Meu melhor remédio
48 Só o começo.
Notas iniciais
Por Santana
Dez minutos se passaram desde que eu admiti o que tinha acontecido no fim de semana que Dani esteve aqui. Dez minutos de silêncio e desespero interno. Brittany não se move. Todas as formas de reações já passaram na minha cabeça e em todas elas minha namorada deixa meu apartamento, irritada e magoada comigo. Minha garganta fecha com os pensamentos. Um soluço me escapa. Os olhos da dançarina param sob mim. Vergonha e fraqueza me tomam conta. Escondo meu rosto nas mãos, tentando empurrar as lágrimas de volta. Britt senta no meu colo, me assustando e me abraça. Sim. Ela me abraça forte. Me permito quebrar em seu peito.
– Shhh... – Acaricia minhas costas. – Está tudo bem, San.
– Eu... Eu... – Respiro fundo, controlando os soluços. – Eu sinto muito, B. Eu...
– Eu também sinto. – Suspira, passando a mão em meu cabelo. – Não chore, por favor.
– Me desculpe. – Limpo os rastros de lágrimas com raiva. – Não era para eu reagir assim, eu só... – Escondo meu rosto em seu pescoço. – Estou com medo.
– Você queria ficar com ela? – Pergunta um tanto temorosa.
– NÃO. – Me apresso a respondê-la. – Desde que começamos a ficar, eu só penso em você, Britt. Não quero mais ninguém. Eu juro.
– Não precisa jurar. Eu acredito em você. – Diz, suave. Ok, isso está acontecendo mesmo? – Olhe para mim, Santana. – Puxa meu rosto. Eu encaro seus olhos azuis. – Está tudo bem.
– Por quê? – Murmuro, angustiada. – Você não vai pirar? Ou gritar? – Britt sempre grita quando está chateada, principalmente por ciúmes. – Não vai... Terminar comigo?
– Claro que não. – Encosta nossas testas. – Eu estou com raiva, certo? Estou furiosa, na verdade. Sorte a dela que ela não mora em NY, porque eu juro que eu voaria no pescoço dela se ela aparecesse na minha frente. – Eu rio um pouco. – Eu sei que ela forçou a barra.
– Sim. – Suspiro. – Mas, ela não colocou uma arma na minha cabeça. Eu estava chateada, confusa. – Mordo o lábio. – Estava cansada de me esconder.
– Eu sei. – Beija minha têmpora. – E ela podia te dar tudo o que eu não tinha.
– Mas não era você. – Seguro seu rosto. – Se não for você, Britt, tudo perde o sentido.
– Santana, nós estamos morando juntas. – Alisa minha bochecha. – Estamos namorando sério. Minha mãe me expulsou de casa e você me abriu os braços, me acolheu. Você acha que eu jogaria toda a minha realidade fora por causa de um beijo estúpido? Eu sei que não significou nada pra você.
– Não se sinta presa a mim por isso. – Sussurro, insegura.
– Não me sinto presa, Santana. – Repreende. – Eu te amo! Eu confio em você, não quero te perder.
– Nem eu. – A abraço novamente. – Deus, eu sinto muito, eu sinto muito.
– Shhh, já basta. – Decreta. – Você só deveria ter me contado antes.
– Mas, aconteceu muita coisa depois. Eu não sabia como falar.
– Eu sei, meu amor. – Me aperta. – Vamos esquecer, tudo bem?
– Eu te amo, Britt. – Suspiro, sentindo seu cheiro. – Você é a melhor pessoa que existe.
– Eu sou sua pessoa. – Corrige. – É o que me importa. – Eu assinto, sorrindo.
Por Quinn
Sinto a claridade bater em meu rosto, me acordando. Eu me espreguiço, jogando o braço para o lado, a fim de abraçar minha namorada. Mas, tudo que eu encontro é seu travesseiro. Suspiro, magoada. Rachel saiu sem nem me dá um beijo em pleno aniversário de namoro? Tudo bem, são meses. Eu nunca liguei tanto para isso, mas temos meio ano juntas. É algo, certo? Pelo menos para mim.
Santana me envia uma mensagem, lembrando que marcamos de fazer um trabalho hoje. Quem sabe isso pode me distrair? Não pode. Eu nem mesmo me concentro. As outras quatro pessoas do nosso grupo fazem quase todo o trabalho, sozinhas. Sento no sofá da casa de minha amiga, esfregando os olhos, depois que terminam. Vejo a latina sentar ao meu lado.
