Belle sobe ao deque e com propriedade, verifica as velas do navio. Estava tornando-se expert nos detalhes da Jolly Rogers, já que aquele espaço era sua segunda casa. Depois que se separar de Gold, poucas vezes se atrevia a ir para a casa onde viveram como casados. Tudo ali dentro a fazia lembrar-se de Gideon, por isso, depois de sua biblioteca, aquele navio era um espaço onde podia esconder-se para meditar, chorar, ler e até dormir. Killian sempre reclamava de que ela roncava muito.

Observando o navio com a paixão dos que conheciam peças raras como aquela embarcação, Verena acaricia as madeiras e adora a sensação produzida sob seus dedos.

— Quando eu era camponesa, ajudava meu pai e meus irmãos a prepararem madeira para a construção de barcos e navios. Depois, me travesti de homem e servi à marinha do Rei Omar. Como eu tinha poderes, ninguém nunca soube de minha verdadeira natureza feminina.

— Eu era uma princesa, depois me tornei uma escrava, fui expulsa para retornar para casa, mas acabei seguindo um caminho de aventuras, até sermos trazidos para cá. Em seguida, casei-me com Gold e posso afirmar que não existe maior aventura.

As duas riem.

— E o pirata? Ele é seu namorado?

— Killian é um grande amigo. Posso afirmar que é meu único amigo. Ele é importante para mim e sou importante para ele.

— Onde ele está agora? Estamos perdendo tempo! – Verena fecha o rosto.

— Ele foi fazer um serviço e quando retornar, abriremos o portal para o Reino de Oz. – Belle ouve barulhos e levanta o rosto para ver quem se aproximava. Sorri ao ver Emma e Mary.

As recém-chegadas não pareciam amistosas e caminhavam a passos largos, subindo no deque do navio.

— Iam partir e não iriam nos avisar? – Mary estreita os olhos. Deselegante, aponta o dedo para Verena. – Quem é ela?

Belle e Verena se entreolham. Trocam um sorriso cúmplice.

— E quem é você, mocinha?

Um sorriso indignado surge em Mary. Mocinha?

— Sou a Princesa Branca de Neve, enteada de Regina Mills, mãe da Salvadora e agora parte integrante desta expedição. – ela se vira para Belle. – Por que Killian iria partir sem nós? Ele deixou claro que não pretende resgatar Regina!

— As pessoas elegem suas prioridades, Mary. – responde a bibliotecária.

— Nós não desistimos de nossa família! É isso que fazemos! – Emma se altera com a moça.

Belle abaixa os lábios e concorda coma cabeça.

— Gold também fazia parte de uma família: a minha. E em todas as vezes em que pedi a ajuda, vocês me mostraram que suas prioridades não eram as mesmas minhas. Desta vez, eu concordo que sua prioridade não é a mesma que está me levando para o Reino de Oz.

— Reino de Oz? – Emma se interessa pela informação. – Zelena enviou Regina para Oz? Por que faria isso?

Verena se mostra impaciente e afasta-se das visitantes. Retorna para junto delas. Fala:

— Zelena iria enviar Dashiel e Regina para viverem uma maldição! Eu intervi e enviei os três para completar a maldição! Ocorre que eu fui incumbida pelo Rei Omar de Moncaliere de proteger a joia mais preciosa da coroa dele. Infelizmente, eu falhei, mas juro que não deixarei Dashiel sozinho com a fera dada à luz por Zelena. Regina não existe nesta maldição, senhora mãe da Salvadora! Existe uma Rainha Fera!

— Uma fera rancorosa e poderosa, provavelmente provocada e envenenada por uma bruxa presa num espelho, é quem comanda o corpo de Regina. Então, caso queiram vir conosco, estejam preparadas para que Regina não as reconheça e que esteja disposta a tudo para não ser resgatada. – Belle volta para a tarefa de preparar as velas para a partida. Apanha o celular e envia uma mensagem para Killian, depois olha Emma e Mary por cima do ombro. – Regina está disforme, agora. Ela é uma besta fera!

