Meu melhor remédio
33 Melchior.
Notas iniciais
Santana tirou a garrafa de champanhe que tinha escondido e agitou com felicidade. Os amigos vibraram vendo a garrafa explodir. Todos brindaram, parabenizando a pequena diva, que não controlou as lágrimas de emoção. Bom, Rachel não foi a única a chorar, Brittany e Marley partilharam o sentimento com ela. A latina disfarçou um pouco, Puck era apenas sorrisos. E Quinn... Ah, Quinn estava orgulho puro. A loira olhava para Rachel com intensidade, com amor, com desejo. Não que ela não a olhasse assim sempre, mas dessa vez era diferente. A mulher que ela ama está a um passo de realizar seu maior sonho, isso é demais para o coração bobo de Quinn Fabray. Foi em um beijo apaixonado das duas, que os amigos perceberam que era a hora de saírem, dando privacidade ao casal.
Por Rachel
– Você conseguiu. – Quinn diz rouca, com um sorriso lindo, me abraçando pela cintura. Sinto minhas forças irem embora.
– Não teria conseguido se não fosse por você. – Digo sincera.
– Rach, essa peça tem umas cenas... – Ela limpa a garganta e eu mordo o lábio, prendendo o riso. – Tem umas cenas... quentes. – Sussurra.
– O que você quer dizer? – Traço seu rosto com meus dedos, delicadamente.
– Que eu estou com ciúmes. – Murmura, adquirindo um tom rosa claro. Eu gargalho, sentindo seus braços me apertarem mais forte, conseguindo um gemido meu. – Frodo!
– Eu te amo. Eu te amo tanto, Lucy. – Beijo sua testa. – Eu não farei nada, tudo será encenação.
– Você é minha. – Deus! Minhas pernas estremecem e ela ri, maliciosa. – Só eu consigo fazer isso.
– Só, meu amor. – Sussurro, buscando seus lábios.
A loira suga minha língua, fazendo que eu perca completamente o controle. Minhas mãos vão rapidamente para baixo de sua camisa, arranhando as costas da minha namorada. Quinn reprime um gemido, apertando minha perna. Eu afasto nossas bocas, mordendo sua clavícula. Ela me olha nos olhos, tirando o cabelo do meu rosto, carinhosa. Eu suspiro com seu gesto.
– Essa comemoração é sua. Deixa eu te presentear. – Fala com uma voz sensual.
Antes que eu pudesse reagir, ela me deita no sofá, ficando por cima de mim. Suas mãos exploram meu corpo, que está tremendo em desejo. Abraço sua cintura com as pernas, lutando por um contato maior. A loira segura firme meu cabelo, enquanto se ajeita, colocando uma perna em meu centro, movimentando-se. Luto contra a vontade de gritar, mordendo seu pescoço. Ela solta um gemido de dor e prazer.
– Quer dar motivo para Santana te devolver as brincadeiras? – Ela fala com a respiração irregular.
– Por favor, Lucy. – Suplico.
Quinn força mais sua perna, me deixando sem ar. Aperto o sofá, suspirando difícil. Sem aviso, ela para. Encaro seus olhos, frustrada. Eu estava quase...
– Oh, meu Deus. – Sussurro.
A loira substitui a perna pela boca. Sua língua brinca com meu sexo, enquanto eu prendo meus dedos por seus cabelos claros, trazendo-a para mais perto.
– Perfeita. – Murmura. Eu arqueio as costas, quando ela penetra seus dedos rapidamente. – Você pode brilhar na Broadway, amor, mas essa, sem dúvidas, é minha cena preferida.
Por Santana
Fomos para um bar, depois da casa Faberry. Não que eu não goste de sair com eles, mas ultimamente estou odiando sair em público com Brittany. Ela age como se fossemos apenas amigas. Eu entendo seu medo, só que é frustrante não poder beijá-la nenhuma vez. Estávamos conversando, quando o celular da dançarina tocou. Sua mãe gritou e nós conseguimos ouvir. Puck fez uma careta e Marley me mandou um olhar sereno. A morena tem essa mania de tentar acalmar as pessoas assim e, incrivelmente, ela consegue. Eu respiro fundo, esperando a ligação das duas acabar.
– Eu preciso ir. – Sussurra. Eu suspiro frustrada. – San...
– Tudo bem, Britt. – Sorrio falso.
– Eu fiquei com você essa noite. Ela está uma fera e...
– Tudo bem. – Repito. Ela abaixa o olhar e eu me sinto culpada. – Desculpa, eu só... Queria ficar com você.
– Eu também. – Suspira. – Eu te vejo amanhã?
– Claro. – Respondo doce, segurando a vontade de avançar em seus lábios. Ela assente, sorrindo.
A dançarina se despede do casal e vai embora. Eu encosto-me à cadeira, vendo a loira sair.
– Complicado? – Puck pergunta. Eu rio irônica, concordando.
– Tia Pierce é uma pessoa muito difícil, San. – Encaro a morena, curiosa. – Sabe que Rachel sempre evitou ir à casa dela? E nós éramos vizinhas.
