Meu final feliz
28 Capítulo 28
Tudo estava brilhante e perfeitamente organizado para o recebimento de todos convidados que conseguissem chegar ao baile. O convite feito ao reino avisava sobre o baile oferecido pela Rainha Regina Mills para a apresentação de seu futuro marido.
Os arautos divulgaram que todos deveriam estar apresentáveis para a festividade e isso já deixava bem claro que o baile seria restrito a quem tivesse posses para vestir-se adequadamente para a ocasião.
Muitos comerciantes, pessoas com alguma posse, fazendeiros, políticos e alguns religiosos estavam entre os presentes. Todos demonstravam receio em entrar naquele castelo assustador embora estivesse muito iluminado e colorido.
Muita fartura de bebidas e comidas, demonstrava a prosperidade dentro daquelas paredes. A orquestra estava formada por sensuais sátiros protegidos em roupas humanas, embora exibissem seus cascos como forma de intimidar quem se atrevesse a aproximar-se.
Algumas pessoas haviam recebido convite impressos e poderiam fazer parte da ala vip da festividade e teriam aproximação com a família e os agregados da Rainha. Entre eles, a linda e radiante Robin que corria de um lado a outro, cumprimentando as pessoas e oferecendo a atenção negada pela anfitriã que ainda não se apresentara.
O carrilhão toca pela vigésima segunda vez naquele dia e o som da orquestra desaparece. Todos os olhares se voltam para o topo da escada, onde surge a figura imponente e atemorizante da Rainha Mills. Linda em um vestido preto com detalhes pratas, ela não se furta a usar uma máscara ameaçadora, cobrindo sua metade deformada e mantendo seu olho branco à mostra.
Estranhamente, ela estava com algo diferente naquela noite e suas mãos se exibiam mais magras como se fossem garras. O medo se instala nos corações, porque havia a desconfiança de que a transformação em fera não tardaria. Estaria a Rainha apenas angariando alimento entre os convidados? Iria promover um massacre contra seus adversários? Fecharia as portas por fora e atearia fogo em todos? Ou estaria apenas acometida de um emagrecimento proposital?
Ao lado da Governadora, um belíssimo homem de rosto muito, muito triste e olhar cor de mel. Os rumores tinham sido mentirosos quanto à aparência do príncipe consorte: os boatos não tinham sido justos. Ele era infinitamente mais bonito que as descrições e tudo ornava em sua vestimenta, como se tivesse sido criado por algum artística perfeccionista e de mãos habilidosas.
O casal é anunciado por André e as pessoas não escodem seus comentários de admiração ou de desprezo. Muitos permitem sentir piedade pela escravidão decretada ao jovem de barba bem cuidada e cabelos cacheados. Mas Dashiel estava alheio aos comentários e não conseguia esconder a dor que latejava em seu peito.
Num espaço do salão, Killian se exibia impecável em uma roupa escolhida com zelo para acentuar a beleza que tanto declarava em si mesmo. Ao seu lado, Belle e Verena arrancavam olhares apaixonados de pretendentes a uma dança ou algo mais profundo. Elegante em um vestido verde, Zelena não media esforços para tentar ser simpática com quem a cumprimentasse. Era uma desconhecida entre os convidados, que nunca havia visto o rosto da irmã da Governadora.
Ao longe, os olhos do pirata avistam a chegada de Clara acompanhada por alguns homens que exalavam distinção. Certamente eram aliados no planejamento do golpe e estavam ali para confirmar e testemunhar um crime que iria acontecer iminentemente.
— Aquele é a irmã de Dashiel. – o pirata cochicha ao ouvido de Belle. – Pensei que o pai dele viria com o carneiro de ouro.
Belle acha graça ao imaginar a cena e como seria patética. Olha em volta e consegue captar a presença de uma aura negra e apavorante naquele salão.
— Isso está me assustando, Killian. Todos estão prontos para atacar e dilacerar Regina.
— Não acontecerá.
Regina desce a escada e mantém sua mão depositada no braço de Dashiel. Ambos caminham entre os convidados, param aqui, ali, acolá e ela conversa com as pessoas, tentando mostrar-se cortês e interessada no que tinham a dizer.
Lá pelas tantas, Clara percebe Killian sozinho num espaço do salão. O homem era incrível! Um serviçal tão elegante poderia disfarçar-se perfeitamente de nobre e jamais seria descoberto.
— Eu sou Clara! – ela estende a mão e é correspondida no cumprimento.
— Sou Killian.
— O baile está lindo e brilhante.
— Em breve poderemos começar a dançar, tão logo Dashiel convide a Rainha.
— Meu irmão é tímido demais para tomar a iniciativa. Mas eu gostaria de ser tirada para dançar.
O pirata inclina a cabeça para o lado em reverência e sorri.
— Assim que o casal real for para o centro da pista, senhorita.
