Meu final feliz
7 Capítulo 7
Depois de um cd tocado inteiramente por três vezes seguidas, Regina chega à cidade vizinha e estaciona seu carro no mesmo ponto. Perecia reservado para ela.
Com passos tranquilos, ela vai até o bar e percebe as primeiras movimentações dos frequentadores. Alguns funcionários acenam para sua cliente vip e são correspondidos instintivamente pela morena. Dentro de sua alma, Regina estava carregando muita tensão e medo pela reação que Dashiel pudesse ter.
E ele estava lá, parado com os braços cruzados na frente do corpo. Apenas a olha com tamanha suavidade que dá a certeza de que sua mente estava limpa. Ele não sorri, porém, seus olhos dizem que seu corpo sentia prazer em reencontrar Regina.
— Olá, moço bonito!
— Hoje teremos frutos do mar para o jantar.
— Eu quero apenas beber um suco e ouvir músicas suaves. – ela aponta para o mar. – Hoje ele está revolto.
Dashiel não desvia os olhos. Apenas quer olhar Regina e tentar descobrir porque sua alma estava gritando contra ela. Sua alma dizia que o botão de alerta estava acionado e que aquela sensação de insegurança estava associada à dor. Mas sua racionalidade não lhe permitia ser ofensivo ou fugir do contato com aquela mulher insistente e persistente.
— Estou viciada em seu bar. O Mar é diferente, olhando daqui.
Ele a conduz para dentro do bar, apoiando sua mão espalmada nas costas dela. Aquele simples gesto parecia provocar ardor de uma queimadura. Tinha de ser elegante com seus clientes, sobretudo, com uma linda mulher com quem ia para a cama.
Acomodada em sua mesa preferida, Regina sorri ao ver Dashiel se sentar diante dela. Ele cobre a mão dela com a sua e sorri.
— Estou sentindo medo de você, Regina. Um pavor inexplicável...sei que é indelicadeza de minha parte, dizer isso a uma mulher elegante e requintada como você, entretanto, guardar isso em minha alma irá me enlouquecer.
— Tem medo de que eu o mate?
— É algo assustador demais. Olho em seus olhos e apenas consigo ver fúria e extremo autocontrole. É como se eu estivesse vendo uma fera acuada e atormentada, pronta para dilacerar quem a está provocando de fora da jaula. – ele fala tranquilamente.
— Mas isso é muito ruim, porque eu iria continuar insistindo em um relacionamento com você.
Ele abaixa a cabeça e ri. Depois a encara novamente.
— Não vejo problemas em ter um relacionamento com você, Regina Mills. Mas preciso muito entender esse pavor que nasceu agora que estou perto de você. Não entendo o que acontece.
Naquela madrugada não acontece o encontro festivo entre homem e mulher, sob a testemunha das luzes da rua que entravam pela imensa janela do loft. Apenas deitados como crianças mandadas pela mãe, para a cama, os dois curtiam o silêncio daquele espaço.
— O que está acontecendo, Dashiel? Quer romper o nosso acordo?
— Não se ofenda com minha falta de desejo. Mas algo está ocupando a minha cabeça como se fossem lembranças querendo sair. Há uma luta de sons, luzes e movimentos que sempre provocam medo.
Regina se deita sobre um dos lados do corpo e apoia-se no cotovelo.
— Já pensou nas lembranças do que você viveu quando criança? Eu conheço um excelente psiquiatra que poderia ajudar nessa confusão.
Sentando-se sobre o colchão, Dashiel acende a luz do abajur para ver melhor o belo rosto de Regina, linda em sua plena nudez despudorada.
— Como sabe do que vivi quando criança?
— Meu querido, você me contou. Não se lembra?
— Definidamente não. É uma parte de minha vida que não compartilho.
— Deveria compartilhar, porque isso vai provocar loucura. É isso que quer? Ser prisioneiro de seus fantasmas?
Um sorriso confiante surge nos lábios finos do modelo. Ele pisca pesadamente, como sono.
— Caso queira dormir, eu velarei seu sono. Pode confiar em mim.
O coração de Dashiel tamborila em seu peito e ele descobre que todos os órgãos de seu corpo eram corações acelerados e temerosos com a presença daquela mulher nua deitada ao seu lado. Linda e com contornos perfeitos... porém, as cobras também têm desenhos perfeitos em sua pele.
Pouco depois das quatro horas da madrugada, Regina fecha a porta de seu quarto em sua mansão. Para prevenir-se contra qualquer ataque, ela coloca uma proteção extra na porta.
— Melhor prevenir...
