Meu melhor remédio

12 Plano de férias.


Notas iniciais
- http://www.youtube.com/watch?v=3QZgzEyFHek

Por Rachel

Dirigi de volta para meu apartamento pensando em tudo o que me aconteceu nos últimos dias. De repente, me deu vontade de acelerar o carro e correr pros braços da loira. Eu nunca imaginei que um dia ficaria assim por uma mulher... por Quinn. Bom, talvez eu tenha ficado atraída por ela em algumas apresentações no glee, mas só talvez. Ela me odiava, afinal. Pelo menos, eu achava isso. Como eu ia querer ficar com alguém que me jogava raspadinhas e me apelidava por nomes que toda a escola adquiria? Mas, vamos lá, estamos falando de Quinn Fabray, quem não teria uma queda por ela?

Estacionei o carro, nervosa. Não nos vimos desde o pedido, que eu fiz o favor de, é, de dormir. Abri a porta, devagar. Ela estava deitada no sofá, brincando com o controle remoto da televisão. Entrei, fazendo-a virar a cabeça para me olhar. Um sorriso iluminou o rosto dela, me contagiando imediatamente.

– Hey, cheg...– Quinn avançou na minha boca, me interrompendo. Soltei um gemido satisfeito por estar matando a saudade inexplicável que eu estava sentindo desse gosto. O ar acaba e ela se afasta aos poucos, deixando sua testa encostada na minha. – O que foi isso? – Ri.

– Não saia mais assim, Frodo. – Murmura rouca, fazendo meu corpo arrepiar com seu tom. – Senti sua falta.

– Ei, você quem me deixou sozinha. Acordei sem meus beijos de bom dia. – Fiz um biquinho e ela mordeu minha boca. – Fabray!

– Berry. – Ela me imita, puxando meu corpo contra o dela e caindo no sofá. – Você precisa de um castigo.

Fecho meus olhos por inercia, sentindo sua boca em meu pescoço. Eu sei que ela vai me deixar boas marcas, mas e daí? Eu preciso disso, é vital agora. Respiro fundo, me deixando levar por seu cheiro gostoso. Ela para e eu abro os olhos, confusa, e os olhos esverdeados estão me encarando. Dane-se. Minha vez de tomar conta de sua boca. Ficamos assim por alguns minutos, apenas nos olhando e nos sentindo. Não precisamos falar.

– Foi o melhor castigo que já recebi. – Eu disse, quebrando o silêncio depois de um tempo. Quinn riu.

– Não é porque ele foi bom que significa que você pode fazer de novo, Frodo. Da próxima vez, faço greve de beijo.

– Ah, você não ousaria. – Mordo seu ombro e enterro minha cabeça em seu peito. – Como foi com Santana?

– Como sempre. Ela está chateada e com uma máscara de que está tudo bem. – Solta um suspiro frustrado. – Santana é uma pessoa sensível. – Eu não seguro uma risada. – Falo sério, ela tem essa pose toda, mas no fundo bate um coração apaixonado.

– Santana está apaixonada por Brittany? – Oh, meu Deus! Levanto a cabeça para encará-la.

– Ei, ela... não, ela... bom, talvez. Rach, vamos deixar isso pra lá. É um assunto entre elas. – Certo, eu entendo. Britt tampouco gostaria que eu falasse sobre seus sentimentos com Quinn.

– Eu queria que elas se entendessem. – Admito, deitando de volta.

– Ah, é? Você não gosta do Sam? – Ela faz carinho no meu rosto.

– Ele é legal. Mas, acho que não combinam. Às vezes ele faz umas brincadeiras estranhas, que eu não entendo direito. – Franzo a testa e Quinn gargalha. – Esqueci que você sabe disso.

– Você está com ciúmes, Frodo? – Sim, droga, sim! Sinto meu rosto queimar. Ela ri. – Sam precisa de alguém que o entenda, que viva no seu mundo. Eu não era essa pessoa. Acho que Britt também não é.

