Meu melhor remédio
13 Faberry.
Por Quinn
– Vocês trouxeram tudo? Então, nosso voo sai às 2hrs, precisamos estar no aeroporto uma hora antes, para arrumarmos as coisas, porque se nos atrasarmos, vamos ter que correr, e daí esqueceremos algo importante e...
– Basta, por favor, basta.– Santana jogou as mãos para o alto. – Quinn, cala a boca dessa anã porque ninguém aguenta mais.
– Ei, estou tentando nos organizar, porque se depender de você, nós seremos uma bagunça.– Rachel aponta um dedo, irritada.
– Já passamos os horários dez vezes, meu Frodo. – Puxo a morena para meus braços e ela relaxa. – Não vamos nos atrasar. Por que você não dorme um pouco, antes de irmos? Prometo te chamar na hora certa.
– Você promete? – Ela faz o seu adorável bico e eu sorrio, hipnotizada, prestes a beijá-la.
– Oh, sim, ela promete! – Santana nos interrompe, empurrando Rachel para longe de mim. – Vá dormir, Berry. Se você quiser, eu coloco até despertador, mas vai dormir.
Rachel virou os olhos para a latina, me deu um beijo curto e foi em direção ao quarto que Britt já estava dormindo, acompanhada de Marley.
– Ela pode ser gostosa, Q, mas é muito chata. – Santana murmura, arrancando uma risada de Puck.
– Ela não é chata. – Defendo. – É só um pouco elétrica e dramática, mas...
– Mas, você está apaixonada e não conta.
– Para de perturbar a loira, Santana. Todos nós sabemos que você gosta da Rach. – Puck passa um braço atrás de mim e eu estiro língua para a latina.
Adormecemos também para descansarmos um pouco. Ao contrário de todas as paranoias de Rachel, a viagem foi super tranquila. Chegamos no tempo certo, pegamos o voo no horário marcado, tudo bem organizado. Minha morena dormiu no meu ombro, durante a viagem. Britt acabou fazendo o mesmo com Santana, que tinha um brilho forte no olhar, provavelmente amando aquilo. Sorri ao ver essa cena. Tão louco é ver minha melhor amiga apaixonada assim. Puck dormiu no ombro de Marley, que estava lutando para não fechar os olhos e dormir também.
Chegamos no tempo previsto. Agora estamos em um taxi, indo para a casa que alugamos. Claro, tivemos que nos dividir em dois carros. A cidade parece ser bem pequena, mas tem uma aparência aconchegante. O lugar que escolhemos fica um pouco mais distante da cidade, em um bosque. Não é isolado, existem várias casas por lá. Todas para temporadas de férias. O carro parou na frente de uma casa de primeiro andar. Sim, é essa. Rachel dá um grande sorriso antes de descer e eu retribuo, segurando sua mão. O lugar é lindo e calmo. É...
– Perfeito. – Brittany sussurrou e todos assentiram.
– Deus, é maior do que vimos na internet. – Santana lembra. É verdade. Não parecia ser tão grande assim.
– Bem, lá em cima tem dois quartos e aqui em baixo mais dois. A cozinha está abastecida, mas se precisarem de algo, é só irem para a cidade que tem bastante mercado por lá. – Dani, a dona da casa nos apresenta tudo e sorri.
– E se eu quiser companhia? – Santana sussurra e eu dou um soco no braço dela. Sério que ela vai dá em cima da menina? Certo, ela é bonita, mas Britt está aqui. Sorte que Dani parece não ter escutado a latina.
– Muito obrigada, Daniela. – Rachel aperta a mão dela, recebendo as chaves da casa. – Nós ficaremos bem, não se preocupe.
– Qualquer coisa, o número do meu celular está na portada geladeira.Me liguem e nós resolvemos tudo.
– Eu ligarei, pode ter certeza. – Deus, Santana é impossível. E, espere, Dani está sorrindo e eu conheço esse sorriso. Ela gostou da latina.
– Estarei esperando. – Dani pisca um olho e Santana sorri vitoriosa. – Agora eu vou indo, descansem e aproveitem o lugar.
A menina vai embora e nós puxamos nossas malas para dentro.
– Um quarto de cima é nosso. – Puck avisa, abraçando Marley.
– Eu quero um de cima também. – Rach fala, me olhando.
– Por mim, tudo bem. Ficamos nós quatro em cima, então. – Sorri, segurando a cintura da morena, deixando um beijo em seu pescoço.
– Nós podemos dividir um quarto, para não ficarmos sozinhas, se você qui...
– Não precisa. – Britt corta Santana. – Um quarto para você, outro pra mim. – A dançarina pega sua mala e some no corredor.
