Meu melhor remédio
15 Know you're not alone.
Notas iniciais
Por Rachel
Acordo com o barulho dos pássaros. Me remexo na cama, me espreguiçando, e estranho a falta de contato da loira. Passo as mãos nos olhos, para conseguir enxergar melhor e tirar o resto do sono que ainda tem em mim. Quando viro para o outro lado, vejo Quinn sentada na cadeira, de frente para a cama, com um bloco de papel e um lápis na mão. Seus olhos levantam, encontrando os meus, e um sorriso lindo se abre no seu rosto. Claro, eu já estou sorrindo também.
– Bom dia, meu Frodo. – Ela fala, voltando para o papel.
– Bom dia. O que você está fazendo?
– Desenhando. – Seu sorriso aumenta.
– Desenhando o que? – Franzo a testa.
– A pessoa mais linda que eu já vi na minha vida.
– O que... – Ri, sentindo o meu rosto queimar. – Eu não acredito.
– Que você é a pessoa mais linda que eu já vi?
– Não! – Puxo o lençol para cobrir minha cabeça e ela gargalha. – Quer dizer, também. Mas, não acredito que você está me desenhando. E dormindo, Q. Estou desarrumada.
– Está linda. – Quinn entra em baixo do lençol e passa uma mão na minha bochecha. – Eu amo te ver assim.
Sinto nossos lábios se encontrarem, calmos. Sua língua entra carinhosa na minha boca e eu sinto meu corpo se derreter a isso. Como ela pode ter diferentes tipos de beijos? Como ela consegue transmitir todos os sentimentos só nesse contato? Deus, essa mulher é incrível. Nos afastamos e ficamos nos encarando, sorrindo. Pode acabar o mundo lá fora.
– Eu quero ver o desenho. – Sussurro.
– Ainda não.– Quinn sorri. – Vamos descer, antes que Santana comece a gritar.
– Santana. – Viro os olhos, bufando. – Ela precisa se ocupar.
A loira ri e espera que eu tome um banho, antes de descermos. Todos já estavam comendo. A latina estava abraçada com Brittany. Olhei para Quinn, surpresa e ela retribuiu o olhar. A dançarina ria de algo que Santana falava para Marley.
– Está explicado porque ela não foi nos aperrear. – Quinn sussurra e eu prendo o riso.
– Bom dia, casal. – Britt sorriu. – Finalmente desceram.
– Estão em lua de mel. – Santana levanta a sobrancelha.
– Alguém está com inveja, Frodo.
– Sim, já percebi, Q. – Respondo, vendo a latina estirar o dedo do meio para minha loira. – Onde está Puck?– Olho para Marley.
– Comeu e saiu. Os vizinhos vieram chamá-lo para ir à cidade. – Foi Britt quem respondeu. Marley encolheu os ombros.
Quinn percebeu que a morena não tinha gostado disso e tratou de mudar o assunto. Ela e Santana estavam dispostas a distrair Marley. E eu percebi que elas são as únicas que podem ajudá-la, afinal, conhecem Puck melhor do que nós. Britt mandou um olhar significativo para mim e eu entendi. Dei um beijo rápido em Quinn, aguentando uma piada feita pela latina e segui a dançarina no corredor, em direção ao quarto dela.
A de olhos azuis trancou a porta e se encostou, me encarando. Fiz um sinal para que ela sentasse ao meu lado e ela veio. A abracei, fazendo carinho em seu cabelo. Esperei que ela tomasse seu tempo para começar a falar o que queria.
– Me sinto totalmente confusa. – Admite em um sussurro.
– Você está falando sobre Santana? – Pergunto afastando-a um pouco para encará-la.
– Nós conversamos ontem. Ela contou sobre a época que assumiu para a família sobre sua sexualidade. Eu... Eu senti vontade de ficar com ela. – Britt abaixa a cabeça. – Eu quis ter a coragem que ela teve. Quis... – Suspira. – Tê-la.
– Britt, você gosta dela?
– Não sei. – Murmurou.
– E do Sam?
– Tampouco sei. Já falei que estou confusa. – Responde irritada.
– Desculpe, só estava tentando entender. – Suspiro. – Um dia você terá que saber.
– Não sou obrigada a nada.
– Não é, Britt. Mas, não vai querer viver em uma mentira para sempre.
– E se eu preferir essa mentira? Se eu quiser casar com o Sam? – Me encara.
– Por que você está falando assim?
– Porque eu estou com raiva.
– De mim? – Rio, confusa. – O que eu fiz?
– SE ESCONDEU DE MIM DURANTE QUASE DOIS MESES. – Grita e eu encolho. Nós nunca tínhamos falado sobre isso.