– Vocês terminaram porque você não era a pessoa que ele precisava? – Tentei esconder a irritação, mas ela saiu na minha voz.

– Ele também não era o que eu precisava, Rachel. – Diz firme. – A única pessoa que eu preciso está nos meus braços nesse exato momento, fingindo não saber disso.

Viro meu rosto para encará-la mais uma vez. Seus olhos são sinceros e calmos. Coloco uma mecha de seu cabelo para trás, delicadamente, sentindo seu corpo tremer um pouco. Eu gosto de como ela reaciona ao meu toque. Fecho os olhos, pressionando meus lábios nos dela, tentando faze-la entender que eu estou sentindo o mesmo, por mais confusa que eu esteja. Quinn me ofereceu tranquilidade e conforto, mas acabou me dando muito mais que isso. Ela me trouxe de volta a vida. Me separei, vendo um sorriso torto em seu rosto.

– Como você pode existir? – Sussurro.

Por Quinn

Acordei mais cedo que Rachel. Precisava pensar em alguma coisa para fazer pra ela. Santana mandou mensagens com ideias. Boas, por sinal. Estou tentando juntar tudo em uma só. Mas, por que não começar logo? Voltei para o quarto, sentindo os braços da morena me rodearem assim que deitei. Linda. Sorri, mexendo em seu cabelo. Aos poucos, ela foi abrindo os olhos. Um sorriso pequeno apareceu no seu rosto sonolento.

Bom dia. – Sussurrou.

– Bom dia. Eu não queria te acordar.

– Se todo mundo acordasse assim, ninguém teria mau humor pelas manhãs. – Ela murmura, me fazendo gargalhar.

– Acordou romântica, Frodo? Devo aproveitar isso?

– Só você pode? – Rach faz um pequeno bico.

– Claro que não, meu amor. – Puxo-a para meus braços. – O que você vai fazer nessas férias?

– Eu não sei. Queria sair um pouco daqui, mas não quero ir pra Lima. Faz tempo que eu não vou lá, não tem nada. E meus pais vieram agora.

– O que você acha de viajarmos juntas? – Rachel me olha, franzindo a testa. – Nós poderíamos chamar todos. Sant, Britt, Puck e Marley.

– Isso seria incrível, Q. – Rach salta, batendo as mãos. – A gente poderia ir para algum lugar com montanhas. Não! Poderíamos ir para alguma praia bonita. O que você acha da neve? Ou um campo? Quinn, nós poderíamos...

– Deus, Frodo, você fala muito. – Interrompo seu monólogo. – Por que você não chama Britt e Marley para virem mais tarde? Eu chamo Sant e Puck. Daí nós combinamos melhor.

– Certo. – A morena levanta, procurando seu celular.

– Agora não, Rach. Vamos comer, a comida vai esfriar.

– Que comida? – Ela franze a testa e eu dou um sorriso.

Peguei sua mão, guiando-a em direção a cozinha. Sua boca abriu em um "o" e meu sorriso aumentou, vitorioso. Ela me encarou, com os olhos brilhando e voltou o olhar para a mesa, que está pronta, cheia de comidas e algumas flores enfeitando. Seu copo de vitamina está com um canudo devidamente enfeitado, com uma estrela.

– Quan... Quando você fez isso? – Ela sussurra.

– Um bom mágico nunca revela seus truques. – Passei na sua frente, puxando uma cadeira para ela sentar. Ela o fez.

– E você fala só porque eu disso aquilo quando acordei. – Ela vira os olhos e eu rio. – Não precisava...

– Não precisava mesmo, mas eu quis fazer. – Ela sorri.

– Não me acostume mal, Fabray. – Brinca.

– Tudo pra ter você por perto. – Pisquei um olho.

– Basta você estar também.

Meu coração deu uma volta dentro de mim. Fiquei paralisada, a olhando. Rach me quer por perto. Sim, ela quer.