– Da próxima vez, nem precisa vim. – Reclama. – Eu tive que concordar com tudo, sem você para me ajudar.
– Sem drama, Santana. – Peço.
– Sem drama? Você sabe o quanto eu estou ferrada nessa maldita cadeira por causa das discussões com o professor.
– Você discute porque quer. – Levanto, irritada.
– Ah, é? Agora é porque eu quero? Nas horas que você me defendia, não parecia estar errada.
– EU SINTO MUITO, OK? – Grito. – Desculpe por não poder ser sua guarda costa o tempo inteiro. – Ironizo, indo tomar um copo d’água.
– Não quero brigar com você. – Seu tom de voz faz meu coração afundar.
– Nem eu. – Suspiro, voltando. – Me fale sobre o que aconteceu quinta com Britt. – Eu me lembro dela ter mencionado isso ontem, mas não tivemos como conversar.
– Eu contei sobre o beijo com Dani. – Sorri de lado. Eu levanto as sobrancelhas.
– Vocês brigaram? Como foi isso? – Pergunto, preocupada.
– Não brigamos, está tudo bem. – Sorri. — Então, ela lembrou que quinta fizeram seis meses da nossa primeira vez e...
Eu parei de ouvir. Claro que Brittany se lembra dessas coisas, apesar de tudo que aconteceu nas ultimas semanas. E daí que ela tenha sido expulsa de casa, se ela ama Santana e não é capaz de esquecer datas assim? Talvez não seja só o trabalho que esteja distraindo Rachel. Ela pode ter entendido que eu não significo muito perto de seu novo mundo. Será que Brody tinha razão? Eu só regrediria a vida dela. Rach deve ter dado conta disso e não sabe como me dizer. Sinto meu coração se apertar.
– E você não está me ouvindo, Fabray. – Santana me empurra, me tirando do transe.
– Não. – Sussurro. – Me distrai.
– Isso eu já percebi. – Arqueia as sobrancelhas. – Você está irritada, distraída e estranha esses dias. – Pontua. – É tpm ou Rachel não está dando conta? Está sem sexo? – Tenta brincar, mas isso me enfurece mais.
– ESTOU. – Explodo. – ESTOU SEM SEXO. AGORA ENGULA TODAS AS SUAS ESTÚPIDAS PIADAS, PORQUE EU NÃO ESTOU DE HUMOR PARA AGUENTÁ-LAS.
– Ei, ei... – Levanta as mãos. – Calma, Quinn.
– VOCÊ ME PEDE CALMA PORQUE SUA NAMORADA NÃO ESTÁ O TEMPO INTEIRO FORA E NÃO ESQUECE DATAS IMPORTANTES. PELO CONTRÁRIO, ELA LEMBRA E ATÉ PERDOA SUAS TRAIÇÕES. – Cuspo. Santana fica tensa ao meu lado. Eu fecho os olhos. – Merda. – Suspiro. – Sinto muito.
– Eu nunca trairia Brittany. – Diz fria.
– Eu sei, eu não quis dizer isso.
– Foda-se, Quinn. – Me encara. – Você é uma idiota. Eu sou sua amiga, lembra? Tentei te chamar para conversar sobre isso várias vezes, mas você só esquivava do assunto. Eu não tiro o seu direito de explodir quando não aguentar mais, mas faça isso sem machucar os outros.
– Santana... – Eu soluço. Sua expressão logo suaviza. A latina senta mais perto, me puxando para seu colo. Quando meu choro começa a parar, eu me afasto um pouco. – Me perdoe.
– Esqueça, você está chateada... – Eu assinto, enquanto ela limpa minhas lágrimas. – O que está acontecendo?
Eu respiro fundo e conto tudo para Santana. Ela está certa, é a minha melhor amiga e eu evitei. Sinto um grande alívio ao falar com ela.
– Nossa! – Exclamo ao terminar. – Agora sim, me sinto uma adolescente reclamando por falta de atenção. – Bufo.
– Não seja boba, Quinn. – Bronqueia, segurando minha mão.
– Estou com medo. – Admito, encarando-a. – Se eu perder Rachel, eu...
– Não vai perdê-la. – Garante. – É apenas uma fase. Se ela não lembra, deve ser porque tem muita coisa na cabeça. Apenas dê um beijo nela e diga que se lembrou. Não vale brigar. Não outra vez.
– Você está certa. – Relaxo. – Brittany está te deixando calma assim? – Nós rimos baixo.
– Digamos que sim. – Me aperta. – Ela está me ensinando.
