Regina espreme o rosto com as mãos. Queria dormir, porém, as obrigações exigiam uma Prefeita atenta e desperta. Por mais que tente, não consegue ouvir o que os secretários diziam ou pediam ou sugeriam. Tudo estava confuso e longe de sua realidade.

Em seu mente, uma luta estava sendo travada em busca de informações da noite alucinante com Dashiel. Eles tinham até trocado as peças íntimas e isso era o sinal de que nada tinha sido normal naquela noite. Iria descobrir uma maneira de retirar as lembranças escondidas em sua pele e precisa fazer isso logo.

Naquela noite, depois de fazer algumas pesquisas em livros empoeirados nas prateleiras do mausoléu de sua família, Regina consegue encontrar algo que transferisse suas lembranças adormecidas em sua mente, para alguma superfície que pudesse ser visualizada como uma tela. Escolhe um velho espelho e depois de executar as coordenadas, começa a obter os resultados.

Imagens vão surgindo no espelho e Regina assiste a um filme louco, erótico e nada romântico. Algo fugaz e urgente, como se o tempo fosse acabar junto com a vida dos amantes. O homem era bonito e escorregava entre uma sensualidade impregnada em todos os seus gestos, e uma inocência nos momentos de dúvidas, tornando-se encantador principalmente com olhar nebuloso que pedia mais e mais aos toques de Regina.

Mais tarde, em sua cama, Regina apenas sorri sozinha com sua traquinagem. Não poderia compartilhar aquela barbaridade com ninguém...sem amigas ou confidentes, então, teria de guardar as melhores risadas para si mesma. Quem iria rir com ela e saber esconder os detalhes sórdidos e picantes? E é naquele instante que o nome do pirata de olhos perversos surge em sua mente. Por que não? Killian e ela se conheciam há muito tempo e compartilhavam de acordos sórdidos e segredos podres. Que mal haveria em contar ao pirata, suas aventuras insanas?

— Podemos conversar agora?

“Sempre que a Majestade quiser. Vou à sua casa ou ao meu navio?”

— Prefiro em minha casa. Emma se importará?

“Sou um velho de 300 anos, Majestade. Não sou controlado por uma linda loira com pouco mais de 30 anos. Espere-me em meia hora.”

Muitas horas e conversas depois, Killian recebe um copo com uísque e agradece com um sorriso cínico.

— Eu apenas sugeriria que você bebesse menos e ficasse consciente. Esse cara pode filmar suas transas e depois expor a quem estiver disposto a pagar.

— Dashiel não me pareceu ser um canalha. Distante, frio, mas decente.

— Quer que eu o decifre?

Regina sorri e senta-se ao lado do pirata, de maneira rápida.

— Como faria isso?

Dando de ombro, o pirata deposita o copo sobre a mesa.

— Troco o gancho pela prótese e vou até lá. Agora que aprendi a usar minha motocicleta, posso passar despercebido em um bar. E você me disse que podemos cantar. Então, posso fazer um show e aproximar meu charme ao tal garçom.

— Quero que você analise o caráter dele. Você seria capaz? – ela sorri. – Eu sei que dentro de você ainda existe resquícios do período em que o Dark One esteve presente. Sei que nenhum corpo fica incólume à passagem de uma transformação como aquela. Mesmo que não queira assumir, sei que você se tornou ainda mais especial.

O pirata sorri e segura a mão de Regina.

— Eu lhe agradeço a confiança, amor. Vou conhecer esse príncipe encantado às avessas e confrontaremos nossas informações. – ele se levanta dali. – Mas sugiro que não volte a esconder-se nesse mausoléu frio. Já que encontrou uma companhia sem compromisso, vá em frente e construa uma nova amizade.

— Obrigada, Killian!

— Quero que esteja linda e ainda mais poderosa para o momento da volta de Robin. E para isso, precisa deixar sua pele viçosa. E não há melhor remédio para nossa beleza, do que sexo bem feito. – ele pisca um dos olhos. – E você sabe que entendo muito de beleza.

Na noite seguinte, Regina deixa seu carro a alguns metros distante do bar e vai caminhando pela orla. Queria ver e ouvir o mar, sentir seu cheiro e saber que estava começando a ficar amiga dele.

