Meu namorado (im)perfeito
4 4 – Cada uma tem o Romeu que merece ter

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A primeira que fazemos quando nos damos conta de que estamos em uma situação-problema-perigo é nos armar interiormente para estarmos aptos a lidar com a situação da melhor forma possível. Quando estamos em uma cena de assalto, por exemplo, estamos em uma situação de fuga. Nosso corpo se prepara alertando o sistema nervoso simpático, que é egoísta e age quando quer, e ele libera adrenalina na nossa corrente sanguínea que vai agir em receptores celulares. Nossas mãos suam, nosso coração bate apertado, nossa pupila se dilata e a respiração fica mais acelerada.
Levy estava diante de uma situação-perigo e estava pronta para agir. Só que, do contrário do que se imaginava, ela não fugiu. A cena não era o perigo em si, ela era que era. E o cordeiro que tinha cara de lobo não estava nem um pouquinho assustado. Ele dormia tranquilamente em seu sofá — ou fingia — como se fosse um urso que não hibernava há anos.
Quanto tempo deve durar uma panela repleta de água no fogão para que fique escaldante e fervente para provocar queimaduras de terceiro grau? Levy não sabia a resposta, mas estava querendo muito descobrir.
— PUTA QUE PARIU, SUA VADIA! — O grandalhão despertou do sofá muito assustado e repleto de raiva. Berrou ao sentir a água morna caminhando pelo seu corpo em uma velocidade absurda e de surpresa. A água era para estar fervente, mas Levy pensou que fosse ruim cometer um assassinato em sua casa. Seria muito suspeito.
Ela pensou em uma mentira convincente, porque nunca o tinha vista tão irritado como agora. Precisa despistar.
— É importante para você poder confiar em mim. Temos que criar um vínculo entre tutor e aprendiz. Não tem nada de errado nisso. Foi apenas um teste para ver até que ponto você confia em mim, é claro que eu não ia te queimar de verdade...
Ainda.
Interiormente, seu corpo estava se contorcendo de graça. Nunca foi tão cansativo rir em silêncio. Sua barriga estava começando a doer com o esforço físico e a energia gasta para conter uma gargalhada debochada.
Ele foi caminhando a paços lentos onde ela estava, atrás do sofá. Seus olhos eram de um leão em um coelhinho suculento, metaforicamente falando.
— Quando você estiver dormindo, eu estarei lá... Quando você estiver no banho, eu estarei lá... — Seus olhos estavam vermelhos de ódio. O calor que saia da boca dele cada vez que dizia algo era quente como o inferno. Estava bufando. — Quando estiver na merda do balé, eu estarei lá... Quando você estiver na puta que pariu, eu estarei lá... Eu estarei lá com um BALDE DE ÁGUA QUENTE, E EU VOU TE DEPENAR FEITO UMA GALINHA!
Ok, ele já chamou ela de galinha algumas vezes.
Levy já se encontrava no ar, presa pela gola da sua camisa. Ele adorava fazer isso, e muitas vezes sem motivo algum. — Qual é!... Não fique assim tão furioso — ela tentou amansar a fera, sem sucesso nos primeiros segundos. — Você passou a vida inteira fazendo esse tipo de brincadeira maldosa comigo. Vamos entrar em um consenso onde eu possa me divertir com você também, não lhe parece justo?
Ele a avaliou com os olhos e disse:
— A única brincadeira que eu aceito que você tenha comigo é a sexual, tampinha! — Ele largou ela no chão, que caiu de bunda. — Mas você não alcança as minhas cuecas. Não serve nem pra pagar uma oral!
Por um momento, Levy ficou atônica.
O máximo que já levou na vida foi uma cantada de pedreiro. Ele perguntou se ela cagava na areia, porque era uma gata. Mas pelo modo que começou a rir em seguida, jurou que ele estava tirando sarro dela.
E por que agora seria diferente? Estava tirando sarro dela outra vez.
Só que foi diferente. Foi ofensivo e meio doente.
Sentiu-se furiosa.
— Pervertido! — Rosnou. — Vem cá, você é meio doente, né? Vai ser difícil trabalhar assim.
— Não precisa ficar preocupada — ele deu de ombros, não dando muita importância ao que disse. — Eu escolho muito bem as mulheres com quem transo. São sempre peitudas e bonitas — ele tirou sarro de seus seios, quando os representou com as mãos. — E o mais importante: eu consigo enxergá-las. Sabe como é chato ter que andar com uma lupa? Eu espero me livrar logo de você.
