~Muito obrigada Heather Hudson por ter favoritado ♥ ~

...

– Nem acredito que já é segunda – afirmo para Clara.

– É, nem eu.

– Bom dia alunos – diz a diretora, entrando na sala.

– Bom dia.

– Por favor, as senhoritas que estão participando da competição, me acompanhem – ela diz já saindo da sala.

Como eu era a única da sala, me levantei e sai dali. No corredor tinham mais três garotas que eu não sabia o nome. Nós fomos até a sala de reuniões e nos juntamos com o restante das garotas e com o Lucas. Sentei-me o mais longe dele, ou seja, na outra extremidade da mesa.

– Como as senhoritas já foram avisadas, amanhã teremos uma entrevista na televisão. – começou Lucas.

– Com licença, mas ninguém me disse nada – afirmei o interrompendo.

Todas as garotas fizeram cara de satisfeitas.

– Após a reunião eu terei uma conversa em particular com a senhorita – afirmou Lucas, me olhando.

– Certo – concordei.

As expressões das garotas foram as melhores, suas caras desmoronaram. Bem feito!

– Continuando. Espero que todas tenham terminado seus textos.

Eu ia intervir novamente, mas ele me lançou um olhar de “mais tarde” e eu me contive. Todas as garotas afirmaram com a cabeça.

– Ótimo. Vocês lerão seus textos amanhã para o país. A população irá votar no que querem que continuem na competição. O menos votado será eliminado. – concluiu.

– Estão dispensadas garotas – disse a diretora. – vocês já sabem o horário que devem estar aqui e as roupas que devem usar.

Todas concordaram e se levantaram, logo saindo dali. Eu permaneci no meu lugar.

– Podemos dar uma volta? – perguntou Lucas.

Eu fiquei meio receosa, mas ele entendeu e emendou:

– Eu lhe devo explicações.

– É, me deve mesmo – concordei, ele apenas riu.

– Vamos?

– Claro.

Me levantei e nós saímos dali, não sem antes receber um olhar acusatório da diretora.

– Pra onde você quer ir? – ele perguntou.

– Como assim? Nós não podemos sair da escola.

– Sim, nós podemos – ele sorriu. Acho que eu suspirei, que sorriso lindo!

– Eu tinha me esquecido que você pode tudo. – soltei.

Ele suspirou e flexionou as têmporas com as mãos. Acho que eu o irritei. Yes!

– Vamos? – chamou depois de alguns segundos.

– Claro. – dei de ombros.

Nós fomos até o estacionamento da escola. Eu não sei porque não fiquei surpresa quando ele me indicou um carro ali. É claro que ele tinha permissão pra dirigir mesmo sendo de menor. E claro, como o esperado seu carro era o mais caro. Era muito parecido com o do Jonathan, só que preto.

Eu passei reto pelo automóvel, indo em direção ao portão.

– Aonde você vai?

– Dar uma volta com você – respondi como se ele fosse uma criança.

– Nós vamos de carro – ele respondeu no mesmo tom.

– Eu não gosto de andar com esse tipo de carro – apontei.

– Por quê? – ele parecia surpreso.

– Não é da sua conta – cuspi. Ele pareceu zangado e suspirou alto.

– Olha, será que dá pra parar de ser tão chata por um minuto? – ele perguntou me olhando dentro dos olhos.

– Não. Se não gosta, me expulse logo da competição. – desafiei.

– Vem cá. Por que você colocou a porcaria da inscrição pra sorteio se não queria participar? Mais que porra! – ele gritou e bateu com o punho no capo do carro.

– Não grite comigo, você não tem esse direito! – gritei também.

– Isso tudo é culpa sua. Eu tentei de todas as formas ser legal com você, mas você só sabe ser arrogante comigo – ele acusa.

– Isso é porque não sou obrigada a ser uma capacho sua como todo mundo é – expliquei – e além do mais, como eu já disse, é só me enxotar dessa droga de uma vez.

– Acontece que eu não posso, se não já teria feito – ele gritou de novo.

Eu não sei porquê, mas ouvir aquilo me doeu muito. Isso era só mais uma prova do quanto ele me repugnava.

– E por que não?

– Porque é uma competição, vocês mesmas se enxotam, não eu.

– Ah, claro, como se você não tivesse a opção de escolha – acusei de novo.

– Ao contrário do que você pensa, eu não tenho o mundo aos meus pés.

– Ta bom – revirei os olhos.

– Olha. Será que dá pra entrar logo no carro? – ele estava tentando se controlar, era engraçado ver isso, porque ele parecia ser muito calmo.

– Não vou de carro. Você não vai me obrigar – desafiei de novo.

– Acontece que eu não posso andar na rua sem seguranças. A menos que você queria ser seqüestrada junto comigo, é melhor entrar na porcaria do carro. – ele ameaçou.

