Meu melhor remédio

28 Meu melhor presente.


Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=LPftGuOAIuI

Por Quinn

A menina é exatamente igual a minha irmã. Seus olhos claros, bem como o cabelo. Ela levou a pequena mão para o rosto, esfregando seus olhos. Parece estar com sono. Julgando pela hora, ela com certeza está. Eu quase dou um sorriso com o gesto delicado da criança. Mas, eu não consigo. Ela é tão... Pequena.

– Quan... Quantos anos... – Tento perguntar.

– Cinco. – Frannie sussurra.

– Oh, meu Deus.

Coloco uma mão na boca. Isso não está acontecendo. Beth tem cinco anos. Como isso é possível? Ela teria me dito que estava grávida, certo? Ela me ajudaria. Minha cabeça está rodando. Sinto pequenos braços rodearem minha cintura. O cheiro da minha namorada me invade, me fazendo lembrar que ela está aqui.

– Frannie, acho que você não se lembra de mim, mas meu nome é...

– Rachel Berry. – Minha irmã sorri. – A super voz do Glee Club.

– Oh, eu... – Rach cora. – Sim, eu acho.

– Quinn falava muito sobre você. – A morena levanta uma sobrancelha, me encarando. Eu sorrio e beijo sua testa, sem me importar com os olhares.

– Sua filha é muito linda, Frannie. – Rachel segura forte minha mão, enquanto fala. – Mas, parece que ela está com um pouco de sono.

– Ela está sim. – Minha irmã aperta sua filha em seus braços. – Nós andamos muito hoje. Oh, perdão! Vamos subir?

Rachel me olha, procurando uma autorização. Eu tento sair do transe, assentindo com a cabeça. Frannie sorri, nos guiando para seu quarto. O lugar não é muito grande, mas tem uma ótima varanda. A vista de NY sempre vai ser demais. Meu coração bate mais forte quando eu me lembro de nós duas deitadas no topo do nosso hotel, olhando a cidade. Minha irmã parece ter pensado a mesma coisa que eu.

– Você se importa se eu segurá-la? – Rachel pede. Franzo a testa. – Talvez eu possa fazê-la dormir, enquanto vocês conversam.

– Tem... Tem certeza? – Agora quem me pede permissão é Frannie. Me controlo para não virar os olhos.

– Não será nenhum problema. Eu vou estar aqui fora, ok?

Rach me dá um beijo na bochecha. Eu lamento sua falta de contato com minha boca, mas eu entendo. A morena fecha a porta me deixando a sós com minha irmã. Engulo seco. Frannie solta um suspiro arrastado, apontando para a cama. Eu sento em uma ponta, ela em outra. Passamos uns minutos nos encarando. Mas, ao contrário do que acontecia antigamente, não consegui ler seus olhos. Isso me deixou ainda mais nervosa. Estou na frente de minha irmã, mas parece uma desconhecida, ainda que seus traços sejam os mesmos.

– Você está muito bonita, Quinnie. – Diz em voz baixa, tentando quebrar o silêncio. Eu não posso mais...

– Você estava grávida quando eu também estava? – Pergunto de voz, assustando-a. Ela abre a boca uma, duas, três vezes, nada. Eu levanto da cama. – Responde. – Peço seca.

– Estava. – Sua voz não passa de um sussurro. Meus olhos queimam. Vou em direção à porta, mas ela me segura. – Por favor, espera.

– Eu não sei quem é você. – Falo irritada, mas a mágoa sai na frase.

– Sou sua irmã.

– NÃO, VOCÊ NÃO É. – Grito. Ela me solta. – Minha irmã me protegia de Russel quando ele gritava comigo, minha irmã conversava comigo, me contava sobre o seu dia. Minha irmã não me esconderia uma gravidez, muito menos sabendo que eu estava passando o mesmo. Aquele estúpido me expulsou, sabia? Eu tive que passar de casa em casa. Se não fosse por Santana, eu teria surtado. – Respiro fundo, vendo as lágrimas correrem no rosto dela. – Minha irmã nunca me deixaria sozinha.

