tocava o chão. Contou as moedas que tinha sobrado do almoço, mas o dinheiro não dava para pegar um táxi e resolveu ir à pé mesmo, então tinha de correr. De tão pequena que era, pôde driblar cada pessoa como se fosse uma pequena pedra no caminho. Estava se sentindo ridícula assim, não estava mais com idade para correr e se tivesse seios grandes, estes estariam balançando para lá e para cá.
Completamente constrangedor.
O céu já estava começando a escurecer àquela hora, pois a ligação coincidiu com o horário em que as aulas terminavam no Verônia, às cinco da tarde. O sol estava se despedindo e Levy sentiu ainda mais a vontade de correr contra o tempo. Às seis, a irmã mais velha de Lucy poderia estar em casa.
Normalmente, Levy ainda ficaria no colégio até às seis, porque como bolsista que era, estaria desempenhando mais uma de suas atividades extracurriculares. Mas sabendo daquela notícia, não poderia permanecer e no dia seguinte tentaria se explicar à professora de teatro. Sabia que era algo terrível desejar mal a uma criança que nada tinha a ver com a irresponsabilidade de seus pais, mas enquanto corria, temia pelo destino de Lucy. Amaldiçoava Natsu a cada vez que fechava os olhos.
Ia passando por uma praça agora, e não pôde deixar de observar ao seu redor. Era muito perceptível e detalhista ao extremo. Viu a contradição do mundo. Viu pessoas animadas que se divertiam com os filhos, pipoca e algodão doce. Viu crianças de três anos correndo atrás do cachorro de estimação da família. Viu uma mãe carregando um bebê de pouco menos de um ano em um carrinho, e viu um casal de apaixonados sentados em um banco. Quando Levy sentia algo por alguém, como medo e compaixão, ela verdadeiramente sabia se colocar no lugar daquela pessoa.
Não sabia, entratanto, se era influência das aulas de teatro.
À medida que ia se aproximando do final da praça, viu a contradição se acentuar ainda mais. Enquanto de um lado tinha pessoas com sorrisos no rosto, do outro lado tinha um hospital de queimados e, não tão longe dali, uma garota grávida de um namorado muito sacana, com quem ia se encontrar. Poderia ser inadequado fazer uma reflexão naquele momento, mas Levy sentiu a necessidade. Era mais emoção do que razão.
Ela conseguiu chegar até o apartamento onde Lucy morava em tempo recorde, dois minutos e trinta segundos. Mas quando chegasse até lá em cima, teria estourado o tempo. Não se condenou por isso, todavia. Estava ali para dar todo o apoio que fosse preciso e isso era o que realmente importava.
O prédio era antigo e coberto de tijolos marrons. Lucy não era bolsista, mas tinha que economizar nos gastos para poder pagar a mensalidade do colégio. Morava em um apartamento relativamente simples, mas gostava do cantinho.
O porteiro sorriu quando viu Levy chegou, porque andava muito por aquelas bandas e já era conhecida. Ela mal pôde sorrir em resposta, mas o fez para que não deixasse transparecer toda a sua preocupação e real situação das coisas.
Antes de subir até o apartamento 777, deu uma olhada no reflexo de aço da porta do elevador. Não estava apresentável. Não que estivesse preocupada com a aparência em um momento como aquele, mas não podia deixar que Lucy visse que estava tão abalada quanto ela. Se uma pessoa quer passar conforto a outra, ela deve manter a calma acima de qualquer situação. A calma era inimiga da perfeição e a pequena tomava ditados populares muitas vezes como filosofia de vida.
Fechou a porta e apertou o botão, esperando até que chegasse ao seu destino. No sétimo andar, um casal de namorados adentrou na cabine. Sentiu-se um pouco desconfortável quando eles começaram a trocar carícias, mas não ligou muito para isso. Havia coisas mais importantes com que se preocupar aquele momento.
Continuou a focar seu pensamento em Lucy e no bebê e no que faria para confortar a amiga. O que iria dizer? Não tinha ideia. A vontade era de jogar Lucy na parede e chamá-la de irresponsável, porque deixou se levar por aquele idiota. Mas sabia que isso só iria piorar as coisas. Lucy era ingênua e levaria tempo para que abandonasse a ingenuidade.