Chega ao bar e promete a si mesma que seria controlada para não se tornar motivos de comentários e ser obrigada a transformar alguém em inseto. Ela sorri de si para si com seus pensamentos.

Entra no bar e observa ao redor, escolhendo sua mesa e acomodando-se ali para ter plena visão do mar ao entardecer.

— Olá, Regina!

— Olá, Dashiel! Eu estou faminta e quero jantar.

Ele sorri e entrega o cardápio a ela. Permanece em pé ao lado da mesa, com o tablet nas mãos, aguardando o pedido.

— Não vou comer como uma menina. É uma promessa!

Uma risada divertida é a primeira resposta de Dashiel.

— Não se preocupe, porque posso mandar trocar os pratos de vidro por pratos de plástico.

Rindo, Regina faz sua escolha e notifica o garçom. Quando devolve o cardápio, passa a mão pela mão do homem, numa carícia discreta.

O relógio anuncia a entrada da segunda hora depois da meia e todos os sons noturnos se misturam aos sons que surgem dentro do quarto de Dashiel. Mais uma vez estava sendo presenteado com o corpo daquela mulher desconhecida e ávida por atenção e toque. Ela o buscava com fome e desespero, como se o tempo fosse escasso e uma terrível comitiva de soldados inquisidores viesse tirá-la daquele momento.

Deitados de bruços, olhando-se com curiosidade, o casal fica em silêncio por vários momentos.

— Você é linda...mas sei que não estou sendo original.

— Faz tempo que não ouço isso. – ela abraça o travesseiro e inspira com prazer ao sentir suas costas serem acariciadas. – Na verdade, eu sou azarada o quesito final feliz. Meus três amores morreram e sou uma viúva recente.

— Eu sinto muito. Por isso decidiu apenas querer diversão sem compromisso?

— Na verdade não, mas como aconteceu com você...penso que seria interessante se vivêssemos o papel de “amigos com benefícios.”

— E os homens de sua cidade?

— São horríveis ou são casados. O único que poderia aceitar uma proposta como essa, é casado com a mãe biológico do meu filho adotivo. Sabe, Dashiel, tudo o que eu preciso agora é de um homem discreto, sensual, disposto e que esteja em minha cama, às duas horas da manhã e sem questionamentos.

Ele solta um riso longo e gutural.

— Está me descrevendo, Regina.

Sentando-se na cama, Regina se entusiasma. Alarga um sorriso safado.

— Sério? Estaria disposto a ser esse amigo?

— Sim.

— Estaria disposto e pronto quando eu ligar e pedir que me encontre em qualquer horário??

— Sim. Disposto como um impávido colosso.

Uma gargalhada é a resposta de Regina. Ela ri da possibilidade de mergulhar numa aventura louca e sem envolvimento de emoções ou cobranças. Estaria sendo desejada e tocada, enquanto aguardava a volta de Robin para seus dias! Além de Killian, teria outra pessoa com quem compartilhar suas insanidades e estultices.

— Não vamos nos apaixonar e nem cobrar nada um dos outro, certo?

— Certo.

— Seremos amigos e amantes ao mesmo tempo, mas sem ligações em busca de respostas ou exigências, certo?

— Certo.

De repente um sino toca na cabeça de Regina. Por que ele estava tão cordato?

— O que há com você? Por que está tão servil?

— Não estou servil, Regina. – ele sorri. – Apenas não posso amar você.

— Não?

— Eu sou um homem de pedra e meu coração é muito duro. – o sorriso encantador que surge nos lábios dele, derrete a desconfiança de Regina. – Faremos nossos encontros de acordo com as suas regras: sem cobranças, sem telefonemas intrusos ou mesmo declarações de amor.

Regina se deita novamente e brinca com os cabelos crespos e encaracolados dele.

— Mas eu sairei com quem quiser, além de você, Somos livres e não haverá espaço para crises de ciúmes ou de posse. Desta vez sou eu quem pergunta: está certo? – ele fala. Pisca pesadamente porque estava cansado e sonolento.

— Combinado.

Para dar espaço às investigações de Killian, ela permanece em Storybrooke pelas noites seguintes. Não queria chamar a atenção e tampouco fazer com que Dashiel se sentisse indispensável em sua vida.