— Dizem que as paredes do castelo de movem sozinhas e que criaturas fantásticas se escondem nas sombras...
— Acredite em mim: criaturas fantásticas e pessoas peçonhentas.
Para acalmar as ansiedades dos convidados, Regina decide ser cordial ou pelo menos fingir que era. Ao lado de Dashiel, ela se aproxima dos pequenos grupos e amigavelmente troca algumas palavras, iniciando algum assunto sem importância.
— Fico feliz que a senhora tenha decidido retomar sua vida amorosa, depois de tantos anos em viuvez. – um dos religiosos arrisca algo mais pessoal. — Espero que possamos realizar uma bela cerimônia de casamento.
— No momento, prefiro concentrar-me em assuntos mais delicados, como os boatos de uma revolta contra meu governo. – ela sorri e consegue congelar o sangue dos religiosos.
Junto a outro grupo, Regina cumprimenta alguns mercadores.
— Estávamos sentindo falta das festas que aconteciam neste castelo, Majestade. Tudo estava triste demais.
— Não tínhamos motivos para festejos, senhor. – ela ajeita delicadamente a máscara e percebe que o homem estremece com a mera possibilidade do rosto ser exposto. – Sabe algo sobre o episódio do desaparecimento de produtos nas feiras livres para os camponeses? O que houve mesmo com os grãos?
— B-bem...as mudanças climáticas....nossas produção está afetada...
— Poderia comprar produtos de outros reinos, Regina. Abriríamos fronteiras comerciais e ampliaríamos a variedade de produtos. – Dashiel opina e olha para os lados, demonstrando tédio na companhia daquele grupo.
Regina sorri ao sentir o incômodo que sua presença causava na alma das pessoas. Era seu instinto predatório falando mais alto.
— Vamos cumprimentar mais pessoas. Não quero que me acusem de segregação. – ela saúda os mercadores. – Venha, Dashiel, quero que conheça a família do meu falecido esposo.
Algum tempo depois, Clara se aproxima de Regina e mostra-se amigável para começar uma conversa.
— Quero que conheça minha irmã Clara. – Dashiel sorri e abraça a moça.
— Já vi seu rosto nos espelhos de meu castelo, querida.
— A senhora está em vantagem, porque eu nunca vi o seu rosto, Majestade. – Clara mantém o cinismo na voz. – Vejo que está feliz com a possibilidade de casar-se com meu irmão. As pessoas comentam que vocês formam um belo casal, mas eu discordo.
Um riso gutural é a primeira reação de Regina.
— Felizmente eu não me importo com a sua opinião, querida. Eu quis Dashiel e o peguei para minha vida.
— Para a sua coleção, a senhora devera dizer.
— Para a minha coleção de peças valiosas compradas.
O rosto de Clara desbarranca e torna-se inexpressivo.
— Gosto de negociar usando moedas e moedas de ouro. Muitas e muitas moedas de ouro. A propósito, porque seu pai não veio ao meu baile? Ele não conseguiu pajem para as moedas vivas e o carneiro de ouro?
Um esboço de sorriso é a resposta de Clara.
— Eu soube que seu sócio morreu em um dos navios. Oh! Eu lamento a sua perda!
Silêncio.
— Mas na verdade eu deveria dar-lhe os parabéns pela forma como ficou conduzindo os negócios financeiros dele. O capital aumentou! – Regina estende a mão e toca o braço da jovem. – Eu soube de um velho vendedor de rum encorpado, que está à procura de um sócio. Por que não amplia a variedade de negócios?
— Na verdade, eu estou investindo em minha carreira política. Quem sabe eu serei a Governadora com o apoio dos religiosos, das famílias abastadas e dos comerciantes!
— Dasheil será o primeiro na linha de secessão, querida. Ele será meu novo Governador.
— E se não houver casamento? Tudo pode acontecer até a sua total transformação, Majestade. – Clara se inclina para frente e próxima a boca do ouvido de Regina. – Não poderá usar seus feitiços sempre que quiser arrastar meu irmão para a cama. Em algum momento, seus truques não farão efeito e ele verá que está trepando com um filhote de Mandícore ou com um vampiro canibal. Em qual dos dois a senhora irá transformar-se? Como chamamos a fêmea de um Mandícore?
Tocando delicadamente o ombro da irmã, Dashiel pede uma trégua nas agressões. Afasta-se dali e leva Regina consigo.
Atendendo as normas dos bailes, Dashiel segura a mão de Regina e a conduz para o centro da pista. A música tocada é cessada e outra mais adequada é imediatamente iniciada, abrindo o convite para que todos os casais se dirijam para a pista e enfeitem o baile com suas coreografias.
