Meu melhor remédio
27 Natal.
Notas iniciais
Por Rachel
Depois de tirar muita brincadeira com o nervosismo de Quinn para oficializarmos o nosso namoro para o meus pais, eu acabei ficando um pouco nervosa também. Claro, é aquele frio na barriga. Eu senti isso quando fui apresentá-los a Finn e até mesmo Jesse. Só que dessa vez é diferente, não só porque ela é uma mulher, e sim porque meus sentimentos são outros. Eu a amo com toda a minha alma. Termino de me arrumar no meu quarto e vou para a sala. Meu coração congela. Oh, meu Deus.
– Você... – Balanço a cabeça, tentando achar as palavras. – Você está linda, Quinn. – Falo, hipnotizada.
A loira está em um vestido azul claro, puxado para o verde, como seus olhos.
– Coloquei sua cor favorita. – Sorri.
– Ela... Ela... – Limpo a garganta, enquanto Quinn gargalha. – Ela realça seus olhos. Deus, Lucy, o que você está fazendo comigo?
– Você também está maravilhosa. – Sussurra. – Eu já falei que eu amo quando você usa essas calças coladas? Suas pernas são surreais, Frodo. Não reclame do que eu faço com você.
– Estamos empatadas, então? – Sorrio. Ela dá um beijo rápido nos meus lábios. – Pronta? – Ela respira fundo e eu prendo uma risada.
– Vamos lá.
Dirigimos para o meu antigo apartamento, quebrando qualquer clima tenso no carro. Ligo o som alto, cantando acompanhada por minha namorada. Eu sei que ela está com a cabeça cheia, que está dividida entre ver a irmã ou ficar com seu orgulho. De repente, me sinto culpada por tê-la deixado ainda mais nervosa. Ela coloca uma mão na minha perna, como se pudesse ler meus pensamentos e sorri. Sorrio de volta, abrindo o portão do prédio para que eu pudesse estacionar dentro. Quinn enche o pulmão de ar ao máximo, soltando-o devagar. Seguro firme sua mão. Ela assente, saindo do carro.
Toco a campainha e Leroy abre a porta, com um sorriso enorme. Hiram aparece atrás dele, imitando-o. Eles abraçam Quinn. Vejo que ela relaxa mais com o gesto dos dois e eu os agradeço mentalmente.
– Como foi a viagem de vocês? – Hiram pergunta, enquanto Leroy nos oferece vinho. Quinn cora suavemente e eu rio.
– Foi perfeita, papai. O lugar era incrível.
– Vocês tiraram fotos, certo? – Leroy pede, ansioso. Troco um olhar cúmplice com a loira.
– Tiramos várias, Sr. Leroy, mas...
– Quinn, por favor. Há quanto tempo você me conhece?
– Eu, ahn... Não sei, digo... muito? – Gagueja.
– Sim, querida, muito tempo. Não me chame de Sr, me sinto velho. – Diz ofendido. Viro os olhos, rindo.
– Oh, desculpe, Leroy. – Ri sem graça. – Como eu ia dizendo, Noah tirou as melhores com a máquina dele, depois ele nos passará.
– Mas, eu tenho algumas no meu celular. – Aviso, fazendo que com que os sorrisos voltem para os rostos dos meus pais. – Depois da ceia eu mostro, no entanto.
A maioria das fotos é de Quinn, ou de nós duas. Seria estranho mostrar antes de contá-los. Leroy ficou chateado, porque queria ver logo, mas de pronto esqueceu. As conversas estavam fluindo bem, as risadas presentes o tempo todo. Eu percebi que minha mão estava entrelaçada com a de Quinn desde a hora que nós chegamos. Com certeza eles já notaram isso. Meu rosto arde. O jantar estava delicioso, como sempre.
– Podemos ver as fotos agora, estrelinha? – Hiram pergunta. Quinn engole seco, mas assente.
– Pai, papai, nós precisamos contar algo. – Aviso.
– Que vocês duas estão namorando? – Abrimos a boca, surpresas. – Vocês achavam mesmo que nós não tínhamos percebido? – Leroy pergunta, incrédulo.