Também não poderia aconselhá-la a abortar, pois mesmo sendo filho de Natsu, era uma vida que não pediu pra vir ao mundo. Mas também pensava nos pais de Lucy, em como eram rigorosos e na sua irmã mais velha, que estava sempre lhe dando boas broncas. Não tinham um bom relacionamento, apesar de dividirem o mesmo teto e serem gêmeas com diferença de 3 min de nascimento. Também tinha o estereótipo de garota perfeita que seus pais e outras pessoas criaram dela. Isso contava bastante. E também tinha a pressão para que cursasse uma boa universidade, como Ashley, sua irmã. Sabia de tudo isso e sabia da barra que a loira teria que enfrentar daqui para frente.
Estava levando cada circunstância em consideração antes de falar qualquer coisa.
— Gray-sama, quando é que vamos transar outra vez? Já sinto saudades... — A mulher do casal de namorados ronronou no ouvido do rapaz como uma gatinha adestrada. E olha que era difícil adestrar gatos! Dizem por aí que são bichos bem egoístas, embora Levy discorde totalmente disso.
E, mesmo que a intenção fosse fazer com que só ele ouvisse, Levy ouviu suas palavras libidinosas e corou furiosamente. A verdade era que sempre foi bem alheia a esse assunto e se julgava bastante leiga quando o assunto era sexo, namorado e afins. Mas simpatizou com a garota, porque era a segunda pessoa no mundo que também tinha cabelos azuis; mais uma louca que decidiu estragar o cabelo com aquela cor, embora os dela fossem bem cuidados, diferentes dos de Levy que estavam aquele dia com um aspecto seco e sem vida. Sim, senhor. Precisava de uma boa e bela hidratação, só não sabia quando faria isso.
Outra coisa que lhe chamou a atenção, embora problemas rondassem os seus pensamentos, foi o fato de o garoto se chamar Gray. Gray Fullbuster do time de baseball do colégio?! Séria este?
— Juvia-chan, será que só pensa em sexo? Sério mesmo? — Ele falou com ar de graça, como se estivesse brincando com ela. — O que eu faço com você, hein? Pena que tenho treino hoje à noite no ginásio do colégio, mas nós podemos nos ver amanhã nesse mesmo horário.
Depois que disse isso, ele deu um chupão tão forte no seu pescoço que deixou a garota e Levy atônicas. A garota porque estava morta de prazer, e Levy porque estava morta de vergonha.
“Ei, eu estou aqui. Vocês não estão me vendo? Eu não sou tão pequena assim, galera!” Pensou a pequena de óculos maiores que o rosto.
Levy quase se ajoelhou no chão do elevador para agradecer aos céus quando o casal desavergonhado deixou o recinto no décimo terceiro andar, o que intrigou muito Levy, pois imaginava que, pelo rumo que a conversa dos dois estava tomando, mais se assemelhando a uma despedida, eles deixariam o prédio. Mas depois se tocou que era impossível, porque estava pegando um elevador que iria subir alguns andares. Só podia estar com a cabeça nas nuvens mesmo, a nossa bela e pequena protagonista.
E era para tanto mesmo! Não é todo dia que sua amiga engravida do pior homem da face da Terra.
Depois de colocar a sua mente um pouco em ordem, não tinha dúvidas; aquele era mesmo Gray Fullbuster, um dos novos integrantes do time de baseboll a quem iria entrevistar nessa tarde. Lembrou-se que Erza disse que não conseguiu falar com ele porque estava ausente e pensou “sim, estava ausente. E como estava ausente! Mas estava presente em alguma cama por aí”. Ô veneno!
Antes que explodisse com tantas coisas que abalaram o seu dia, limpou a mente e só permaneceu com um único assunto a se preocupar: Lucy. O elevador parou o no décimo quinto andar e ela tomou uma injeção de coragem, seguindo com passos firmes à porta do apartamento da amiga. Bateu e esperou que ela atendesse.
Tinha o coração apertado e batendo frenético, mas matinha uma expressão controlada de tranquilidade, como planejado anteriormente.
A resposta de Lucy não veio. Imaginou que amiga estivesse arrasada demais para por a sua cabeça para fora, para se atrever a se mostra de novo para o mundo. Tendo em vista disso, colocou a mão na maçaneta da porta, girou e viu que estava aberta. Entrou e fechou novamente.