Era o momento para que regina brilhasse e atemorizasse ainda mais seus convidados. Mas a Rainha decide que iria apenas encantar os olhos com a graciosidade de seus movimentos aprendidos durante as pacientes aulas que Dashiel gentilmente lhe dava. Ela queria mostrar que dentro de seu corpo não havia somente a temida Fera, mas uma mulher cortês e suavemente lapidada pelas mãos daquele fantástico oleiro.
E o casal desliza pelo salão como se houvesse asas em seus calcanhares. Leves, coordenados e aparentemente apaixonados por aquele encontro. Os olhares estavam fixos um no outro, como se mais nada ao seu redor fosse interessante para eles. Trocavam sorrisos cúmplices e despertavam comentários maldosos, jocoso, desprezíveis e enciumados.
Mesmo sendo um homem nascido num vilarejo e sem pertencer a alguma família nobre, Dashiel se comportava como se toda a sua vida tivesse sido passada dentro de um castelo e em luxuosos bailes organizados na corte. Sua postura, sua elegância e sua beleza eram componentes que se combinaram harmoniosamente na criação de um belo futuro príncipe consorte para a Rainha Monstro. E ele não demonstrava mais incomodar-se com a deformidade por baixo da máscara.
Depois de exibirem-se com sua sincronia em todas as danças, Regina é conduzida para o seu trono. Senta-se ali e exige a presença de seu futuro marido ao seu lado, mesmo quando começa a receber alguns convidados para conversas em particular.
André se aproveita da oportunidade, estende a mão e retira Robin para dançar. A menina gargalha e acompanha o homem, agindo como se fosse uma pequena nobre acostumada aos eventos na corte.
Ao longe, dançando com um desconhecido, Zelena pisca várias vezes para conter as lágrimas de emoção ao ver a filha rodopiando entre os casais e emanando sua bondade com aquele sorriso maravilhoso de tantos dentes. A menina é poderosa e naquele instante toda a aura de medo e desconfiança é expulsa das paredes daquele salão.
Linda, áurea, brilhante como se todas as luzes das estrelas estivessem sobre ela, Robin se torna o alvo das atenções e aos poucos, todos os casais vão abrindo espaço para que a menina possa contaminar a todos com sua felicidade e inocência.
André se inclina e fala algo ao ouvido dela. Robin alarga ainda mais o sorriso e corre para pegar o pirata pela mão, levando-o para o centro da pista. Recomeça a dançar com tanta graciosidade que parece flutuar e deslizar sobre as gigantes pétalas douradas estampadas no soalho. Era como os desenhos criassem vida sob os pezinhos dela.
Coração de Zelena bate forte dentro de seu peito e ela chora emocionada, conseguindo sentir a invasão de lembranças em sua mente. Consegue sentir o cheiro de Robin em seus braços e recordar-se da maciez da menina quando a tocara após o nascimento. Sua estrelinha poderosa estava mais brilhante ainda. O fruto de seu amor por Robin de Locksley.
Todos estavam embevecidos com o sorriso de Robin. Era como se a lua resolvesse estampar seu brilho somente naquela pequena boca rosada. Ela troca um olhar com o pai pirata e capta a tristeza estampada naqueles olhos lindos. Mas Robin expulsa sua preocupação e alarga ainda mais seu sorriso, convidando a todos a sorrirem junto com ela. Ninguém refuta o convite.
Era o momento certo para a decisão...
Clara abre um talho na saia de seu vestido e retira uma garrucha escura. Com a rapidez de uma soldada, ela ergue a arma e dispara para cima, atingindo um lustre de cristal. Peças do lustre caem no centro do salão e muitas pessoas correm para tentar a proteção, antes que outro disparo fosse feito.
Um dos religiosos abre sua batida e retira uma besta pequena que estava bem camuflada. Aponta a arma na direção de Regina e sem hesitar, dispara a seta dourada. Muitas pessoas gritam e atiram-se no chão. Simultaneamente, André e Dashiel tomam a frente de Regina para protegê-la do ataque. Mas para a surpresa de todos, nada acontece com a Rainha.
Soldados de areia saídos de algum ponto começam a marchar sobre os convidados perplexos, empurrando-os para longe da Governadora e formando um cordão escuro de isolamento em torno do casal real.
Um grito feminino de horror é ouvido e todos os olhos se voltam na direção de onde estavam o pirata e a menina. Olham a mulher ruiva correndo na direção de um corpo caído, atingido pela seta dourada. Ao lado do corpo, Killian estava paralisado e olhando para baixo.
Zelena grita alto, um urro que faria qualquer fera corar. Belle e Verena também correm a ajoelham-se ao lado do corpo sem vida, atingido em cheio no coração. Choram junto à ruiva.
Os convidados também choram por uma dor desconhecida. Não sabiam quem era aquele pequeno anjo que estava agora inerte e privado do sopro da vida, mas que por segundos havia irradiado uma felicidade que muitos já haviam se esquecido que existia. Ninguém fala nada. Apenas os urros de Zelena são ouvidos.
