Dashiel abre a porta de se loft e sorri ao ver Killian parado em pé na entrada, ao lado de uma jovem pequena e suave. Uma boneca com rosto de porcelana rica e sorriso angelical.

— Esta é minha amiga Belle!

O modelo sorri ainda mais e convida o casal para sair do calor.

— Fiquem à vontade! – ele conduz os visitantes para o ambiente social. – Sentem-se, enquanto vou buscar uma bebida gelada!

Belle não contém o riso. Estava histérica e não conseguia acreditar que estava tão perto do modelo visto somente nas páginas de revistas e pela internet.

— Ele é lindo, Killian!

— Sim. Ele é.

— Não estou acreditando no que estou vivendo!

Killian se inclina para frente.

— Será que em seus livros há a história do Reino de Moncaliere?

— Reino de Moncaliere? O que quer dizer com isso?

— Peço apenas que quando retornarmos, procure isso para mim. Pode ser?

— Depois de hoje, se você me pedir para andar numa bicicleta de macaco de circo, eu andarei! – Belle sorri ao ver Dashiel se aproximando carregando uma bandeja com coquetéis. Era a sua especialidade. – Ele é lindo, Killian!

Durante toda aquela tarde, os três conversam, trocam impressões sobre diversos assuntos e permitem que o tempo passe de maneira agradável. Dentro de seu coração, Killian sentia que alguma nuvem trazendo maus presságios estava se aproximando e em breve todos teriam muito trabalho extra. Seus instintos aflorados ainda mais com o que Regina chamava de “resquícios do Dark One”, gritavam para que ele abrisse mais os olhos e enxergasse algo para algum mal ser evitado. Mas o que tinha de enxergar?

Olhando em volta, Killian tenta encontrar alguma informação escondida nos mobiliários ou na disposição dos objetos ou telas naquele galpão ricamente decorado. Alguma coisa tinha de conter a identidade da alma de Dashiel, para facilitar a proteção do jovem contra Zelena ou contra quem quer que fosse, que quisesse maculá-lo. Ele iria pertencer à Regina e todos os amigos dela, deveriam ficar empenhados em ajudá-la a encontrar seu final feliz.

— Por que não navegamos?

Belle e Dashiel encaram Killian e aprovam a ideia.

— Vamos marcar uma manhã e partiremos em busca de mais um navio naufragado. Tenho as coordenadas e poderemos levar meu enteado. O que acham?

No caminho de volta, Belle sorria ao volante. Estava feliz com a tarde em companhia do modelo e de seu pirata protegido. Ela se sentia responsável pela reabilitação de Killian e agora o sentia muito próximo e sempre necessitado de seus cuidados. Fizera questão até de colocar ela mesma, o cinto de segurança no homem.

— Qual é sua impressão sobre ele?

— De fato, Dashiel não é um homem desse tempo. Por mais elegantes que os homens refinados possam ser, percebi algo de nobre ao estilo dos reinos da realidade dos contos de fadas. Ele é encantador e quase perfeito como são os príncipes descritos nas histórias.

— Acha que ele é o mesmo filho de Omar de Moncaliere?

Belle dá de ombros.

— Não sei, Killian. Mas sei que ele precisa de proteção e Regina precisa tomá-lo imediatamente para a vida dela, antes que a pessoa que o atacou, retorne.

— Preciso pedir discrição, Belle?

A moça acha graça na pergunta.

— Fique na paz, Killian. Você confiou um segredo e ele estará atado a mim.

— “Como o verme à podridão; como a garrafa ao beberrão; como o baralho ao jogador. Maldita seja como for. ” Acho que é isso...

— O poema de Baudelaire? Quase isso! Depois enviarei o poema para o seu celular.

A viagem continua e Belle deixa Killian diante do loft dos Charming. Ele iria jantar com Mary e David, depois levaria Emma e Henry ao cinema.

— Quer jantar conosco?

— Obrigada, Killian, mas devo declinar ao convite. Tenho coisas para organizar em minha casa e preciso começar uma pesquisa importante para um amigo importante. – ela apoia a mão sobre a coxa do pirata. – Obrigada pela tarde e por ter apresentado Dashiel a mim!