Eu bufei e entrei. Não estava afim mesmo de andar.

– Ótimo – ele disse e também entrou.

– Você tem carteira de motorista com 17 anos? – perguntei.

– Tirei ela com 16 – respondeu saindo dali.

– E depois vem me dizer que não tem o mundo aos seus pés – cuspo.

Nesse momento eu pensei que ele pararia o carro e me jogaria pra fora, mas não, ele só me ignorou. Depois de uns 10 minutos num silêncio terrível, eu resolvi perguntar logo.

– Pra onde estamos indo?

– Pra uma cafeteria que eu freqüento aqui no centro. Por que, quer ir pra outro lugar?

Ai que gentil, me dando opção de escolha. Idiota.

– Não – respondi, olhando pela janela de novo.

....................................................

– Chegamos – ele anunciou, entrando em um estacionamento subterrâneo.

– Até que fim.

Nós descemos do carro. Conforme subíamos pela escadaria que daria para a porta lateral do lugar eu ouvia alguns gritos. Acho que estou ficando louca. Foi ai que ele soltou um palavrão baixo.

– Eu não disse nada – me defendi.

– Não é você. São elas – ele suspirou.

– Elas quem?

– Você já vai ver. Alguém deve ter falado onde eu estaria.

Ele parecia exausto. Quando eu ia entrar na cafeteria, ele me puxou pelo braço e eu iria cair se não fosse ele me segurando. Parecia aquelas cenas de filme, e agora nós íamos nos beijar, a não ser pelo fato de que ele me endireitou rápido até demais.

– Calma. Por que você fez isso? – eu ainda estava meio atordoada pelo seu olhar.

– Olha devagar lá pra dentro.

Eu olhei e estava cheio de câmeras e repórteres, do lado de fora parecia ter uma multidão de meninas histéricas.

– Nossa! – exclamei.

– Pois é. Como eu disse, alguém falou que eu estaria aqui.

– Você já tinha combinado vir aqui comigo? – perguntei surpresa. No fundo eu estava até mesmo feliz.

– Sim. E eles não podem nos ver. – ele disse, me puxando dali.

– Por que não? – eu não via problema nisso.

– Porque eu não quero que eles nos vejam juntos – ele disse naturalmente.

Eu me soltei dele no mesmo instante. Que cara idiota! Eu não era motivo pra ele ter vergonha de mim. Meus olhos já estavam ficando marejados, mas eu respirei fundo e engoli o choro. Esse idiota não vai mais me fazer chorar. Não mais.

Nós entramos no carro calados.

– Droga – ele soltou e bateu no volante com força.

– Se não queria ter fãs e fama, por que começou com isso em tão? – ataquei.

– Não é tão simples assim. – ele resmungou.

Ele arrancou com o carro. Sua expressão era de dar medo. Passando pela frente da tal cafeteria deu pra ver a massa de fãs histéricas que estavam lá, elas gritavam e tinham cartazes escritos: te amo, você é perfeito, deixa ela e vem ficar comigo. Eu revirei os olhos, que fúteis.

– Você disse com quem viria?

– Não. Só disse que era uma garota.

Eu fiquei mais aliviada. Não queria ter garotas me odiando. Não mesmo.

– Pra onde vamos? – ele perguntou — Eu não faço ideia pra onde te levar. Provavelmente eles vão estar em todos os lugares possíveis dessa cidade.

– Podemos ir lá pra minha casa – antes que eu pudesse me conter, já tinha dito. Como eu sou idiota.

– Ótimo. Só me ensina o caminho.

– Ah, quer saber. Acho melhor não.

– Mas você quem sugeriu.

– Me esqueci que você é o senhor tem tudo. A minha casa não é o suficiente para alguém como você.

Ele revirou os olhos.

– Só me diz pra onde.

Sem querer eu me peguei ensinando o caminho pra ele. Logo nós já estávamos lá.

– Só não repara, ta? É simples.

– Eu não ligo – ele deu de ombros.

Nós descemos do carro e eu abri a porta de casa.

– Entra.

– Obrigada.

– Não liga pra bagunça. Eu ainda tenho que arrumar.

– Já disse que não me importo.

– Você sabe limpar casa? – perguntei, ele só me encarou – claro que não, você deve ter muitos empregados pra fazer isso por você.

– Por que você me odeia tanto? – ele me encarou, colocando as mãos na cintura.

– Eu não te odeio. Pra isso eu teria que me importar com você, o que não é verdade.

Ele me olhou realmente ofendido. Eu só ignorei. Eu fui pra sala e ele me seguiu. Apontei o sofá e ele se sentou.

– O que você quer?

– Nossa, que delicada.

– Obrigada. O que você quer?

– Te explicar as coisas da competição, mas acho que você não quer mesmo. Então – ele deu de ombros.