Meu celular vibra em cima do braço do sofá. A latina pega o aparelho e me entrega. Eu deito em seu colo, abrindo a nova mensagem.
Quinn, fiquei sem carona. Você pode vim me buscar mais tarde? – R
Suspirando, mostrando para Santana, que me pede calma outra vez.
Claro. – Q
Eu só percebo que já é tarde quando Brittany entra no apartamento, depois de chegar da rua com sua irmã. Eu olho para o relógio, assustada. Perdi a noção do tempo conversando com Santana. Eu abraço minha amiga fortemente, agradecendo-a por ter me escutado. A dançarina nos olha, alheia ao que aconteceu. Envolvo-a no abraço também, deixando claro o quanto eu estou feliz por elas duas estarem juntas.
Dirijo em direção a Broadway, estacionando na frente. Ligo para o celular de Rachel, mas ela não me atende. Franzo a testa, saindo do carro. Timidamente, entro no teatro. Está um pouco escuro. Procuro minha namorada, mas não a encontro. Uma mão em meu ombro me assusta.
– Jesse! – Respiro fundo. Ele ri.
– Desculpa, não quis te assustar. – Me abraça.
– Tudo bem. – Sorrio. – Você sabe onde está Rachel?
– Rachel? – Sua expressão fica confusa. – Faz alguns minutos que não a vejo.
– Será que ela já foi embora?
– Por que você não senta aqui, enquanto eu vou procura-la nos camarins? – Sugere.
– Obrigada. – Ele me guia até a primeira fileira de cadeiras.
– Só um minuto. – Pede, saindo. O rapaz para no meio do caminho e vira. – Ah, Quinn! Acabei de lembrar. – Volta, subindo no palco escuro. – Ela mencionou algo sobre uma música que escreveu recentemente para você. Sim! Claro. – Bate na testa, pegando uma guitarra. – Algo sobre vocês estarem completando seis meses de namoro hoje. — Minha boca abre, surpresa. Como...? — Se chama Don't Let Go.
Jesse começa a tocar. Então, a luz acende sob Rachel e ela começa a cantar. Meu coração acelera dentro de mim. Agora todo o palco está iluminado, revelando o resto da banda. A morena sorri, cantando para mim. Presto atenção na letra. Ela descreveu nossas ultimas semanas, nossas brigas, nosso comportamento. Está pedindo desculpa e se declarando. E, sim, está implorando que eu não a deixe. Um sorriso toma conta do meu rosto. Eu balanço a cabeça, sem acreditar.
Ela sorri ainda maior, tirando o microfone do pedestal e dançando no ritmo da música, que por sinal, é ótima. Rachel me estende a mão. Eu rio, segurando-a e subindo no palco com ela. Sigo seus movimentos, sendo girada pela pequena, que para de cantar, segurando minha cintura.
– Feliz seis meses, amor. – Beija meu lábio rapidamente. Antes que eu possa falar algo, ela continua. – Q, esses são meus amigos, que também estão no elenco. Alan, Vitor, Luiz e, bem, Jesse. – Ri.
– Hey. – Aceno para os quatro. – Rachel fala muito de vocês.
– Não mais que ela fala de você, eu tenho certeza. – Alan brinca.
– Sim, ela nos fez prometer que o diretor não saberia disso e ainda nos convenceu a ajuda-la. – Luiz avisa. Rachel vira os olhos. – Sua namorada quando quer uma coisa, ninguém segura.
– Eu sei. – Sorrio, abraçando-a.
– Nós já vamos. – Jesse pisca um olho. – Aproveitem. E parabéns. Espero que vocês durem por mais tempo.
– Obrigada, Jesse. – Dissemos em uníssono.
– Obrigada por me ajudarem, meninos. – Rachel continua. Eles sorriem, nos parabenizando outra vez e saem. – Ok, venha. – Franzo a testa. Ela me senta no banco do piano. – Você achou mesmo que eu esqueceria?
– Eu... An... – Limpo a garganta. – Sim. – Sussurro.
– Como você é boba, Lucy. – Segura meu rosto. – Eu queria ter te acordado do jeito certo, mas eu precisava chegar antes para combinar com os meninos isso tudo. – Sorri, acenando. – Eu nunca esqueceria. Eu lembro todos os dias.
– Você estava ocupada, eu... – Encolho os ombros, envergonhada.
