Meu melhor remédio
26 Enfim, sós.
Notas iniciais
Por Santana
Eu pude sentir todo o meu sangue congelar. Quinn aperta meu braço. Fecho meus olhos, tentando controlar minha respiração. Foram só alguns segundos, que pareceram horas. Brittany vira para o som da voz, com uma expressão assustada. Logo ela força um sorriso. Um sorriso que só foi real para ele, porque todos nós sabíamos o quão falso ele soou.
– Sam? – Ela franze a testa. – O que você está fazendo aqui?
– Vim te buscar. – Pela voz, eu sei que ele está sorrindo. Fecho minhas mãos em punhos.
– Sim, eu vejo. Digo, o que você está fazendo em NY?
– Vim passar o final de ano aqui, amor. – Deus, eu vou vomitar. Quinn me segura mais firme. – Pensei que você ia gostar da surpresa. – Diz incerto. Não posso evitar um sorriso.
– Eu... Oh, claro que eu gostei.
Rachel envolve meu outro braço, me apoiando. Por um segundo, eu me sinto ridícula por essa situação. Eu só quero sair daqui, chutar a bunda desse idiota e ir para minha casa, com minha mulher. Mas, eu sei que se eu virar sozinha, eu posso simplesmente desmoronar. E eu não quero isso. Então, tento agradecer as duas com um olhar. Elas assentem, me virando para a direção de Brittany. Respiro fundo.
– Oh, hey! Rachel, Marley. – Ele sorri. – Cara, você não mudou nada. – Usa sua mão livre para apertar a de Puck. A outra está na cintura de Britt. Engulo seco. – Quinn, já você está cada dia mais linda. Quanto tempo, San? – San? Sério? Levanto uma sobrancelha.
Todos falam com o loiro. Bem, eu não. Meus olhos estão cravados nos de Brittany. Ela tampouco consegue parar de me encarar. Seus olhos estão confusos, nervosos. Solto um suspiro. Eu disse que esperaria por ela. Só preciso confiar nisso, certo? Dou um sorriso de lado para a dançarina, que me corresponde.
– Já vamos indo, Sam. Foi bom te ver. – Quinn fala simpática e eu bufo, virando os olhos.
– Digo o mesmo, Q. Precisamos marcar para sairmos todos juntos, agora que nos reencontramos. - Ele beija a cabeça de Britt. Meu corpo estremece. – Ei, vocês dois estão namorando? – Ele aponta para Puck e Marley, rindo.
– Ainda não. Mas... – Rachel responde antes dos dois. Todos viram para ela, confusos, até eu consigo tirar os olhos da loira para encará-la. – Nós estamos. – Segura uma mão de Quinn na minha frente.
– O que? – Ri, incrédulo. Brittany fica um pouco tensa ao lado dele. – Vocês estão brincando?
– Não, Sam. – Quinn responde firme. Eu sorrio por ela. – Nós realmente estamos juntas.
– Uou. Sério? Eu não sabia que... Oh! – Franze a testa. Eu mordo o lábio, tentando prender o riso. A dançarina lança um olhar assassino para nós. Rachel dá os ombros. – Bom, fico feliz por vocês.
– Obrigada, Sam. Então, nós precisamos mesmo ir. Nos falamos depois.
Nos despedimos de todos. Puck e Marley foram juntos em outro táxi, enquanto eu, Rach e Quinn pegamos outro. Quando entramos no carro, explodimos em risadas. Eu estava grata por poder fazer isso, depois de uma situação estupidamente constrangedora.
– Ele deve estar confuso por saber que sua ex namorada está com outra mulher. – Digo, ainda rindo.
– Confuso ele ficará quando ele souber que a atual também quer estar. – Rachel diz.
Rimos um pouco mais, mas eu não pude evitar me sentir idiota. Eu quero Britt nos meus braços outra vez. Em pensar que agora ela está com ele. Encosto minha cabeça na janela, suspirando alto. Todos os nossos beijos, nossos abraços, carinhos, conversas, todas as vezes que fizemos amor, tudo isso passando em minha mente. Precisava acabar tão rápido? Precisava ser no segundo que entramos em NY? Não poderia ter esperado nem ao menos para nos despedirmos e nos desejarmos boas festas? Quinn apoia a cabeça em meu ombro. Sorrio fraco, mudando de posição para me encostar nela.
– Tudo vai ficar bem, San. Eles só precisam conversar.
