Meu melhor remédio
14 Mine.
Notas iniciais
Por Quinn
Puck e Marley conversaram com os vizinhos e descobriram lugares incríveis para conhecermos. Mas, como eu prometi para Rachel que sairíamos só nós duas hoje, combinamos de começar nossos planos amanhã cedo. Afinal, passaremos um bom tempo por aqui. Decidimos jantar fora. Rach colocou uma camisa solta e uma calça jeans, que ficou perfeita em seu corpo. É tão diferente de como ela se veste em NY. Quase desisto de sair para voltarmos para o quarto e continuarmos o que Santana atrapalhou. Claro que eu teria ido até o fim, se não fosse pelos gritos da latina, mas depois eu a agradeci por isso. Eu quero que minha primeira vez com Rach seja algo inesquecível.
Dirigi o carro de Dani com minha morena até a cidade. Pegamos apenas vinte minutos de lá para cá. Rodamos um pouco e eu apontei um restaurante iluminado, com alguns carros estacionados na frente. Rachel assentiu e paramos nele. O local não é de luxo. Bom, não estamos em uma cidade grande. Mas, é definitivamente agradável.
– Quinn, isso é demais. – Rach sorri, batendo palma silenciosa. – Papai disse que quer foto de tudo.
– Você vai ter que fazer um relato quando chegar em casa, Rachel. – Rimos. Eu sabia que ela estava falando de Leroy. Com o tempo, eu aprendi a diferenciar seus dois pais.
– Preciso contar tudo? – A morena morde o lábio, maliciosa e eu levanto uma sobrancelha. – Tudo, tudo?
– Vamos lá, Frodo. Você não precisa dar detalhes.
– Pretendemos fazer algo? – Sussurra e eu gargalho.
– O campo te deixou quente, Berry? – Provoco.
– Você me deixa assim. – Ela fala baixo e meu corpo estremece.
– Pare com isso ou teremos que voltar agora mesmo.
O jantar chegou rápido e estava tudo delicioso. Rachel pediu a sobremesa, antes de irmos andar a pé pela cidade.
Por Brittany
Depois que comemos, Marley e Puck saíram de novo, dizendo que iriam se encontrar com os vizinhos. Eles nos chamaram para ir também, mas assim como Santana, eu estava cansada. Entrei no meu quarto e vi três chamadas perdidas de Sam. Droga! Suspirei forte. Esqueci de ligar para ele, avisando que tinha chegado. Ele deve estar furioso. Alguns minutos a mais não vai mudar muita coisa, certo? Resolvi tomar um banho frio, sentindo meu corpo relaxar. Ok! Chega de adiar. No primeiro toque, o loiro atende.
– Eu espero que seja a Brittany ligando, porque eu não estou preparado para receber notícias ruins agora. – Ele resmunga.
– Desculpa, Sam. – Sussurro. – Eu cheguei cansada, adormeci. Depois perdemos o tempo e...
– E você esqueceu de me ligar. Tudo bem, Brittany.
– Não está tudo bem. – Sentei na cama com a mão na cabeça. – Você está chateado. Não fique assim, por favor.
– Certo. – Ele suspira e eu fecho os olhos, me sentindo culpada. – Como foi a viagem? Vocês já estão na casa?
– Foi tranquila. Nossa, Sam, é tudo lindo aqui. E a casa é realmente grande. – Sorri. – Você iria amar.
– Estou sentindo sua falta. – Meu coração congela.
– Eu... Eu também, amor. – Tirando o fato de eu esquecer que tinha um namorado quando pisei aqui. – Como estão seus pais?
– Estão bem. – Escuto uma voz atrás dele. – Minha mãe está me chamando agora mesmo. Você lembra de me ligar amanhã?
– Sim, eu ligo. Desculpa, Sam.
– Eu te amo, Britt. Aproveite sua viagem.
– Eu também te amo.
Desliguei o celular respirando um pouco pesado. Preciso respirar. Preciso de ar puro. Caminhei em direção a varando e ouvi um som. Violão. Logo a voz de Santana começou a soar no ambiente. Sorri. Ela sempre cantou tão bem. Me aproximei mais, ficando atrás da porta. Santana está sentada no chão, com um copo de vinho do seu lado. Ela está cantando baixo, mas é lindo ainda. Parece estar cantando apenas para ela. Encosto a cabeça no vidro, ouvindo a melodia de Mine de Taylor Swift. Senti meus olhos ardendo, acumulando lágrimas. Respirei fundo quando a latina sussurrou a última frase da música. Esperei alguns segundos e entrei na varanda. Santana olhou para cima e ergueu a taça de vinho, oferecendo, neguei com a cabeça e sentei ao lado dela.
