Meu melhor remédio
49 Eu te perdoo.
Notas iniciais
Por Rachel
– Está linda, meu amor. – Digo, pela centésima vez.
– E se ela não gostar, Rach? – Sussurra.
– Beth é apenas uma criança, Q. – Ajeito a gola de sua blusa. – Ela não vai te julgar ou te apontar o dedo.
– Motivos pra ela fazer isso não faltam.
– Não diga besteiras. – Repreendo-a. – Ela vai te adorar. Fique calma.
A loira respira fundo, fechando os olhos. Eu beijo sua têmpora suavemente. Quinn sorri de lado, me puxando para perto. Depois de tantos dias esperando, o final de semana marcado para irmos para a casa de Shelby havia chegado. Passamos a noite inteira em claro, conversando sobre o quão importante esse encontro será para nós duas. Me sinto nervosa, quase sem coragem de sair, mas Quinn tem um brilho indescritível no olhar e eu não posso falhar agora. Faremos isso juntas, como o prometido.
Minha namorada se afasta, ligando para Puck. O moicano ficou de nos esperar na casa de Marley para que pudéssemos ir juntos. Assim que ela desliga o celular, segura firme minha mão e me encara, me fazendo esquecer para onde estamos indo. Dou um beijo demorado nela, querendo mostrar todas as minhas emoções. Instantaneamente, sinto meu corpo relaxar. Quinn é uma espécie de calmante.
A loira dirige, cantarolando baixinho. Eu a acompanho na música, olhando o movimento na rua pela janela do carro. Franzo a testa ao vê-la dobrando na rua errada.
– Por que você entrou aqui? – Pergunto, confusa.
– Quero te mostrar algo. – Sorri, estacionando. – Não saia. – Pede, abrindo a porta. Tento perguntar o que está acontecendo, mas ela arrodeia, abrindo o meu lado. – Devagar, venha. – Me estende a mão.
– O que está fazendo? – Murmuro. – Ei!! – Ela tapa os meus olhos. – Quinn, eu vou cair, não consigo enxergar.
– Não vai, Frodo. – Ri. – Confie em mim, eu vou te guiar.
Faço o que ela pede, seguindo seus passos no escuro. Depois de um tempo, nós paramos. A loira me posiciona.
– Ok, pronta?
– Sim... – Sussurro. – Eu acho.
Ela tira a venda de meu rosto. Eu pisco os olhos, recuperando o foco. Meu coração congela. Dou mais alguns passos em direção ao cartaz enorme anunciando Spring Awakening.
– Oh, meu Deus. – Sinto minha garganta fechar.
– Seu nome, amor. – Me abraça por trás, levando minha mão para onde está escrito “Estreando: Rachel Berry”. – É você...
– Sou eu. – As lágrimas começam a cair de emoção. – Sou eu, Lucy. Sou eu.
– Sim, futura estrela da Broadway. – Sorri, limpando meu rosto. – Falta pouco agora.
Eu giro em seus braços, escondendo meu rosto em seu pescoço. O som dá risada de Quinn me faz estremecer. Ela passa as mãos nas minhas costas, suavemente.
– Não é sonho. – Falo contra sua pele.
– Não. – Se afasta, encostando nossas testas. – Você está fazendo isso.
– Oh, meu Deus. – Repito.
– Daqui a uma semana vou ter uma namorada famosa e um par de fotógrafos nos cercando. – Brinca.
– Eu te amo. – Beijo seus lábios rapidamente. – Sem você, eu não conseguiria.
– Você é Rachel Berry, sempre conseguirá. – Alisa minha bochecha, enquanto eu nego com a cabeça. – Eu também te amo. Muito.
Suspiro, descansando em seu peito. Um filme roda em minha cabeça. Tudo o que aconteceu no colégio, todo o meu esforço, Glee... Estou a uma semana da minha estreia na Broadway e estou namorando Quinn Fabray, a garota que não me dirigia a palavra, mas que confessou gostar de mim desde lá. Meu amor. Aperto seu corpo, tentando inspirar todo o seu cheiro. Eu nunca pensei que eu fosse ficar assim por alguém um dia.
De repente, eu me sinto forte. É uma nova fase na minha vida. Preciso deixar tudo o que me prende ao passado para trás, junto com ele.
– Vamos. – Me afasto. – Sua filha está te esperando. – Sinto o corpo da loira tremer com minhas palavras.
Eu pego a chave do carro, sabendo que minhas condições são melhores que as dela nesse momento para dirigir. Estaciono na casa de Marley, buzinando. Puck aparece, visivelmente nervoso. Minha amiga o abraça forte, me lançando um olhar acolhedor. Eu sorrio, sabendo que ela está me dando forças também. O moicano entra no carro, estendendo a mão para Quinn segurar. Ela o faz, como se sua vida dependesse desse contato. Sinto um frio na minha barriga.
