Meu melhor remédio
29 Família.
Notas iniciais
Por Quinn
Depois de muito relutar com Rachel, a morena me convenceu a ir para o chuveiro com ela. Mas, tivemos que nos controlar. Ela ficou chateada, o que eu poderia fazer? É a primeira vez que eu durmo na casa dos meus sogros, ainda estou nervosa. Nada que uns beijos doces e promessas para mais tarde não amolecesse minha namorada. Hiram e Leroy já estavam tomando café da manhã, quando chegamos à mesa. Sorrio ao vê-los beijando a testa de Rachel, desejando um Feliz Natal para a pequena. Meu coração não pode evitar se encolher. Sinto falta da minha mãe, ela com certeza faria o mesmo que os Berrys estão fazendo agora. Mordo o lábio, tentando não pensar nisso. Leroy sorri caloroso para mim, se aproxima e me abraça. Hiram repete o gesto do marido.
– Feliz Natal, Quinn. – Eles falam. Rachel me abraça por trás, sorrindo. – Como você dormiu?
– Muito bem, obrigada, Leroy. – Sinto meu rosto arder ao lembrar o que fizemos quando chegamos. Hiram solta uma gargalhada alta. Rachel esconde a cabeça nas minhas costas, rindo também.
– Eu perdi algo? – Leroy franze a testa.
– Não tenho certeza. – Murmuro com vergonha.
– Oh, meu bem, não vê que as meninas estão sem graça? – Hiram gesticula, mas o marido continua confuso.
– O que? Só porque eu perguntei... – Ele se interrompe. Certo, definitivamente, eu preciso de um buraco para me esconder. Um sorriso malicioso surge no rosto de Leroy. – Bem que eu ouvi algo...
– Papai. – Rachel repreende, ainda rindo. Como ela consegue rir dessa situação?
– Leroy está brincando, Quinn. Só está tentando te deixar envergonhada. – Hiram aperta o meu ombro.
– Vocês não estão loucos? – Sussurro. Eles me olham espantados.
– Por que ficaríamos, querida? Sexo é algo normal.
– Sim, eu sei, mas... – Limpo a garganta. – Desculpem, é que isso era um assunto proibido em minha casa. Eu só... Estranhei. – Admito.
– Está tudo bem, meu amor. – Rach beija meu ombro, delicadamente. Seus pais assentem. – Com o tempo, você vai se acostumar com esses dois.
– Em pensar que nós deixamos de fazer amor no chuveiro. – Solto de repente.
Os três se olham, surpresos. Merda, eu estraguei tudo. Abro a boca para pedir desculpas, mas sou interrompida por sonoras gargalhadas. Suspiro, aliviada. Rach me dá um rápido beijo, antes de sentarmos para comer. Conversar com eles é algo muito fácil, já que qualquer assunto flui de forma espontânea. Nós terminamos e eu me ofereço para ajuda-los a larvar os pratos. Hiram me repreende, dizendo que Rachel fará isso com Leroy e me chama para a sala. Troco um olhar com minha namorada, que engole seco. Certo, essa é a hora do discurso? A hora que eu tanto temia? Então, ontem foi só um aperitivo para o prato principal, que é no caso... Agora. Minhas mãos suam um pouco. Sento ao lado de Hiram no sofá, tensa.
– Você é muito nervosa, menina. – Hiram ri, me fazendo relaxar mais. Dou um sorriso de lado para ele, concordando. – Eu sei que você teve muita confusão em casa, Quinn. – Eu estremeço.
– Oh, sim. – Abaixo a cabeça. – Isso será um problema?
– Claro que não. – Hiram levanta minha cabeça com sua mão, me fazendo encará-lo. – Antes de começarmos essa conversa, você pode parar de achar que eu vou brigar contigo? Já falamos que estamos felizes com esse namoro, não falamos?
– Falaram. Eu só... Eu... Sinto muito. – Coro.
– E para de se desculpar sempre. – Vira os olhos. – Como está sendo morar com Rachel?
– Perfeito. – Sussurro, sorrindo.
– Há quanto tempo você saiu de casa, Quinn?
– Cinco anos, Hiram.
– E há quanto mora sozinha?
– Um ano e meio. – Respondo sem entender onde ele queria chegar.
– Quinn, você percebe que todos esses momentos foram diferentes? Morar com seus pais, morar com seus amigos, morar sozinha, morar com Rachel...
– Sim, com certeza. – Afirmo, ainda confusa.
– Rachel era só sua amiga. Agora ela é mais que isso. – Explica. Eu balanço a cabeça. – Vocês duas moram juntas e a convivência é um passo muito delicado entre duas pessoas que se amam.
– Nós nos entendemos muito bem. – Sorrio.
– Eu sei, eu fico feliz por isso. – Devolve o sorriso. – Mas, vocês começaram o namoro agora, certo? – Assinto. – Há muito pela frente. Eu sei que você teve muita experiência, que teve que aprender cedo a se virar, mas Rachel não chegou a morar só. Quando compramos esse apartamento só para ela, ela resolveu morar com você. O que eu estou tentando dizer, Quinn, é que por mais que vocês se entendam bem, vocês são pessoas diferentes, de mundos diferentes.
