Meu final feliz
11 Capítulo 11
Killian olha pela janela da cabana e observa que estava vazia. Abre a porta sem dificuldades e entra li, já se preparando para ser enviado voando pela janela, quando Zelena o apanhasse.
Caminha pela casa, observa os cômodos organizados, limpos e sente o cheiro de lavanda. A Verdinha era uma criatura zelosa e perfeccionista. Sorri ao ver o vaso com flores silvestres sobre a pequena mesa de madeira.
Aprofunda-se um pouco mais e decide deixar de covardia.
— Zelena, vim em paz! Sou o Capitão!
Nenhuma resposta. Mas o som do choro baixinho de um bebê chega aos seus ouvidos. Uma porta é aberta e ele vê um bebê deitado num pequeno berço, chorando e gesticulando.
— Olá, princesa! Sua mãe foi passear e não quis levá-la? – ele retira o gancho para não ferir o bebê e o apanha nos braços. Senta-se na cama. – Sabia que conheci seu pai? Era um grande cara!
A menina para de chorar e parece sentir-se bem com o calor do corpo do adulto.
— Vamos esperar sua mamãe? Você está com fome? Sabe, me disseram que ainda tenho poderes dentro de mim. Será que consigo fazer uma mamadeira para você e uma cerveja para mim? Mas pode ser o contrário, também!
Ele ri e percebe que a menina ri de sua risada. Decide arriscar em sua empreitada de novo mágico. Brincando, ele imita o gesto de Rumple.
— Preciso de uma mamadeira bem gostosa!
Antes que pudesse entender, o objeto desejado se materializa em sua mão. Assustado e surpreso, ele atira o objeto bem longe dele, como se queimasse sua única mão. Fica em silêncio por alguns segundos, digerindo o que havia acabado de acontecer. Aos poucos, um sorriso bem malino emoldura sua boca bonita.
Repete o gesto e depois de algumas horas, a menina está alimentada, banhada e com roupas limpas e mais quentinhas. O berço, antes sem graça alguma, estava enfeitado com móbiles coloridos e com músicas suaves. Todo o quarto, perfeitamente preparado para uma menina, com ursos e outros bichos de pelúcia, além de suaves tons em lilás.
— Vou ser decorador de quartos de meninas! Caramba! Não é que Belle tinha razão! Eu sou um Dark One híbrido! – ele se senta na cama e decide divertir-se brincando com o bebê, até que os dois estão completamente adormecidos e protegidos do que acontecia lá fora.
Na manhã seguinte, Killian acorda com o som de seu celular. Gesticula e o aparelho vem parar em sua mão.
— Killian sonolento atendendo...
“Sou eu. Onde você está? ”
— Bom dia para você também, amor. Eu estou na cama de Zelena.
“Como é? ”
— Vim conversar com ela, mas não a encontrei. Porém, Robin estava largada sozinha aqui, com fome e frio. Eu a alimentei, banhei, a aqueci e acabamos dormindo juntos.
“Poderia vir para cá? Tem como pilotar sua moto com a menina nos braços? ”
Killian acha graça na possível resposta.
— Sou um pirata e nada me é impossível, amor. Estarei aí com vocês em meia hora. – ele desliga o aparelho e decide exercitar sua descoberta, que deveria ficar como segredo seu e de Robin.- Vamos ficar limpinhos, alimentados e depois iremos passear na motocicleta do tio Killian. Não se preocupe, porque você ficará bem, amorzinho.
Depois uma hora, David abre a porta de sua casa e encontra Killian carregando a filha de Zelena em seus braços. O pirata usava sua prótese no lugar do gancho e a menina estava divertidamente vestida como a miniatura do Capitão Hook.
— O que é isso? – David não se contém e começa a rir, apesar da situação.
— Minha nova amiga e eu decidimos radicalizar. – ele exibe a menina para os olhos admirados de Mary, Emma e Belle. – Mas o que aconteceu aqui?
Mary se aproxima do pirata e estende os braços para apanhar a garota, mas ele a ignora e vira-se de costas.