– Chegamos. – Sussurro. Nenhum de nós três se move.
– Ok. – Quinn olha para a casa no nosso lado.
– Hey, faremos isso, certo? – Puck coloca uma mão em meu ombro. – Tudo sairá bem.
Nós assentimos saindo do carro. Abraço a cintura de Quinn, querendo um pouco de seu calor. Ela passa um braço por meus ombros, puxando-me para perto, enquanto Puck toca a campainha. Respiro fundo, sentindo um beijo demorado em minha testa. A porta se abre, fazendo meu coração saltar. Shelby aparece, com um vestido solto, sua barriga já está aparecendo.
– Boa tarde, gente. – Sorri, nervosa.
– Boa tarde, Sra. Corcoran. – Puck respondeu, desajeitado.
– Sem formalidades, Puck. – Ela empurra a porta, nos dando passagem. – Entrem.
Sinto seus olhos me encararem, mas não levanto a cabeça. Nós entramos na casa enorme. Alguns brinquedos espalhados pelo chão, fora isso, a arrumação é impecável. Vejo uma prateleira de cds e lps em uma parede. Solto Quinn, quase por inercia e caminho em direção a eles. Vários clássicos, alguns pops, outros que eu nunca imaginei que encontraria por aqui. Passo os dedos pelos objetos organizados e bem cuidados, do jeito que eu imaginava para minha casa.
– Então... – A mulher limpa a garganta, me tirando do transe. – Nós poderíamos aproveitar que Beth está dormindo e conversarmos um pouco.
– Claro. – Ouço minha namorada dizer. Eu sento ao seu lado no sofá. – Eu soube... – Quinn olha para a barriga dela. – Puck me contou.
– Oh, sim. – Ela sorri de lado, alisando-a. – É um menino.
– Como... – A loira prende a respiração. – Como isso aconteceu, Shelby?
– Eu te procurei para contar, mas... – Ela me olha. Aperto a mão de Quinn, me controlando. – Bom, eu não sabia como te dizer, na verdade. – Suspira. – Foi muito rápido e... – Dá os ombros. – Apenas uma noite.
– O que? – Ri, incrédula. Eu fecho os olhos. – Ele sabe disso? Ele sabe que te engravidou?
– Calma, Q.
– Tudo bem, Puck. – Shelby diz, suave. – Ela tem o direito de ficar assim. Agora eu entendo o porque. – Seu tom sai melancólico. – Seu pai fe...
– Ele não o meu pai. – Interrompe.
– Ok. – Engole seco. – Russell fez isso por provocação. Ele sabia de Beth. Eu não pensei nisso em nenhum momento. Ignorei o fato dele ser pai da mãe biológica da minha filha e ser casado. Eu realmente... – Ela para. Pela primeira vez, eu encaro seus olhos. – Eu acreditei nele.
– Doente. – Quinn cospe, levantando. – Ele é um estúpido miserável. – Fala, alterada. Eu levanto, segurando-a. Sem que eu fale nada, ela relaxa em meus braços. – Então ele sabe.
– Sim, ele sabe. – Esfrega os olhos. – Me fez ameaças e mandou que eu fosse para o mais longe o possível dele. Daí eu lembrei o que ele te fez.
– Tarde demais. – Resmunga. – Sinto muito.
– Você está certa. – Morde os lábios. – Eu deveria ter pensado nisso antes. Mas, eu não tinha como adivinhar que eu iria engravidar, entende? Eu não podia mais, eu tinha tentado antes e nada. – Viro o rosto. O rumo dessa conversa não está me fazendo bem. – Foi uma surpresa.
– Ele será tio de Beth.
– Eu sei. – Balança a cabeça. – É confuso para mim, para nós... Eu também penso no quão confuso será para ela. Por isso, quis te procurar. Eu queria explicar tudo o que aconteceu, conversarmos sobre isso. Mas... Eu te vi com Rachel e... – Eu congelo ao ouvir meu nome. – Tudo ficou ainda mais confuso.
– Rachel faz parte disso tanto quanto eu. – Me abraça. – Mesmo que não estivéssemos juntas.
– Você está certa. – Sussurra. – Eu só não soube como agir.
– Como sempre. – Consigo falar, finalmente. A mulher assente, triste.
– Eu... – Desvia o olhar. – Vocês querem algo para comer?
– Não, obrigada. – Quinn agradece, educadamente. – Eu sei que ela está dormindo, mas... Nós poderíamos vê-la? Eu prometo que não acordaremos ela, só...
– Tudo bem. – A mulher sorri. Puck entrelaça seu braço no de Quinn. – Só precisam subir a escada e seguir o corredor. O quarto dela é o ultimo.
– Certo. – A loira vira para mim. – Eu vou...
– Boa sorte, meu amor. – Beijo sua cabeça.