– E isso pode causa alguma confusão futuramente. – Concluo. Ele assente.
– Já que não conversamos ontem, eu só tenho uma coisa para te pedir, querida.
– Qualquer coisa. – Digo rápido, ele sorri.
– Você prometeu que não vai machuca-la. Então, eu te peço que você tenha calma. Rach, às vezes, se tranca em seus próprios pensamentos e é difícil tirá-la de lá. – Ele ri e eu estremeço, lembrando o quanto demorou para ela se abrir sobre o que tinha acontecido no dia que me ligou. – Seja firme, não desista dela. Nunca deixe que ela se esconda demais.
– Eu não deixarei, Hiram. – Prometo.
– Ela confia em você. E nós também iremos confiar.
– Muito obrigada, por tudo. – Nos abraçamos. – Eu amo muito sua filha, sempre amei.
– Outra coisa, Quinn... Estaremos aqui para você também, como uma família. – Sinto meus olhos arderem. Dou um sorriso emocionado e ele me abraça novamente.
– O que aconteceu? – Rach chega assustada, limpando as lágrimas que eu não consegui segurar. – Pai, o que você fez?
– Ei, ei, ei, mocinha. – Hiram reclama. – Está tudo bem. – Minha namorada me olha, como seu não tivesse acreditado no pai. Sorrio para ela.
– Está tudo bem mesmo, amor. – Dou um beijo em sua testa. – Só estávamos conversando.
– E por que você estava chorando? – Sussurra nervosa.
– Porque eu me emocionei. – Admito, corando. – Eu estou feliz por estar aqui. Desde que sai de casa, meus Natais são estranhos. San e Puck não me deixavam só, mas não era o mesmo. Me sinto em... Família. – Sorrio, lembrando as palavras de Hiram.
Por Brittany
Acordo sentindo meu cheiro preferido. Viro para o lado, para abraçar Santana, mas percebo que estou sozinha na cama. Abraço seu travesseiro, onde o cheiro está presente. A latina entra no quarto, sorrindo para mim.
– Não se mexa. – Ordena. Eu obedeço sem problemas, eu posso ficar assim sempre. Vejo-a pegar o celular e bater uma foto minha. Franzo a testa. – Eu precisava fazer isso.
– Hmmm... – Me espreguiço, sorrindo. – Quero meu beijo de bom dia. – Resmungo.
Santana vira os olhos e se deita ao meu lado. Puxo seu corpo para perto de mim, unindo nossas bocas. Nossas línguas lutam pelo domínio, explorando cada canto. Viro por cima de San, que ri no beijo, apertando minhas costas contra ela. O ar falta, eu me separo rápido, mas tento voltar para lá. Santana gargalha.
– Bom dia, minha linda. – Ri. – Pensei que fosse só um beijo de bom dia.
– San... – Choramingo. – Vou ter que ir para casa daqui a pouco, vamos aproveitar. – Vejo o sorriso dela cair um pouco.
– Eu preparei um café da manhã para você. – Sussurra.
– Deus, sinto falta de sua comida. – Levanto depressa.
– Brittany. – Ri outra vez. – Você só passou um dia sem comê-la. E além do mais, você jantou comigo.
– Eu sei, mas eu senti falta mesmo assim. – Puxo sua mão para a cozinha, vendo a mesa linda posta. – Você... San, que lindo.
– Não tive tempo de comprar algo para você, precisava improvisar.
– Está lindo. E não precisava fazer tanta coisa.
– Ah, não? Pensei que você sentisse falta de minha comida. – Zomba.
– Eu sinto falta de você. – Sussurro, trazendo-a para perto de mim. – Eu quero você comigo o tempo inteiro. Eu penso em você todo segundo. Não precisava ter feito isso, eu disse que estar contigo era meu presente.
– Não faz isso. – Ela cora. – Eu quero tudo isso, Britt.
– Sinto muito, San. – Encosto nossas testas. – Eu vou te dá tudo isso, só preciso de um tempo.
– Eu sei, linda, eu sei. – Sorri.
– E agora? Estou em dívida com você. – Faço bico.
– Passe o ano novo comigo. – Pede. Sinto meu coração afundar.
– Santana... Eu não... Não... Eu... – Balbucio.
– Desculpe. – Ela se afasta. – Seu tempo. Eu não deveria ter dito isso.
– Eu quero passar o ano novo com você. – Seguro seu braço. – Eu vou dá um jeito, ok? Eu prometo.
– Não prometa.
– Eu prometo, Santana. – Digo firme.
Ela sorri bonito, me fazendo apaixonar mais ainda. Comemos, digo, eu comi quase tudo. É impossível resistir as comidas dela. Santana pode conquistar qualquer um pelo estomago. Claro, além da simpatia, beleza e... Bom, a lista toda. Mas, ela não pode conquistar mais ninguém. O pensamento de vê-la com outra pessoa me tira a fome, mesmo com vários pratos feitos por ela. Ainda fizemos amor mais uma vez, antes de eu ir embora.