Nesse momento, Levy padeceu de raiva. Ele andava com uma lupa para poder enxergá-la... Aquilo era o cúmulo da humilhação! Ela era baixinha e isso não era segredo para ninguém, mas não era como se fosse do tamanho de uma formiga.
— Eu não sou assim tão baixa... — Falou serrando os punhos.
— Volte a me dizer isso quando crescer dois centímetros a mais do que já tem. — Riu.
Argh!
Como eles conseguiriam viver juntos?
[...]
O retorno triunfal do grupo de teatro
Abertas novas inscrições!
Uma notícia quente em um término de outono. Estão abertas novas inscrições para o grupo de teatro. Com a chegada do inverno, o grupo de teatro, liderado pela professora de dramaturgia Cecília Gomes, declarou que fará apresentações para o encerramento do ano. A peça que mais está chamando a atenção da comissão é Le Fantôme de l'Opéra e muito já se especula sobre os papeis dos protagonistas. Boatos dizem que os antigos integrantes do grupo já estão escalados para concorrer o papel, mas você não pode ficar de fora dessa. Qualquer um pode participar do musical e contará 40h na cara horária extracurricular.
por Miss Love,
Sexta-feira, 11 de outubro de 2013.
— O que está fazendo? — Erza perguntou assim que chegou com um amontoado de caixas em sua salinha compactada. — Redigindo?
— A matéria para o jornal da escola — Levy respondeu.
— Deixe-me ver. — A ruiva se aproximou e leu: — Estão abertas novas inscrições para o grupo de teatro. Interessante. O que há? As pessoas estão deixando de participar do grupo?
— As peças teatrais não são mais as mesmas. Antes era muito competitivo entrar para o grupo, mas hoje ninguém mais se importa. Ninguém quer participar e faltam autores — suspirou, porque amava o grupo e lhe doía o coração ao ver que ele estava se desfalecendo.
Sentia-se triste por ver que as pessoas deixavam de apreciar livros, musicais e algo que julgasse ser cultura saudável. A cultura do Verônia estava mais para “tem festa no sábado à noite na casa do Natsu, quem vai deixar de ir para ensaiar com aquele grupo de teatro idiota?”.
— Gostaria de poder participar, mas o conselho consome o meu juízo. Ainda que seja final de semana, nos sábados à noite eu sempre estou preenchendo uma papelada que às vezes nem sei para onde vai — desculpou-se. — Mas eu espero que o pessoal se interesse. O Fantasma da Ópera é um dos melhores musicais do mundo, sim senhor.
— Eu também espero — respondeu de coração.
— Força, foco e fé — Erza tentou animar a amiga.
— Pensei que seu lema fosse “Força, foco e foda-se” — disse rindo.
— Às vezes a gente tem que mudar o repertório. — Piscou o olho e colocou as caixas em um canto da sala.
— Escuta, Erza... — Levy mudou de assunto: — Gajeel foi até minha casa ontem.
— Sério? — Mostrou-se confusa. — E para quê?
— Eu também não sei.
Levy ainda não sabia ao certo, mas Gajeel sabia bem porque tinha ido até sua casa. Os anos com a inimiga acabaram fazendo com que os dois fossem íntimos de um modo peculiar e inusitado, e ele estava querendo sumir. Não pensou duas vezes. Por que eu não vou até a casa daquela tampinha? Talvez brigar fizesse com que seus problemas desaparecessem um pouco.
Levy costumava dizer que aquele garoto era meio sombrio.
Talvez fosse porque colocaram dentro de seu coração algumas sombras.
“Você só me dá desgostos! Você é um filho inútil. Maldita a hora aquela em que sua mãe teve a maldita eclampsia. Agora não consegue me dar herdeiros e você não serve para ser um. Por que não é como o seu primo? Suas notas são péssimas! Precisa que uma garota te sirva de tutora. Como é ridículo!”
Que barra pesada.
— Como assim não sabe? — Erza puxou uma cadeira e se sentou ao seu lado, porque de repente a conversa estava começando a ficar interessante. — Não perguntou a ele?
— Perguntar, eu perguntei. Mas... — Uma onda de irritação começou a tomar forma no seu rosto. — Aquele maldito nunca deixa nada claro! Até hoje não sei porque passou a vida inteira implicando comigo.
— E o que ele te respondeu quando perguntou? — Erza apoiou o queixo na bancada. — Simplesmente não te respondeu?
— Você sabe que eu não sou uma idiota. Ele veio com uma história de que precisava de um favor meu, mas ele nunca me pediria favores. Alguma coisa maior estava por trás.
— E você tem ideia do que seria essa coisa maior?
Levy pensou um pouco. — Problemas familiares — disse séria.