E eu quero acreditar nas palavras de minha amiga. Quero acreditar com todas as minhas forças, como se minha vida dependesse disso.
Por Rachel
Deixamos Santana no seu apartamento e fomos para o nosso. Sentia-me mal pela latina. Mas, Brittany não teve toda a culpa, ela nem mesmo sabia que Sam já tinha voltado. Uma sensação estranha me invadiu quando pisamos em casa. Não foi ruim, apenas diferente. Talvez seja porque eu me sinta diferente do que eu estava quando sai daqui. Tanta coisa aconteceu. Deixo minha mala no meu quarto, com preguiça de desarruma-la agora. Ligo para meus pais, para avisá-los que eu cheguei. Eles lembram sobre o jantar amanhã à noite. Sorrio, pensando em como vou apresentar Quinn como minha namorada. Vou para o quarto da loira, que está guardando suas coisas. Deus, como ela consegue ser tão organizada? Ela sorri, quando percebe que eu entrei no quarto.
– Lucy, me desculpe. – Digo. Ela me olha confusa. – Eu falei para Sam, sem nem saber se já podíamos falar algo.
– Hey, tudo bem, Rach. – Se aproxima, envolvendo seus braços em meu pescoço. Prendo sua cintura com os meus, encostando minha cabeça em seu peito. – Só fiquei um pouco surpresa, mas não chateada. Nunca. Sou a pessoa mais feliz do mundo por te namorar. Não me importo que o mundo saiba.
– Eu sei, eu também sou. – Afirmo, beijando seu pescoço. – Mas, eu estava com tanta raiva naquela hora, que esse foi o único jeito que eu consegui para provocar Sam. Nem pensei se era certo.
– Brittany, provavelmente, quer te arrancar os cabelos, eu tenho certeza. – Rimos. – Já eu... Quero deitar e ficar abraçada com você. Estou com muito sono, cansada.
Não sei quanto tempo dormimos, mas acordei com o carinho de Quinn no meu braço. Sorri, abraçando ainda mais sua cintura. Sem dúvidas, meu melhor lugar. Eu sempre gostei dos seus abraços, eles sempre me acolheram de forma protetora. Digo, quando nós começamos a nos falar direito, claro. Eles já me jogaram muitas raspadinhas também. Mas, isso não importa agora. Estamos juntas e eu a amo. Outro sorriso bobo surge em mim. Namoro Quinn Fabray, sou amiga de Noah Puckerman e Santana Lopez. Eles têm corações no final de tudo, lindos, por sinal. Ah, Santana...
– Não consigo parar de pensar na cena do aeroporto, sabia? – Digo em um tom de raiva. – Espero que San esteja bem.
Quinn solta um riso fraco, mas não fala nada. Levanto minha cabeça para encará-la. Seus olhos estão fixos em um ponto qualquer da parede. Percebo que seus pensamentos estão longe. Deito outra vez em seu peito, entrelaçando a mão parada dela.
– Estamos com outro problema aqui, certo? – Ela confirma. – Você já tentou falar com sua irmã?
– Não. Não quero que ela crie expectativa, não tenho certeza ainda. – Solta o ar que estava segurando.
– Amanhã já é Natal. – Lembro. – Elas não irão embora, no entanto. Você pode esperar mais.
– Eu sei. – Sua mão não deixa de fazer carinho em meu braço. Sorrio. – Tenho medo, Rach. – Sussurra.
– De que, meu amor? – Aperto sua mão.
– De vê-la. A lembrança que eu tenho de Frannie é a de quase dez anos atrás. Uma filha aconteceu. Eu tenho uma sobrinha.
– Duas filhas aconteceram. – Lembro. Ela estremece. – Lucy, é disso que você está com medo? De lembrar-se de...
– Não. – Me interrompe rápida e fria. – Desculpe. Eu não gosto de falar sobre isso, me machuca.
– Tudo bem. – Suspiro. – Está preparada para conhecer os meus pais? – Mudo de assunto, ela ri.
– Eu já conheço seus pais, Frodo.
– Eles não sabem que você é minha namorada.
– Isso é um problema? – Sinto seu corpo ficar tenso e prendo o riso. – Rachel, eles gostam de mim, certo?
– Acho que sim, Q. Digo, eles sabem tudo o que você fazia comigo no colégio e...
– Deus, Rachel! – Ela senta, me afastando. – Eles me odeiam.
– Não é pra tanto, meu amor. – Brinco mais. – Hiram talvez te ameace um pouco, mas...