Sair daquele apartamento me apertou o coração. Dirigi o mais devagar possível, não queria voltar para casa. Mas, não podia adiar ainda mais. Meus pais estavam na sala, conversando com minha irmã e seu namorado. Virei os olhos. Será que já fizeram a lista para o casamento também.
– Brittany, onde está o Samuel? – Ah, mãe, feliz Natal. Eu estou bem e a senhora? Oh, o Sam... Bem, eu não dormi com ele. Por que a senhora não compra um apartamento e cria ele?
– Vem mais tarde. – Sorrio falso.
– O que ele te deu de presente? – Seus olhos brilham curiosos. Como eu ainda não o vi, não tem a menor chance de ter um anel de ouro em meu dedo direito agora, sinto muitíssimo.
– Oh, ele disse que era surpresa. – Franzo a testa, tentando parecer convincente.
– Isso. – Minha mãe vibra. Levanto a sobrancelha. – Ele vai ter pedir em casamento, tenho certeza.
– Eu não aceitaria. – Murmuro.
– Como? Você não é louca. – Meu pai broqueia.
– Não vou casar antes de terminar meu curso.
– Seu curso de dança? Brittany, quando você vai criar juízo e perceber que isso não vai te dá futuro?
– Mãe, a dança é minha vida. – Digo irritada. – Nada do que vocês digam vai mudar isso.
– Calma, Britt. – Minha irmã pede.
– Então, não ouse negar o Samuel. – Minha mãe diz com os dentes cerrados.
– E se eu negar, mãe? O que vocês farão?
– Não me desafie, Brittany.
– Respeite sua mãe. – Meu pai levanta o dedo.
– Gente, por favor, é Natal. Precisamos passar o dia em família, numa boa. Não briguem. – Lina suplica.
– Manda a mamãe chamar os amigos dela, que são mais família que nós. – Digo, subindo as escadas.
– Brittany, volte aqui. – Ouço minha mãe gritar.
Tranco a porta do meu quarto, com força. Sento na cama tentando controlar minha respiração. Mas, que inferno! Como meu humor pôde mudar tanto de uma hora para outra? Alguém bate na porta.
– Vai embora. – Digo.
Não atendem. Rolo os olhos, vendo a porta se abrir. Para meu alívio, é a minha irmã. Ela senta ao meu lado e eu encosto minha cabeça em seu ombro.
– Você não estava com o Sam. – Não é uma pergunta. Sinto meu corpo ficar tenso. – Onde você estava, Britt?
– Como... Não... Eu estava com ele sim.
– Você não gosta dele, eu vejo isso, Britt. – Ela passa a mão na minha bochecha. – Você quer me dizer?
– Eu não posso. – Sussurro. – Você vai me chamar de suja, vai me odiar.
– Eu não sou como eles, você sabe disso. – Ela segura minha mão. – E o papai só é assim porque faz tudo o que a mamãe diz. Confie em mim, por favor.
– Eu não posso. – Repito, sentindo minha garganta queimar. – Eu não quero casar com ele, Lina. Não quero nem mesmo namorar.
– Por que você não acaba? – Pergunta calma. Eu rio sarcástica.
– Oh, você não sabe?
– Onde está a Brittany que lutou pelo curso de dança?
– É diferente...
– Não é. – Diz firme. – É da sua vida que nós estamos falando.
– Eu sou gay. – Solto. Minha irmã abre a boca, surpresa. – Por favor, por favor, não me odeie. Não me deixe sozinha. – Silêncio. – Lina.
– Só um minuto, Britt. – Ela respira fundo. Sinto as lágrimas caindo pelo meu rosto. – Eu não estava esperando por isso. Achei que você tivesse achado outra pessoa e...
– Eu achei outra pessoa. – Afirmo. – Quer dizer, eu reencontrei uma pessoa.
– Oh, sim. Mas, eu achei que fosse... Um homem.
– Você está com nojo de mim, certo? – Pergunto temorosa. Ela me encara, séria.
– Você é minha irmã, Brittany. Não importa quem você ame, o que você curse, você é minha irmã. E eu te amo. – Ela me abraça e eu sinto meu corpo, finalmente, relaxar. – É confuso para mim agora. Mas, eu vou te apoiar sempre. Não duvide disso.
– Obrigada. – Soluço. – Eu não sei o que eu faria sem você.
– Eu também tenho que aguentar isso tudo, lembra? – Rimos. – Então, quem é a sortuda?
– Santana Lopez. – Coro, sorrindo, limpando as lágrimas.
– Oh, Deus, como eu sou idiota. É claro! Todas as histórias, fotos juntas. É tão óbvio. – Ela bate na cabeça, me fazendo gargalhar. – Ela é linda, Britt.
– Mais que todas. – Afirmo. Ela empurra meu ombro, brincando.
– Ela gosta de você também?
– Muito. – Sorrio, lembrando-me de ontem. – Ela me ama.
– Uou. – Lina bate palma. Eu realmente me sinto bem por poder compartilhar isso com ela. – E você?
– Eu a amo também, Lina. Eu estou completamente apaixonada por ela.
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