— Boa.
— Jornalista — corrigiu.
Na noite passada:
— Ok. Inspira, expira, inspira, expira... — Disse respirando profundamente rezando para que a calmaria voltasse. Era fazer aquele mantra diário ou não suportaria os desaforos por um longo período de tempo. — Vamos lá, como conseguiu saber onde moro?
Fazia um tempo desde que os dois estavam mais calmos. Gajeel roubou uma bebida da sua geladeira e ela foi pegar um pano para enxugar o chão e o sofá molhado. Ele ainda estava irritado com ela, mas não era como se ela também não estivesse irritada com ele. Mesmo assim, era estranho. Por que ele não se atrevia a ir embora, mesmo quando ele quase implorou que se retirasse de sua casa?
— Eu pensei que a casa dos sete anões fosse menor do que isso — disse debochando. — Quantos anões moram aqui?
— Responda a minha pergunta — falou fuzilando ele com o olhar. — Só eu moro aqui. Sou meio que independente.
Indireta à vista.
Claro que ela estava se referindo a ele, que era totalmente dependente do pai para arcar com os seus caprichos.
— Já sabia — respondeu simploriamente, ignorando a indireta. Não porque estivesse evitando arranjar mais confusões, mas porque não notou. — Só nunca tive motivos para aparecer por aqui.
— Ah, e agora teve? — Colocou as mãos na cintura. — Não acha que eu vou acreditar nessa de “senti saudades”.
— Senti saudades de implicar.
— Corta essa!
— Preciso de um favor — confessou.
— Eu?! Fazendo favores pra você?! Conta outra. Se decidi te ajudar com os estudos foi por meus próprios interesses, para o meu próprio bem e alcance deles. Você não passa de uma ferramenta!
“Você não passa de um inútil!”, relembrou as palavras duras do pai.
O ódio lhe consumiu todo e respondeu à altura: — E você é algo se não uma ferramenta também? Se estamos juntos nessa, é para que eu possa entrar nos Dragon Slayers; nada mais além disso. Não suporto a sua presença. Mesmo que pequena... — E ele, um doce. Como sempre.
— Então não me venha pedir favores! — Bufou. — Eu não lhe ajudaria sem receber nada em troca. Nem em mil anos!
— Não estou pedindo que faça nada de graça pra mim. — Ele elevou o olhar cheio de ódio pra ela. — Você quer pegar o trampo de estagiária, não? Eu sei sobre isso. Seria uma pena se você aceitasse e eu fizesse da sua vida um inferno... Eu tenho minhas influências, sabe? Gi-hi.
Mentira.
Gajeel não tinha nenhuma influência nas decisões do pai. Era um completo submisso que, por mais que levantasse a voz para ele, não surtia efeito. O pai o ignorava como se não fosse ninguém, como se fosse mais insignificante do que a moça que serve o cafezinho em sua empresa. Ele era a ovelha negra da família.
Motivos?! Muitos para o seu pai, poucos para ele mesmo.
— Onde está querendo chegar com isso? — Levy estreitou os olhos. — Está me ameaçando?
— Está pensando em aceitar, não está? — Colocou os pés das suas almofada, outra vez, como se não estivesse fazendo nada demais. — Não. Você vai aceitar! Só que eu posso fazer com que não tenha uma boa experiência por lá, e isso seria algo extremamente ruim para o seu currículo. Teria fracassado em uma grande empresa, internacionalmente conhecida.
— Você nunca muda. — Ela começou a rir em tom de deboche. — Vai ser sempre essa pessoa suja.
— Não tanto quanto você é pequena — retrucou. — Vai me ajudar?
Ela levou o pano encharcado com que tinha limpado o chão da sala e o sofá e o abandonou na porta da cozinha. Parou um pouco lá para pensar, enquanto ele não desviava o olhar da menina que parecia ainda menor quando próxima à geladeira. Ela tomou uma decisão e voltou.
— O que você quer? — Ela perguntou desconfiada.
Talvez não fosse algo tão ruim. Ou fosse, certo? Era Gajeel RedFox, o garoto que passou a vida inteira praticando bullying com Levy.
Ele pensou um pouco para inventar uma mentira concreta. O motivo que o tinha levado ali àquela noite era bem outro que não podia contar. — Você conhece Dominique?
— Conheço, por quê?
Quem não conhecia Dominique?!
Era simplesmente a ruiva que competia com Erza em questão de beleza. A principal atriz do grupo de teatro, aquela que sempre ganhava os melhores papeis. Bonita, talentosa e inteligente. E ainda mais, uma das poucas que ainda não havia dormido com nenhum outro membro do Dragon Slayers.
