10

Seria cômico, se não fosse trágico.

Aquele era um péssimo dia para afrontá-la.

Jellal, como um dos mais novos populares do colégio e integrante do time de baseball, estava dando uma festa de boas vindas. Ok que deveria ser o contrário. Outras pessoas era quem deveriam fazer uma festa para ele, mas ele havia acabado de mudar-se para um apartamento novo em um prédio no centro da cidade e resolveu comemorar com os amigos. Batizar a casa com muita música, bebida e garotas.

Não era baderneiro. Só um pouco. Mas leu as normas do prédio e falou com o síndico antes.

Era permitido barulho de música até as dez da noite, mas o volume alto estava além dos limites. O que ele informou foi que seria uma pequena comemoração, mas tinha gente demais, barulho demais e bagunça demais. Seria melhor que tivesse mesmo feito uma reserva para o salão de festas no último andar.

Naquele horário, Erza estava chegando cansada do colégio. Ficou até um pouco mais tarde do que os outros para fazer a contabilidade de uma papelada que outras pessoas não entenderiam, só quem estava no conselho. Abriu a porta, deixou o material escolar no sofá e se sentou no chão da sala para retirar os sapatos. Suspirou cansada. Como era bom estar em casa. Relaxou um pouco os músculos que no vai e volta dos corredores trabalharam até a sua última exaustão. Queria um sorvete agora e ver um pouco de TV.

Foi até a geladeira que ficava na cozinha e abriu o refrigerador em busca do seu creme com passas. Mas que droga. Comeu tudo no dia anterior e tinha se esquecido de comprar mais. Resolveu tomar algo mais relaxante e colocou algumas folhas de chá para pegar um gosto na chaleira. Enquanto ela não chiava indicando que a bebida estava pronta, voltou para a sala e pegou o controle remoto do sofá para ligar a TV. Estava passando uma programação interessante. Um dos seus doramas – novela coreana ou japonesa – preferidos.

Se antes já estava um pouco cansada e irritada, nesse momento, explodiu.

Um barulho de música muito alto começou a vir do apartamento acima do seu. Lembrou-se que até poucos dias ele estava vazio. Quem seria aquele que tinha alugado o quarto? Seja lá quem fosse, sabia que só traria problemas para todo o condomínio. Mal chegou e não leu as regras direito. Barulho podia até as dez da noite, desde que não ultrapasse o volume 20. A saber, o volume da música que vinha do apartamento de Jellal estava no volume 70; volume máximo.

Suspirou e relaxou para que não arranjasse confusões. Sempre se deu bem com seus vizinhos e essa não seria a primeira vez que iria ter. Seja lá quem fosse, o síndico tomaria alguma providência depois. Mas aí é que residiu um problema, minutos depois. Erza não estava aguentando a barulheira e resolveu, mesmo assim, tirar alguma satisfação. Não teria problemas se falasse educadamente com o novo morador, certo? Eles acabariam entrando em um consenso que seria bom para os dois lados.

Doce ilusão.

Erza desceu as escadas, ainda só de meias e com a gravata do uniforme desfeita, e concluiu que o barulho ficava mais alto à medida que se aproximava da porta. Não se arrependeu da decisão tomada, tinha mesmo que fazer algo. Bateu uma, duas, três vezes. Ninguém a atendeu. Também pudera! Quem escutaria aquelas batidas com uma música tão alta lá dentro? Tocou a campainha também, mas de nada adiantou. Intensificou ainda mais as batidas na madeira, quase quebrando a porta. Mas o que poderia fazer se só assim pra alguém escutar? Ficou ali por uns vinte minutos até que a porta finalmente se abriu.

Deu de cara com o novo vizinho, mas não prestou atenção muito nele. Foi logo soltando o verbo:

– Olha aqui, eu sei que você é novo e tudo mais, mas deve se informar das normas do condomínio. Não pode dar festas privadas no apartamento, para isso existe o salão de festas lá embaixo. Então o senhor poderia abaixar a droga do—

Parou de falar quando se deu conta de quem era.

– Erza Scarlet. – Jellal riu safado. – Você é a cereja vermelha que faltava no meu bolo.