Enquanto isso, no convento das fadas, uma das religiosas entra em seu quarto e encontra uma de suas irmãs deitando Robin em seu berço. A menina sorri e segura uma das mechas dos cabelos da freira.

— Ela é tão linda!

— Linda e saudável! Está forte e crescendo rápido!

Um vento entra pela janela e do meio de uma nuvem de fumaça, surge o pirata, provocando alguns gritos de sobressalto. As mulheres fecham seus roupões sobre a camisola ou pijamas.

— Eu juro que não vi nada! – ele levanta os braços em rendição. – Vim apenas agradecer seus cuidados e informar que vou levar minha criança!

— Não ouse tirá-la daqui! Ela é filha de Zelena e Robin!

— Tecnicamente é sim! Mas o pai dela é agora poeira estrelar, a mãe é uma imagem presa num espelho e tia Regina é a ogra Fiona. Logo, eu sou o único parente vivo, porque fui casado por vinte e oito anos com a Vovó Cora. – ele apanha o bebê no berço. – Sugiro que guardem suas energias para cuidarem do pequeno Roland, porque ele irá precisar até que eu retorne e o assuma, também.

Killian estava divertindo-se. Gesticula e some diante dos olhos das fadas.

— Ele voltou a ser Dark One?

— Não senti maldade nele, apenas o cinismo de sempre! E os anéis não eram negros...

No navio, Emma aponta suas mãos para a figura que surge vinda do nada, enquanto Mary usa seu arco e flecha. O invasor seria trucidado.

— Eiiiii! Que agressão é essa?? – Killian rosna surpreso, encarando Emma. – O que é isso, amor?

— O que é isso, Killian? Você iria atrás de Regina sem nos avisar?

— Iria sim. Eu avisei Regina que se insistisse em ferir Dashiel, eu iria caçá-la. Estamos indo caçá-la, porque Regina não é mais Regina! Ela é um monstro!

Emma se aproxima do pirata e toca-lhe o rosto barbado.

— Mesmo quando você era o Dark One, nós não desistimos de trazê-lo de volta. Peço que não desista de Regina.

Um sorriso felino surge no rosto do pirata.

— Você estava com a consciência pesada por ter me transformado numa versão linda do Crocodilo. Por isso foi atrás de mim...mas seus pais, Regina e quem mais seguiu na caravana, foram apenas para proteger você. – ele aponta para Mary. – Ela nunca apostou em mim.

— Iremos com você, Killian. Regina é parte de minha família e vou salvá-la. – Mary guarda sua flecha.

— Boa sorte, amor. – ele se afasta e entrega Robin para Belle. – Vamos zarpar, Passarinho!

Belle sorri e vai para a cabine do Capitão.

— Já que não tem como expulsá-las do navio, desejo boa viagem a todas... aliás, onde estão David e Henry? – ele olha em volta.

Entreolhando-se, mãe e filha não respondem de imediato.

— Eu os pus para dormir. Essa missão é para mulheres.

Um véu de surpresa cai sobre o rosto do pirata.

— Uma tripulação feminina? Como sou inteligente, devo apenas obedecer. A quem devo esperar mais? As Lucas? Cinderela? Elsa? A Rainha do Gelo? Úrsula? – ele vai para o timão.

Verena se aproxima do timão. Retira uma pequena caixa de dentro de sua capa e a abre, exibindo um feijão transparente, maior do que o convencional. Sorri para o pirata e o aguarda colocar o navio em movimento.

— Senhoras, segurem-se porque a Jolly Rogers irá zarpar!

Mas antes que o navio comece a mover-se nas águas, Killian age de forma traiçoeira e envia um feitiço do sono sobre Mary e Emma, que caem no soalho do deque.

— Lotação esgotada, amores.