– Você fez tudo isso pra mim ou você vai comer também? Porque se eu for comer sozinha, eu vou acabar ficando gorda e eu não posso ficar gorda, porque... – Deus, não existe melhor gosto que o dela. Toda vez que nossas línguas se encontram, eu sinto mais vontade de nunca soltá-la. Infelizmente, eu tenho que soltar. – E agora isso?

– Você fala demais. – Provoco, recebendo uma tapa.

Por Rachel

– Nem pensar. – Brittany soltou.

Já estávamos reunidos, fazendo nossos planos. Todos concordaram rápido com a ideia. Bom, todos menos Britt. Tentamos fazê-la pensar melhor, mas a loira está irreversível. O plano era irmos os seis juntos. Um faltando, já estraga tudo. Sentei no sofá com Quinn, enquanto Puck e Marley deitaram no chão, derrotados. Santana está encostada na parede, com uma expressão estranha no rosto.

– Vocês podem ir, gente. Não parem por mim.

– Não tem graça, Britt. Nós estávamos contanto com todos pra isso. – Quinn falou, brincando com minha mão.

– O Sam vai te entender. E qualquer coisa, você o chama pra ir junto. – Marley fala inocente e eu sinto o corpo de Quinn ficar tenso. Olho para a latina, mas ela continua na mesma posição.

– Não é por causa do Sam. – Britt resmunga.

– É por minha causa. – Santana fala, encarando a parede. Ela finalmente se mexe, virando em direção a dançarina. – Eu tentei ter uma boa relação com você. Eu pedi isso, já que estamos no mesmo grupo agora. Mas, você não liga, né? Pra você, tanto faz. Tua raiva fala bem mais alto. – O tom da latina é de mágoa. Meu coração se encolhe com a cena. Todos estão paralisados com a reação dela. Santana pega sua bolsa em cima da mesa e sua chave. – Eu vou embora. Boa noite, gente.

Santana sai pela porta, deixando todo mundo em estado de choque. Claro que todos sabiam o que tinha acontecido entre as duas, mas ela nunca tinha demostrado o quanto isso a chateava. Quinn começou a reagir, levantando do sofá, pra tentar seguir a latina.

– Quinn.– Brittany a parou. – Eu vou.

– Tem certeza? – Britt assentiu. – Por favor, tome cuidado com o que você vai dizer. – Quinn sussurrou, deixando minha amiga sair atrás de Santana.

Puxei Quinn de volta para o meu lado, tentando acalmá-la um pouco. Olhei para baixo e Marley estava tentando fazer o mesmo com Puck. Sorri. Esses três se defendem com unhas e dentes, desde o colégio. Mexer com um, significa mexer com todos. Por isso, ninguém ousava brincar com eles. Nem nos meus maiores sonhos eu cheguei a pensar que um dia estaria dentro dessa amizade.

Por Brittany

Droga, droga, droga. Eu não queria machucá-la. Não de novo. Corri nas escadas para poder conseguir alcançá-la, mas eu não precisava ter corrido. O carro dela está no mesmo lugar. Olhei para os lados e a encontrei sentada no banco do ponto de ônibus, na esquina. Suas mãos seguravam o banco com força. Seus ombros estavam tensos. Cheguei mais perto, com um pouco de medo. A latina levanta a cabeça e me olha. Engulo seco. Ela volta o olhar para o chão. Dou um suspiro forte e me aproximo mais, sentando ao seu lado.

– O que você está fazendo aqui? – Sua voz sai um pouco tremula e eu sinto que eu posso explodir a qualquer momento.

– Eu vim te pedir desculpa. – Consigo seu olhar outra vez. – Pelo o que eu disse no bar e por hoje.

– Você só falou o que sente. – Ela encolhe os ombros.

– Falei com raiva, no entanto. – Admito. – Eu não acho que nosso beijo foi um erro. – Uma lágrima cai no rosto dela e eu me seguro para não me aproximar mais. – Eu tinha muita mágoa dessa história. Bom, eu tenho. Não tem motivo, eu sei. Foi só um beijo...

