Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=BVmN5xoPe-Y

Por Quinn

Oh. Meu. Deus! Como um lugar desses pode existir? É tudo surreal. Eu, aqui, com meus melhores amigos e a mulher que eu amo. A mulher que eu amo está de biquíni, aliás. Obrigada, vida. Rach e Santana não perderam tempo e foram as primeiras a se jogarem na água na fria. Marley pulou, abraçada a Puck, começando uma guerra de água entre os quatro. Tão crianças. Sorri, sentando em uma pedra, só molhando os pés. Sim, está fria, água fria não é meu ponto forte. Britt senta ao meu lado, imitando minha posição. Vejo o sorriso bobo no rosto da loira e sigo seu olhar: Santana. A latina está tentando colocar Rachel nas costas, como Puck fez com Marley. Gargalho com a cena, sendo a acompanhada de Britt. Marley consegue derrubar Rachel e ganha a brincadeira, fazendo Santana xingar minha pequena.

– Você não vai entrar? – Rach segura meus pés.

– Estou criando coragem. – Envolvo minhas pernas ao seu redor. – Está muito fria, Frodo.

– Você não vai ficar com frio aqui. – Ela morde o lábio.

– Ah, não vou? – Nega. – Por que não, Berry?

– Porque eu vou te esquentar. – Sussurra.

E eu não espero mais um segundo. Entro de vez na água, sendo abraçada por Rachel. Aperto o corpo dela, tentando parar a tremedeira do meu e ela gargalha alto. Encaro seu olhar, séria, fazendo a pequena parar de rir. Dou um pequeno sorriso, antes de partir para sua boca. Agora sim: perfeito. Nossas línguas se encontram, desesperadas. Rach prende minha nuca com sua mão, me puxando ainda mais pra perto. Tento andar mais para o raso, para conseguir um equilíbrio melhor. Minha mão acha o local que eu estava sentada anteriormente. Sorri, afastando um pouco nossos rostos, para respirarmos. A morena não quis esperar muito, voltou o beijo com a mesma intensidade. Prendo seu corpo contra a parede baixa e sinto como suas pernas prendem minha cintura. Solto um gemido, que é abafado por sua boca. Certo, Quinn, controle-se. Nós não estamos sozinhas.

– Calor. Muito calor. – Sussurro com nossas testas encostadas.

– Não quero parar, Quinnie. – Rach faz um pequeno bico e morde meu lábio inferior, provocando.

– Frodo, você sabe que nós não estamos sós. Além do mais, não dou mais um minuto para Santana começar com as piadas.

– Latina idiota. – Murmura e eu gargalho. – Ela está demorando muito pra isso, não? Onde ela está?

Afasto-me de Rachel, virando o corpo para onde estão todos. A morena aponta para fora da água e me dá um olhar cúmplice. Santana está tentando arrastar Britt para dentro. Sorri, voltando para nossa antiga posição.

– Acho que a gente pode aproveitar essa distração.

Por Santana

– Não, Santana! Eu vou entrar, eu prometo. Só preciso de mais alguns minutos, ok? – Britt tenta sair dos meus braços.

– Promete? – Ela assente. – Certo, vou acreditar.

A loira sorri e senta na pedra, me puxando para seu lado. Me sinto completamente anestesiada por tanto contanto nosso. Ela aponta para os casais, que estão se beijando dentro d'água. Abro a boca, pronta para separá-los. Mas, ela aperta minha perna.

– Por que você adora fazer isso? – Ela ri.

– Porque as caras de frustrados que eles fazem são impecáveis. Principalmente a da anã. – Rio e ela nega com a cabeça, divertida.

– Quinn e Puck fazem isso com você?

– Eles já fizeram muito. – Lembro, sorrindo. Puck se afasta de Marley e pula em cima da morena, fazendo-a ir para baixo d'água. Marley volta à superfície dando tapas no moicano, que ri. Gargalho com os dois.

– Vocês são tão bestas. – Britt vira os olhos, rindo.

– Ei, não somos, não. – Falo me fingindo de vítima. – Talvez eles sim, um pouco... Mas, eu não. – Garanto.

– Você é a mais besta de todos.

– O que? – Abro a boca. – Pelo visto já se passaram os minutos que você precisava, né? – Levanto.

– Não!! Não, não. Sant, por favor, eu estava brincando. – Entrecerro os olhos. – Linda, não faça isso.

– Linda é muito pouco, Pierce. Diga que eu sou sexy e gostosa.

– Ah, não, Santan... – Me aproximo e ela para. – Sant, linda, sexy e gostosa. – Ela cora e eu dou uma risada alta. – Você vai me deixar aqui, certo?– Continuo me aproximando.

– Não.

– EI! Mas, eu falei o que você pediu. – Ela tenta se afastar.

– Eu não disse que pararia, no entanto.

– NÃO. SOCORRO! SANTANA!– Coloco a loira em meus braços, conseguindo o olhar dois casais. – MANDEM ELA ME SOL...