– Me perdoe. – Ela senta, tapando o rosto com as mãos. – Por favor, me perdoe.

– Por que você fez isso, Frannie? – Suplico.

– Porque eu não podia voltar. – Sussurrou. – Russel me ameaçou várias vezes. Eu conheci o Rubens, engravidei, nós nos casamos e... – Minha irmã começa a soluçar. Meu coração afunda. – Ele me traiu. Ele me traiu. E... E eu fiquei com medo de ser como a mamãe. Senti-me covarde. Eu queria voltar, mas não sabia como.

– Onde ele está?

– Sumiu. – Murmurou. – Eu vim para cá para... Procurar um emprego.

– Você vai morar em NY? – Eu sento. – Oh, meu Deus.

– Eu posso procurar outro lugar, se você quiser.

– Eu não posso impedir isso, Frannie.

– Pode. Eu nunca ficaria aqui se você não quisesse. Não faria sentido para mim.

– Elisa. – Inspiro fundo. – Ela não sente falta do pai?

– Sente, claro. – Sorri triste. – Eu só queria que ela tivesse uma referencia melhor que a minha.

– Ela... – Me aproximo da minha irmã, segurando sua mão. Ela levanta o olhar para mim. E eu a vi. – Ela é linda.

– Eu senti tanto a sua falta. – Ela pula em meus braços. Eu aceito o abraço, apertando-a com força. Como eu perdi isso.

– Eu também senti sua falta. Muito. – Confesso.

– Me perdoe, minha irmã. Por favor. – Eu me afasto para encará-la.

– Vamos devagar? Tem muito que nós não sabemos.

– Precisamos nos atualizar. – Sorri de lado.

– Sim. – Retribuo o sorriso. – Alguns anos.

– Quinnie. – Me cutuca. Eu arqueio a sobrancelha. – E Rachel?

– Oh, Deus, Rachel! – Lembro da minha namorada e levanto. Frannie gargalha. – O que foi?

– Nada. – Levanta os braços. – Vamos busca-las.

Entrelaçamos as mãos, como fazíamos quando éramos crianças. Fomos para o corredor, procurando as duas. Frannie me parou, apontando para um canto escuro. Entrecerrei os olhos. Rachel está cantando para Elisa, embalando-a em seus braços. Um sorriso bobo surge em meu rosto. Frannie ri, fazendo meu rosto arder forte. Nos aproximamos delas.

– Oh, hey! – Rachel fala baixinho, um pouco vermelha por ter sido pega. – Ela lutou muito contra o sono.

– Eu não teria conseguido fazê-la dormir tão cedo. Ela é elétrica.

– E falante. – Rach fala entusiasmada. – Você tem que ver, Lucy, ela é a criança mais falante que eu já conheci.

– Lucy? – Frannie levanta uma sobrancelha.

– An... Ela... – Limpo a garganta. – Ela gosta do meu nome. Frannie, nós... Temos uma coisa para te contar.

– Claro, deixa eu colocar Elisa para dormir.

– Por que Elisa? – Pergunto de repente.

– Porque eu queria que ela completasse Beth. – Sorriu.

Rachel segurou minha mão. Eu assenti. Frannie colocou a menina dormindo na cama, fazendo uma proteção de travesseiros. Nos sentamos outra vez.

– E então? – Pede.

– Frannie, eu e Rachel... Nós... – Rachel aperta a mão. – Nós estamos namorando. – Silêncio. De repente, Frannie vai abrindo um sorriso. – Você não está louca? Não vai gritar?

– Eu te conheço, Quinnie. Eu sempre soube que você era apaixonada por Rachel. Até mesmo na época que brigavam como cão e gato. – Rimos. – Fico muito feliz por vocês finalmente terem assumido isso. Cuide bem de minha irmã, Rach.