– Eu estou sendo obrigada a isso, então – imitei ele, dando de ombros.

– Como assim? – ele parecia não entender.

– Esquece. – se ele não sabia, eu não queria que ele soubesse. Iria me poupar da humilhação que seria dizer em voz alta.

– Não, agora pode falar. Por quem você está sendo obrigada? Porque se é contra sua vontade eu vou acabar com essa competição. O acordo era ser por livre arbítrio. – ele parecia estar indignado.

– Esquece, ok? É daqui de casa. – menti e finalizei. – Mas então, vai me explicar?

– Se é assim, não vou me intrometer. Como você saiu cedo naquele dia, você não ficou sabendo de tudo. O concurso é da seguinte forma: vocês realizarão tarefas ao longo do mês e as melhores permanecerão, as outras serão dispensadas.

“ Como queremos promover o interesse em se ter médias maiores nas escolas, a de vocês que tiver as melhores notas ganhará uma vaga direto na semifinal, sendo assim dispensada de quase todas as atividades.”

“ Verificando o histórico de todas vocês, a que tem a maior nota é você. Por isso você já está na semifinal por sua inteligência – ele deu uma piscadela nessa hora, eu só revirei os olhos e ele se recompôs – mas é claro que você ainda terá que realizar algumas atividades junto com as outras.”

“ Eu fiquei responsável por todas vocês nessa competição, digo na parte de informá-las e auxiliá-las no que for preciso, é claro que com certa restrição. E já combinei com todas as outras o que devem fazer, o que devem vestir e como devem se portar. Todas foram muito gentis.”

“ No final só restarão cinco garotas, a partir daí você já poderá ser eliminada de acordo com sua desenvoltura. A primeira a ser eliminada de vocês receberá uma quantia em dinheiro menor que as das demais. Conforme vocês ficarem, mais dinheiro ganharão quando forem dispensadas.”

“ A vencedora irá ganhar trezentos mil reais e a participação na novela. Essa participação será da seguinte forma: primeiro, a ganhadora será treinada para a atuação. Segundo, ela irá treinar alguns dias comigo para a nossa ‘química’ – ele fez aspas com os dedos – ficar melhor e na hora parecer verdadeira. E terceiro, ela irá atuar em três cenas comigo, ao qual na última nós daremos um beijo, claro que totalmente técnico”

“ É isso, alguma dúvida?”

– Oh, não – respondi estática.

Nossa quanta coisa, hein.

– Não, espera. Você não terá o direito a escolha? – perguntei.

– Bem, que eu saiba não, mas as coisas podem mudar até lá e meu pai pode estar apenas guardando uma surpresa – ele disse e riu no final.

– Certo. É só isso?

– Sim. Eu estou com a garganta um pouco seca, você me daria um copa com água? – ele perguntou, colocando a mão na garganta. E que pescoço, hein, vontade de beijar.

– Desculpe, mas você não é bem vindo aqui. – eu respondi, espantando meus pensamentos.

– Mas é um copo com água. – ele estava com as sobrancelhas arqueadas.

– Pois é, e nem isso eu quero te dar. Agora vai embora. – eu disse me levantando.

– Nossa, já vi que você é mesmo impossível, né?

– Minha melhor qualidade. Agora, tchau. – digo irônica.

– Você é muito mal educada. – ele disse com raiva.

– Coloca na lista de coisas que eu sou. – digo e, literalmente, empurro ele porta a fora.

– Tchau, e agora eu entendo o porquê ninguém gosta de você – ele exclama antes de eu bater a porta na cara dele. Idiota!

Eu estou pouco me importando para o que os outros pensam. Eles são idiotas e não sabem nada de mim. Quem ele pensa que é? Besta. Ele em momento nenhum considerou a hipótese de que eu iria ganhar. Pra ele já está tão na cara que eu não vou ganhar? Mas é claro Sabrina, ele não gosta de você e te repugna, por que pensaria algo do gênero?

Ele só fez me magoar até agora. Ele provou que não tem atração física nenhuma por mim, porque ele me recompôs quando eu quase cai, rápido demais. Depois ele admitiu que tem vergonha de mim ao dizer que não queria que nos vissem juntos. Ele me chamou de chata e mal educada. E pra finalizar disse que me acha uma chata e que eu mereço por todos não gostarem de mim.

Eu sequei minhas bochechas e subi para o meu quarto. Cai na minha cama, rompendo em soluços e lágrimas. Meu Deus, por que dói tanto?

Notas finais
O que vocês acharam do Lucas? E a reação da Sá? Comentários? Por favor... Recado - nesse final de semana eu estarei participando do kerigma na minha igreja, por isso até segunda, se eu conseguir escrever alguma coisa na segunda, né. Beijos, beijos. Espero que tenham gostado ;D