— Aquela menina é uma das mais difíceis, e eu quero que você me ajuda a conquistá-la.
Simples assim.
— QUÊEEEEEEEEEEEEEE?!
— Apesar de ela ser aquilo tudo — ele gesticulou seios com as mãos, novamente para irritar Levy que era desprovida —, às vezes ela parece fazer o estilo nerd que gosta de nerds. Acha que posso conquistá-la quando ultrapassar Natsu?
Conquistar que nada!
Ruivas não faziam o seu estilo. Não sabia ao certo se tinha um estilo.
Quem sabe mais tarde ele descobrisse que gostava das baixinhas sem peito...
Mas estava envergonhado um pouco pelo pedido. E ver Gajeel corado era algo que Levy nunca imaginaria. Uma cena tão improvável de se ver quanto um segundo ataque às torres gêmeas. Imaginaria ela que estava envergonhado por outros motivos e não porque estava apaixonado pela ruiva?
— Ela é linda — ele continuou —, e eu não quero sair por aí pegando todas as garotas como um louco ninfomaníaco, mas um membro dos DS (Dragon Slayers) tem que ter no mínimo um relacionamento enrolado.
Claro, isso se resume à fama de “gostosão” que todos têm.
— Dominique não é o tipo de garota que sairia com você — rápida e rasteira, essa Levy. — Não era você que conseguia qualquer garota que quisesse? Corra atrás do que quer você mesmo. Não precisa me ameaçar para conseguir o que quer, certo?
— Mas você facilitaria muito a minha vida. — Fechou os olhos. Estava exausto.
Era de seu costume tirar um cochilo quando chegava do colégio, mas não pôde fazer isso porque teve que ficar bem acordado àquela tarde para ouvir os sermões nada doces do pai.
Estava pensando em pegar um emprego de meio período e deixar de depender menos dele, mas isso significaria sair do círculo de garotos ricos e populares do colégio. Aquele era o único lugar onde se sentia valorizado. Ninguém nunca o valorizou por outros motivos. Era orgulhoso demais para admitir, mas aquele coração estava tão machucado... Estava procurando um remédio. Nunca encontrou.
— Não dorme no meu sofá! — Ela pegou uma almofada que estava próxima e jogou na cara dele. Mas, puta que pariu, ele tinha um ótimo reflexo. Conseguiu pegá-la antes. Prova de que ele seria um bom jogador. Valia à pena investir.
— Vamos passar a maior parte do tempo juntos. Quem melhor do que outra mulher para me ajudar com outra? Se eu me tornar um CDF, eu posso conquistá-la. Você poderia aproximá-la. Inseri-la nos nossos estudos, talvez.
Levy pensou muito na proposta, porque não poderia entregar um cordeirinho que era Dominique para um lobo. Era cruel. Esperta como só ela, já estava a começando a pensar em uma forma de tirar isso da sua cabeça, ao mesmo tempo em que o faria acreditar que estava ajudando. Mas como?
— Para que ela não perceba que estamos nos aproximando com outras intenções, podemos fazer algo que nunca vai passar pela cabeça dela que você está tentando conquistá-la em meio a isso tudo. Mas não sei se irá aceitar.
— Aceito — disse de prontidão. Olha só! Os brutos também amam.
Só que não.
— Ela faz parte do grupo de teatro e estão abertas as inscrições para novos atores. Simples. Você só terá que fazer o teste para o fantasma. Ela já ganhou o papel da protagonista, tenho certeza.
Ele despertou do seu estado letárgico e sonolento e arqueou uma sobrancelha. — Eu sou péssimo nisso!
— Você também é péssimo no colégio, mesmo assim tenho que te transformar no número 1 em três meses.
Ótima ideia! Ele nunca passaria naquele teste. Fazer alguém a entender a matéria não é a coisa mais difícil do mundo, mas nascer ator é algo diferente. Não é algo que se aprende com o tempo. Até porque, o escolhido ainda teria que ser bom do gogó e saber cantar.
— Mas há um risco porque eu também vou concorrer com ela o papel de protagonista e eu melhorei muito nos últimos tempos. Eu já lhe dei uma dica de como deve fazer, consequentemente, minha ajuda acaba aqui. Mesmo que ela já esteja escalada, talvez eu tome o papel dela...
— Você?! — Ele caiu na gargalhada. Mas não deveria julgar, porque nunca viu Levy atuando e, cara, ela era muito boa.
— Fiz Julieta na estação da primavera. — Porque Dominique estava doente àquele dia, mas ninguém precisava saber desse mero detalhe.