– Eu vou cuidar, Frannie. Pode confiar em mim. – Rachel sorri.

Eu solto a mão de minha namorada e abraço minha irmã mais uma vez. Um abraço cheio de saudade e agradecimento. Cheio de... esperança.

Por Marley

Puck chegou aqui em casa, todo arrumado e cheiroso. Meu Deus, ele é lindo. Minha mãe ficou encantada por ele. Os dois ficaram horas conversando e rindo. Fiquei feliz por eles estarem se dando bem. Mas, Puck estava um pouco estranho. Minha mãe pode não percebido, mas eu sim.

– Você é um bom rapaz, Puck.

– Obrigado, Millie. Foi um prazer imenso te conhecer. Marley fala da senhora direto.

– Eu acredito. – Minha mãe sorri orgulhosa. – Mas, ela fala muito de você também.

– Verdade? – Puck brinca, levantando a sobrancelha.

– Mamãe. – Repreendo.

– É verdade sim, Puck. – Ri.

– Eu gosto muito de sua filha. Eu queria que a senhora soubesse disso. – Ele nos surpreende. Eu abro a boca.

– Eu sei, eu vejo. – Sorri. – Bom, vou deixar vocês dois um pouco. Estou cansada. – Se despede.

Minha mãe sai da sala. Eu sento ao lado dele, puxando-o para um beijo. Ele retribui o beijo. Mas, não foi o mesmo. De repente, o beijo começou a ficar intenso. Suas mãos me dominaram e eu precisei de muito autocontrole para segurá-lo. Me afasto confusa, mas sorrindo.

– O que foi isso?

– Desculpe, esqueci que estávamos na sua sala. – Sorri sem graça.

– Tudo bem. – Beijo sua mão. – Você pode me dizer onde está seus pensamentos? – Peço carinhosa.

– Você. – Brinca. Eu dou um murro em seu braço. – Nada demais. Pensando em minha família.

– Aconteceu algo?

– Sim, meu pai apareceu com um filho bastardo na casa do Ian.

– O que? Sério? – Ele assente. – E vocês se deram bem? Como é o nome dele? – Sinto Puck ficar tenso. – Vocês brigaram?

– Não, nós não... Não brigamos. – Suspira. – Ele é um otário.

– Como ele se chama? – Pergunto outra vez.

– Jac... Jacob.

– E ele é chato assim? – Tento quebrar o clima.

– Você nem imagina. – Ri sem graça. Eu o envolvo em meus braços. Ele descansa a cabeça em meu peito.

– Ow, você precisa de carinho? – Ele assente, parecendo uma criança. Sorrio. – Aconteceu algo mais, amor? – Puck levanta rápido e me encara. O que... Oh, não...

– Amor? – Ele sorri. – Você me chamou de amor?

– Ah, Puck... – Abaixo a cabeça para que ele não me veja corar. – É modo de chamar.

– Se você tivesse dito que usaria essa palavra só para mim, eu teria gostado mais de sua resposta. – Faz bico. Meu coração acelera.

– Você quer que eu te chame de amor?

– Soa bonito na sua voz.

– Amor... – Rimos.

Ele balança a cabeça e se aproxima para me beijar. Meu amor.

Por Santana

Depois que jantamos, nós deitamos na cama, sem falarmos nada, apenas nos sentindo.

– Você vai dormir aqui? – Aliso seu cabelo.

– Com certeza. Quero que você seja a primeira pessoa que eu veja no dia de Natal.

– Britt, tecnicamente, já é dia 25. – Ela levanta o rosto, me beijando.

– Feliz Natal, San. – Sorri.

– Feliz Natal, Britt. – Esfrego nossos narizes. – Estou feliz de ter você aqui.

– Você é meu presente. – Rimos. – Santana. – Chama, de repente séria.

– Hmm...

– Me perdoe pelo que aconteceu no aeroporto, eu não...