– E o que eu fiz agora? – A latina pergunta.
– Além de dá em cima da dona da casa? – Puck ironiza.
– Ei, eu não posso? Por que diabos ela ficaria com raiva disso?
Marley intercalou uma olhada com Rachel e assentiu, indo atrás da loira. Nos instalamos no quarto. O nosso é enorme, tem uma janela com uma vista melhor ainda. Nós poderíamos morar aqui. Imagina? Um monte de minis Fabray-Berrys correndo pela casa e eu e Rach fazendo amor até cansarmos.
– No que você está pensando? – Rachel me abraça por trás e eu tento esconder meu rosto vermelho. – Ei, agora eu quero saber. – Ri.
– Eu... Só... – Limpo a garganta. – Só... Bem, eu só...
– Quinn, respire fundo. – Ela ri e me vira, ficando de frente.
– Só estava imaginando como seria morarmos aqui. – Encolho os ombros e ela enterra a cabeça no meu pescoço.
– Seria perfeito. – Sussurra, fazendo meu corpo tremer.
Levanto seu rosto para olhá-la, tinha sinceridade nessas palavras. Dei um beijo suave em sua boca, que logo se intensificou e começou a ficar quente. Está cada vez difícil me controlar com ela. Tudo que eu quero é fazê-la minha. Um barulho na porta nos afasta de vez.
– Vocês estão com roupa? – Santana grita e a morena morde o lábio.
– Santana, ligue pra Dani e pare de nos atrapalhar. Nesse momento eu tenho as mãos na...
– Calada, Berry. – A latina adverte e nós prendemos o riso.
– Hey. – Abro a porta, vendo minha amiga virar os olhos. – O que você quer?
– Vocês querem comer alguma coisa? Eu estou com o estomago gritando, preciso almoçar.
– Quando você não está com fome, Santana?
– Quando você ficou atrevida, anã? Perdeu o medo de mim?
– Parem. – Afasto as duas, bufando. – Vamos comer.
– Sai. Eu quero ir com a anã, estou começando a gostar dela. – Santana abraça Rachel e sorri, ganhando outro sorriso de volta.
Fico vendo de boca aberta as duas descerem as escadas abraçadas. Quem as entende? Brittany voltou para a cozinha com Marley, pedindo desculpas pelo comportamento, alegando estar cansada pela viagem. Troquei um olhar silencioso com Puck. Não era isso, sabemos. E infelizmente, não existe nada que possa fazer a dançarina se dar conta de que seu namoro com Sam é um erro. Somente ela precisa perceber. Ao parecer, a conversa com Marley serviu para algo, porque o clima voltou ao normal logo. Almoçamos e rimos com as diversas brincadeiras que saíram.
Enquanto não temos nenhum plano para nosso primeiro dia aqui, Santana teve a ideia de vermos um filme. Claro, eu, ela e Puck queremos terror. Britt quer uma comédia, Marley um romance e Rachel... Ah, não preciso dizer o que Rachel quis assistir. Mas, ninguém aguentava mais seus musicais.
– Somos maioria, aceitem. – Santana decretou.
– Eu gosto de filmes de terror, mas acho que a graça deles é assistirmos a noite. – Marley falou, brincando com os dedos de Puck.
– Ela tem razão, morena. – Concordei e Santana assentiu pensativa. – Vamos procurar um que todos queiram.
– Idiota, agora vamos ter que ir dormir com medo. – Rachel sussurrou para Marley, batendo na sua cabeça, fazendo todos rirem.
– Ah, não, San! Esse filme só tem indecência. – A censurei, segurando o dvd que ela tinha nas mãos.
– E você virou santa desde quando? Tão pura. – Falou irônica, apertando minha bochecha enquanto eu corava. Ela gargalhou. – Não tem nenhum santo aqui, na verdade.
– Tem certeza? – Marley perguntou tímida.
– Oh, linda. Elas sabem que a gente...
– PUCK. – A morena gritou, nos fazendo rir. – Não falo sobre a gente.
– Bom, vocês já fizeram, Britt também, Quinn e Rach já fizeram. Não juntas. Não que eu saiba. – Completou e eu joguei uma almofada nela, gargalhando. A pequena só paralisou.
– A Rach não... – Britt a olhou com a testa franzida. – Você perdeu a virgindade?
– Eu... Eu... É... – Rachel balbuciava me mandando um olhar de socorro.
E nessa hora eu entendi tudo. Claro que ela disse. Lembrei-me do dia dessa conversa. Foi o dia que ela confessou o que tinha acontecido. De fato, ela tinha perdido. Mas, não do jeito certo. Eu não sabia que ela era virgem quando o estúpido a pegou. Me senti triplamente pior pela pequena. Queria levantar daqui, pegar uma arma e atirar na cabeça do desgraçado. Santana também percebeu e me mandou um olhar de desculpa.