— Lucy, você está por aqui? — Perguntou cautelosa e implorando que ela não estivesse chorando no chão do banheiro, com a maquiagem toda borrada e derretendo até o busto voluptuoso. Oh, Deus! — Me responda, Lucy. Onde está?
Do quarto, ouviu o som de um fungado e o barulho de vidros se estilhaçando no chão.
— Estou no quarto, Levy-chan. Já estou melhor, você já pode ir bem- — Sua frase fora interrompida assim que tropeçou em algum móvel e caiu. Tinha chorando demais e tinha os olhos embaçados para enxergar como qualquer outra pessoa.
Levy temeu que fosse algo sério e correu para o cômodo para se encontrar com a amiga. — Lucy, o que aconteceu? As suas coisas... O seu quarto... — Observava aquele ambiente desarrumado como se um furação tivesse passado por ali e arrastado boa parcela de suas coisas.
— Ah, eu não tive tempo de fazer uma faxina — mentiu. — Não repare muito na bagunça... — Disse dando um sorrisinho forçado que foi percebido por Levy.
— Sei... Faxina... Olha, é melhor você me contar o que aconteceu por aqui.
Ele virou o rosto para que Levy não a visse chorando tão intensamente. Enquanto a amiga corria para o seu encontro, mudou de opinião e resolver que iria bancar a forte quando ela chegasse. Estava cansada dos sermões. Não precisava de mais dores de cabeça à sua vida.
— É sério...
Levy continuou descrente naquelas palavras. — Lucy, eu lhe dou três minutos para explicar o que aconteceu aqui antes que eu chame a polícia.
— Não torne as coisas mais difíceis para mim, Levy-chan! — Lucy implorou com lágrimas nos olhos e só nesse momento foi que Levy pôde ver algo estranho em seu rosto: um hematoma muito feio e de uma considerável proporção.
— O que houve com o seu olho...? — Sua voz saiu falha. Estava na hora do sermão. — O que houve com o seu olho? PELO AMOR DE DEUS, LUCY! FALE ALGUMA COISA, MERDA! — Saiu de si, visto que a amiga continuava calada a cada pergunta que fazia, como se quisesse esconder culpados compactuar com aquele que tinha feito isso nela.
— Um ladrão invadiu o meu apartamento enquanto você chegava. Foi isso!
Opa, mais mentiras?
— Um ladrão?! Lucy, não me faça rir. Tem um notebook na sua cama e a TV de 52 polegadas ainda está na sala. O que esse ladrão te roubou? A virgindade?
— Ok, ok — ela suspirou, ainda chorando em demasia. — Eu caí no banheiro, ok? Eu apenas não queria te preocupar. Estava tão aflita que em um momento de raiva saí quebrando tudo. Mas não se preocupe, Levy-chan. Natsu e eu voltamos e-
Lucy não pode terminar aquela frase. Levou uma tapa na cara estridente.
— Você quis dizer que em um ataque de raiva alguém saiu quebrando as suas coisas?! — Fingiu ter repetido algo que Lucy não disse. — Ah, agora sim. Eu pensei que você tinha dito que foi você.
Lucy marejou os olhos. — Por que me bateu?
— Eu te bati?! — Levy perguntou fingindo estar confusa. — Ora, não é você mesmo que apanha e tenta ocultar o culpado? Como assim está denunciando a própria amiga? Vamos lá, diga que eu não te bati. Oculte a verdade, você já está acostumada com isso.
Lucy estava desolada e não sabia o que mais diria.
A verdade foi que ao ligar para avisar sobre o teste a Natsu, na tentativa de que ele ficasse feliz e voltasse para ela — Vamos lá, a pobre é iludida! —, acabou não sendo recebida como imaginava. Ele ficou furioso e, estando próximo de onde morava, foi falar com ela pessoalmente. Chamou ela de puta e outros nomes nada bonitos, bateu nela e saiu quebrando as suas coisas. Simples cuspiu na cara dela e disse que o filho não era seu.