Erza se aproveitou da oportunidade para dar uma olha na cena atrás dele. Era o fim de uma era. A decadência humana dramatizada com atores do seu próprio colégio. Aquele em que ela estava toda uma vida tentando impor alguma ordem e respeito. Viu meninas que já chegou a defender de marmanjos. Elas agora estavam se atracando aos beijos com os mesmos no sofá da casa de Jellal. Cada beijo devorador que parecia mais um ritual canibal. Se arrependeu amargamente de tê-las protegido um dia. Eram umas vadias.

Tornou o olhar de volta para Jellal, que ainda a olhava com cara de deboche.

– Então você é o cara que alugou esse apartamento? – Ela perguntou com um timbre de voz sombrio. Aquela voz só fez com que Jellal a desejasse mais.

– O destino quer nos unir, Erza – ele respondeu, ainda sorrindo.

– Bem vindo ao inferno.

[...]

Enquanto isso, alguns quilômetros longe dali, Levy estava chegando em casa.

Também estava com o corpo muito cansado de toda a fadiga do dia. Ele foi cansativo para ela também. Era uma das poucas que ficava até tarde no colégio para realizar atividades extracurriculares e completar a carga horária complementar exigida a todos os bolsistas. Tinha ficado ensaiando até tarde com o grupo de balé, embora a professora Cecília, que comandava o grupo, não estivesse presente. Estavam simplesmente aprimorando as suas habilidades

Levy não morava em um apartamento como a maioria de seus colegas que já eram independentes fazia. O seu lar era uma pequena casa afastada do centro da cidade. Não era grande, mas também não era tão pequena. Era o suficiente para atender às necessidades dela. Tinha um quarto, um banheiro dentro dele, um banheiro fora também, uma sala pequena e uma cozinha mimosa. O ambiente era simples, mas ela decorou do seu jeitinho e ficou legal. Tinha um jardim na frente de casa também, onde cultivava uma pequena horta e algumas flores. Perto da porta com um sino, estava uma tigela de ração para gato, uma com água e uma caixinha de areia, onde Lilly, o gato – macho – fazia as suas necessidades felinas. Se sentia feliz ali, embora sentisse um pouco de saudade da casa dos pais.

Mas eles moravam longe demais do colégio, e melhor seria economizar com passagem. Quando alugou a casa, ela estava muito maltratada. Seu pai usou todos os seus dotes de carpinteiro amador para dar um jeito nisso. Assim, o aluguel não era tão caro, embora Levy tenha pensando em arranjar um emprego de meio período durante a noite para poder arcar com as suas próprias despesas. Mas tinha que manter suas notas no topo e, para isso, precisava dedicar esse tempo em que estivesse trabalhando aos estudos.

Levy tirou os sapatos no tapete com as palavras “bem vindo” na porta de sua casa e os deixou ali, ficando só de meia. Colocou a mão na maçaneta e girou. Entrou, a porta não estava trancada à chave. Chamou por Lucy quando estava na sala, mas não ouviu resposta. Procurou pela amiga na cozinha e escutou um barulho de água saindo da torneira, que vinha do quintal da sua casa. Ela não tinha máquina de lavar porque era muito cara. Lavava a suas roupas em uma pia improvisada.

– Lucy... – Olhou a amiga desconfiada. – O que está fazendo?

Lucy não se assustou com a chegada de Levy, apenas o seu coração começou a bater muito forte, com medo do que ela descobrisse o que tinha acontecido com ela enquanto a outra estava fora.

– Ah... – Pensou em uma desculpa. – É que como eu passei o dia inteiro em casa, sem fazer nada, achei que seria bom fazer algo de útil. Estou lavando algumas roupas suas que encontrei no cesto de roupa suja. Eu também fiz uma sopa. A panela está cheia e posta na mesa. – Sorriu.

– Obrigada... – Levy falou sem saber o que, ao certo, dizer. Mas ela era esperta demais... – Mas esse lençol estava mesmo sujo? Não é o que estava forrado na minha cama? Esse lençol é o único azul que tenho. Tenho certeza que era o que estava lá ontem quando fomos dormir.

– É. É ele mesmo. – Sorriu nervosa. – Parece que esses testes de farmácia às vezes dão errado. Eu... – Se encheu de vergonha. – Eu... Você sabe. Em cima dele. Acho que não estou grávida. Meu ciclo voltou ao normal.