– Estou ocupada, mas nada me impede de pensar em você. – Beija minha testa. – Estou ocupada, mas sinto sua falta todos os segundos dos meus dias. Meu coração se enche de tranquilidade ao deitar contigo pelas noites. – Minha respiração falha. – Eu sei que está difícil, que nós já conversamos sobre isso, mas estou cansada de brigar. – Sussurra. – Eu só quero ser feliz com você, meu amor. Só isso. – Eu fecho os olhos, encostando nossas testas. – Santana me disse que você estava planejando algo grande para me pedir em namoro. – Se afasta, sorrindo. Eu levanto uma sobrancelha. – Seria aqui, certo?
– Certo. – Assinto. – Eu estava procurando um dia que não tivesse ninguém e... Enfim, queria te fazer uma surpresa.
– Seria perfeita. – Segura minha mão. – Minha pessoa preferida, no meu lugar preferido. – Eu sorrio. – Como agora.
– Eu ainda não estou acreditando. – Admito, entorpecida. – Eu estava furiosa.
– Sinto muito. – Ri. – Não teve outro jeito. – Suspira. – Você gostou da música?
– Sim. Quando você escreveu?
– Terminei ontem. – Morde os lábios. – Eu estive pensando muito sobre nós. Depois que nós conversamos sobre Beth, eu cheguei a uma conclusão. – Eu a encaro, confusa. – Eu quero ir com você.
– O... o que?
– Você vai enfrentar o seu passado, seus medos. Eu tenho um orgulho imenso disso, você tem ideia, Quinn? – Eu nego, paralisada. — Quando eu tenho você comigo, tudo fica mais fácil, no entanto. Eu quero enfrentar os meus medos também. Eu quero te orgulhar também.
– Rachel...
– Eu quero estar do seu lado. – Garante, firme. – Quero ser sua namorada.
– Você é minha namorada. – Sussurro.
– Eu sou. – Sorri. – Há seis meses. – Lembra. – E eu quero mostrar isso a todo mundo, inclusive ao nosso passado. Se você me quer ao seu lado, eu estarei. Você me ajuda também?
– Por Deus, Rach, é claro. – Abraço-a. Ela ri, me envolvendo também. – Eu te amo. Eu te amo, Rach. Eu te amo! – Sorrio.
– Eu quero fazer amor com você. – Sussurra. Eu arqueio as sobrancelhas, assustada com a declaração agora.
– Vamos para casa. – Tento levantar. Rachel me empurra no piano. Arregalo os olhos. – O que está fazendo?
– Eu quero fazer amor com você. – Repete. – Aqui.
– Aqui? – Olho para os lados. – Rachel, os seguranças...
– Eles não entrarão. – Beija meu pescoço. Eu fecho os olhos. – Eles sabem que eu estou aqui.
– E se alguém nos vê? – Pergunto, sentindo meus joelhos cederem.
– Não vão nos vê. – Levanta minha blusa, tomando conta de meus seios. – Não vão.
Anuncia, antes de me imprensar no instrumento. Eu gemo em resposta, segurando-o. Nós nos despimos em questões de segundos. Sinto Rachel sugando minha barriga tão forte, que eu tenho certeza que ficará um marca enorme. Suspiro de prazer.
– Suba. – Sua voz sai rouca, enquanto ela tenta me erguer. – Suba, Q. – Pede outra vez.
Eu obedeço-a, deitando em cima do piano em um misto de prazer e medo de que alguém nos pegue. Medo esse que é esquecido no instante em que sua língua começa a brincar em minha intimidade. Eu tremo, soltando gemidos mais altos. Rachel aperta minha perna, empurrando mais o rosto. Agarro seu cabelo, desesperada, arqueando minhas costas. A morena enterra a língua um pouco mais fundo e termina o seu curso com movimentos suaves em meu clitóris. Fecho minhas pernas em sua cabeça, implorando por mais. Ela repete por duas vezes, antes de introduzir seus dedos e me levar a loucura. Puxo seu cabelo, sentindo meu corpo explodir em um delicioso e saudoso orgasmo.
Rachel sobe em minha perna, rapidamente. Eu sorrio para a sua urgência e ajudo-a. Minha namorada se move contra mim, me deixando excitada novamente. Em poucos minutos, nós atingimos o ápice mais uma vez. Respiramos fundo, abraçadas e suadas em cima de um piano do palco da Broadway.
– Feliz seis meses, Lucy. – Sorri. — Eu nunca estive tão feliz na minha vida.
– Feliz seis meses, Frodo. – Beijo o topo de sua cabeça. — É só o começo.
– Vamos para casa. – Levanta. – Precisamos de um banho. Juntas.
– Juntas.
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