– Não foi só um beijo, Brittany. Não diga isso. – Santana me interrompe. – Você acha que eu também não fiquei magoada? Por que tinha que ser eu indo atrás de você? – Abro a boca, mas não sei o que responder. Nunca pensei no seu lado. – Isso. Eu tentei falar com você, mas você simplesmente não me olhava.

– Ah, Santana. Por favor, você ficava com qualquer um ali do colégio. O que você iria querer comigo?

– É isso que você pensa? – Ela fala um pouco irritada e eu estremeço. – Se for, Brittany, pode ir embora.

– Eu quero entender você. Quero tentar, por eles.

– Por eles? – Ela ri sarcástica. – Eles não precisam que você me entenda. Pode voltar para lá.

– Faço por mim também. – Garanto. – Já faz muito tempo, talvez devêssemos superar isso.

– Eu gostava de você. – Mordo forte o lábio, tentando segurar minhas lágrimas. Gostava. Passado. E daí, Brittany? Você tem namorado, se controle. – Eu só não tinha coragem o suficiente para admitir. Nunca quis te usar, ou te machucar. Eu nunca faria isso.

– Foi muito importante pra mim, Santana. Pode não ter sido sua intenção, mas foi como eu me senti. Você é Santana Lopez, afinal. Seu histórico não era confiável, eu não correria o risco de ir atrás de você e levar um fora. – Ela abaixa a cabeça, tremendo. Por que ela está assim? Inferno. – Eu sinto muito.

– Eu sinto muito, Britt. Eu não queria ter sido uma vadia no colégio. – Santana quase grita. – Eu fui uma idiota.

– Você não foi idiota, apenas... Aproveitou a popularidade de outra forma. E não teria dado certo, de qualquer jeito. – Ela me encara. – Eu... Eu não sou gay.

– Você não é. – Ela ri baixo, balançando a cabeça.

– O que foi? – Franzo a testa.

– Você ainda diz que eu não sou idiota. – Santana coloca as mãos no rosto. – Você gosta do Sam?

– Sim, eu gosto. – Agora eu não tenho certeza se mais que você.

– Ele te faz feliz? – Ela murmura entre as mãos e eu agradeço por ela não estar olhando para mim e vendo toda a minha dúvida.

– Sim, ele faz.– Não sei se mais do que você poderia fazer.

– Eu espero que ele te mereça. – Santana levanta sorrindo de lado e me estende a mão. – Você não quer ir mesmo viajar?

– Eu quero muito. – Sussurro, envergonhada.

– Tudo bem por ele?

– Ele vai viajar com a família de todo jeito.

– Então, eu não vou te morder. Eu prometo.

Eu levanto, aceitando sua mão. Uma corrente elétrica passa pelo meu corpo. Ela sorri e eu devolvo o sorriso. Voltamos para o apartamento das meninas, abrimos a porta e encontramos os dois casais de beijando. Santana vira os olhos e eu prendo uma risada.

– Se vocês ficarem desse jeito lá, eu juro que chuto vocês de volta para NY. – Os casais se separam e olham surpresos para nós. Sinto os olhos deles irem em direção às nossas mãos e Santana aperta um pouco, mostrando que estava tudo bem.

– O que você quer dizer com isso? – Puck levanta a sobrancelha.

– Que eu vou te chutar tão forte que...

– Não, Santana. A outra parte. – Quinn vira os olhos.

– Ah... Brittany, por que não diz você? – A latina me sorri.

– Arrumem as malas porque nós iremos viajar!!!!

Os quatro levantam em um pulo, gritando, e nos abraçam. Talvez fosse uma boa ideia...

Notas finais
Eu já tinha boa parte da história completa. Quando decidi postar, sai mudando tudo, mas a ideia ainda é a mesma. Então, eu vou tentar postar sempre. Mas, quero saber a opinião de vocês, assim eu vejo o que tiro ou o que acrescento, se eu paro ou não. Enfim, eu continuo contando com vocês. :**