– Sério? – Levy abriu um sorriso, largo e surpreso.

– Sério. – Lucy riu, ainda mais nervosa por estar contando uma mentira.

– Lu-chan! – Levy a abraçou. – Agora você pode se livrar dele! Você ainda pode ser feliz, minha amiga.

– É... – Lucy começou a chorar.

– Você está feliz? – Levy começou a chorar também. Mas não era de tristeza, como Lucy. – Você está chorando de felicidade, certo?

– Sim – respondeu unicamente e calou os soluços com a mão.

O filamento de uma mentira ecoou por ali.

Era certo que Lucy sangrou em cima do lençol, mas não era porque estava menstruada e a gravidez tinha sido psicológica. Era por outros motivos mais sombrios que não desejava contar a ninguém. Porque estava assustada, fria e sozinha.

[...]

De volta ao apartamento de Jellal, ele e Erza se fuzilavam com os olhos.

– Vem – Jellal estendeu a sua mão para ela –, eu te convido.

– O único motivo que me levaria a entrar nesse chiqueiro seria para atirar em todo mundo. E eu esqueci a minha metralhadora em casa.

Jellal riu largo, estendendo a cabeça. – Adoro o seu senso de humor. Ele é tão... – Sua voz ficou rouca e sexy. – Peculiar.

– Vou fazer de tudo para que seja expulso, Jellal.

– Sério?! – Ele riu toda vez que ela lançava uma ameaça. – Está zangada porque esqueceu a sua metralhadora? Não fique. – Ele se aproximou do ouvido dela para sussurrar: – Eu deixo você agarrar e usar a minha.

– Sai! – Ela o empurrou para longe e saiu batendo o pé, furiosa.

Ele fechou a porta e deixou a festa rolando lá dentro, indo atrás dela. Ela, vendo que ele estava seguindo-a, acelerou o passo para que não pudesse alcançá-la. Aquilo excitava Jellal. Parecia estar em uma selva, em um jogo de perseguição, onde ele era o leão e Erza o veado indefeso a quem ele queria comer (literalmente falando).

Ela desceu as escadas em direção ao andar de baixo. Ele tinha uma noção de onde ela estava indo. Provavelmente à recepção, deixar uma reclamação escrita para o síndico. Normalmente se faziam reuniões entre os moradores a cada quinze dias para cada um expor os problemas e sugestões. Mas isso era um assunto que não poderia esperar até a próxima sexta.

Ele conseguiu alcançá-la no meio da escada. Apertou a mão em torno do braço branco dela.

– Espera, Erza! – Ele disse a ela, com aquele sorriso que ela queria quebrar como se fosse feito de vidro.

– Me solta! – Ele a encostou na parede e tapou sua boca com a mão. – Me larga! – Ela murmurou por cima da pele.

Shhhhiu – ele sussurrou nos seus lábios. – Escute o que eu tenho pra dizer a você.

– Eu não tenho porque te escutar! – Ela gritou na cara dele. – Mal chegou e já está causando problemas para todo mundo... Você é um verme podre!

– Você não vai fazer nada. Por que se fizer, eu acabo com a sua raça. Não é porque é a presidente do conselho, metida a Maria Machadão, que eu vou ter medo de você. Você me escutou bem? – Ele levantou com uma só mão o seu rosto e arqueou o queixo dela, obrigando-a a olhá-lo nos olhos.

– É por conta de homens como você que eu perdo as esperanças no sexo masculino – ela falou rangendo os dentes. – Você é nojento!

– É mesmo?! – Ele riu olhando fundo nos seus olhos. – Pois recupere de novo as esperanças!

E a beijou. Com força.

Erza agarrou os seus braços com força e tentou empurrá-lo para longe, mas, por mais que tenha feito aulas de proteção individual, não conseguiu. Ele era mais alto e forte do que ela. Ele passou a sua língua em cada canto da sua boca e chupou tudo o que pôde. A sensação para Erza era de prazer e, ao mesmo tempo, de impotência. Nunca foi beijada daquela forma. Ele fazia sons na sua boca à medida que arrastava os seus lábios nos dela como pneus queimando no asfalto. Deixava vermelho por onde passa, mordia e se esfregava contra ela, imprensada com toda a força na parede. Suas pernas estavam começando a ficar bambas e, quando viu que estava começando a ceder, acordou do seu sonho ou pior, pesadelo. Apelou para o golpe mais fatal de todos.