– Shhh... Eu não quero falar sobre isso.

– Posso te perguntar só uma coisa?

– Pode, minha linda.

– Você ainda vai me esperar? – Sua voz sai falha. Eu engulo seco. Não consigo falar. – Por favor... – Seus olhos ficam cristalinos.

Ainda não consigo achar minha voz, então junto nossos lábios. Eu peço passagem para aprofundar o beijo e ela cede. E é como se fosse a primeira vez, toda hora que nossas línguas se encontram, como se estivessem se conhecendo. O folego acaba e nós encostamos nossas testas, respirando o mesmo ar.

– Eu te amo, Brittany. – Sussurro. – Eu não vou desistir de você.

– San... Você... Você me ama? – Eu percebo que é a primeira vez que eu falo isso alto.

– Você ainda tinha dúvida? – Pergunto séria. Ela nega, tímida. – Você tem que entender uma coisa, Brittany. Eu te amo, mas eu só vou te esperar se você me amar de volta. Porque isso me machucaria muito e...

– Eu te amo. – Eu paraliso surpresa. Eu não esperava por isso. – Deus, eu te amo, San. Você tira o melhor de mim.

– Queria que todos vissem essa você.

– Eu também. – Suspira. – É tão difícil, sabe? Minha família vai virar as costas para mim. – Eu estremeço. – Desculpa, San. Eu esqueci...

– Tudo bem. – Aperto seu corpo. – Minha vó estava lá hoje.

– E então? Como foi?

– Foi ruim. – Confesso. – Mas, o que eu sinto hoje eu nunca poderia me permitir sentir antes. Eu passei por muita história boa, muita experiência. Eu cresci muito. Prefiro ver que valeu a pena.

– Eu tenho muito orgulho de você.

– Você terá orgulho de si mesma um dia. Tudo tem seu tempo.

Por Rachel

Acordo com os beijos suáveis de Quinn pelo meu rosto. Sorrio, sem abrir os olhos. Sinto sua mão fazendo carinho nas minhas costas.

– Só não faço amor com você agora porque eu sei que seus pais estão acordados e você não é o que chamamos de silenciosa. – Diz e eu gargalho, abrindo os olhos.

– Eu quero fazer amor com você. – Faço bico.

– Quando chegarmos em casa, prometo. Agora eu tenho que te dá algo. – Sorri. Eu franzo a testa. Ela levanta, pega uma caixa na bolsa e deita outra vez. – Feliz Natal, Frodo.

– Feliz Natal, Lucy. – Beijo seu nariz, pegando a caixa.

Abri, sob o olhar curioso da minha namorada. Duas pulseiras prata estavam dentro. Puxo uma com a letra R, meus olhos cristalizam.

– Deus, é lindo, Q. – Sussurro.

– Essa é minha. – Sorri. Olho confusa para ela, que me entrega a pulseira com o L. O sorriso se espalha em meu rosto.

– Mais lindo ainda. – Rimos. – Eu te amo.

– Eu também te amo. – Ela coloca a pulseira em mim e eu coloco nela. – Parece que nos casamos. – Gargalha.

– Você não quer casar comigo? – Finjo surpresa.

– Oh, Deus, vamos mudar de assunto. – Brinca. Eu dou uma tapa em seu braço, rindo.

– Eu também tenho um presente para você. – Pulo da cama, pegando o pacote que guardei na gaveta. Quinn abre, curiosa. Seus olhos brilham quando ela vê o que tem dentro. Isso é bom, certo? Ela me beija. Certo.

– A coleção completa de The Killers. – Vibra. – Você é a melhor namorada do mundo.

Notas finais
Desculpem a demora. Final de ano corrido! Mas, aí está. Espero que vocês gostem. Quero que vocês se apaixonem por Elisa, como Quinn vai se apaixonar. Não vejo a hora de começar a movimentar tudo... Comentem!! :*** http://ask.fm/FlorDeLins_