Num canto escuro do corredor, Zelena observa todos os movimentos da irmã. Ela havia voltado ao encontro com o homem de olhos cor de mel. Logo, algo tinha sido feito para que ele não se lembrasse do ataque providenciado há dias. Ele precisava sentir horror à presença de Regina e algo mais grave precisava ser feito, porém, desta vez, deveria haver algo que impedisse as lembranças de serem retiradas.
Zelena sorri lindamente com seus dentes grandes.
— Sonhos não são lembranças do que aconteceu. Mas podem ser perturbadores. Hummm...enquanto a Rainha dorme depois de ter recebido os favores de seu amante, a noite escura encobre os movimentos ofídicos da rejeitada irmãzinha verde. Vamos brincar um pouco...- Zelena para com seus delírios, quando ouve o choro forte de sua filha Robin, pedindo auxilio e os braços da mãe. – Puta merda!
Pouco antes das seis horas da manhã, sons abafados fazem com que Dashiel desperte de seu sono. Estava sozinho na cama e Regina havia feito o que ele mais detestava: sair sem se despedir, deixando-o desprotegido como todo adormecido. Ele se senta na cama e continua ouvindo os sons.
Eram sons vindos do lado de fora de seu quarto e assemelhavam-se ao choro de uma criança. Imediatamente, ele trata de vestir alguma peça de roupa e sai do quarto para descobrir o que estava acontecendo.
Sua casa estava havia sofrido uma mudança estrutural e ele estava num corredor escuro com várias portas semiabertas. Ele caminha descalço por aquele soalho frio e úmido, conseguindo alcançar o quarto de onde vinha o choro abafado.
Lá dentro sobre a cama, uma menininha ruiva chorava com o rosto protegido por um travesseiro. Estava sentadinha sobre a cama e seus cabelos longos caiam-lhe cobrindo rosto. Ela chorava copiosamente e Dashiel sabia que ela havia sido abandonada. Como? Não sabia como sabia.
Espalmando a mão sobre o peito, ele tenta controlar aquela sensação aflitiva e opressora. Aproxima-se da cama e estende a mão para tocar os cabelos longos da garotinha, mas ela levanta a cabeça e exibe seu rosto de boneca de porcelana sem olhos. A menina abre a boca escura e avança para Dashiel, cravando suas unhas sujas e grandes na carne de seus braços.
Ele grita e acorda. Senta-se na cama e procura oxigênio, porque o mezanino estava quente demais. Precisava abrir a janela e ao fazer o esboço de sair da cama, depara-se com Regina ferida e sangrando, atrás da cortina do quarto, pelo lado de fora e com as mãos espalmadas sobre o tecido fino.
Outro grito e ele acorda de novo. Desta vez, de verdade. O que era aquilo?
Depois do almoço, Regina decide fazer uma visita ao seu velho Capitão. Devia desculpas e precisava conversar com alguém conhecido. Sabia que iria ser criticada, mas não conseguia sentir raiva do pirata por muito tempo.
Sem hesitar, sobe ao deque e procura uma entrada para a cabine do pirata. Quando a encontra, segue sem cerimônia para invadir a privacidade do companheiro de longas aventuras.
— Somos dois sem vergonha em matéria de amar. – ele fala ao ver a Rainha entrando em sua cabine. – Não sei porque você arrisca enfiar um dos saltos nos buracos da madeira do deque, se poderia rodar a mão e surgir triunfal numa nuvem de fumaça roxa.
— Eu trouxe biscoitos da sorte. Adoro ler as mensagens idiotas que os confeiteiros colocam dentro dos biscoitos.
— Você é patética.
— Eu sei, Capitão. Por isso eu me sinto tão à vontade ao seu lado. Até pensei que poderíamos nos casar e ter lindos capitãezinhos ou belíssimas rainhazinhas.
— Acho que exagerei na quantidade de ópio, ontem à noite. – ele se senta e abre a caixa com os biscoitos. – O que você quer?
Regina sorri e ajeita-se na cadeira. Aquela cabine despertava uma sensação de claustrofobia.
— Dashiel falou que sente pavor por mim. Não consegui tirar todas as lembranças do ataque e preciso de sua ajuda para conseguir algo que não deixe resquícios. Você é um homem que viajou por muitos mares e deve ter conhecido alguém com conhecimento suficiente para ajudar-me nesta empreitada.
— Conheci sua mãe. Conheci o Crocodilo. Conheci o Merlin. Conheci Hades e conheci até Zeus. Nos livros, ele era mostrado como um homenzarrão, porém, pessoalmente não é mais velho que Henry.
