Meu final feliz
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— Será que você poderia pôr um ponto final nisso tudo? – Emma se mantém em pé olhando Regina pela imagem refletida no espelho. – Está se tornando irritante!
— Não faço ideia do que está falando, filha. – Regina limpa a maquiagem e permanece com sua constante expressão sem vida.
— Mas que porra, Regina! Desde que Robin morreu, você tem se isentado de todos os relacionamentos à sua volta! Isso é horrível!
Regina olha Emma pelo espelho e aponta o algodão para ela.
— Obliterou. Robin foi obliterado e não morto. Ele retornará um dia...
— E se não acontecer?
— Bom, então terei a certeza de que o autor não fez o meu final feliz. – Regina se vira para Emma e sorri sem vontade. – Agora que já fez o seu protesto, saiba que está registrado e que pode ir embora. Leve aos Charming a certeza de que estou vida, ainda.
Emma não responde de imediato. Tinha a mais absoluta certeza de que a mente de Regina estava divagando em algum plano mirabolante para conseguir espantar os fantasmas de sua alma. Algo estava prestes a acontecer, porque Regina estava muito calada e entristecida pela perda de mais um amor. Iria a Rainha se entregar ao lado do sombrio da falta de amor? Estaria ela convencida mesmo que o autor a esquecera quando estipulara todos os finais felizes?
— Você ainda está aí? Vá embora, Emma!
A loira acorda de seus pensamentos, mas não consegue espantar a terrível sensação de que Regina estava ocultando alguma decisão que afetaria a família toda e que no futuro iria se arrepender.
Quando Emma consegue se localizar no tempo e no espaço, percebe que estava sozinha na sala e que Regina a havia deixado ali. A mulher tinha ido dormir e sequer se preocupara em despedir-se ou desejar uma boa noite. De fato, Regina estava pirando.
Nada poderia ser espantoso no comportamento da ex-Rainha Má, agora Rainha Só ou Rainha Louca. Ela sai da casa e deixa o espaço de Regina para ser ocupado apenas pelo vazio.
Lá do quarto, Regina observa Emma caminhando pelo quintal e depois entrando em seu fusca amarelo. Emma era uma garota legal, confusa e perdida, mas conseguira seu final feliz. Tinha os pais, um irmão, um filho que a amava e um pirata lindo que sempre estava disposto a fazer loucuras por ela. E que naquela noite, o pirata iria recebê-la com as mais doces palavras para conseguir arrastá-la para uma noite de amor. Uma noite de amor? Com direito a beijos, afagos e risadas, além de estripulias e como sempre: um final feliz!
Fecha as cortinas com lentidão e abraça-se para sentir-se protegida. Caminha para a cama e deita-se ali, para ter uma mais uma noite fria, solitária e sem graça.
— Preciso fazer algo, porque esta cama está grande demais para mim. – ela acaricia o colchão e sorri. – Com minha onda de azar, o máximo que posso fazer é comprar uma cama de solteiro.
Numa manhã qualquer, Regina entra no Granny’s apenas para apanhar sua refeição. Silenciosa, pensativa e preocupada com um pedaço do esmalte que havia saído de sua unha. Trabalhara até aquele período, mas iria tirar a tarde para fazer nada. Que decadência! Tirar a tarde de folga para não fazer nada?
Apanhando o pacote com a refeição, Regina não percebe nada em sua volta. Vira-se para sair e antes de entender o que estava havendo, cai em braços fortes envolvidos por uma jaqueta de couro.
— Serei sortudo no dia de hoje! Receber uma mulher bonita nos braços é sinal de ótimo presságio! Está distraída, amor?
Regina acha graça e empurra o pirata delicadamente, embora aquele contato fugaz tivesse acendido uma lembrança com que não se importava: o contato com um corpo quente e vivo, a troca daquele calor e a inalação de um perfume masculino. E o pirata cheirava bem!
— Então, que você tenha um ótimo presságio, Capitão!
Killian sorri e liberta a cintura de Regina.
— Por que fazer uma refeição sozinha? Posso convidá-la para almoçar com um pirata incrivelmente sexy?
— Na atual conjuntura de minha vida, eu seria um perigo para um pirata incrivelmente sexy. Eu poderia torná-lo meu almoço!