Pulo na água com ela. A dançarina grita, enquanto nós rimos. O que eu não esperava é que ela fosse me segurar. Brittany me abraça, tremendo de frio. Olho para Quinn, em choque. Minha amiga sorri e balança a cabeça, me mandando abraçá-la de volta. Demoro a reagir, mas faço. Envolvo a loira nos braços, como eu quero fazer o tempo todo. Sinto seu corpo ir acalmando, devagar. Mas, eu não quero soltá-la. Britt se afasta um pouco, ficando com rosto perto do meu. Prendo a respiração. Nossos corações estão acelerados. Sim, eu posso sentir o dela também. Sorri. Seu olhar está intenso sob o meu. Não posso evitar olhar para sua boca. Ela morde, suavemente, sem perceber. Aproximo-me mais, deixando nossas testas juntas. Ela fecha os olhos.

– O que estamos fazendo? – Ela sussurra.

– Eu quero te beijar, Britt. Tanto. – Minha voz sai trémula.

– Eu também quero, San. – Admite, fazendo meu coração explodir. Não aguento mais, tento beijar sua boca, mas ela vira o rosto, deitando a cabeça no meu ombro de novo. – Mas, eu não posso.

– Por quê? – Murmuro frustrada. Tão perto...

– Porque eu tenho namorado. – Inferno! – E porque... Sabe, eu não sou...

– Você não é gay. – Completo, soltando seu corpo. – Eu sei, sinto muito. – Sinto minha garganta fechar.

– Desculpa, eu não deveria ter dito aquilo. – Pare, por favor, pare.

– Tudo bem. – Forço um sorriso. – Vamos para lá.

Por Rachel

Merda! Faltou tão pouco para Santana conseguir. Divido um olhar decepcionado com Quinn, que encolhe os ombros e me puxa para perto das outras duas. Puck e Marley se aproximam também. Logo o clima é quebrado e as brincadeiras voltam. Agora, separamos os casais. Quinn subiu em Britt, eu subi em Marley e Puck levantou Santana. Claro, eu fui a primeira a cair. Santana e Quinn demoraram mais um pouco, mas a latina terminou derrubando minha loira.

A hora do almoço estava ficando próxima e nós resolvemos sair. Fomos para a cidade, comer em um restaurante por lá. Perdemos a hora, ficando a tarde toda andando e conhecendo os lugares. Marley já estava dormindo no ombro de Puck. Voltamos para casa, colocamos nossos pijamas, fizemos pipoca e brigadeiro mais uma vez. E agora, foi impossível escapar dos filmes de terror dos três. Assisto agarrada em Quinn, Marley faz o mesmo em Puck. Britt está encolhida no sofá, enquanto Santana 'assiste' o filme com um olhar perdido. Óbvio que ela queria estar segurando a dançarina. Suspiro fraco. Quando o filme acaba, Quinn, Puck e Santana se juntam para contar histórias macabras, gargalhando das nossas caras de medo. Marley se rende ao sono. O moicano a leva nos braços para o quarto, nos dando boa noite. Chamo Quinn para fazer o mesmo. O banho na cachoeira me deixou exausta.

– Sabe, não é legal ficar contando essas histórias de terror quando estamos no meio do nada. – Encolho na cama.

– Você está com medo, Frodo? – Ela sorri, me abraçando.

– Não. – Digo segura, colocando minha cabeça no seu peito. – Você disse que ia me proteger de tudo. Eu acredito em você.

– Ainda bem. – Escuto um suspiro dela. – Eu mataria qualquer zumbir que tentasse te pegar.

– Q, tecnicamente, eles já estariam mortos.

– Você entendeu, Frodo. – Ela me aperta e eu rio. – Eu não me perdoaria se alguém te fizesse mal de novo. – Sua voz falha e eu levanto a cabeça para encará-la.

– Não pensa nisso, Q. Estamos distantes de tudo. – Faço carinho em sua bochecha. – Estamos só você e eu agora. – Sorri maliciosa.

– Berry, você não tem jeito.

A loira vira por cima de mim, na cama e morde meu pescoço. Deus, como é bom. Seguro sua cabeça, puxando sua boca para a minha. Esse gosto, esse cheiro, essas mãos, esse corpo. Quero tudo para mim, só para mim. Eu quero o tempo todo. Eu... Eu...

– Eu te amo, Quinn. – Sussurro, fazendo a loira parar seus movimentos e me encarar, surpresa.

Por Brittany

De quem foi a ideia estúpida de ficar contando essas histórias de noite? Viro de um lado para outro na cama. Sozinha. Engulo em seco. Pego o celular e disco o número de meu namorado. Ele atende logo e eu suspiro aliviada ao ouvir sua voz.

– Hey, linda. Como você está?

– Assustada. – Murmuro. – Colocaram filme de terror e depois ficaram me fazendo medo. – Faço bico, mesmo que ele não me veja.

– Ow, amor. – Escuto sua risada do outro lado. – Não pense nisso. Quer que te distraia? Hoje eu fui para uma loja incrível, Britt. Lá tinha todos os jogos possíveis. E os filmes? Guerra nas estrelas completo. Eu queria morar lá. Meus amigos compraram...