– O que... Vocês... Por que... – Olho para a loira, que ainda está em choque. – Vocês sabiam?
– Nós conhecemos você, Rach. – Hiram fala doce. – Nós vimos o brilho nos seus olhos da última vez que nós viemos. Sabíamos que Quinn tinha a ver com isso. Foi fácil deduzir.
– E está tudo bem? – Pergunto temorosa.
– Você está feliz, filha?
– Sim, claro. Muito. – Digo depressa. Quinn ri um pouco.
– Então, está tudo bem. – Sorri. – Certo, Quinn?
– Ah, sim. Certo. – Ela reage. – Isso... Foi mais fácil do que eu pensei. – Respira fundo. – Hiram, Leroy, eu amo a filha de vocês. Eu prometo que nunca vou machucá-la, nem deixar que ninguém o faça. Ela é a pessoa mais preciosa que eu tenho na vida.
– Oh, Quinn! – Leroy limpa uma lágrima, emocionado. – Nós acreditamos em você. Sabemos que vocês tiveram um passado complicado, mas qualquer um consegue ver essa mudança. Fico feliz que você tenha crescido, Q.
– Eu também, Quinn. – Hiram chama a atenção. – Estamos confiando nesse namoro. Vocês podem contar conosco para qualquer coisa que precisarem.
Eles levantam e abraçam a loira, calorosamente. Meus olhos se enchem de lágrimas. Felizes, claro. As três pessoas mais importantes da minha vida estão aqui. Sussurro um eu amo vocês para meus pais, que assentem, sorrindo. Finalmente, pego o meu celular e mostro todas as fotos que nós batemos. Os dois olham felizes, fazendo comentários hilários. Quinn beija minha mão, carinhosa.
– Eu te amo. – Sussurra.
– Eu amo você. – Sorrio.
Por Brittany
Casa cheia de desconhecidos, metidos, ricos e falsos. Esse é o meu Natal. Suspiro frustrada, pensando na minha latina. Como eu queria estar com ela agora. Só nós duas, ao invés dessa gente insuportável. Será que ela está chateada comigo? Meu coração se aperta. Claro que está. Quem não estaria? Sinto os braços de Sam me envolverem. Fecho os olhos, tentando me controlar.
– Você está estranha, Britt. Aconteceu algo?
– Nada, só estou cansada. – Sorrio fraco.
– Você não descansou? Ontem nem mesmo quis fazer amor comigo. Eu estou com saudade de você.
– Eu sei, Sam. – Murmuro irritada. – Foi uma viagem longa e hoje tive que ajudar em tudo para essa festa.
– Desculpe, eu não queria chateá-la.
– Sam, eu...
– Oh, aí estão. Meu casal favorito. – Minha mãe me interrompe, nos abraçando. – Vejam, esse é Samuel Evans, uma graça, não é? Noivo de Brittany. – O que? Que diabos é isso?
– Para quando é o casamento, querida? – Uma estranha me pergunta. Abro a boca para negá-lo, mas...
– Para breve. – Minha mãe responde. Cerro minhas mãos em punhos, irritada.
Ela puxa suas pseudo amigas e saem. Solto um grunhido irritado. Sam me abraça e eu me deixo descansar em seu peito. Ele não tem culpa de tudo isso. Não tem culpa se eu prefiro ficar com Santana, não tem culpa que minha mãe seja uma louca, não tem culpa por eu tê-lo traído. Sinto-me mal por ele. Aperto ainda mais o abraço, sentindo sua respiração. Sam sempre foi um bom amigo, um ótimo namorado. Eu gosto de ficar na companhia dele.
– Não se importe com isso, amor. – Diz calmo. – Você sabe como ela é. Está tudo bem?
– Cansada de tudo isso. Poxa, nem no Natal nós podemos ter um momento em família? Não aguento ficar me mostrando para essa gente que eu nem conheço, Sam. – Engulo um soluço.
– Shhh, jantamos e saímos daqui. O que você acha?
– Ótimo. – Dou um sorriso sincero para ele.
Nos juntamos a hipocrisia de todos. Não consegui comer direito. Nada me descia. Depois de alguns minutos, levanto e vou atrás de minha mãe.