— Killian, a situação é séria. Temos outra maldição. – informa Emma. – Aquilo que você viu em sua visão era de fato uma nova maldição. Uma maldição local e Regina foi levada por uma nuvem de fumaça dourada, que envolveu a casa inteira e o quintal, mas não se espalhou pelas ruas. Muitos viram e deduzimos que aconteceu de novo...
O rosto de Killian sofre uma transformação e ele se torna feio e sombrio.
— Dashiel estava com ela e provavelmente a Verdinha também. Por isso encontrei a menina sozinha. – ele abaixa a cabeça e olha a menina. – Desgraçada! Eu avisei Regina sobre a vinda da maldição e ela não me ouviu. Eu nunca convivi com uma pessoa com cabeça tão dura!
Mary e os demais se entreolham.
— Você sabia da nova maldição? Como sabia?
— Eu tive visões, Alteza. – ele não encara Mary. – Avisei que seria inteligente da parte dela, deixar Dashiel ir embora.
— Quem é Dashiel? – pergunta Mary. – Você alertou Regina sobre a maldição?
Killian levanta o rosto e olha por cima da cabeça de Mary, para algum ponto qualquer da sala. Como ela detestava aquilo!
— Alertei e a ameacei. Agora vou ter de cumprir minha ameaça e começar a caçá-la, porque tenho a mais absoluta certeza de que Regina permitiu que a fera de dentro dela, saísse e provocasse dor em Dashiel.
— Quem é Dashiel?
— Dashiel de Moncaliere, do reino de Moncaliere, de um conto sem fim. – explica Belle. – Ele veio para a cidade vizinha através de um portal e o seu conto não teve final algum, porque não se acabou. Regina o conheceu e enamorou-se dele.
Sentando-se com o bebe ainda nos braços, Killian não se contém e gesticula, mudando a vestimenta da criança diante dos olhos incrédulos de todos, exceto os de Belle. Ela sorri.
— O que você fez? – pergunta David.
— Troquei a roupa de Robin. Ela precisa de conforto. – Killian parecia conversar consigo mesmo. Estava contrariado e enfurecido. – Regina queria saber mais sobre o homem e Belle me ajudou a descobrir quem era. Agora, que conheço os dois, serei obrigado a escolher qual das duas vidas salvar.
— E Zelena? – pergunta David.
O pirata dá de ombros.
— Robin e eu estamos nos dando bem. A Verdinha pode ficar onde está, porque não precisamos dela. Vou começar uma investigação para descobrir como salvar Dashiel.
Belle observa o pirata sair do local e despede-se dos Charming, saindo atrás dele. Mais uma vez sentia que Killian precisava dela como termostato para o controle de seu lado sombrio.
— O que foi aquilo? Aliás, o que está acontecendo com nossa cidade? E com a nossa família? – Mary começa a alterar a voz. – Precisamos saber de tudo para criarmos uma estratégia de salvamento de Regina e até de Zelena.
Naquele mesmo dia, Killian decide visitar a casa de Regina e descobrir o que poderia ajudá-lo a encontrar o ponto exato onde estavam seus fujões. Belle havia levado a menina Robin para as fadas e depois viria encontrar-se com o pirata na mansão da Prefeita.
Caminhando pela sala principal, ele chega à cozinha e vê a janela estilhaçada com os vidros para fora.
— Alguém usou um atalho. – observando com mais atenção, vê pingos de sangue sobre alguns cacos de vidro. – Caramba! O coice foi forte!
Voltando-se para observar o cômodo, Killian sorri ao ver o caldeirão sobre o balcão da cozinha. O objeto está vazio e seco.
— Você será útil, caso não desapareça.
O som de um objeto metálico caindo no soalho, faz o pirata acelerar os passos e correr para saber a origem do barulho. Chega à sala e a observa vazia, mas seus pelos eriçados nos braços mostram que ele não estava sozinho ali.
— Tudo bem, pessoa! Eu sei que você é a mesma que percebi na casa de Dashiel. Vamos parar de palhaçadas e acabar com esse mistério. Quem é você?