— Você matou minha filha, pirata maldito! Esse era o seu plano!!
— Por que ela, Killian?? – questiona Belle se largando no chão.
Mudo, o pirata de olhos celeste observa a cena e não demonstra qualquer emoção. Apenas olha para baixo.
Abrindo espaço com seu corpo, Regina se ajoelha ao lado da irmã e sente o peito queimar sem entender os sentimentos confusos que estavam ali dentro. Ela arranca a máscara e também chora pela morte de Robin, sabendo que a seta deveria estar cravada em seu coração.
Agonizando pela dor de ter perdido a filha no mesmo instante em que se recordara dela, Zelena a agarra nos braços e a traz para junto do peito. Ela urra alto e depois inclina-se sobre o rostinho da filha, beijando-lhe várias vezes as bochechas ainda rosadas e quentes. Chora ainda mais ao arrancar a seta que estava no coração da menina.
E é naquele momento em que tudo acontece...
Robin tosse e sofre uma pequena convulsão, como se um engasgo tivesse sido resolvido e o ar invadido de novo os seus pulmões. Ela se sobressalta e emite um som risonho, porque estava de volta.
Diante de todos os olhares, a menina se senta tossindo e é abraçada pelas mulheres que estavam ajoelhadas ao seu lado. Killian despenca e começa a chorar como se fosse um garotinho desamparado. Chora sem pudores ou qualquer medo de ser tratado como covarde. Chora e chora muito até sem amparado pelos braços pequenos e fortes de Belle.
O salão começa a tremer e é invadido por coisinhas douradas flutuantes, semelhantes às pétalas da flor dente-de-leão, vindas de todas as partes. Muitas delas, várias delas, centenas delas, milhares delas. E todas flutuam na direção de Regina, envolvendo seu corpo como se a quisessem levar embora dali.
Sem conhecer seus atos, Dashiel avança e tenta tirar Regina daquela prisão, mas suas mãos queimam sem ferimento e ele se afasta. Dentro do redemoinho de pétalas, a mulher grita de dor e provoca fuga das pessoas que ainda estava no salão.
O redemoinho de pétalas aumenta sua intensidade e Regina grita ainda mais alto, mostrando a dor de ser consumida pelo estranho fogo que embora não a incendiasse, emanava muita luz e calor.
Aproveitando-se da situação, Clara arranca a besta das mãos do religioso e dispara outra seta dourada para atingir a mulher que se contorcia no interior do redemoinho, mas a seta é congelada no ar. Arregalando os olhos, a mulher observa Killian com a mão estendida e ordenando que a seta se derretesse no ar e caísse em forma de ouro líquido.
Clara percebe que aquele momento deveria ser poupado e que não seria considerada covarde se fugisse, para lutar depois. E é o que faz, juntamente com seus aliados. Foge.
E dentro do redemoinho, a Fera surge horrenda e completamente transformada, para instantaneamente dar lugar de novo à mulher humana. Por vários momentos, diante dos olhos admirados de todos, mulher e fera se revezam para saber quem dominaria o corpo.
E uma explosão de luzes amarelas obriga a todos os olhos serem fechados em busca da proteção contra uma cegueira iminente. Depois, tudo escurece para ser apenas iluminado pelas luzes fracas das tochas nas paredes.
Quando os olhos são abertos, todas as atenções são voltadas para a mulher caída no centro da pista. Dashiel é rápido demais e é o primeiro a acolher Regina nos braços. Desacordada, ela é amparada pelos braços do príncipe, que a protege junto ao peito e a embala como se fosse uma criança ninando sua boneca. Um véu de pavor desce sobre os olhos bonitos do príncipe oleiro.
Killian se ajoelha ao lado deles e toca o ombro do homem, consolando-o sem dizer nada.
Por longos minutos todos ficam em silêncio, até perceberem e vibrarem com os movimentos dos cílios de Regina, completamente livre das deformidades e da Fera que havia sido expulsa pela quebra da maldição. O rosto bonito da mulher estava livre das deformidades e exibia um rubor típico das pessoas saudáveis. Fraca, ela tenta sorrir e estende a mão para tocar o queixo barbado do homem que a amparava nos braços.
De repente, uma nuvem de fumaça amarela, tão densa que poderia ser pega nas mãos, começa a entrar pelas portas e janelas daquele lugar e o medo é instaurado nas almas.
— Todos juntos! Agora! – grita Killian abrindo os braços e agregando quem estava ao seu lado.
Belle puxa Verena pela manga do vestido, para o grupo, enquanto Zelena abraça a filha com mais força junto ao peito. Killian envolve Dashiel e Regina e encolhe-se para não ver a nuvem envolver a todos. E o inevitável acontece: desaparecem dentro da espessa nuvem que domina todo o salão.
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