– Vou deixar o Sam em casa. – Aviso. Olho para os lados para ver se ele está por perto, mas ele está conversando com meu pai. – Talvez eu não volte hoje. – Sussurro.
– Brittany S. Pierce. – Murmura irritada. – Você acabou de voltar de viagem.
– Mas, ele não foi comigo. – Digo como se fosse óbvio. – Tchau, mãe. – Viro os olhos, puxando o loiro para fora de casa.
Por Puck
Ansioso, nervoso não. Na verdade, quero ir logo para lá e matar essa saudade da minha morena. Mas, já tinha prometido ao meu irmão que eu iria passar lá. Chego à casa dele e a sua esposa aparece na calçada.
– Noah, estava te esperando. – Me abraça.
– Hey, Laíse, tudo bem? – Cumprimento, estranhando sua expressão. – Aconteceu algo?
– Aconteceu. – Fico tenso. – Digo, não é nada mal, mas... Foi uma surpresa para o Ian, então resolvemos te preparar antes.
– Você está me deixando assustado.
– Seu pai. Ele apareceu aqui com um rapaz. Aquele... outro irmão de vocês.
– Oh, meu Deus, Laíse. Não diz que ele fez isso. Nós dissemos que não queríamos contato com ele.
– Sim, sim, eu sei. Mas, ele trouxe. Disse que Natal é uma época importante para a família e... Aproveitou.
– Droga. – Suspiro, passando a mão na cabeça. – Ele é simpático, ao menos?
– Ian está quase enlouquecendo com suas conversas. – Ri.
– Deus, ainda bem que eu não vou demorar muito. – Viro os olhos.
Entro na casa deles, sendo abraçado por Ian. Falo com o meu pai, minha mãe e meus sobrinhos. Encaro o moreno mais baixo. Eu já o vi em algum lugar? Franzo a testa, tentando lembrar, mas deve ser impressão. Conhecer um irmão, fruto de uma traição estúpida do meu pai, que eventualmente foi perdoada pela minha mãe, no Natal... É um ótimo começo.
– Noah, esse aqui é o Jake, seu irmão mais novo. – Meu pai nos apresenta, orgulhoso. Trinco os dentes.
Agora eu entendo porque Ian estava enlouquecendo. Que cara insuportável. De repente, acho que se eu o apresentasse ao Sam, eles seriam ótimos amigos. Sorrio com a ideia. Santana iria adorar.
– Como é conhecer mais um Puckerman? – Meu irmão sussurra.
– Só existimos eu e você. – Afirmo. Ian ri. – Isso é apenas um projeto, muito mal feito.
– E aí? Quando eu vou conhecer a cunhada?
– Cunhada? – Bato em seu joelho. – Deus, que horas são? Eu preciso ir para lá.
– Noah está apaixonado. – Ian diz para Laíse. – Vai jantar com ela? Conhecer a sogra?
– Para, Ian. – Sinto o rosto arder e eles gargalham.
– Quem é a garota, filho? – Minha mãe pergunta.
– Nos mostre uma foto dela. – Meu pai pede. Dou um olhar assassino para o casal, que encolhe os ombros. Pego minha câmera e mostro uma foto nossa, na cachoeira. Sorrio. – Uau, é linda.
– Sim, parece ser uma boa pessoa. – Minha mãe vibra e todos concordam. Não posso evitar o sorriso com isso.
– Marley? Marley Rose? – Ouço outra voz. Olho confuso para Jake.
– De onde você a conhece?
– Eu a namorei. – Gargalha.
Não. Por favor, não. Você não é o idiota que quebrou o coração dela. Por favor, você não é.
Por Santana
Ainda bem que serviram logo o jantar. Não aguentava mais ficar naquela casa. Amo todos que estavam lá, mas ter que aguentar o olhar reprovador e as piadas sarcásticas de minha avó, é devastador. Eu achei que, com o tempo, isso passaria. Minha mãe sorriu triste, se despedindo de mim. Devolvi o sorriso, fazendo-a me entender. Caminho de volta para o meu apartamento. Quando chego no meu andar, vejo uma loira sentada em minha porta, com a cabeça baixa. Meu coração acelera.