– Bebendo sozinha? – Você está vendo alguém mais aqui, imbecil?
– Olha o céu. – Olhei para cima e sorri. Está estrelado e é lua cheia. – Isso precisava de um bom vinho e música.
– Você tem razão. – Ela assentiu, me oferecendo outra vez o vinho. Aceitei. – Bom vinho, música e companhia. – Completei, tomando um gole. Ela me olha confusa. – Você deveria ter me chamado antes.
– Oh, desculpa.– Santana cora um pouco. – Você foi tomar banho e eu não quis te atrapalhar.
– Bom, agora você não precisa mais fazer isso sozinha. – Bato minha taça na dela, como um brinde. Ela sorri torto.
– Eu já estou acostumada. – Eu a encaro. – Minha abuela gostava de ver as estrelas comigo. Mas, depois do que aconteceu, eu tenho feito isso sozinha. – Os olhos da latina estão cristalinos.
– Eu sinto muito pelo o que aconteceu. Deve ser terrível contar isso, sofrer preconceito na própria casa.
– Eu não me arrependo, no entanto. Minha avó pode ter me virado as costas. – Ela limpa a garganta quando a voz falha. – Mas, meus pais me acolheram. Depois que eu me assumi, sinto como se nada mais pudesse me derrubar. Esconder estava me matando.
– Imagino. Minha mãe seria a primeira a parar de falar comigo se eu dissesse algo assim lá em casa.
– Você acha que sua mãe não aceitaria? – Santana encosta a cabeça na parede, tomando mais um gole do vinho.
– Nunca. – Murmuro. – Ela me mandaria para o inferno.
– Uma coisa que aprendi com isso tudo, é que quando uma pessoa tem certeza de algo que, consequentemente, precisa para ser feliz, nada mais importa. – Santana me encara. – Você tem sorte de ter o Sam e sua felicidade não precisar passar por desafios maiores.
– Sim, eu tenho. – Não estou tão certa disso. – Você... Você não teve medo das pessoas te julgarem? Digo, eu morreria de medo.
– Uh, é assustador mesmo. – Riu e eu engulo seco. – Existem pessoas que não ligam pros teus sentimentos, nem sequer sabem que você os tem. Algumas vão te apontar e falar coisas que vão ficar rodando no teu ouvido. Mas, essas pessoas sempre vão existir, independente de tua sexualidade, tua cor ou tua religião. Elas estão ali pra te julgar e só.
– Como minha mãe. – Senti um nó na minha garganta.
– Talvez.– Suspirou, passando um braço atrás de mim em um meio abraço. Apoiei minha cabeça em seu ombro.– Mas, existem pessoas maravilhosas, que vão te apoiar ou pouco se importarem com suas escolhas, que vão te respeitar ou só não se meterem. E tudo vale a pena.
– Você é muito corajosa. – Murmurei.
– Só fiz o que tinha que ser feito. – Santana beija minha cabeça e eu seguro o impulso de beijá-la. – Vamos cantar?
– Eu sou melhor dançando. – Sussurro, ainda pensando em suas palavras. A latina ri fraco e se afasta para pegar o violão.
– Então, dance. – Ela sorri.
Por Rachel
Voltamos para o bosque, mas Quinn não quis ir para casa logo. O céu está lindo, ela queria sentar em algum lugar para ficarmos em paz um tempo. Achamos um canto calmo, com árvores altas e uma grama baixinha, confortável. A loira deita e me puxa junto.
– Você é tão linda. – Quinn sussurra, me fazendo corar. – Quando você vai parar de ficar com vergonha de mim?
– Eu ainda não me acostumei com seus elogios. Você passou boa parte do colégio me chamando de nomes ofensivos. – Lembro.
– Sinto muito. – Ela senta, olhando para longe.
– Ei, tudo bem. – Sento ao lado dela, rodeando seus ombros com meus braços. – Já faz tempo, Quinn. E eu não me importava.
– Eu fui uma vadia com você. – Murmura.
– E eu já disse que está tudo bem. Será que dá para você esquecer isso e deitar aqui comigo de novo? Eu realmente tinha planos melhores do que ficar relembrando o noss...
A loira me interrompe com um beijo. Deus, eu odeio quem me interrompe, mas as interrupções de Quinn são as melhores. Ela cai por cima de mim, nos deitando outra vez. Minha respiração começa a acelerar. Sinto sua boca mordendo minha orelha e solto um gemido sonoro. Quinn ri, mordendo novo. Desço minhas mãos para a suas pernas, apertando suavemente. Agora foi a loira quem gemeu. Sorri vitoriosa. De repente, não tem mais jogo. Somos só nós duas aqui, queimando em um desejo inexplicável. A boca de Quinn se apodera de meu corpo. Ela deixa um beijo na minha barriga e meu corpo treme pedindo mais. Puxo a camisa dela e ela me ajuda a tirá-la.