Tendo em vista de que ela chorava muito e gritava que ele foi o único homem com que teve relações em sua vida, começou a acreditar, pois julgava que Lucy fosse boba demais para mentir. E realmente era. Abraçou, consolou e depois disse que estava tudo bem, que ele assumiria a criança. Típico de um sádico doentio! Aquele garoto estava precisando urgentemente de que alguém lhe impusesse freios.
— Natsu disse que está tudo bem, eu não estou mais preocupada — foi o que disse, com os olhos perdidos em sua escuridão abismal. — Nós vamos seguir namorando e já escolhemos um nome para o bebê. Vai se chamar-
— PARA DE TENTAR SE ENGANAR, LUCY! — Levy perdeu a paciência. Assim como uma vela pequena, também tinha o pavio curto. Não sabia, entretanto, se era por conta de duas constantes brigas com Gajeel. Só sabia que tinha que salvar a amiga daquele navio negreiro. Ela estava prestes a entrar de novo em mais escuridão, escuridão, escuridão... A menina estava cega! — PARA! VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI QUE FOI NATSU QUEM TE BATEU? QUE FOI NATSU QUEM TE SUBORDINOU A VOLTAR PRA ELE? ELE É UM MANÍACO! NÃO SE DEIXE ENGANAR DE NOVO, PORRA! — Deixou que a raiva saísse pelos seus poros e ficou mais calma depois disso. — Não aceite...
Lucy, que estava tentando engolir o choro e frustração, não aguentou e também colocou tudo para fora.
— CALA A BOCA, LEVY-CHAN! EU NÃO QUERO TE OUVIR! CALA A BOCA! — Ela tentou abafar os soluços nas palmas de suas mãos suadas, sem sucesso. — Cala a boca... — Sua voz foi diminuindo, impotente. — Cala a boca... Cala a boca... — E chorou. Chorou muito. Sentindo o seu corpo ficar pesado... Ficando no chão de joelhos... Como uma pessoa que fracassou na vida, que perdeu tudo. — O que eu posso fazer? Eu estou grávida dele e eu não posso abortar meu filho. Ele também o quer, e eu não quero que ele nasça sem um pai. Ele não merece isso. A sociedade é muito rigorosa e não perdoa pessoas sem um lar e sem pai, não perdoa mães solteiras de filhos sem sobrenome.
— Foi ele quem te disse isso? — Levy agachou para ficar na mesma altura que ela, embora não precisasse muito. — Foi ele quem colocou esse monte de merda na sua cabeça?
— Eu não sou tão boba assim, ok? Eu conheço a vida.
— Natsu irá assumir a criança, vocês voltarão a namorar, ele vai continuar saindo e ficando com outras, vai te deixar sozinha nas noites de sábado e com uma criança chorando.
— Levy-chan... — Lucy se jogou nos braços da amiga como se o seu abraço fosse a solução para todos os seus problemas e afundou o rosto no seu pescoço, chorando feito uma condenada.
Sabia que só Levy era quem poderia entendê-la naquele momento, ao mesmo tempo em que sabia que não. Levy tinha uma opinião formada sobre as coisas e não iria mudar nunca o seu jeito de pensar, mas precisava dos seus sermões, ou dos seus conselhos. Mas quando ela começou a proferir as verdades que só a magoavam mais, sentiu a vontade de expulsar a garota dali.
Mas como poderia? Ela estava precisando dela.
Nem Natsu Dragneel poderia manchar a linda amizade das duas.
Natsu Dragneel era apenas um nome. Nome que Levy jamais conseguiria esquecer. A vontade de derrotá-lo só aumentou ainda mais e, agora sim, estava mais do que decidida de que iria até o final com Gajeel pra tirar o posto de sabichão.
Ele ia se ver derrotado pelos dois em três meses.
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De: James RedFox
Para: Levy MacGarden
Assunto: aulas com o meu filho
Boa tarde, senhorita MacGarden. Espero que não se incomode, mas eu tomei a liberdade de pegar o seu e-mail com o diretor do colégio. Foi informado pelo próprio que vai começar a administrar aulas de reforço para o meu filho Gajeel. Muito me alegrou em saber disso e que alguém deposita nele a sua confiança. Em verdade, ele é um garoto que me causou grandes problemas e sinto-me envergonhado de eu mesmo não poder por uma solução em sua rebeldia e falta de interesse nos estudos. Ele não tem tirado as melhores notas e eu sei que a senhorita deve estar ciente disso. No mais, mando este e-mail para agradecer e tentar de alguma forma recompensá-la por isso. Soube que deseja estudar jornalismo, e que tal começar como estagiária nas minhas empresas? Não sei se sabe, mas coordeno um dos mais importantes jornais do país, o Japan News.