– Ahn...eu... – Balbucio.
– Não importa. – Me corta, fria. – Aconteceram muitas coisas nesse tempo. Eu precisava de você por perto.
– O... Que aconteceu?
– Te interessa mesmo? – Eu abro a boca para respondê-la, mas ela não deixa. – Minha mãe disse que eu tenho que casar com o Sam o mais rápido possível, se não ela vai arrumar outro cara e me forçar.
– Ela não pode fazer isso. Em que tempo ela acha que vive? – Falo surpresa.
– No dela, Rachel. No tempo dela. Nós brigávamos quase todos os malditos dias. Eu só precisava de uma força para ir lá e explodir sem medo. – Ela limpa uma lágrima antes que caísse.
– Me desculpe, por favor, me perdoe. – Um nó se forma na minha garganta, enquanto ela ri irônica. – Eu não sabia...
– Claro que não sabia, Rachel. – Segunda vez que ela não me chama pelo apelido. – Você estava fugindo de sei lá o que. Eu te conto isso porque eu confio em você.
– Eu também confio em você. – Me apresso a dizer.
– O que aconteceu com Brody? – Eu sinto uma faca sendo enfiada na minha barriga. Não consigo piscar, respirar. Não consigo responder.– Você não vai me contar, certo?
– Vamos... falar... – Tento limpar a garganta. – Vamos conversar sobre você e Santana.
– Já conversamos. Quero saber o que houve com você. – Eu abaixo a cabeça e ela ri, chateada. – Eu sei que foi por causa dele. Você tinha dito que iam se resolver e agora não se olham na cara.
– Por favor. – Eu sinto a droga no estomago embrulhar. – Eu não quero falar sobre isso.
– Você está bem? – Ela franze a testa preocupada.– Está ficando pálida. O que você tem?
– Estou bem. Acho que comi demais, só isso. – Ela assente, desconfiada.
– Ele te gritou? Te deu um fora? Disse que gostava de outr...
– BASTA, BRITTANY. – Grito, segurando a barriga. – BRIGAMOS. PRONTO. NÃO TE IMPORTA MESMO. SE IMPORTASSE, EU TERIA DITO ANTES. – Droga. Fecho os olhos, arrependida. – Eu não...
– Não faz falta que explique. – Abro os olhos e ela já está na porta. – Eu vou andar um pouco.
– Britt. BRITT. – Ela bate a porta. – Maldito seja, maldito seja.
E já não seguro mais, corro para o banheiro, como o de costume.
Por Quinn
Estava sentada com Marley e Santana na varanda, quando ouvimos um portaço e logo Brittany saiu, parecendo chateada. Chamamos pela loira, mas ela disse que precisava ficar sozinha. Levantei, para ir atrás de Rachel e senti uma mão segurando meu punho. Santana pediu para ir no meu lugar. Estranhei, mas logo assenti, já que o assunto seria Brittany. Marley não se moveu muito depois de tudo. Me aproximo dela, tocando seu ombro. A morena vira e dá um sorriso de lado para mim.
– Tudo bem? – Ela assente, voltando a olhar para as árvores. – Está chateada porque o Puck saiu sem você. – Afirmo, conseguindo sua atenção de novo. Sua expressão está surpresa.
– Sim. – Murmura, franzindo a testa. – Como você sabe?
– Eu já namorei o Puck. – Ri. – Ele é bem difícil de entender.
– Demais. – Ela suspira derrotada. – Eu queria saber o que ele pensa, sabe? Saber pra onde estamos indo. Eu gosto de ficar de ficar com ele. – Diz firme. – Mas, é ruim andar sem saber onde estou pisando entende, Quinn? Nós ficamos há um mês e eu sei tão pouco sobre ele. Tão raramente nós conversamos sobre nós. Eu... – A morena se interrompe e eu a encaro, confusa. – Nossa, estou falando demais. – Marley ri desconfortável.
– Ei, eu quero te ouvir, sério. – Aperto a mão dela. – Você está falando assim porque está precisando colocar para fora. – Ela assente, devolvendo o aperto na minha mão. – Eu sou apaixonada por Rachel Berry, a pessoa que mais fala no planeta. Não ligo para isso. – Marley gargalha, me empurrando de leve.
– Puck é imprevisível. Eu namorei um cara e fiquei cega por ele. Mas, eu descobri que ele me traia e prometi que nunca mais ia querer me apaixonar de novo.