Os dois riem e afastam-se, seguindo cada qual para seu trajeto. Mas Regina leva um sorriso nos lábios e a gostosa sensação de ter sido abraçada, mesmo que tenha sido por um acidente de percurso.
Durante alguns longos minutos, ela observa o seu carro velho. Olha-o com carinho e desconhece a própria caridade em seu coração. Seu estado de espírito estava crítico, pois observar um veículo com carinho é o cúmulo do estágio de nostalgia.
Entra no veículo e decide criar uma pequena aventura. Sairia de Storybrooke por aquela tarde, iria a algum bar, dançaria e até poderia terminar a noite com o primeiro maluco que encontrasse. Depois, retornaria discretamente e retomaria a sua vida medíocre e fria.
— Espero não me acostumar a isso. Acho que vou virar celibatária ou então vou ter de “pegar” a Ruby. – ela acha graça nas próprias palavras. – Ela “pega” tudo que se mexe, mesmo!
Quando estaciona seu carro junto a um bar na cidade vizinha, Regina dispensa vários minutos olhando a praia e as ilhas ao longe. A cidade era pequena, porém era mais moderna e agitada que a sua cidade inexistente no mapa. Os bares à beira mar eram todos feitos em madeira de navio, para serem protegidos contra a maresia. Aquilo era até romântico!
— Vamos buscar um pouco de ação.
Elegante, ela é imediatamente observada pelos primeiros clientes do bar. Uma mulher desconhecida, deslumbrante em seu vestido colado ao corpo, exibindo suas curvas generosas, não poderia passar incólume aos olhos dos frequentadores ou de quem enxergasse.
— Tem preferência de mesa, moça?
Regina olha para os lados e aponta para um canto de onde poderia ver o mar. É conduzida pela jovem sorridente, de quem recebe o menu para fazer o seu pedido.Por momentos depois, ela se deixa encantar pelo barulho poderoso do mar. Aguarda seu pedido, perdida em pensamentos diversos e sem importância.
— O seu pedido, moça bonita!
Ela se sobressalta e exibe um olhar intenso ao garçom, sorridente e inclinado junto à mesa. Tudo o que ela consegue fazer é sorrir de volta.
— O-obrigada! Eu estava perdida em pensamentos confusos...
— Todos nós ficamos confusos quando tivemos de nos dividir entre a beleza do mar e a sua.
Regina inclina a cabeça para o lado e abre os lábios para responder. Mas não responde de imediato.
— Sua simpatia é agradável...
— Sua beleza é admirável. – ele sorri. Estende atrevidamente a mão. – Sou Dashiel!
Sem hesitar, Regina segura a mão do homem.
— Sou Regina!
— Seja bem vinda ao nosso bar! Caso precise de algo, poderá chamar-me ou aos demais funcionários! Mais tarde, iremos oferecer um coquetel aos presentes para a saudação ao mar e depois começaremos o karaoquê. Fique à vontade, moça bonita!
O homem sorri ainda mais e se vira para sair, oferecendo a visão de sua parte traseira aos olhos curiosos de Regina. Ela sorri e quem sorri sozinho é porque está se lembrando de suas maldades ou planejando outras.
Sozinha em sua mesa, Regina continua observando a paisagem paradisíaca junto ao mar. Consegue entender todos os sentimentos serenos que dominavam a alma de Killian, quando estava próximo ao reino marítimo. O mar tinha o poder de exercer fascínio e encantamento.
Algumas horas passadas, petiscos e bebidas consumidas, era o momento de uma pequena festividade em homenagem ao mar. Regina sai de sua mesa e vai misturar-se à pequena multidão que se aglomerava na varanda do bar. Iria fazer o mesmo que todos.
— Vamos cantar uma música e apenas bater palmas. – Dashiel fala ao ouvido de Regina, depois de ficar em pé atrás dela. – Em seguida, vamos dançar um pouco, mas sem virar as costas para o mar.
— Um amigo meu iria amar essa celebração! – Regina bate palminhas.
Regina se sente à vontade com a proximidade das pessoas desconhecidas. E também estava sendo estimulada pela grande quantidade de coquetéis ingeridos. Suas barreiras estavam caídas e seu espírito tomado por uma súbita e desconhecida alegria.