Péssima ideia. Falar com Sam não está ajudando. Será que Santana está acordada? Ela ficou chateada comigo. Claro, idiota. Você diz que quer beijá-la e se afasta. Mas, ela quis me beijar também e é o que importa. Santana Lopez ainda sente vontade de me beijar. Sorri involuntariamente. No que eu estou pensando? Eu não posso. Dane-se, eu quero. Eu quero muito. O que diabos eu faço?

– E ficamos jogando o dia inteiro. Brittany? – Volto para a realidade.

– Amor, eu preciso ir dormir. Estou com sono. – Menti.

– Oh, tudo bem. – Sua voz pareceu decepcionada. – Boa noite.

– Boa noite, Sam.

– Eu te amo.

Fecho os olhos, desligando o celular. Eu não posso fazer isso. Abro a porta do meu quarto, em silêncio. O quarto de Santana é na frente do meu. A luz está acesa e eu escuto o som do violão. Sorri. Bato na porta? Não. Brittany o que você está fazendo? Seguro a maçaneta e respiro fundo. Giro devagar, escutando o violão parar. Entro insegura. Santana dá um sorriso confuso. Isso me encoraja a chegar mais perto. A latina se afasta na cama, para que eu me sente ao lado dela.

– Eu... Eu não consigo dormir. – Não é mentira.

– Ficou com medo? – Santana ri e eu bato na sua perna. – Aush! Doeu, Brittany. Com essa força, você não precisa ter medo de nada.

– Eu tenho medo de você. – Solto.

– De mim? – Franze a testa. – Vai me bater de novo? – Brinca.

– Estou falando sério.– A expressão da latina muda. – Eu tenho medo do que você me faz sentir.

– O que eu te faço sentir?

– Você me faz querer te ter por perto todos os segundos. E quando você está mesmo perto, eu sinto vontade de te beijar, de te abraçar, de... – Suspiro. – De te fazer minha.

– Britt...– Sussurra.

– Eu sei. Eu sei que eu tenho namorado. Sei que é errado sentir isso.

– Não é errado. – Me interrompe.

– Eu preciso de você. E não sei mais como lutar contra isso.

– Você não precisa lutar. – Ela coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. – Não lute, Britt. – Suplica.

– Tenho medo, San. – Escondo minha cabeça em seu pescoço.

– Eu também tenho. – Confessa. – Quando Rachel foi morar com Quinn, eu morria de medo de te encontrar. Eu ficava pensando em como eu iria reagir, no que eu ia sentir.

– O que você sentiu? – Minha voz é abafada.

– Senti minhas pernas tremerem. – Ela ri. – E eu fiquei com raiva. Sim, achei injusto sentir a mesma coisa que anos atrás. Você não tem ideia do controle que tem sobre mim.

– Também fiquei com raiva. – Levanto a cabeça para encará-la. – E quando o Puck pediu pra eu te beijar, eu quis mais que tudo. Mas, tive medo que fosse só mais um beijo pra você. Eu não suportaria passar por isso de novo.

– Não seria só mais um beijo. Puck sabia disso, ele só quis me ajudar. Na hora eu quis matá-lo, mas eu entendi sua intenção. E você disse que estava com o Sam. Aquilo me matou.

– Eu ainda estou com ele, Santana. – Lembro. A latina faz uma careta. – Mas, eu não suporto mais ficar assim com você.

– Por que você não esquece o mundo lá fora um pouco? Não quero ser egoísta te pedindo isso. Só quero que você pense mais no que sente, se entenda. O que você quer no momento?

– Você. – Sussurro e Santana estremece.

– Estou aqui, Britt.

A latina se aproxima mais e eu tento controlar o impulso de me jogar em seus braços. Minha respiração acelera. Santana está na minha frente, sem máscara nenhuma. Eu baixei todas as minhas armas. Estamos nuas em relação aos nossos sentimentos. Eu quero. Ela quer. Fecho os olhos, sentindo os beijos suáveis que ela está dando no meu pescoço, subindo para minha bochecha, na lateral da minha boca. Eu não suporto mais. Seguro seu rosto, aperto nossas bocas. Santana solta um gemido e minha pele se arrepia. Sinto sua língua traçando meu lábio inferior. Ok, já estamos fazendo isso. Dou permissão, fazendo nossas línguas se encontrarem. Uma corrente elétrica passa pelo meu corpo e eu me aproximo mais dela. O gosto que eu senti a tanto tempo, que eu tanto quis outra vez. É incrível. É melhor. O ar falta, mas eu não quero que acabe. Ela parece querer tampouco. Nos afastamos um pouco, sentindo nossas respirações. Santana me empurra devagar para deitar na cama. Meu corpo obedece, sem relutar.

– Você é minha, Britt. – Sussurra rouca.

Quebro a distância novamente. Eu preciso de seu beijo. Eu sempre fui, Santana. Eu sempre fui.

Notas finais
Finalmente, Brittana, para os que estavam pedindo. :) Espero que vocês tenham gostado, comentem o que acharam. :***, http://ask.fm/FlorDeLins_