– Britt? – Pergunto. Ela levanta a cabeça. – Britt, está tudo bem?
– Santana. – Salta, me abraçando. Envolvo meus braços nela, segurando-a firme. Aspiro fundo seu perfume. – Eu precisava te ver, eu precisava falar com você, precis...
Não deixo que ela fale mais. Selo nossos lábios rapidamente, abrindo a porta do meu apartamento. Ela entra, já se despindo. Sorrio. Agarro seu corpo, matando a saudade. Não demoramos muito e fizemos amor ali mesmo, no chão da sala. Ela deita em meu peito, enquanto eu entrelaço seu cabelo com meus dedos.
– Minha casa é insuportável. – Solta. – Tudo lá é uma mentira. Todos são. Eu sou. – Sua voz falha. Eu a aperto. – Eu precisava de algo real. Precisava de você.
– Fico feliz que você tenha vindo. Lá em casa também não foi fácil. – Admito. – O que você fez com o Sam?
– Eu o deixei em casa. Disse que estava cansada. Ele não perguntou nada, ele sabe o quanto aquilo tudo me cansa mesmo.
– E seus pais sabem onde você está? – Pergunto preocupada.
– Para todos os efeitos, estou com ele. – Ela levanta o rosto. – Minha mãe nos apresentou como noivos hoje.
– O que? Ela não pode fazer isso, Britt. – Fico nervosa.
– Eu sei. – Suspira. – Mas, eu vou terminar com isso, San. Não quero enganá-lo. Não quero te machucar.
– Linda. – Sorrio, beijando sua testa. Escuto seu estomago roncar e gargalho. – Alguém está com fome?
– Faminta. – Balança a cabeça. – Eu não consegui comer nada lá.
– Vamos fazer nossa própria ceia, então? – Levanto, segurando sua mão. Ela sorri.
– Soa perfeito. – Me beija. – Eu senti sua falta.
Por Quinn
Estávamos na casa dos Berrys, conversando. Mas, minha cabeça não conseguia sair da minha irmã. Como será que ela está? Mordo meu lábio, me distraindo. Sinto a mão de Rachel em meu ombro.
– Lucy, você quer ir? – Pergunta, colocando sua testa na minha nuca.
– Quero. – Sussurro.
– Segure seu celular, precisamos do endereço. – Ela me vira, em seus braços. A encaro. – Meu amor, tudo vai estar bem. – Assinto, beijando sua boca de leve. – Papais, nós teremos que sair.
– O que? Mas, já? Pensei que vocês iriam dormir aqui. – Leroy faz uma cara triste. Meu coração se aperta.
– Nós voltaremos, eu prometo. – Digo. Rachel me olha confusa. – Eu preciso... Ver minha família. – A frase corta minha garganta, mas minha namorada sorri orgulhosa, me acalmando. Os Berrys acenam.
– Oh, tudo bem, querida. – Hiram diz. – Estaremos esperando.
Ela segura minha mão, com força. Entramos no carro. O caminho foi silencioso. Eu sabia que ela estava me dando espaço e agradecia por isso. Não sei o que estou fazendo, não sei o que dizer. Não percebo que chegamos, até que o carro para na frente de um hotel. Respiro fundo.
Rachel desce, me conduzindo. Meus pés parecem ter paralisados. Ouço-a perguntando sobre o apartamento de Frannie. Abraço seu corpo, tentando me proteger de tudo. Minha namora devolve o abraço.
– Quinn? – Uma voz me chama por trás. Fecho os olhos.
– Hey, Frannie. – Digo virando.
Oh, meu Deus. Minha irmã. Meus olhos começam a arder intensamente. Ela está... Igual. Digo, alguns anos mais velha, mas está a mesma pessoa. Ela dá um passo indeciso em minha direção. Engulo seco. Uma pequena loira sai detrás da minha irmã. Meu coração congela.
– Essa... Essa é minha filha, Quinnie. – Avisa, com as lágrimas descendo. – Elisa, essa é sua tia.
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