– Por que, Marley? – Franzo a testa. – O Hobbit já sabia que era gay?
– Não, Santana. – Ela ri, virando os olhos. – Rachel é adotada. Por dois homens. Lembra?
– Oh, sim! – Balanço a cabeça, entendendo.
– Ela sempre dá um jeito de soltar uma piada preconceituosa, se fingindo de inocente. – Fala chateada. – Teve um tempo que Rach simplesmente se afastou. Mas, ela percebeu que não era culpa de Britt.
– Você acha que Brittany vai dizer um dia? – Pergunto temorosa.
– Eu confesso que eu fiquei com medo. – Suspira. Eu olho para a mesa, sentindo meus olhos arderem. Ela segura minha mão. – Mas, ela te ama, San. Ela vai dá um jeito nisso. – Sorrio de lado.
– Você acha? – Sussurro.
– Eu tenho certeza.
– E vocês? Quando casam? – Brinco. Puck faz sinal para eu cortar o assunto, aperreando a morena. Ela dá uma tapa no ombro do moicano.
– Ele nem me apresentou para os pais ainda, acredita? – Marley coloca as mãos na cintura, incrédula.
– Puck!! – Digo surpresa. – Seus pais são uns amores, por que isso?
– Eu só... Não tenho experiência, eu acho. – Encolhe os ombros. Eu franzo a testa, sabendo que ele está escondendo algo.
Ficamos conversando um pouco mais, mas resolvemos ir para casa logo. Temos aula amanhã e já perdemos hoje por culpa de Berry. Puck nos dá carona, deixando primeiro a namorada, para depois me levar. Eu entendi isso como um sinal. Quando chegamos, o chamei para subir e ele aceitou. Definitivamente, tem algo de errado. Ele senta no sofá, soltando um suspiro longo e segura a cabeça nas mãos. Puxo a cadeira para sentar em frente a ele.
– Você lembra que meu pai teve um filho, fora do casamento? – Começa.
– Sim, eu lembro. Sua mãe perdoou. – Digo, lembrando a história toda. Foi uma época confusa.
– Ele apareceu... No Natal. – Solta. Eu olho para ele assustada.
– Por que você não nos contou?
– Porque ele... – Suspira outra vez. Eu levanto a sobrancelha. – Jake. Ele é o ex namorado de Marley.
– Puta que pariu. – Falo, colocando a mão na boca. Ele assente, rindo. – Ela sabe?
– Claro que não. – Puck levanta do sofá e eu o sigo com o olhar. – Hey, Marley, sabe aquele seu ex namorado estúpido que te traiu com várias? Oh, sim, bem... Ele é meu irmão. – Diz irônico.
– Soou ruim. – Rio. Ele vira os olhos. – É só você contar a história toda, Puck. Ele não é você. E vocês nem mesmo têm contato.
– Ele sabe que eu estou namorando com ela. Eu não sabia que era ele, mostrei umas fotos e... Então, eu descobri.
– Que merda, Puckerman. – Sussurro.
– Será que dá para você me ajudar? – Fala irritado.
– Seja apenas sincero com ela. – Suspiro. – Mentiras não constroem um relacionamento. – Sinto minha voz falhar. Ele senta novamente, segurando minhas mãos.
– Desculpe, estou nervoso. – Me puxa em um abraço. Descanso a cabeça em seu ombro. – Você e Brittany vão ficar bem.
– Você e Marley também.
Por Quinn
Passe por aqui quando sair da aula. O resultado de Melchior sairá mais tarde. Eu te amo muito. – R
Sorrio para a mensagem. Santana pega meu celular de surpresa. Tento segurá-la, mas o professor vira na nossa direção. Eu resmungo irritada.
– Vai conhecer quem vai pegar Berry em cima dos palcos? – Sussurra.
– Não fale desse jeito. – Repreendo, tomando meu celular de volta para respondê-la. – É apenas encenação.
– Foi isso que ela te disse ontem no meio do sexo selvagem de vocês? – Abro a boca, surpresa. Meu rosto queima com força. Santana abaixa a cabeça, abafando uma risada. – Estou brincando, loira.
– Que seja. Você vem comigo?
– Só se Brittany for. – Eu viro os olhos.
– Claro que ela vai. Ela, Marley, consequentemente, Puck. – Nós rimos.
– Estamos muito grudentos.
– Yeah, estamos. – Sorrio.
Quando a aula terminou, corremos para NYADA. Todos já estavam lá. Rachel estava andando de um lado para outro, nervosa. Eu sorrio. Mesmo quando não é com ela, ela fica assim. Quando me vê, a pequena corre para meus braços. Eu envolvo seu corpo, apertando-a.
– Nós tivemos aula até o último horário, desculpe. – Sussurro, beijando sua cabeça.
– Tudo bem, ainda não saiu o resultado.
Sentamo-nos no corredor, esperando a lista com todos os personagens chegar. Uma mulher sorridente aparece, colocando um papel na parede. Rachel sorri grande, batendo palma. Estava ansiosa para conhecer seus colegas de elenco. Esperamos um grupo de jovens olhar a lista. Alguns saíram vibrando, outros estavam cabisbaixos. A pequena segura minha mão, indo em direção à lista. Está na ordem alfabética. E no primeiro nome, um susto básico.