Aguardo resposta!
James RedFox
CEO do Japan News
Rua Guanabara, 325, quadra 3.
Tóquio, Japão
Telefone: 98231-54785
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Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus.
Levy começou a correr pela casa como se fosse uma criança que acabara de ganhar um brinquedo novo. Falava com Erza ao telefone.
— Sério, Erza! Eu fiquei como louca quando recebi aquele e-mail. Na verdade eu ainda histérica, como pode perceber. Imagina só! Estagiária de uns dos jornais mais importantes do país!
O e-mail tinha sido mandando poucos minutos depois que Levy e Gajeel aceitaram a proposta do direito do colégio, quando estou ligou para seu pai para informar. Estaria contente se ele resolvesse dar um jeito em Gajeel, depois de tantas tentativas falhas, e achava que as coisas poderiam dar certo. Estava apostando nisso.
Levy, por outro lado, só pode lê-lo depois que se encontrou em casa, por volta das sete da noite.
— E o que você está esperando? Adestrar o Gajeel não é uma das tarefas mais fácies, qualquer proveito que conseguir extrair da situação é lucro — aconselhou a outra.
— Você tem razão — falou Levy. — Nunca me deparei com uma situação como essa... E ainda estou pensando seriamente em como irei transformar aquele brutamonte em um CDF. E, ainda por cima, melhor do que Natsu, que às vezes é melhor do que eu.
— Melhor do que Natsu... — Repensou Erza no outro lado da linha.
— Ok, chega do nome desse cara! Só eu ouvir a sua pronúncia me dá ânsia de vômito. Estou começando a achar que Gajeel é o segundo pior homem da face da Terra. Ele lidera o ranking.
A gravidez de Lucy era algo que só ela mesma poderia contar às pessoas. Ainda tinha que selecionar mentalmente as pessoas que poderiam saber desse segredo no momento. Embora acreditasse que Natsu desse com a língua nos dentes, seria para poucas pessoas, porque certamente ele não iria querer espantar o público feminino com a notícia que iria ser pai.
Lucy poderia ser uma boba apaixonada, mas não era idiota o suficiente para saber que ele iria continuar saindo com outras. O que ela tentava era apenas negar para si mesmo de forma a diminuir a dor que sentia. Mas sabia.
No entanto, Levy resolveu contar para Erza antecipadamente, porque era uma notícia que ela não poderia guardar para si mesmo. Era muito pesada e precisava desabafar com alguém equilibrado.
— Sabe que não devemos abandonar a Lucy, certo? A pobre está confusa — o tom de Erza era de comoção.
Levy estranhou a sua reação, porque normalmente era Erza quem mais perdia a cabeça quando o assunto era Lucy e Natsu. Ela, assim como Levy, não aprovava em nada essa relação; mas diferente da pequena de cabeleireira azul, ela era mais explosiva e dava sermões de doer o cérebro em Lucy. Nunca foi compreensível com o amor que a loira sentia e afirmava que aquilo fosse, em suas próprias palavras, fogo no rabo.
— Nós não vamos abandoná-la em hipótese alguma. Só tem a nós. — Ia falar mais alguma coisa, mais alguém bateu na porta de sua casa. — Erza, só um instante...
Abriu a porta.
— Ué, não tem ninguém em casa? — Disse o visitante. — Quem abriu a porta? Não vejo ninguém.
Ai, ai.
Lá vinha confusão. E das boas.
— O que faz aqui? — Levy rangeu entre os dentes.
— Senti saudades... — Ele disse debochado, e entrou em sua casa sem ser convidado, pousando em cima da cabeça de Levy uma Lara de cerveja gelada.
Não foram mais do que dois minutos para que ele se encontrasse em seu sofá com as botas em cima das almofadas trazidas da Índia por Erza, na sua última viagem de férias de verão.
Aquele, definitivamente, não era o seu dia.
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