Durante aquela semana, Regina decide oferecer espaço para que Dashiel sentisse a sua falta, além de permitir que Killian conseguisse ter mais acesso ao rapaz e descobrisse mais informações sobre alguém por quem estava começando a ficar interessada.

E sem hesitar, Killian confidencia a Emma a sua missão. Sabia que o segredo estava bem protegido com sua amada. Ele demonstra preocupação com o comportamento de Regina e consegue despertar ainda mais em Emma, a desconfiança sobre as atitudes da Rainha. O que estaria passando dentro do coração dela? Estaria planejando uma fuga? Estaria fomentando sentimentos em um homem para levá-lo embora em sua fuga? Ela estaria desistindo de todos de sua família? A dor pela perda de Robin teria provocado insanidade em Regina?

E naquela manhã abençoada...

— Isso aqui é lindo! Obrigado por me convidar para passear em seu barco. – Dashiel olha o mar em volta. – Estamos no meio do nada...

— Aqui não seremos incomodados. – o pirata sorri. – Vamos fazer um mergulho, porque bem embaixo de nós, tem um navio espanhol encoberto por tanta vegetação que está despercebido. Vamos resgatar ouro!

— Diga-me o que tenho de fazer...- Dashiel olha para o equipamento de mergulho e sente um pouco de insegurança, diante do material e diante da solidão com Killian.

O pirata lança uma pérola:

— Sabe, caso eu estivesse solteiro, eu iria me apaixonar por você.

O modelo começa a rir. Ignora a frase e providencia a vestimenta do equipamento.

— Porém, eu sei que você já está apaixonado por mim, porque sou irresistível, e isso me dá coragem para oferecer a minha amizade. Sabia que não tenho amigos? O meu único amigo faleceu faz pouco tempo.

— Sinto muito. Sei como é viver sem amigos, cercado apenas por pessoas que o toleram ou que querem tirar algum proveito de sua aparência.

O rosto de Killian se torna sombrio e ele percebe o incômodo que desperta na alma de Dashiel. Estranhamente, naquele momento, uma onda de sensações ruins percorre o corpo do pirata e ele percebe que ainda existiam resquícios da presença negra de magia, como havia dito Regina. Abaixa a cabeça e levanta apenas os olhos na direção do convidado, permitindo sentir um ímpeto horrível de divertir-se à custa do menino crescido. Sentimentos típicos de um Dark One em busca de distração.

— Você é ingênuo, queridinho. Não deveria confiar em um desconhecido. Olhe em sua volta e perceba que não há proteção alguma para o seu bem estar. Estamos a muitos quilômetros da costa e temos somente os Céus para clamar ou chorar.

— Nada do que você me fizer, Killian, será pior do que já me fizeram. Então, por que não retorna ao seu eu divertido e mergulha comigo?

Killian sorri e aponta seu dedo na direção do rapaz.

— Temos muito o que conversar, companheiro.

Naquela mesma noite, na casa de Regina...

— Ele é um órfão e agora é um homem bem sucedido profissionalmente. – Killian bebe um gole do vinho. – Não se envolve com as pessoas porque tem medo de ser ferido emocional e fisicamente. Por isso as afasta ou mantém relacionamentos superficiais. Era como Emma agia, antes de conhecer a beleza em formato de pessoa: eu.

— Não quero me casar com ele, Capitão. Quero apenas seguir o seu conselho e deixar minha pele viçosa.

— Então, pare de aparecer na casa dele, sem avisar. Mantenha a distância e seja elegante quando se apresentar a ele. O cara tira proveito dos momentos e não se aprofunda nos relacionamentos porque tem horror de reviver o trauma do passado.

— Ele lhe contou?

— Ora, Regina! Todos sabem o que acontecem em “depósitos de órfãos”! São abusos seguidos de abusos! Liam e eu tivemos muita sorte de não termos sido envidados para abrigos mantidos por religiosos. Os marinheiros dos navios por onde passávamos sempre foram muito confiáveis e não tivemos de viver o que Dashiel viveu.

— Devo tratar Dashiel de maneira diferente?

— Ele lhe contou sobre os abusos? Não! Então, trate-o como ele é, como ele se apresentou e como ele espera de você. – Killian ouve barulhos e olha por cima do ombro, vendo Zelena se aproximando dali. Ele se levanta sem preocupar-se em ser polido. – Bom, se a Verdinha está chegando, o pirata lindo está zarpando!

Ele caminha para a porta, mas antes aponta o dedo indicador para a visitante.

— Cuidado com ela, Majestade. Não queremos mais truques sujos ou surpresas ruins! Boa noite!

Zelena sorri debochada e move os dedos num aceno de despedida.

— O que ele tem de lindo, tem de rude. Podemos banhar um porquinho, pôr joias num porquinho, deitá-lo numa cama de rei, mas será sempre um porquinho.

— Você há de convir que seus encontros com o Capitão não foram tão encantadores, a ponto dele sentir amizade, não é, Zelena? Você o raptou, jogou seus macacos voadores para atacá-lo, amaldiçoou os lábios dele, mandou afogá-lo, revelou que ele era o Dark One depois de enfiar uma adaga no peito dele...o que espera do pirata? Galanteios? Flores? Bombons?

— Uma noite alucinante de sexo!

Regina explode numa gargalhada. Ri tanto que começa a soluçar.

— Sugiro que use um bom truque para isso! Mas principalmente física use a forma de Emma!

Um sorriso debochado é a resposta de Zelena.

— Killian fazendo sexo com você?! É tão absurdo quanto pensar em Gold pedindo perdão ao pirata! – Regina gargalha despudoradamente. – Mesmo que você se transformasse em Emma, ele perceberia pelo primeiro beijo! Portanto, irmãzinha, isso precisa ficar no campo das hipóteses ou das piadas!

Afastando-se da ruiva, Regina não controla suas gargalhadas. É observada por uma Zelena calma e cínica.

— Ele pode perceber sim a diferença, porque está escondendo o poder que ainda tem no corpo. Mas o seu precioso menino de cabelos encaracolados não saberá a diferença, irmãzinha. E será exatamente neste ponto que começo meu trabalho para impedir que você tenha o seu final feliz. – Zelena sorri exibindo todos os seus dentes grandes. – Nossa mãe não teve final feliz, eu não tive meu final feliz com Robin; Gold não terá o final feliz dele...por que somente uma vilã poderá ter o direito de ter a vida completa?