— Duvido muito.
Odiava quando alguém duvidava dela. Estava tremendo de raiva. Ainda mais porque ele estava rindo dela descaradamente, e o teatro era algo que ela amava também. Não podiam debochar assim das suas coisas!
Só quando a chamavam de multiuso, porque estava envolvida em várias coisas. Jornalista, bailarina, atriz... Qual seria a próxima aventura? Virar astronauta? Melhor não duvidar.
Tomada pela raiva, ela tomou impulso para fazer algo que pensava nunca ser capaz. Arrancou dele um selinho de seus lábios, à força. Duvidoso nessa parte, porque a pobre não tinha forças nem para matar uma mosca com o tamanho que tinha. E ele, mesmo com braços grandes e fortes, não impediu. Mas Levy riu quando viu sua cara de surpreso no final do quase beijo.
Obviamente, ela estava atuando e fazendo o que já estava acostumada em algumas peças de teatro.
— Acredita agora, Romeu?
...
— E foi isso o que aconteceu... — Levy terminou de contar toda a história à amiga.
— Curioso — Erza concluiu, passando a mão no queixo como Sherlock Holmes.
[...]
Horas mais tarde, quando fechava o seu armário e arrumava as coisas para voltar para casa e ter o primeiro dia de estudo com Gajeel, viu algo que nunca pensava ver. Natsu estava se atracando com uma garota e até aí tudo ok, não era como se fosse a primeira vez que visse isso. Mas não era uma garota qualquer. Era Kana Alberona, a filha mais nova do diretor do colégio.
Bingo!
Era daí que vinha o interesse do Sr. Alberona em expulsar Natsu do colégio? O garoto era filho de uma família poderosa e não poderia arranjar qualquer outro motivo para retirá-lo da instituição. Tinha as melhores notas e era líder do time de baseball, motivos suficientes para ser expulso. Mas, com Natsu em seu lugar, não lhe restaria nem o posto de capitão e nem o posto de melhor do colégio. Ele perderia o posto justamente por sua nota decairia em relação a de Gajeel. Como regia as normas do colégio, o garoto com as notas mais altas, que saiba jogar Baseball, assumia o posto de capitão do time.
E aquelas outras advertências por aprontar todas, que seu pai julgava ser coisas da idade, tomariam peso e o levariam à expulsão. Simples, porém nem tanto.
Com o barulho que fez em seu armário, os dois perceberam que alguém estava ali, e Kana tratou logo de dar no pé com uma desculpa qualquer.
— Você é tão sujo! — Ela disse para ele, sem medo nenhum de afrontá-lo.
— Olá, Levy — cumprimentou cinicamente. — Como vão os estudos?
Ela bateu o armário com força. — COMO PÔDE FAZER AQUILO COM A LUCY? VOCÊ É UM DESGRAÇADO! Você é sujo! É alguém extremamente sujo!
Ele espalmou as mãos para o ar, em sinal de defesa. — Calma aí, Levy-chan. Sabe do que é que você precisa... — Ele olhou pra ela com um sorriso malicioso.
E então, fez algo que Levy não esqueceria nem em mil anos. Beijou. Beijou como um leão faminto comeria a cabeça de um veado, sem deixar sobras para outros animais carnívoros e ferozos. Quando abriu sua boca para gritar, ele se aproveitou disso para enfiar sua língua insana dentro daquela boca pequena, enquanto a prendia e a imobilizava pelos braços.
Odiou que aquele fosse o seu primeiro beijo. Com língua e sem encenação. Nem em mil anos que aquele frio na barriga que estava sentindo fosse atuação. Ele era tão verdadeiro que estava repercutindo através de sua espinha.
Mas não era por ser pequena que ela iria aceitar ser subjugada. Ela mordeu sua língua com tanta força que ainda pôde sentir o gosto de sangue em meio ao beijo.
— Vadia! — Ele rosnou e adentrou sua mão com força por debaixo da sua saia, rasgando sua calcinha em duas. Se lembrou das palavras da amiga: “ele tirou minha virgindade com os dedos”. — Sabe que eu sempre fui afim de você, Levy-chan? — Arfou enquanto a masturbava contra a sua vontade. — Todas as implicações... Tudo tinha uma explicação... — Deu um chupão em seu pescoço.
Embora estivesse aterrorizada e tomada pelo medo, ela pode dar um grito de dor quando sentiu os dedos dele sendo forçados para dentro.
— Larga ela! — Alguém apareceu para ajudá-la e deu um bom e belo soco na cara de Natsu que caiu no chão como um pano podre.
Era ele.
Era o seu Romeu.
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