Os barulhos de farfalhar de roupas aumentam e uma pessoa protegida por uma capa com capuz, surge detrás de algum corredor. A pessoa tira o capuz e o rosto bonito e escuro de uma mulher de cabelos negros é exibido. Ela mostra um sorriso tímido.
— Eu quero pensar que você irá pagar essa vidraça. Regina é muito exigente na manutenção de sua casa de Prefeita. – ele gesticula e vai sentar-se num dos sofás.
— Tudo ficou confuso e fugiu ao nosso controle...
— E o que seria esse “tudo”, amor?
A mulher vai manquitolando até próximo ao pirata. Senta-se ao lado dele.
— Sou Verena e por mais de duas décadas fui a protetora de Dashiel, desde que saímos pelo portal. Eu o tenho mantido sob minha tutela, mas não tinha ideia de que iria enfrentar duas bruxas com tanta força. Observei tudo à distância e quando planejei interferir no projeto da mulher ruiva...eu fui atingida pela força de Regina. – ela bate no próprio peito. – Doeu muito!
— O que Zelena estava fazendo com o caldeirão? – o pirata não se mostra alterado, embora seu coração estava surrando os outros órgãos de seu corpo. – Você conheceu a maldição?
A mulher parecia fraca. Ela massageia um dos ombros e faz uma careta de dor.
— Regina e Dashiel iriam ser enviados a uma realidade alternativa. Ela o amará e ele fugirá da aparência horrenda e ferina que ela irá assumir. Uma versão tosca da Bela e a Fera. – ela dá de ombros e embarga a voz. – Tentei intervir e fazer com que a nuvem levasse somente as duas, mas a força de Regina me impediu brutalmente.
— Sabe para onde eles foram enviados? Preciso de informações precisas para conseguir resgatá-los.
Ela nega com um movimento de cabeça e desperta piedade em Killian. Ele se desconhece ao estender a mão e produzir melhora nos ferimentos e cansaço da mulher.
— Com todo o respeito, amor, mas preciso saber o que sua mente guardou sobre as declarações de Zelena. – Killian se aproxima cauteloso e gesticula fazendo surgir em sua mão, um apanhador de sonhos. – Isso não irá doer e será de muita ajuda a todos os amigos de Regina e de Dashiel. Acredite em mim, amor, eu tenho muito carinho por ele.
“Eu me superei, querida. Criei uma maldição perfeita que a impedirá de viver seu final feliz com o homem que acabou de escolher. Vou mandá-los juntos para aquele reino precioso e quanto mais você amar o príncipe, mais será repudiada. Sua aparência será horrenda e sua personalidade será temida, impedindo que alguém sinta algo generoso por você. Criarei a minha própria versão do conto de Rumple e Belle, e adorarei ficar assistindo tudo daqui do meu espelho e interferindo para aumentar o grau de seu sofrimento, irmãzinha.”
Mais tarde aquela mesma casa...
— Um reino precioso para Zelena é a casa dela. Eu creio que ela queria enviá-los para o Reino de Oz. – sugere Belle, que havia chegado para auxiliar seu amigo. – Uma Rainha Fera em meio a tantos macacos voadores e outras criaturas, não causará surpresa.
Verena e Killian ficam em silêncio por alguns segundos.
— Ela precisaria conhecer o ambiente usado como cenário, conhecer os subsídios que poderia usar para controlar seus escravos. Zelena mantém o Reino de Oz dentro de seu coração e de sua alma. – o pirata fala.
Verena acaricia o apanhador de sonhos. Seu coração estava arrebentado pela decepção que iria causar no Rei Omar, caso ele ainda estivesse vivo. O homem havia confiado a ela, sua mais preciosa joia e uma desconhecida conseguira roubá-la sem esforço algum.
— Eu falhei, Capitão...deixei que duas aventureiras invadissem a vida de meu Dashiel e o tirassem de mim. Ele tem uma carreira, uma vida nova e é útil para a sociedade.
— Nós iremos trazê-los de volta, tão logo consigamos organizar os fragmentos que temos em mãos. – Belle fala entusiasmada.
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