Anna – Lexy Hulme
– O que? Mas, que diabos... – Rachel bate na perna, com raiva. – Não acredito que essa idiota está no elenco.
– Calma, amor. O papel principal é o seu. – Sorrio, apontando para o nome dela na lista.
Wendla – Rachel Berry
Ela vira para mim, sorrindo bonito. Beijo seus lábios de leve. Viramos para a lista dos rapazes. Entre um nome e outro, Rachel vibrava feliz, por seus amigos terem conseguido entrar. Eu não podia evitar o sorriso vendo-a desse jeito. Mas, de repente, sua expressão se transformou. Olhei para a lista.
Melchior – Brody Weston
Oh, não. Troco um olhar com Brittany. Todos encaram a morena, esperando uma reação. Ela apenas paralisa.
– Rach? Hey, você vai fazer papel com seu amigo. – Marley tenta, mordendo o lábio. – Isso é bom, certo?
– Eu... Eu... – Ela vira para mim. – Quero ir para casa.
– Você não gostou?
– Por favor.
Estremeço com seu tom. Aceno para os outros irem para o nosso apartamento também. Rachel entra no carro, silenciosa. Tento segurar sua mão, mas ela afasta. Engulo seco. Vejo a pequena se encolher no banco, abraçando seu estômago.
– Você está bem? – Sussurro, preocupada.
– Você pode ir mais rápido, por favor?
Eu assinto, fazendo o meu melhor para ir mais depressa. Mal estaciono o carro e a morena desce, correndo. Os outros dois carros param atrás do meu.
– O que houve? – Brittany pergunta. Eu nego com a cabeça, confusa. – Vamos atrás dela.
Subimos para o apartamento, procurando-a. Eu escuto um barulho vindo do banheiro de seu quarto e corro para lá. Agradeço por ela não ter fechado de chave. Encontro-a debruçada no vaso sanitário, tossindo. Abaixo, puxando seu cabelo para trás, enquanto ela vomita. Passo a mão em suas costas, acalmando-a. Quando ela termina, senta no chão, encostando-se à parede.
– Rach...
– Eu preciso ficar sozinha. – Fala com a voz embargada. Eu seguro seu rosto, percebendo suas lágrimas. – Saia, por favor, saia.
– Eu não posso! Eu... Eu quero ficar aqui.
– SAIA, QUINN! – Grita, me assustando.
Ela enterra a cabeça nas pernas, soluçando. Meu coração afunda, mas eu faço o que ela pediu. Sento no sofá, minha mente rodando. Sinto-me impotente. Santana senta ao meu lado, me abraçando. Brittany encara o chão, séria, como se estivesse pensando em algo.
– Rachel gostava do Brody. – Solta, depois de meia hora de silêncio. Olhamos assustados para a loira.
– O que? Por... Por isso que ela reagiu assim? Ela ainda gosta dele? – Eu só percebo que as lágrimas estão caindo quando a latina as enxuga, com sua mão.
– Calma, Quinn...
– Não acho que seja por isso. – Britt continua. – Ela estava indo conversar com ele, resolver essa história... Mas, parece que eles brigaram.
– Quando ela fez isso, Britt? – Santana pergunta. Eu franzo a testa. Do que importa?
– Quando ela veio morar aqui. – Afirma. Meu coração para. – Depois desse dia, ela não falou mais comigo.
– Nem comigo. – Marley completa.
Olho para Santana, angustiada. A latina engole seco, pensando, com certeza, o mesmo que eu.
– Você deveria falar com o Brody, ele é seu amigo e... Rachel?
– Não.
– Por que não?Ele já participou de várias peças, é um ótimo...
– Só não, Quinn..
– Mas, Rach, ele pode te aju...
– Já chega. Já disse que não.
– Vocês brigaram?
– Não, Quinn. Eu não quero falar sobre isso.
Oh, meu Deus!
– Por que você não me conta a verdade? Você brigou com Brody, foi isso?
– NÃO. NÃO ME SENTIA BEM E VIM DORMIR. AGORA TIVE UM PESADELO. O QUE VOCÊ QUER QUE EU FALE? VOCÊ NÃO TINHA UM LIVRO PARA LER? VAI LÁ E ESQUECE DE MIM, PORRA. JÁ ESTOU BEM.
Como eu pude ser tão estúpida?
– Vocês não acham estranho o Brody não ter ido? Eles meio que viviam juntos.
– Também estranhei. Acho que eles brigaram, porque o clima fica estranho toda vez que eu toco no nome deles em alguma conversa.
Começo a tremer, sentindo minha cabeça querer explodir. Coloco-a entre as mãos, respirando com dificuldade.
– Quinn? O que houve? – Ouço Marley perguntar.
– Foi ele. – Santana sussurra. Eu levanto o olhar para ela, encontrando fúria nos olhos da latina.
– Foi ele o que? – Britt pergunta. – Vocês podem me explicar?
– EU VOU MATÁ-LO. – Grito.
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