Suas pernas estavam intercaladas com as de Jellal. O plano inicial era usar a joelho e chutá-lo bem naquele lugar e acabar com qualquer chance de ser pai que ele tinha. Mas suas mãos não estavam presas. Ele estava usando as mãos dele para segurar a cabeça dela e mantê-la presa. Assim, as suas vagavam no vácuo. Desceu suas mãos pelo corpo dele. E ele, pensando que ela estava cedendo ao seu beijo e começando a acariciá-lo, urrou de dor quando ela abriu a sua calça e agarrou seu pênis e escroto e apertou com uma força que o fez ir à lua e voltar.

Ela ia arrancar todo o seu órgão reprodutor se ele não tivesse escapado e tirado a sua mão das partes baixas. O que ainda foi difícil, porque com a dor ele não conseguiu racionar muito e ela só queria saber de cravar as suas unhas na parte mais sensível e deixá-lo infértil.

Aquela era a hora que ela ia conhecer Jellal. Se ele fosse como os seus amigos, certamente bateria nela e a estupraria depois disso.

Mas ele não fez nada. Só ficou olhando com ódio para ela. Ódio que depois cessou e ele foi invadido por um ataque de risos.

– Do que está rindo, seu idiota? – Ela disse. – Sua boca tem gosto de álcool.

– É. Tem razão – disse sorrindo. – Mas ela também tem o gosto do seu beijo. Eu espero poder te beijar mais vezes, Erza.

Sorrindo, ele acenou com a mão e subiu as escadas de volta à festa. Erza ficou confusa. Quem era aquele garoto, afinal? O que ele queria com ela? Quando ele já estava desaparecendo no topo dos degraus, ela gritou: – Vai sonhando, seu idiota!

Antes de desaparecer, ele olhou para trás, piscou um olhou e mandou um beijo.

[...]

Mais tarde, por volta das sete da noite, Levy e Lucy estavam conversando enquanto lavavam a louça. Era quase hora de Gajeel chegar para uma intensa noite de estudos e Lucy só queria dar um sumiço. Mas também não queria voltar para casa. Ela só queria chorar em algum canto onde não pudesse ser vista. Estava cansada, também, de fingir estar feliz, sendo que não estava.

– Prontinho! – Ela sorriu para Levy. – Acho que vou dar uma caminhada por aí. Quero tomar um sorvete. Quer que eu compre um pote no supermercado na volta?

– Você faria isso? – Levy era toda feita de sorrisos.

– Faço. – Lucy piscou um olho e pegou a bolsa que estava jogada no sofá.

– Mas não seria bom que você ficasse por aqui mesmo, Lucy? – Levy perguntou preocupada. – Depois de estudar, a gente pode sair juntas. Não é bom que ande sozinha por aí, ainda mais à noite.

– Eu vou ficar bem, Levy – Lucy assegurou. – Eu não vou muito longe. É que eu preciso tomar um ar. Preciso ficar um pouco sozinha. Você me entende?

– Entendo – Levy respondeu, mesmo que ainda não concordasse com a ideia. – Aqui – pegou o seu celular que estava na mesa da cozinha –, leve o meu celular. Qualquer coisa, ligue para Erza. Você já deve ter visto que o seu está quebrado. Logo eu te compro um novo. Prometo!

– Por que você quebrou? – Lucy queria saber.

– Isso não é importante agora. Só tenha em mente que eu vou te dar um novo.

Lucy assentiu com a cabeça e se despediu de Levy com um abraço, sussurrando em seu ouvido que estava tudo bem.

Os paços que ela deu nas calçadas da cidade foram tímidos. Era como se estivesse com medo de pisar em vidros e se cortar. Foi respirando intensamente a fragrância da noite, que tinha cheiro de frio. Estava com frio. Droga! Por que foi esquecer o seu casaco? Todavia, tudo estava perdido, porque não ia voltar para se agasalhar. Continuou o seu caminho.