– Eu não vou, Berry. – Nega com a cabeça. – Eles vão me matar.
– Quinn... – Não consigo mais. Gargalho. – Eu estou brincando.
– O que... – Franze a testa. – Frodo idiota. Não faça isso comigo.
– Você está mesmo nervosa? – Rio.
– Claro que não. Bom, um pouco. Rachel, eles sabem mesmo?
– Sobre o colégio? – Ela assente. – Sim, eles sabem. Mas, eles não te odeiam. Eu te perdoei, eles também fizeram. Aliás, eu acho que Leroy até desconfia que estamos juntas.
– Eu te amo. – Diz de repente.
– Eu também te amo, Quinn. – Franzo a testa.
– Não. – Ela se aproxima, segurando meu rosto. – Eu te amo, Rachel. Eu sou apaixonada por você, sempre fui. Eu amo tudo seu, seus olhos, seu sorriso, sua voz. Eu amo loucamente o seu corpo. – Sussurra. Sinto minha pele arrepiar. – Amo o que eu faço com você. Eu te amo até quando você me engana, Berry. – Rimos.
– Por que você é tão linda? – Beijo sua boca, devagar. – Não tem como meus pais não amarem você, Lucy. Você é perfeita.
Ela sorri, me beijando. Nossas línguas lutam pelo domínio, ela ganha. Solto um gemido alto, fazendo Quinn rir e nossas bocas se separarem. Faço um bico frustrado por ela ter interrompido.
– Alguém precisa de um banho frio. – Ri.
– Hm, soa bem. Água, sem roupas... Você. – Sussurro.
– Eu não tinha planos melhores. – Sorri, me puxando para o banheiro. Enfim, sós.
Por Marley
Acordo em minha cama, virando para abraçar Puck, mas... Droga, estou em casa. Como eu faço para voltar para lá? Ele disse que gosta de mim, que quer tentar. Deus, eu não poderia estar mais feliz que isso.
– Posso saber o motivo desse sorriso?– Minha mãe pergunta, quando eu entro na sala e sento no seu colo.
– Puck vai passar o Natal aqui.– Digo. Ela arqueia as sobrancelhas. – Ele pode, certo?– Pergunto temorosa.
– Claro que sim, filha.– Sorrimos. – Vai ser muito bom ter mais alguém aqui em casa no dia do Natal.
– Mãe, eu não ligo de passar só com você.
– Nem eu, pequena.– Sorri triste. – Mas, você sabe...
– Não, eu não sei.– Levanto. Eu já sabia onde essa conversa iria chegar. – E, por favor, mãe, não fale sobre isso com o Puck. É um assunto delicado.
– Oh, o pai dele também...
– Não.– Suspiro. – No ensino médio, Puck teve uma filha com Quinn.– Digo. Alguma hora eu teria que contar. Ela me olha assustada.
– Com Quinn? A namorada de Rachel?– Pergunta confusa. Eu não evito uma risada.
– É complicado, eu sei. Eles namoravam e aconteceu.– Encolho os ombros. – Mas, eles eram muito novos, não tinham condições para cria-la. Então, eles resolveram coloca-la para adoção.– Explico.
– Oh, meu Deus, Marley.
– E quem adotou foi Shelby.
– A mãe de Rachel?– Assinto. – Certo, eu preciso de uma bebida.– Gargalho.
– O fato é que eles não gostam de falar sobre isso. E eu descobri que o Puck tem medo que um dia Beth pense que ele a abandonou, como o papai fez com a gente.
– Mas, são situações diferentes, querida.
– Eu sei, mãe. Eu falei para ele. Enfim, vamos evitar falar sobre esse idiota amanhã.
– Tudo bem, eu não falarei.– Promete. – Marley, vocês estão se prevenindo, certo?
– Oh, Deus, mãe, é claro!– Coro violentamente. – Não cometeríamos o mesmo erro.
– Não custa alertar.– Ri. – Você o ama?
– Eu... Eu gosto dele. Amor é uma palavra muito forte, não sei se eu sinto isso.
– Ele te faz feliz.– Não é uma pergunta. Sorrio. – Não vejo você assim desde que terminou com Jake.
– Ele me faz bem sim.– Meu celular interrompe nossa conversa. É ele ligando. Meu coração acelera dentro de mim. Minha mãe me olha com uma sobrancelha levantada.
– Não é amor?– Ri. – Veremos o que é, então...
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