O rosto de Regina se desbarranca. O pirata estava fazendo piadas e desdenhando de algo importante. Ela fica feroz e naquele momento consegue exibir a aura de maldade que Dashiel estava vendo e que tanto temia.
Killian sorri e aponta o dedo indicador para o rosto da Rainha.
— Aí está o monstro! Eu consegui ver a aura de fera que há em sua volta. Esse é o cerne da questão! Depois do ataque, Dashiel ficou mais sensível e conseguiu distinguir o seu verdadeiro “eu”, Regina. Você é o que é, amor, assuma! Por que tentar ser a madrasta boazinha, se você é mais perigosa que os dragões dos contos?
— Não sou um monstro e quero ajuda para limpar o que incomoda a alma de Dashiel...
— Você é idiota? Sua mãe bateu muito em sua cabeça quando você era criança? Tentar ser boazinha deixou seu cérebro tão oco como esses biscoitos?
Regina abre e fecha a boca como se estivesse tentado dublar alguma canção.
— Você não vai conseguir tirar esse medo da alma de Dashiel, porque o medo não é por você. É por algo que o perseguiu em outros tempos, mas que não é você e nem a Verdinha! – ele joga o biscoito sobre a mesa. Aquilo era ruim demais! – Pensei e evoquei memórias durante dias. E foi muito trabalhoso, devido a quantidade de memórias que estavam adormecidas pela...
— Sua idade.
Killian força uma risada debochada. Ele continua:
— Dashiel de Moncaliere é o filho preferido do Rei Omar de Moncaliere. O reino foi cobiçado pela imensa quantidade de pedras preciosas que fluíam pelo leito dos córregos e pelo excesso de ouro nas minas. Até eu senti desejo de invadir e pilhar o reino, com meus piratas.
Uma sombra escura protege o rosto de Regina.
— Dashiel governava e controlava todo o fluxo de riqueza. Então, os opositores decidiram que o príncipe precisava ser tirado do cargo de governador, por controlar com mãos de ferro, a distribuição da riqueza.
A atenção de Regina aumenta.
— Paralelo à política, Dashiel rompeu com o casamento arranjado por causa do amor verdadeiro e foi amaldiçoado por isso. As mulheres com viesse a relacionar-se intimamente, virariam estátuas de pedra com a alma viva dentro delas e foi o que houve com a mulher que ele amava. Dizem que há uma estátua com alma, perdida em algum reino entre tantos pelos quais meu navio passou.
Regina se inclina para frente, atenta.
— O irmão sacerdote e a irmã general do exército deram um golpe de Estado e condenaram Omar e Dashiel ao desmembramento em praça púbica. Levados para a cadeia, o rei que havia levado algo que abrisse um portal, desejou salvar a sua joia mais preciosa: o filho. Dizem que ele foi ajudado pelo carcereiro e drogou Dashiel, atirando-o pela abertura do portal e jogando o príncipe para uma realidade alternativa.
— Mas e as lembranças dele que captei numa das noites? As histórias do orfanato...
— Não sei quem ou como, mas Dashiel pode ser o mesmo jovem atirado pelo portal e que surgiu aqui com memórias que ele acredita serem suas. Mágica ou coincidência demais.
Levantando-se, Regina vai olhar pela janela da cabine e vê a beleza do mar convidando-a a navegar com seu amigo pirata. Olha por cima do ombro. O navio, o mar, o pirata...tudo aquilo era uma tentação!
— Caso eu tire mais lembranças dele...poderei fritar-lhe cérebro? Será como deixar um vácuo...mas isso pode ser apenas coincidência!
O pirata concorda.
— Mas pode não ser. Quando eu conheci, o nome dele fez evocações em minha memória e não consegui me acalmar enquanto não descobri o que precisava. Talvez, o Rei tenha recebido a ajuda de alguém que conhecia magia e possibilitou a criação de memórias falsas nele. Talvez, essa pessoa tivesse atravessado o portal com Dashiel.
— Talvez a passagem aceitasse somente duas pessoas. E Dashiel não permitiria que o pai ficasse para trás, por isso foi drogado e jogado no portal. Essa pessoa está junto ou próximo de Dashiel.
— Portanto, amor, esqueça-se dessa história de buscar ajuda para organizar as ideias do seu amigo sem compromissos. Deixe-o como está e apenas crie uma proteção para que sua verdinha não tente macular ainda mais o seu amante.
Regina morde levemente a ponta do dedo indicador. Aquele simples gesto desperta interesse no velho pirata, que gosta da cena, definindo-a como sexy num conceito em seus pensamentos.
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