Não era tão tarde. A noite estava apenas começando. Observava os casais de namorados que andavam de mãos dadas por uma praça e chorou baixinho. Um dia ela sonhou que pudesse ser feliz com Natsu assim. Ele prometeu um mundo para ela. Mas ela não sabia que, quando estava prometendo isso, ele, na verdade, estava falando do inferno. No fundo, ainda queria que ele se arrependesse e voltasse a ser o doce que era com ela no início de relacionamento, mas no que diabos estava pensando, afinal? Tinha a plena consciência de que tudo não passou de uma farsa. Na primeira vez em que a molestou se sentiu estranha.

Ela se sentou em um daqueles bancos e ficou observando as estrelas que iam se escondendo atrás de nuvens densas.

– É bonito, não é? – Alguém se sentou ao seu lado. – Eu também gosto de ficar observando-as de vez em quando.

– É... – Lucy respondeu timidamente.

– Ah, desculpe – ele riu –, eu me sentei aqui e nem pedi permissão.

– Não. Tudo bem. ­– Lucy sorriu.

– Gray Fullbuster – ele se apresentou para ela.

– Lucy Heartfilia.

[...]

– Vamos começar com um pouquinho de inglês – Levy disse folheando um livro da língua mais falada do mundo. – O que você sabe sobre inglês? Sabe pronunciar alguma coisa?

Fuck you, bitch – ele disse mostrando o dedo do meio para ela.

– É – suspirou. – Eu imaginei que você soubesse esse tipo de coisa depravada.

Mais uma doce sessão de estudos.

– Você curte bandas de rock metal, deve saber mais alguma coisa. Vamos lá, o que mais você aprendeu durante todo esse tempo?

– Eu acho que sou relativamente bom em inglês... – Ele disse, se gabando.

Levy cortou logo o seu barato. – Mas você não tem que ser relativamente bom. Você tem que ser o melhor!

Aquele seria um dos poucos dias em que o clima não estava tão tenso. Eles começaram bem. Gajeel chegou e não implicou com ela – até ele mandá-la ir se foder e chamá-la de vadia, mas ela não se ofendeu muito com isso –. Levy estava feliz. Lucy não estava grávida – pelo menos, acreditava nisso –, Gajeel sabia um pouco de inglês e seu melhor amigo Matt tinha voltado. Gajeel reparou que ela estava diferente.

– Você está diferente. Não ficou irritada. Está doente? – Ele colocou a mão na testa dela, aferindo sua temperatura. Ela riu. Ele teve mais certeza ainda de que ela estava estranha. Levy rindo com Gajeel? Era a cena mais improvável do mundo. – Sim, você está doente.

– Não estou doente! – Sorriu. – Estou feliz.

Gajeel arqueou uma sobrancelha, como se ela fosse um extraterrestre.

– O inglês que estamos acostumados a aprender se foca em regras, mas também é importante que saibamos a pronúncia das palavras. Hoje eu pensei em um tipo de castigo diferente pra você, será que topa? – Ela mordeu o lábio inferior, apreensiva e contente.

– Hoje você não vai me beijar. Você quer que eu te coma também, é isso?

– Depravado! – Revirou os olhos. – Não. Vamos tentar. Na oração “All the single ladies”, onde está o verbo?

Ele pensou por um instante. – All?

– Isso foi uma pergunta ou uma resposta? – Ela riu. – De qualquer forma, você errou. “All the single ladies” não é uma oração. Não tem verbo! É apenas uma frase.

– Você está aprendendo a jogar sujo agora?

– Quando foi que deixamos de jogar sujo um com o outro? – Ela riu vitoriosa. – Vamos à sua punição. Você vai dançar de minissaia a música Single Ladies e eu vou gravar. Eu vou fazer questions relacionadas a partes de músicas e, se você errar, vai ter que dançar. Está de acordo?

– Claro que não! – Ele disse irritado.

– Que pena, porque eu não estou de acordo a entrar em um consenso com você. Ou é do meu jeito, ou não tem jeito. – Sorriu.

E, estendendo o controle remoto ao seu aparelho de som, colocou a música pra tocar.

Notas finais
Não, eu não sou Graylu, mas...