– Eu estava brincando. – A latina falou rápido. – Só queria chatear a anã e dá uma ajuda a loira.
– Obrigada, San. – Ela sabia que não era por isso que eu estava agradecendo e assentiu, Rachel sorriu, agradecendo também.
– Certo, e então? – Puck falou. – Vamos assistir ao filme ou não?
Assistimos. Foi a melhor ideia que ela já teve ao coloca-lo. O filme nos rendeu boas risadas, pipoca, refrigerante, como nos velhos tempos. Britt aproveitou o tempo para se aproximar mais de Santana. Agora as duas assistiam à televisão, encostadas uma na outra, sentadas no chão. Sorri ao vê-las. Rach deitou no sofá, com a cabeça em meu colo, sendo alvo de brincadeiras feitas por Santana, que resultavam em mais risadas de todos. Rachel também ria, mas queria se mostrar ofendida. Puck também fazia brincadeiras, adorando provocar Brittany.
Por Rachel
Depois do filme, Santana acabou adormecendo no chão com Britt. Resolvemos não acordá-las. A latina não tinha dormido desde que saímos de NY. E Britt... Ah, ela está dormindo nos braços de Santana. Não atrapalhemos esse momento, certo? Puck saiu com Marley, procurando lugares para irmos. Aproveito que Quinn está no celular, para subir e deitar um pouco. Fico pensando no que Santana falou antes do filme. Eu definitivamente odeio falar sobre isso. Odeio o que esse assunto me causa. Mas, eu senti, pela primeira vez depois de ter confessado a Quinn, necessidade de falar. Vi a expressão que Britt e Marley fizeram, elas não mereciam estar por fora. Queria tanto ter coragem o suficiente.
Suspiro forte e sinto Quinn me abraçar, colocando a cabeça no meio peito. Sorri. Eu adoro deitar em cima dela, mas eu sinto um carinho especial quando ela o faz. É tão bom sentir a respiração dela em mim.
– Você está bem? – Ela sussurra, aumentando o meu sorriso.
– Seria brega dizer que estou melhor agora? – Franzi a testa.
– Acho que sim. – Ela ri e eu a aperto.
– Então, vou só dizer que eu estou bem. – Deixo um beijo em sua cabeça, sentindo suas mãos fazendo carinho em minha pele.
– Vamos sair a noite? Só você e eu?
– Quinn... – Ela vira o rosto para me olhar. – Dane-se, vamos.
Nos beijamos. Nossos beijos estavam ficando diferentes. Não ficaram ruins, nunca! Pelo contrário, estão cada vez melhores. Mas, estão cheios de desejo, de ambas as partes. Talvez Santana esteja certa, Quinn já esperou muito e eu também não aguento mais. Coloco uma mão por baixo de sua blusa, arranhando de leve suas costas. Quinn afasta o rosto e me olha nos olhos. Seu olhar é intenso e faz meu corpo inteiro tremer. Puxo seus lábios com os meus, mais uma vez, arrancando um gemido suave da loira. Sorri. Ela quer tanto quanto eu. Viro nossos corpos, ficando em cima dela. Quinn arqueia a sobrancelha, surpresa. Deixo pequenas mordidas em seu pescoço, fazendo com que ela prenda a respiração e feche os olhos. Suas mãos estão segurando fortemente minha cintura. Começo a tirar minha blusa, sem me separar dela.
– FABERRY. – Santana grita do andar de baixo, nos assustando. Solto um suspiro frustrado e Quinn ri. – Puck está chamando a mais de uma hora, desçam logo. Ninguém quer esperar a sessão de caricia de vocês.
– Faberry? – Sussurro para Quinn, que abre um sorriso lindo.
– É a junção dos nossos sobrenomes. Vamos lá, eles devem ter achado alguma coisa boa.
– Mas, não íamos sair só você e eu? – Murmuro triste.
– E vamos, meu Frodo.
A loira beija minha testa, meu nariz e desce para minha boca, sorri, aceitando seu beijo e esquecendo, mais uma vez, o mundo lá fora.
– EU VOU CHUTAR ESSA PORTA. – Santana grita.
– Eu realmente odeio essa latina.
– EU OUVI ISSO, BERRY. Agora saiam dai. AGORA.
Quinn me olha, levantado da cama. Solto um gemido pela falta de seu corpo. Ela sorri, estirando a mão e me puxando para fora do quarto. Essas semanas vão ser as melhores de minha vida. Eu tenho certeza.
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