Meu melhor remédio
1 Estou com você.
- Rach? Está tudo bem? O que aconteceu? – a loira se desespera ao ouvir a amiga soluçar do outro lado da linha – Me responde, onde você está?
- Na praça. – murmura.
- Aqui em frente? Não saia daí, por favor.
Quinn correu o quarteirão e olhou toda a praça, já estava com o celular na mão para ligar de novo quando percebeu uma pessoa encolhida atrás do escorrego. Seu coração apertou. Nunca tinha visto a amiga se quer chorar (tirando as apresentações emocionadas da época do Glee Club), como ela podia ter chegado nesse estado em um lugar tão público?
- Rachel... – arriscou
A menina virou o rosto e deixou os olhos vermelhos serem avaliados pela que chegara. De um lado, toda tristeza e dor transbordando em lágrimas. Do outro, a preocupação e o medo.
- Oh, meu Deus! O que fizeram com você? – Quinn se assustou quando percebeu o estado das roupas de Rachel.
- Por... favor... me tire... daqui. – E caiu nos braços da amiga.
- Rach? RACHEL! Levanta! Fala comigo. – Quinn a segura nos os braços, e ela apenas abre os olhos. – Fica acordada, eu vou te levar pra casa. Não feche os olhos. Está tudo bem agora.
Quinn foi dizendo palavras de conforto até chegarem em casa. Colocou a menina no sofá, enquanto ia à cozinha preparar um chá calmante. Aproveitou para ligar para os pais de Rachel para avisar que ela ia passar a noite lá, quando viu que a mesma não iria conseguir falar tão cedo.
- Rach, vem comigo. – Pediu a puxando um pouco da cadeira, sem sucesso. – Por favor, você precisa de um banho.
Rachel finalmente olhou para Quinn e assentiu com a cabeça. A amiga deixou que ela ficasse sozinha no chuveiro o tempo que fosse preciso para descarregar tudo aquilo. E foi exatamente o que a pequena fez. Se deixou levar e chorou mais forte, até ficar completamente sem forças.
- Tudo certo aí? – Perguntou Quinn depois de meia hora, preocupando-se novamente.
- Sim. Estou indo. – A voz embargada de Rachel a denunciava.
- Posso entrar?
A porta se abre antes da resposta. Rachel sai com seus cabelos molhados, rosto inchado e um olhar perdido. Não chorava mais. Quinn, ao ver a cena, envolve a amiga num abraço apertado e protetor. Depois de muito relutar, Rachel toma o chá e come alguns biscoitos. Logo vão para a cama, em silêncio. Quinn a coloca nos braços e meche no cabelo da morena.
- Vai ficar tudo bem. Eu não vou deixar nada de mal te acontecer. – Sussurra deixando cair uma lágrima. Não suportava ver sua amiga sofrer desse jeito. – Eu prometo. Eu estou aqui com você.
- Obrigada. – E foi a ultima coisa que elas ouviram naquela noite, antes de caírem no sono.
Por Rachel:
Acordei com o sol entrando no quarto e senti a cabeça latejar. Não! Não quero levantar, não quero sair daqui. Aliás, o que eu faço acordada? Volte a dormir, por favor. Mas, não consigo me obedecer e de repente tudo volta outra vez. A memória se mostra mais forte, me derrubando naquele mar de lembranças terríveis.
- Flash Back -
- Você sabe que eu sempre gostei de você. – Ele sorriu de um jeito que eu nunca tinha visto. Acho que estou sonhando.
- Não, não sei. Onde você está querendo chegar com isso? Não brinca comigo. – Arqueei uma sobrancelha em provocação.
- Estou querendo chegar nisso aqui.
Demorou alguns segundos pra eu perceber o que estava acontecendo. Ele está me beijando. É isso? O beijo que eu sonhei durante anos? Oh, meu Deus!
-Fim do Flash Back-
- Bom dia! – Ouço a voz de Quinn me tirando dos pensamentos e agradeço silenciosamente a ela por isso.
- Bom dia. – Respondo sem abrir os olhos. Nunca quebrei na frente de ninguém. Não sabia como reagir.
- Como você se sente? – Quinn senta na beira da cama e brinca com meu cabelo. Sorri de lado com o gesto. – O que quer pro café da manhã? Por favor, não diga nada muito difícil de fazer. Não me acostumo com suas comidas. – Sorri maior e abri os olhos. – Hey!
- Hey! – Respondi segurando sua mão. – Estou melhor, eu acho. Não se preocupe com a comida, não estou com fo...
- Vai comer sim! – Quinn me interrompe e eu suspiro, sabendo que é impossível ir contra ela. – Vai se trocar, separei umas roupas pra você. Te espero na cozinha.
Quando ela fez que ia sair da cama, segurei sua mão mais forte e a puxei. Ela me olhou confusa e, mais uma vez, preocupada. Quinn tinha demostrado ser uma ótima amiga nesses últimos meses, levando em conta todo nosso passado confuso de brigas sem sentido.
- O que houve? – Ela pergunta, quando estou me perdendo nos pensamentos de novo.
A puxo para um abraço forte. Ela aceita e me envolve com carinho. Quando nos afastamos ela me olha com atenção e eu entendo o jeito dela dizer que está comigo. É fácil falar com ela através do olhar. Ela sempre foi muito transparente. Ela afaga minha bochecha e solta um “estou te esperando” antes de levantar.
Respirei fundo. Enfrentar esse dia não ia ser nada fácil.
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