Quando o karaoquê é iniciado, Regina deixa suas tristezas para trás e envolve-se na brincadeira. Não conhecia nenhuma pessoa, mas compartilhava de piadas e risos com quem estivesse ali perto. Que momento único!
A noite cai e com ela, a temperatura. Mas a quantidade de coquetéis e petiscos típicos da culinária local mantém o corpo de Regina aquecido e bem protegido pelas mãos de Dashiel que a convence a dançar e cantar todo tipo de ritmo de música.
O sol estava forte e invadia o cômodo. Regina abre os olhos e observa as paredes brancas em sua volta em um ambiente desconhecido. Senta-se no sofá e coça o rosto para espantar a sonolência. Definitivamente não estava em sua casa e nem em sua cama, e sim num sofá grande e macio.
Olha para os lados e não reconhece o local. Abaixa os olhos e fita o próprio corpo, descoberto e protegido apenas por uma cueca boxer preta. Como é? Cueca?
— Minha cabeça... – olha em volta e vê alguém deitado no sofá à frente. Dormia profundamente e estava protegido precariamente pela calcinha perdida. – Ei!
O homem não se move. Continua adormecido e indiferente à presença de uma convidada. Regina procura algo para cobrir os seios e conseguir despertar seu anfitrião. Precisava saber como chegara ali, porque chegara ali e, sobretudo, o que havia acontecido para estar naquele estado deplorável.
— Dashiel, acorde! – ela se levanta arrastando-se e vai até o sofá onde estava o homem. Ajoelha-se ao lado do móvel e espalma as mãos sobre o peito dele. Que boa sensação! – Por favor, poderia acordar?
Lentamente, ele vai despertando e a primeira coisa que faz , é sorrir. Estende a mão e toca o queixo de Regina.
— Que lugar é esse? – ela fecha os olhos e deita a cabeça no peito dele.
— Minha casa.
— Por que estou aqui?
— Porque você quis.
Regina acha graça e ri. Geme baixinho e permanece alguns minutos com o rosto escondido no peito do homem.
— Estou usando uma cueca...
Ele ri e geme. Delicadamente, começa a levantar-se e ajuda Regina a sentar-se no sofá.
— Fizemos sexo?
Dashiel se levanta e proporciona para a mulher, uma visão extremamente erótica e provocativa. O que era aquilo? Regina gosta do que vê. Apanhando uma camisa, ele trata de proteger a nudez dos olhos da mulher. Sem constrangimento, afasta-se e sai do campo de visão dela.
— Minha cabeça...- Regina veste a camisa e deita-se no sofá. Iria precisar de pelo menos um mês para eliminar todo o álcool ingerido. – Eu ficaria feliz com uma caneca de café bem forte...
Um tempo depois, o casal está sentado à mesa devorando seu desjejum. Regina se mostra faminta e não se importa em atacar os alimentos oferecidos ali.
— Você come como a uma criança. É horrível!
Concordando, Regina apanha outro bolinho e o recheia com presunto e queijo. Enche a caneca com suco e não se importa se a mistura iria agradar seu estômago, nas próximas horas.
Horas depois, já banhada, maquiada e vestida para matar, Regina se observa no espelho do banheiro. Algo estava diferente em seu visual e aquilo atiçava sua curiosidade, mas naquele momento não teria a oportunidade de descobrir.
Dashiel abre a porta do box e estende a mão para apanhar a toalha, colocando-a em torno na cintura e escondendo a nudez que Regina observava pelo espelho.
— Fizemos sexo?
— Fizemos. – ele sorri e aproxima-se dela. – Fomos prudentes e ficamos protegidos. Não se preocupe com nada.
— E foi bom?
— Bem louco. Você estava bêbada e divertida. Sei que eu poderia ser acusado de estupro de vulnerável, mas a mulher que estava naquela sala, não tinha nada de vulnerável.
— Eu gostaria de estar sóbria para aproveitar mais e ter as lembranças vivas. – ela se vira e espalma as mãos sobre o peito molhado dele. – Preciso disso.
Dashiel segura a cintura de Regina e inclina-se para beijar rapidamente seus lábios.
— Você será bem vinda sempre que quiser.
Fale com o autor