— Obrigado por salvar a minha vida com o seu perdão, amiga!

Os dois se abraçam e depois se afastam com lágrimas nos olhos.

Mais tarde naquela noite, Emma percebe que o homem em cujo peito estava deitada, exalava preocupação e que tinha restrições para querer expor seus sentimentos.

— O que há Killian? O que o preocupa?

— Levei Belle para conhecer o modelo fotográfico dos sonhos dela. Ficou feliz como se fosse uma criança ao conhecer o ídolo do futebol.

— Belle é uma fofa!

— Ela ganhou uma cesta gigante com os produtos da grife dele. Coisas requintadas e caras, apenas para quem está no topo da cadeia alimentar. – ele sorri. – Ela ficou radiante!

— Certo. Mas por que levou Belle para conhecer o amante de Regina?

Killian fica em silêncio por alguns instantes.

— Emma, estou com medo...

— O que o aflige, meu querido?

— Regina se envolveu com um cara que ao que tudo indica, saiu de um dos contos de fada. Foi atirado em outra realidade, para fugir da morte e de uma terrível maldição, acredito eu. Mas veio para esta realidade com alguém como protetor ou como controlador, não sei. – ele se move na cama e Emma entende que ele quer se sentar. – O pior é que acredito que a Verdinha se apresentou como Regina e cometeu uma atrocidade contra o rapaz, para afastá-lo da irmã.

— E o que houve?

— Violência física. Mas Regina retirou essas lembranças ruins da mente dele, mas acabou acionando outras lembranças que começaram a confundir a mente dele. Porém, começo a acreditar que pode não ter sido Zelena durante o ataque.

— O que isso quer dizer?

— Quer dizer que Regina foi envolver-se com um homem proibido e que esse romance ou sei lá o que, pode ainda trazer consequências graves para nossa prefeita. Ela despertou ira e inveja em Zelena e pode ter despertado outros sentimentos em alguém que não conhecemos.

Emma franze a testa e se mostra preocupada.

— Zelena pode não querer um final feliz para a irmã e outra pessoa não quer o mesmo para Dashiel. Em ambos os lados, sentimentos ruins tornam Regina alvo de algo ruim que está se aproximando dela. – ele acaricia o peito na altura do coração. – Não vi nada, mas algo dentro de mim estava gritando que estão preparando algo grandioso para a vida de Regina. Não sei explicar, Emma, mas eu tive a sensação de ver o liquido rodando num caldeirão e outra maldição sendo preparada.

— Isso é sério, Killian. Meus pais precisam ficar sabendo...

— Nem pensar! Sua mãe tem a língua solta demais! Caso ela fique sabendo do romance de Regina, não irá controlar a língua e provocará aquela aura de maldade que vi em torno de Regina. – Killian se senta de lado na cama e encara Emma. – Amor, eu vi um olhar de fera, dentro dos olhos de Regina. Um olhar que vi somente em Cérbero.

Acariciando o rosto do namorado, Emma tenta encontrar palavras que ajudassem. Entretanto, nada vem à sua mente.

— Pobre Regina...mesmo lutando contra e fugindo de seus instintos perversos, eles sempre conseguem alcançá-la. O maldito crocodilo a mergulhou numa magia tão suja e tão negra, que somente um amor verdadeiro e puro poderá libertá-la de vez. Mas quem consegue amar uma mulher como Regina?

— Você já se perguntou se Regina está mesmo isenta do ataque contra o amante? E se ela não se recordar do ataque por estar com a alma dividida? E se o lado Rainha Má dominou a alma e as lembranças dela, na noite do ataque?

— Dr. Jekill e Mr. Hide?

— Sim.

— Rainha Má e Rainha Mills? – ele morde o lábio inferior. – Torço para que isso não seja verdade, porque o lado escuro de Regina é muito mais forte que o lado herói dela. Não somente ela está ferrada, mas todos em sua volta e isso inclui Henry.