A porta do quarto da Rainha se abre e ela permite que Killian entre. Ele não refuta o convite e nem se sente constrangido em estar num local tão íntimo com a Rainha, embora ela não se recordasse dele e que o visse apenas como a um sedutor de baixa estirpe.

Ela gesticula e o imenso espelho de seu quarto torna-se escuro.

— Teremos apenas uma hora para conversarmos sem a vigilância de Zelena. Preciso muito conversar com alguém que possa dar-me conselhos. Não tive a coragem de falar com as mulheres, mas me sinto à vontade para falar com o senhor. Não me pergunte porque, mas eu tenho certeza de que é a pessoa certa para me ajudar.

Ele sorri e levanta as sobrancelhas. A mulher continua:

— Tenho poderes e o senhor comprovou, como posso sofrer mutações e retomar rapidamente o meu domínio...mas ultimamente, minha volta ao estado de ser humano tem demorado muito mais. – esfrega as mãos e começa a andar de um lado ao outro. – Sou uma mulher ainda e sinto desejos e calores...o senhor me entende?

Um movimento afirmativo com a cabeça é a resposta do pirata. Ele fica em silêncio.

— Mas não sou sedutora o suficiente para convencer Dashiel a tocar meu corpo. Já tentei usar magia para esconder por horas a minha deformidade, porém, ela retorna imediatamente...além disso, mesmo que eu consiga...Dashiel não pode ter intimidades sexuais com uma mulher.

Silêncio do pirata. Ele apenas levanta uma das sobrancelhas.

— Há tempos, eu amaldiçoei o corpo dele e o impedi, o bloqueei para outras pessoas. Caso alguém tenha contato com os fluídos prazerosos saídos do corpo dele...virará uma estátua viva.

Sem entonação, o pirata quebra seu silêncio.

— Mas isso aconteceu na história real do conto de onde ele saiu. Não foi você quem inventou isso, Regina, e nem transformou a esposa dele em estátua viva. Pelo visto, Zelena confundiu bem a sua cabeça e a história toda. Quantos contos Zelena misturou nesta realidade, apenas para evitar que você tenha seu final feliz? Trouxe até criaturas mitológicas!

Sem entender o que pirata estava falando, Regina apenas ouve.

— Certo! Pode continuar, Majestade.

— Eu percebi que ele tem lançado alguns olhares lascivos em minha direção e tem pedido para dormir em minha cama, com muita frequência. Preciso me aproveitar disso para lembrar-me como é ser tocada por um homem saudável...quente e a quem eu amo.

— Mas você não ama Dashiel, Majestade. Vocês eram amigos que podiam fazer sexo, sem cobrança ou exigências. Era essa a realidade da qual vocês foram tirados por Zelena. Não havia amor...apenas prazer. Engana-se que em pensar que há amor em seu coração pelo Príncipe.

— Você sabe que sinto que conheço a todos vocês?

Ele concorda.

— Sei que os poderes que existem em você, são bem maiores dos poderes de Robin, Zelena e Verena. Por isso...eu lhe peço que me ajude a ter uma noite de prazer com Dashiel. Eu preciso disso e sei que ele também precisa. Acredito que tendo esta noite, ele despertará para os sentimentos que se recusa a assumir por mim.

Uma coceira surge no nariz do pirata e ele decide atender suas necessidades. Enquanto coça o narigão, fica pensativo e com olhar perdido em algum ponto do quarto.

— Não quero abrir a janela e deixar o vento soprar em cima do seu prato com farinha, Majestade. Entretanto, Dashiel é um homem livre na realidade em que vive e é apreciador apenas de sexo. Ele não a amava e havia um acordo entre vocês dois, apenas para satisfação física de ambos.

— Pare de falar coisas as quais não entendo!! Não sei do que está falando ou sobre quem está falando!! Eu sempre amei Dashiel e o amaldiçoei por isso! Paguei um preço alto por este amor e por isso decidi que Dashiel será meu escravo até que eu morra! Ele é meu e eu o amo!! Entende? – Regina explode num grito rouco.

Novamente, o homem assume a postura silenciosa.

— O senhor emana poder e tenho certeza de que conseguiria manter minha aparência antiga por algumas horas, apenas para que eu seja agraciada com momentos de prazer com o amor de minha vida! – ela se ajoelha diante do pirata. – Eu lhe darei riquezas ou que quiser de meu reino...mas me conceda a possibilidade de vincular meu corpo ao corpo de Dashiel. Mesmo que eu morra depois.

— Morrer depois? E qual é a vantagem disso?

Atrapalhando-se nos tecidos do vestido e da capa. Regina se levanta indignada. Ficar de joelhos diante de um pirata traquinas e debochado! Que patético!

— É melhor o senhor sair daqui.

— Eu tenho a solução para seus calores e não estou sugerindo que faça sexo comigo. Mas tenho a possibilidade de atender dois de seus desejos. E nem sou o gênio da lâmpada.

Ela sorri, esquecendo-se de que estava sem sua máscara.

— Vou evocar meus conhecimentos e criar um mecanismo que devolva sua aparência antiga por algumas horas...tipo transformar abóboras em carruagens e ratos em boleeiros. Fada madrinha, sapatinho de cristal e coisas afins...

— Como?

— Vou ser sua Fada Madrinha e conceder uma noite inteira de traquinagens com o seu futuro consorte. Vou deixa-la ficar ainda mais linda e deverá usar suas armas de sedução, porque a beleza será dada até a quinta horas depois da meia noite. Uma noite com relação completa!

— Uma noite inteira com Dashiel? Mas também preciso que me proteja fisicamente, pois poderei virar uma estátua, caso ele...

Killian bate palmas da mesma forma com que fazia Gold, sem encostar as mãos.

— Existe um dispositivo que não é magia, mas que evita uma série de problemas futuros, incluindo a transformação de lindas damas em estátuas vivas. – num gesto, surge uma embalagem quadrada e plástica entre seus dedos. – Emma Swan, a minha atual ou ex-namorada, me ensinou como se usa isso e a diversão é garantida. Mas preciso saber de algo mais íntimo.

A Rainha apenas assume uma expressão de espanto.

— A saliva dele também pode transformar você em pedra?

— Somente o sêmen.

— Beleza! Então basta usarem alguns desses dispositivos durante a intimidade e tudo ficará bem seguro.

Diante do silêncio da Rainha, o pirata sente que precisa explicar-se melhor.

— Isso foi criado para envolver parte do corpo masculino. – abre a embalagem e exibe o conteúdo para que a mulher visse a forma cilíndrica. – Não preciso dizer qual é a parte, certo?

— Deduzo qual...mas como usar isso?

Killian sorri de maneira sensual. Morde o lábio inferior

— Seu parceiro precisa estar bem estimulado e impávido, para que isso seja desenrola no corpo dele.

— O senhor irá me ensinar a usar isso?

— Claro, Majestade...mas para tanto, precisaremos de algo em que treinar.

— Mesmo? – ela se esquece de sua deformidade e aproxima-se do homem. – E o que sugere?

Rápido, o pirata gesticula e exibe seu trunfo para o primeiro treinamento da Rainha.

— Uma banana!