Meu melhor remédio
34 Explosão.
Notas iniciais
De um segundo para outro, o apartamento das meninas parece explodir no meio de uma guerra mundial. Quinn começa a gritar histericamente, enquanto Puck segura firme seu corpo. Marley tenta acalmá-la, junta ao namorado. Brittany observa tudo, confusa, buscando respostas em Santana, que está paralisada, com os olhos fixos na parede.
– Alguém pode dizer o que diabos está acontecendo? – A dançarina pede. – Santana? – A latina não responde. – Quinn, pare de gritar, os vizinhos vão reclamar.
– QUE SE DANEM! ME SOLTA, NOAH! – A loira luta contra os braços do amigo. – RACHEL. RACHEL. – Grita mais alto.
A pequena sai do quarto, assustada, com os olhos vermelhos. Puck solta Quinn, que corre para a namorada.
– O que é isso, Quinn? Por que você está assim?
– Por favor, diz que não foi ele, por favor. – Rachel engole seco, explodindo em soluços. – Rach... – Suplica.
– Acalme-se. – A morena sussurra.
– EU VOU MATÁ-LO. – Quinn grita outra vez, assustando todos.
A latina parece despertar do transe e levanta, em direção à amiga.
– Cala essa maldita boca. – Manda, apontando para a loira. Quinn abre a boca, surpresa. – Cale-se, Fabray. – Reforça, quando ela tenta protestar. – Rachel, você não pode mais esconder isso. Eu sinto muito, mas chegou a hora.
– Eu... Eu... – Balbucia, olhando para as amigas. Brittany franze a testa. Marley encolhe os ombros. – Ok.
Por Santana
Ajudo Rachel a sentar no sofá, enquanto Quinn respira com dificuldade. Viro para a minha amiga, apertando seus braços.
– Você vai se controlar, ok? Eu também estou explodindo de raiva, mas...
– Não parece. – A loira cospe, irritada. Eu suspiro.
– Rachel precisa de você. Não é hora para sair gritando e correr atrás dele com uma faca na mão. – Digo firme.
– Vontade não falta.
– Nem em mim, acredite. – Peço. Ela assente, olhando para a namorada soluçando nos braços de Brittany. – Vê? Ela precisa de você.
– Eu estou ficando assustada, gente. – Marley fala.
– Puck, fique perto de Quinn. – Ele obedece. Rachel toma a água oferecida pela dançarina e respira fundo.
– Quando eu entrei em NYADA, Brody foi a primeira pessoa que eu falei. – Começa. Eu percebo sua voz vacilando quando fala o nome dele. – Eu tinha terminado com Finn fazia pouco tempo. Nós nos aproximamos, éramos inseparáveis. – Conta. Eu me lembro disso. Olho para Quinn, que está prestando atenção. Percebo que é a primeira vez que iremos ouvir a história completa. – Eu me apaixonei por ele. – Sussurra. A loira fecha os olhos com força e é abraçada por Puck. Britt e Marley ainda ouviam confusas, nada era novidade para elas. – Mas, ele estava namorando, então nunca aconteceu nada. Um dia, eu precisava apenas explodir. – Ela para, olhando para baixo.
– Esse dia foi o que você foi falar com ele. – Britt ajuda. Rachel assente.
– Quando eu cheguei na casa dele, ele parecia diferente. Disse coisas estranhas que, de certa forma, eu queria ouvir. – Ela respira fundo. Sabemos que está chegando perto. – Então, ele me beijou. – Soluça. Quinn enterra o rosto na camisa de Puck. – E eu percebi que ele não estava normal, ele não correspondia meus sentimentos. Eu tentei empurrá-lo, mas... – Engole o choro. Eu fecho as mãos em punhos, controlando minha raiva. – Ele não saia. Eu me lembro de ter o visto tirar um preservativo do bolso, antes de abaixar a calça. – Sua voz sai estrangulada.
– Não... – Brittany sussurra, colocando a mão na boca.
Marley parece prestes a desmoronar. Eu puxo a morena em um abraço, já que seu namorado está segurando Quinn. Os soluços da loira agora são audíveis.
– Ele me estuprou. – Confessa, finalmente. – Eu gritei, eu bati nele, mas não adiantou...
Meu sangue ferve. De repente, todos estão chorando. Puck senta no chão, com Quinn nos braços. Brittany tem o rosto vermelho, cheios de lágrimas. Ela abraça Rachel com força. Sinto o corpo de Marley tremer contra o meu.
– Me deixe mata-lo, Noah, por favor. – A loira suplica para o moicano. Eu mordo o lábio, sentindo meu coração afundar.
– Lucy. – Rachel se afasta de Brittany e tira Quinn de Puck, segurando o rosto da loira. – Não faça nada, por favor, meu amor.
– Nós precisamos fazer algo, Rachel. – Digo. – Ele precisa pagar por isso.
– Você tinha que ter denunciado, ele deveria estar preso. – A voz de Brittany é puro desespero. – Você deveria ter me contato. – Desespero e mágoa. – Eu poderia ter te ajudado.