– Você vai ficar bem?
– Sim. – Sorrio fraco. – Cuide dela, Puckerman.
– Pode deixar, Rach.
Os dois sobem as escadas, apressados. Eu gostaria de subir com eles, mas sei que não é o momento. Sento no sofá, desconfortável. Shelby senta na cadeira da frente, também sem jeito.
– Quantos... Quantos meses? – Sussurro.
– Três. – Sorri.
– Oh... – Baixo os olhos, brincando com meus dedos. – Você já tem um nome?
– Davi. – Eu assinto.
– Bonito nome.
– Sim. – Suspira. – Rachel, eu...
– Era que isso que você queria, não era? – Solto. – Um filho seu, um bebê. Fico feliz que você esteja realizando esse sonho.
– Eu já havia realizado esse sonho, Rachel. Eu adotei Beth.
– Claro, Beth. – Ironizo.
– Eu já te expliquei o que aconteceu. – Senta ao meu lado. – Eu não podia te criar naquela época.
– E eu entendi perfeitamente. – Digo, firme. – Como eu entendo Quinn e Puck. Mas, você virou as costas para mim, depois de me conhecer.
– Não foi assim...
– Foi, Shelby. – Repreendo-a. – Eu te dei a chance de voltar para minha vida e você simplesmente... Foi embora. Preferiu outra família.
– Eu sinto muito. – Tenta segurar minha mão, mas eu a afasto. – Não existe nada que eu possa fazer ou falar para mudar o que eu fiz. Eu te amo, Rachel, com todo o meu coração.
– Não fale isso.
– É a verdade. Você é minha filha.
– Ah, por favor...
– E eu estou orgulhosa de ver a mulher que está se tornando. – Ela ignora meus pedidos.
– Eu precisei de você. – Sussurro. – Eu precisava de minha mãe.
– Eu sei. – Sua voz falha. – Me perdoe, por favor.
– Eu te perdoo. – Um nó trava em minha garganta. – Eu te perdoo, Shelby, mas existe uma mágoa enorme dentro de mim. – Ela assente, deixando as lágrimas correrem pelo seu rosto. – Não sei como me livrar disso. – Digo, agoniada.
– Me deixa tentar te provar. – Dessa vez ela consegue minhas mãos. – Eu quero fazer parte de sua vida, minha filha. – Um soluço me escapa. – Por favor, Rachel. – Implora.
Eu quebro, sendo acolhida pela mais velha. Agarro sua roupa, explodindo em um choro de mil emoções juntas. Shelby me aperta, me segurando quase como um bebê. Eu posso sentir suas lágrimas em meu ombro.
– Eu perdi tanto de você. – Sussurra.
Por Quinn
Dou um ultimo olhar para Puck, que respira fundo, abrindo a porta. Um cheiro gostoso me invade. Seu quarto é absurdamente lindo. Eu nunca poderia dá-la nada igual. Me aproximo de sua caminha, vendo o pequeno corpo encolhido, coberto. Meus olhos começam a arder. Puck me puxa para mais perto. Oh, meu Deus. Ela é perfeita. Coloco minha mão na boca, evitando um soluço. O moicano me abraça forte, encarando a menina loira agarrada em um urso. Não sei quanto tempo nós passamos assim, apenas admirando-a.
– Ela se parece com você. – Sussurra, quebrando o silêncio.
– Ela tem uns traços seus. – Noto.
– Formamos uma boa fábrica. – Ri, baixinho. Eu belisco sua cintura.
– Deixa só nossas mulheres escutarem isso. – Brinco. Ele suspira.
– Escutarem o que? – Olho para trás. Rachel aparece com um pequeno sorriso e os olhos vermelhos. Eu solto Puck, segurando-a. – Está tudo bem. – Avisa, antes que eu pergunte. Levanto uma sobrancelha. – Depois conversamos.
– Ela ainda não acordou? – Shelby entra, com os olhos igualmente vermelhos. Elas são tão iguais. – Já está na hora. – Fico tensa, vendo-a se aproximar da cama.
– Ela é linda. – Rachel sussurra, me fazendo sorrir.
– Ela é. – Concordo, orgulhosa.
– Beth, amor. – Shelby acaricia suas costas. – Acorda, dorminhoca.
– Hmmm, mamãe. – Repreende. Meu coração dá uma volta. – Quer dormir...
– Você tem visitas. – Instantaneamente, os olhos verdes se abrem. – Lembra que nós conversamos? – A pequena assente, me encarando. – Esses são meus amigos... Puck e Quinn. E essa é sua irmã... Rachel.
– Hey, princesa. – O moicano abaixa. Ela sorri, envergonhada. – Você é muito bonita. – Beth se esconde atrás de Shelby.
– Pare de deixa-la sem graça, Puck. – Rachel ri, abaixando também. – Vem aqui, Beth, queremos te ver. Quem é esse com você?