– Rach me contou. – Lembro-me da história do tal Jake e sinto raiva pela morena. – Você não pode controlar isso, no entanto. Puck é uma pessoa incrível, tem um coração lindo. Mas, não sabe lidar com os sentimentos. Depois de tanto tempo, hoje eu posso afirmar que você é a pessoa certa para ele.
– Eu sou uma bagunça com sentimentos também. – Sussurra.
– Sim, eu sei. Por isso mesmo. Vocês podem aprender juntos. – Falo segura. – Ele te olha diferente. Pode perguntar para Santana. Eu nunca vi meu amigo assim. Aliás, Puck nunca ficou com ninguém mais de uma semana. Bom, só comigo, mas descobrimos que nos amamos como irmãos, então...
– Você está me dando esperança, Quinn. Eu não gosto de ter esperanças. Não quero me machucar.
– Só estou te incentivando a lutar por isso, se você realmente quer. Mesmo achando que já está ganho para você.
– Eu quero. – Ela sorri.
– Então, não deixa ele fugir.
Por Rachel
Estamos na sala, ouvindo todos os planos loucos de Puck para nosso dia. Soa incrível na verdade, eu não vejo a hora de sair logo com eles. Britt está evitando meu olhar o tempo todo. Suspiro frustrada, sentindo os braços de Quinn me apertarem. Descanso a cabeça em seu ombro, lembrando a conversa que eu tive com Santana. A latina se mostrou uma grande amiga. Era óbvio que ela sabia sobre o que me aconteceu, ela estava lá em casa quando eu contei a Quinn. Ter o apoio de Santana, só aumentou minha vontade de que Britt perceba logo que a latina é a pessoa certa para ela.
– Britt. – Interrompo a conversa. – Será que a gente pode conversar?
– Estamos conversando. – Responde a loira, fria.
– A sós, Brittany. Por favor. – Olho triste pra Quinn e ela me incentiva a tentar outra vez.– Britt...
– Certo. – Bufa, indo para o quarto.
Entro no quarto e nos encaramos por alguns minutos.
– Pensei que você quisesse falar algo. – Britt quebra o silêncio, cansada. – Melhor voltarmos para a sala. – Levanta em direção à porta.
– Você reclama desses meses, que precisou de mim e eu não estive. – Começo, fazendo com que a loira vire de volta. – E eu te peço perdão, de verdade, por estar ausente neles.
– Eu não... – Britt tenta interromper.
– Mas, eu preciso mais que seu perdão. – Suspiro. – Preciso que você me entenda. Eu sei que é pedir muito, quando você não sabe o que aconteceu. – Britt assente. Sorrio fraco. – Eu também precisei de você. Muito.
– E por que não falou, Rach? – A loira não era mais raiva e sim mágoa.
– Porque eu não consegui. Porque eu não consigo, todavia. Por favor, não se chateei com isso. Um dia, eu prometo, vou te contar tudo.
– Quinn sabe, não sabe?
– Sabe. E Santana também. – Sussurro. – Não de toda a verdade. E falar pra você é não ter que omitir nada.
– Tudo bem. – Britt fala depois de um tempo, se aproximando de mim. – Desculpa te forçar, eu estava com a cabeça cheia.
– Santana está mexendo contigo, né?
– Está. – Admite, me abraçando. – Eu realmente não sei o que fazer.
– Faz o que teu coração manda. – Britt gargalha, me contagiando. – Certo, foi clichê, mas é verdade.
– Já sei, já sei. – Vira os olhos. – Eu te amo, sabe? Você é minha irmã, preciso de você e preciso que confie em mim.
– Confio. Acredite, por favor.
– Acredito.
Voltamos para a sala de mãos dadas, fazendo todos entenderem que nos resolvemos.
– Já estava começando a ficar com ciúmes. – Quinn brinca, me puxando para sentar no seu lado.
– Não precisa ficar com ciúmes. Eu gosto de loiras, mas Britt seria quase um incesto. – Respondo, fazendo seus amigos rirem e beijo Quinn. Não consigo mais ficar longe dessa boca.
– Ótimo! Sexo de reconciliação. – Santana fala e nós nos separamos, rindo.
– Não foi comigo que ela brigou, invejosa. – Quinn estira língua.
– Que seja. – Sant vira os olhos. – Agora que já está tudo bem, vamos sair? Estou desejando um banho nessa cachoeira.
Todos assentiram, levantando. Quando estávamos prontos para sair, Quinn me empurra na parede e me beija outra vez. Deixo escapar um gemido alto.
– FABERRY! – Santana puxa Quinn pela gola da camisa e eu solto uma gargalhada, vendo o rosto divertido da loira. Claro que ela tinha feito isso para irritar a latina.
Claro que tinha gostado. Eu sempre gosto.
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