– Britt... – A morena sussurra.
– Por que você não me falou? Eu tentei conversar com ele, sabia? – Murmura agoniada. Ela levanta passando a mão pelo pescoço. Eu solto Marley, indo em direção a ela, que se afasta. – Não.
– Eu estava com vergonha. Eu estou com vergonha. Me sinto suja, me sinto... Terrível. – Rachel tenta explicar.
– Eu preciso respirar. – A dançarina tenta sair, mas eu seguro sua cintura. Ela me empurra. – Eu quero sair.
– Eu vou com você.
– Eu quero ir sozinha. – Fala fria. Eu assinto, derrotada.
– Brittany... – Rachel chama.
– Depois.
Britt bate a porta da sala, fazendo todo mundo saltar. Eu encosto a cabeça na porta, respirando com dificuldade. Por que merda isso tudo tem que acontecer?
– Eu quero que vocês prometam que não farão nada. Ele é perigoso. Não quero ninguém machucado por isso. Entenderam? – A voz de Rachel foi firme, apesar das lágrimas não pararem. – Quinn? Puck? Santana? – Eu solto um suspiro pesado, assentindo. – Marley? Oh, meu Deus, Marley...
A morena está sentada no sofá, com as mãos no rosto e o corpo tremendo. Rachel senta ao lado dela, segurando seus ombros.
– Eu me sinto tão... Impotente. – Sussurra angustiada. Eu limpo meu rosto, querendo ser forte para eles. Meus amigos estão destruídos.
– Nós também nos sentimos, amor. – Puck fala com a voz carregada de emoções, se aproximando das duas. Eu sento com Quinn no chão.
– Você pode me perdoar? Por eu ter escondido?
– Oh, Deus, é claro, Rach. – Marley a abraça. – Eu nunca teria te julgado, mas eu te entendo. O que importa é que nós aqui, juntas. Certo? Nem eu, nem Puck, nem San, nem Britt e, com certeza, nem Quinn vai deixar que algo de ruim de aconteça outra vez. – Nós sorrimos para a declaração dela e assentimos. É bom alguém conseguindo falar com a pequena.
– Britt me odeia. – Murmura.
– Ela não te odeia, Rachel. O que você contou foi forte para todo mundo. Ela está em choque. – Digo.
– San, vai atrás dela. – Quinn pede, mais calma. Eu franzo a testa, em dúvida. – Ela está sozinha por aí.
– E nós estamos juntos aqui, não se preocupa com a gente. – Puck continua.
Eu assinto, levantando. Dou um beijo na testa de Quinn, outro na de Marley e Puck. Olho para Rachel, tentando dizer tudo o que eu quero e não consigo. Ela parece entender, porque me envolve com seus pequenos braços com força. Foi abraço mais significativo que nós demos. Não sei quanto tempo nós ficamos assim, mas eu tive que me separar para ir atrás de Brittany. Enxugo o rosto da morena, que sorri para mim.
– Ninguém vai ousar chegar perto do meu Hobbit preferido. – Digo, conseguindo algumas risadas fracas.
Saio do prédio, olhando para os lados, mas nenhum sinal da dançarina. Por Deus, como eu vou encontra-la? Vou perguntando as poucas pessoas na rua, se elas viram alguma coisa. Algumas falaram que viram uma loira correndo há poucos minutos. Indicaram uma direção e eu soube imediatamente onde ela estava. Corro para lá. Brittany havia me dito que gostava de olhar o lago, principalmente quando os patos estavam. Meu coração dá uma volta quando eu a encontro sentada, abraçando as pernas, embaixo de uma arvore. Tento abraça-la, mas ela me grita e se afasta.
– VOCÊ SABIA! – Eu fecho os olhos. – VOCÊ SABIA DESSE INFERNO TODO E NÃO ME DISSE NADA.
– Eu não podia fazer isso, Britt. É muito pessoal.
– Eu poderia ter... Eu... Eu ia ajuda-la, San. Eu juro. – Aproveito a baixa guarda dela e me aproximo. – Eu poderia...
– Shhhhh... Está tudo bem. Calma. – Ela aceita o abraço, me apertando. – Shhh...
Sentamo-nos abraçadas. Faço carinho em seu cabelo à espera da sua calma. Enquanto Britt soluça baixinho, inúmeras ideias passam na minha cabeça. Eu não posso manter a minha promessa, Rachel. Eu sinto muito.
– Britt... – Chamo quando percebo que seu choro cessou. – Rachel precisa de você. Vamos voltar?
Por Rachel
Estávamos exaustos. Marley preparou várias vitaminas, já que jantar seria impossível para qualquer um de nós. Apesar de tudo, me sinto mais leve por ter tirado isso de mim. Ao mesmo tempo, preocupada. Puck está distante e Quinn está calada demais. Santana estava calma o bastante. Esses três juntos, com essa raiva... Coisa boa não poderia acontecer. Suspiro, sentando no colo da minha namorada.