– Luca. – Sorri grande. – Ele é meu amigo.
– Ah, é? – A morena segura a mão de seu urso. – Luca pode ser meu amigo também?
– Pode. – Beth entrega seu brinquedo para minha namorada. – Ele te medo do esculo. – Sussurra.
– Sério? – Rachel se aproxima do ouvido da pequena. – Puck também tem. – A menina solta uma gargalhada sonora.
– Ei, eu não tenho não. – Puck se finge de ofendido. – Eu sou forte. – Mostra os músculos.
– É... – Ela coloca suas mãozinhas nos braços de Puckerman. Sinto Rachel me puxando para baixo. – Você é bonita.
– Eu? – Sussurro. Ela assente. – Oh, você também é.
– Você também tem medo do esculo?
– Tenho. – Me encolho, brincando.
– Eu te ‘plotejo’. – Segura minha mão. Meu corpo congela. – Mamãe disse que não tem monstlos, não foi, mamãe? – Uma lágrima teimosa desce e eu a enxugo, rapidamente.
– Foi, linda. – Shelby passa a mão em seu cabelo. – Eu vou fazer um lanche para nós. Vocês me esperam?
– Oba! – A pequena vibra, nos fazendo rir. – Você é muito forte? – Volta sua atenção para Puck, que se derrete.
Eu levanto, devagar e saio do quarto. Puxo o ar, tentando controlar minhas emoções. Minha filha... Sinto uns braços me rodearem e viro, escondendo o rosto no peito de Rachel. Me permito chorar, sem aguentar mais. Ela acaricia meu cabelo, sussurrando que tudo está bem. E eu acredito. Me afasto dela. Ela sorri doce, limpando meu rosto.
– Minha filha, Rachel...
– Eu sei. – Sussurra. – Ela é tão linda quanto você.
– É mais, bem mais. – Abro os braços. – Ela é perfeita.
– Sim. – Ri. – Agora pare de chorar e vá aproveitá-la.
Eu beijo sua boca, apaixonada.
– Eu te amo. – Sorrio.
– Eu também te amo, boba.
Rachel segura minha mão, me levando de volta para o quarto. Eu rio ao ver Puck deitado no chão, gargalhando de algo com Beth. Quando ela nos vê, puxa nossas calças, nos fazendo sentar com ela. Meu coração se enche de alivio ao ver a criança linda e saudável que ela é. É bom saber que Shelby está dando o melhor dela. Nós perdemos o tempo brincando com a pequena loira.
Shelby nos traz comida e alguns álbuns de Beth. Eu os vejo, emocionada. As duas contam histórias para nós. Agradeço com um olhar para a mais velha. Ela sabe o quanto isso é importante para mim e para Puck. Shelby assente, entendendo meu recado. Depois de brincarmos por horas, Beth adormece em meus braços. Rachel pede algo para a mãe e as duas nos deixam sozinhos com a criança. Suspiro forte, apertando-a.
– Me perdoe, meu amor. – Sussurro, alisando seu rosto. – Eu sempre quis o seu bem.
– Não tínhamos como te dar nada como isso. – Puck suspira, segurando a mão da loira. – Mas, nós te amamos muito. Certo, Quinn?
– Certo. – Sorrio. – Te amamos muito, Beth.
– Se algum menino te fizer mal, me avise, que eu matarei ele. – Eu viro os olhos. – Ou alguma menina. – Realça. Eu rio.
– Não liga pro seu pai. Você precisa ver como ele fica pior quando está com Marley. – Brinco. Ele me empurra suavemente.
– Marley foi meu remédio. – Explica. — Ela me curou da dor que foi me afastar de você, Beth. – Sussurra. Eu estremeço.
– Como Rachel. – Ele sorri, assentindo. – Mas, não pense nisso agora. Apenas brinque. – Nós rimos.
O moicano dá um beijo na cabeça dela e depois na minha, antes de levantar. Deixo algumas lágrimas correrem, de alivio. Beth se remexe em meu colo. Eu coloco-a na cama, alisando seu cabelo.
– Precisamos ir. – Rach diz, baixo, beijando meu ombro. Eu suspiro.
– Como será agora? – Pergunto, angustiada.
– Será melhor, meu amor. – Eu viro, beijando seus lábios. – De agora em diante, tudo será melhor. – Assinto, encostando nossas testas.
– Vocês são namoradas? – Sussurra, sonolenta. Nos afastamos, assustadas.
– Oh, nós... Nós... – Rachel balbucia.
– Eu gosto. – Sorri. – São bonitas.
– Sério? – Ela assente. – Não tem problema que eu namore sua irmã, então?
– Não. – Acena, divertida. – Eu deixo.
– Ótimo. – Rio. – Era o consentimento que me faltava.
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