Isso, eu, Rachel Berry, tenho Quinn sem camisa e me beijando em todos os lugares. Como ela é linda! Ver seu corpo aumenta mais o meu desejo e eu me apresso a tirar a minha também. A loira coloca uma mão em meu seio e eu engulo um grito de prazer. Seus toques são tão suáveis e apaixonados, tão diferentes de... Oh, não! Deus, não, por favor, eu não posso lembrar isso agora. Tento não perder a concentração, mas o embrulho já mexe com meu estomago. Maldito seja.
– Eu sou louca por você. – Quinn sussurra rouca.
– Sou louco por você. Sempre fui.
Fechei os olhos, tentando afastar as lembranças.
– Eu... Te quero muito.
Inútil. Sinto vontade de vomitar. Empurro Quinn, de leve, apenas para poder conseguir respirar melhor. A loira me olha assustada.
– Você está bem? – Ela senta. – Rach, o que há de errado?
Eu enterro minhas mãos no rosto. Quinn tenta me abraçar, mas eu me afasto. Um soluço sai pela minha garganta.
– Eu te machuquei? – A voz da loira é apreensiva e isso só aumenta minha vontade de chorar. – Meu amor...
Ela tenta me abraçar de novo e eu deixo, escondendo minha cabeça em seu peito nu. Quinn me segura firme, como sempre faz quando quer me proteger. E eu me sinto protegida com ela.
– Eu não posso Q, eu não consigo. – Falo entre soluços.
– Shhh, Rach. Está tudo bem, calma. – Faz carinho em meu cabelo e eu sinto meu corpo relaxar. – Me perdoe, meu Frodo, eu não deveria ter ido tão rápido. Você precisa de tempo.
– Mas, eu quero Quinn. – Eu me afasto para encará-la e ela sorri fraco, limpando minhas lágrimas. – Eu quero. Eu desejo tanto quanto você. Mas, eu... Eu... Eu não posso.
– Shhhh... – Ela me abraça. – Eu sei que você quer. E me deixa muito feliz saber disso. Eu prometi te esperar, lembra? Nós iremos superar isso, juntas. Eu vou te ajudar.
– Me desculpa. – Sussurro, envergonhada.
– Berry, não me peça desculpa. – Ela segura meu rosto e beija minha têmpora, carinhosa. – Vamos voltar. Os meninos já devem estar preocupados. Está ficando tarde.
Colocamos nossas camisas e caminhamos para casa, abraçadas. Antes de entrarmos, Quinn me dá um beijo, provando que está tudo bem entre nós. Sorri. Você é perfeita. Chamamos pelos nossos amigos, mas ninguém respondeu. Será que já foram dormir? Quinn olha para mim com a testa franzida e eu devolvo o olhar de confusão. Então, escutamos risadas distantes. Fomos em direção à varanda e os achamos. Santana e Marley tocavam, enquanto Puck cantava para Brittany dançar. Um sorriso apareceu no rosto da loira que me abraçava, me contagiando.
– Uhh, finalmente o casal chegou. – Santana fala e todos olham para nós. – Onde vocês foram?
– Fomos a um restaurante, na cidade, muito bom por sinal. – Quinn respondeu, me apertando. – Estão dando uma festinha sem a gente? Isso não vale.
– Você está bem? – Britt ignora Quinn e se aproxima de mim, pegando minhas mãos.
– Sim, eu estou. – Forço um sorriso, que não convence a loira.
– O que houve? – Ela pergunta só para mim, mas olha para Quinn com um olhar interrogativo. Quinn beija minha cabeça e senta ao lado de Santana, me deixando sozinha com Britt. – Vocês brigaram?
– Não. – Sussurro. – Você pode só me abraçar? – Peço. Brittany rapidamente me envolve em seus braços e eu suspiro cansada, descansando a cabeça em seu ombro. Sorri vendo Santana e Quinn discutindo com Puck, e Marley tentando resolver. Tão eles...
– A gente pode conversar?
– Pode ser amanhã, Britt?
A loira assente, beijo sua bochecha e nos juntamos com os outros, na varanda. Tudo isso me deixou com muito sono. Eu queria ficar acordada e cantar com eles, mas o carinho que Quinn está fazendo no meu rosto está me derrubando. E eu adormeço, sentindo o meu cheiro preferido: O perfume dela.
Fale com o autor