– Eu te amo. – Sussurro.
– Eu te amo, meu Frodo, mais que tudo. – Eu sorrio. Ela descansa a cabeça em meu ombro, dando pequenos beijos no local.
A porta abre. Santana e Brittany entram de mãos dadas. A dançarina encara o chão. Eu levanto, ficando na frente dela.
– Desculpe. – Murmura. Eu a abraço, sentindo as lágrimas voltarem. Estou tão cansada disso. – Eu queria ter estado para você. E nós discutimos por causa disso. Eu não sabia...
– Tudo bem, minha amiga. – Interrompo-a. – Não foi sua culpa. Ninguém tem culpa. – Todos assentem, devagar. Marley leva Santana para a cozinha, para que ela possa tomar sua vitamina. – Como ela está? – Aceno em direção à latina.
– Calma. – Responde, franzindo a testa. Troco um olhar com Quinn, que dá os ombros.
– Por favor, não deixa que ela faça besteira.
– Eu não vou impedir.
– Brittany! – Repreendo. – Isso não é brincadeira.
– Vocês querem dormir aqui? – Quinn oferece. – Um casal pode ficar no meu quarto e outro aqui na sala.
– Nós ficamos com o quarto por motivos óbvios. – Santana brinca.
Arrumamos tudo para eles e fomos para o meu quarto. Quando estou tomando banho, sinto os braços de Quinn me abraçarem por trás. Estremeço com o contato inesperado. Não tem desejo no gesto, apenas carinho e proteção.
– Me deixa cuidar de você. – Sussurra. Eu assinto, virando. Ela me ensaboa, lentamente. Tento me controlar para não querer algo mais, mas suas mãos em meu corpo deixa tudo mais difícil. – Você é tão linda, amor. Como alguém pôde fazer isso? – Eu não respondo. Ela parece estar em outro mundo. Eu espero que ela tenha seu momento. – Se eu tivesse lutado por você mais cedo... – Suspira, tirando o sabão. Sinto sua boca em meu pescoço e fecho os olhos. – Eu sinto muito. Sinto muito pelo que ele fez. Sinto por ter insistido no nome dele diversas vezes, mesmo sabendo que você não se sentia bem. Eu fui tão estúpida por não ter percebido, mas ele era teu melhor amigo. Foi impossível relacionar ele a tudo isso. Eu que deveria estar te consolando agora e não você. – Respira fundo, segurando meu rosto. Eu encaro seus olhos esverdeados. – A imagem dele te tocando sem sua permissão...
– Quinn...
– Você é minha. Eu te amo muito, Rach. Muito.
– E eu amo você, minha vida. – Sussurro. – Vamos deitar...
Deitamos sem roupas mesmo. Eu quero nosso corpo em contato máximo e ela parece também querer. Ela me abraça, protetoramente e eu me alinho em seu corpo, sentindo suas lágrimas em minha nuca.
Por Brittany
Deito na cama, cansada. Parece que um caminhão passou por cima de mim. Eu dei força para Rachel ir lá e se declarar para aquele... Aquele... Arg, aquele estúpido. Ela pode dizer que eu não tenho culpa, mas eu tenho sim. Ao menos uma parte. Suspiro, esperando Santana terminar de tomar banho. Olho para cabeceira de Quinn. Tem uma foto dela com Rachel. Sorrio. Eu sei que a loira fez um bom trabalho, segurando minha amiga no tempo que ela nos afastou. Isso me deixa um pouco aliviada. Claro que eu queria estar presente nesse momento, mas Quinn é apaixonada por ela. Tenho certeza que deu o seu melhor. Escuto um ruído vindo do banheiro. Franzo a testa, levantando. San está demorando demais.
– Santana? – Chamo. Ela não responde. Ao invés disso, um soluço alto ecoa. Meu coração acelera. Giro a maçaneta e agradeço por ela ter deixado aberta. A visão que eu tenho faz minhas pernas falharem. – Oh, San...
A latina está sentada no chão, batendo com força na parede. Suas mãos estão machucadas. Eu seguro seus braços firmemente. Ela tenta se soltar, mas eu não deixo.
– Filho da puta. – Xinga entre soluços. – Rachel não merecia isso, Britt. Ela não merecia.
– Eu sei, meu amor, eu sei. – Luto contra meu próprio choro, sabendo que agora eu tenho que ser forte por ela. — Respire, Santana. – Peço preocupada. – Respire.
– Eu não consigo. – Diz agoniada.
– Santana, por favor, respire. – Fico na sua frente. – Ei, olhe para mim. – Ela obedece. – Estou respirando, vê? Tente repetir. – Ela inspira desesperada. – Isso San, tem muito ar aqui dentro. Ele não vai faltar. Só respire.
Depois de alguns minutos, ela consegue se acalmar. Ajudo-a levantar e nos deitamos abraçadas.
–x-
Mas, três pessoas não dormiram naquela noite.
Eu quero fazer algo. Vocês estão comigo? – Q
Com certeza. –S
É só falar. — P
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