Meu final feliz
3 Capítulo 2
Naquela noite, Killian entra no bar e vai acomodar-se num banco junto ao balcão. Troca um sorriso rápido com o barman e vasculha o ambiente em busca de Dashiel, logo localizado junto a uma mesa atendendo um grupo de garotas alegres e salientes.
Quando Dashiel se aproxima do balcão e entrega o pedido de bebidas ao barman, Killian se aproveita e aciona seu botão de excesso de charme, conseguindo atrair a atenção do garçom para sua faceta mais cínica. Sorri.
— Seja bem vindo. É novo aqui?
— Vim apenas conhecer novas bebidas e sentir o cheiro do mar de outro ângulo.
Dashiel sorri e inclina a cabeça para o lado, interessando-se pelo desconhecido.
— O bar tem uma visão privilegiada do mar e neste horário o cheiro chega com muita intensidade por aqui.
— Eu tenho um navio à velas, bem antigo. – Killian bebe um gole de sua bebida.
— Está me convidando para navegar?
— Navegar sozinho não é divertido. Ter tripulação é mais emocionante. – o pirata sorri e estende a mão para cumprimentar o garçom – Sou Killian Jones!
— Sou Dashiel de Moncaliere!
— Moncaliere...um sobrenome bem familiar. Conheci um nobre de nome Omar Moncaliere...seria parente seu?
— Nada sei sobre meus parentes. Cresci num orfanato. – Dashiel começa a organizar as bebidas sobre a bandeja. – Mas se sinta à vontade em nosso bar. Em uma hora, teremos karaoque e você deve inscrever-se caso queira cantar.
Momentos mais tarde, já enturmado com quem estava no bar, Killian se diverte mostrando seus dotes de cantor. Voz pequena, mas muito harmoniosa e afinada, além de seu charme típico, conquista seus admiradores.
Lá de cima do palco, consegue flagrar várias vezes, o olhar atento de Dashiel em sua direção. Trocavam sorrisos e o garçom retomava seus afazeres com os outros clientes do bar. Quando decide parar um pouco, o pirata vai em busca de algo que o refrescasse e recebe um coquetel bem enfeitado das mãos de Dashiel.
— Você é lindo.
Killian se sobressalta, mas não demonstra incômodo com o elogio. Ele sabia que era verdade e seria chocante se tivesse sido chamado de feioso.
— Eu estou acostumado com a reação das pessoas diante de minha beleza incrível...mas eu sou um homem hétero, velhinho.
— Não estou convidando você para aquecer a minha cama, Killian. Apenas elogiei a sua beleza porque sou modelo fotográfico e sei reconhecer alguém com possibilidades de sucesso, mesmo a quilômetros de mim.
— Ah, que pena! Pensei que estava agradando você. – ele bebe um gole do coquetel e repugna-se com tanta doçura. – Pode sentar-se comigo?
— Posso fazer o que eu quiser, aqui dentro. – Dashiel indica uma mesa e é acompanhado pelo pirata. Senta-se depois do convidado. – O que você faz da vida, Killian?
— Sou um caçador de tesouros. De quando em quando eu faço mergulhos profundos e resgato tesouros em navios naufragados. – Killian sorri sedutoramente. Tinha de provocar reações e identificar o estilo do novo amigo de Regina. – O que faz mais da vida, além de trabalhar aqui e tirar fotos?
Dashiel se empertiga na cadeira e olha em volta, serenamente.
— Esse bar é meu. Investi uma boa grana aqui para realizar um sonho de infância. Como modelo, trabalho desde meus dezesseis anos e acredito que já me realizei como profissional na área. Agora, quero viver isso daqui.
— Não tira mais fotografias? Eu adoro fazer isso, porque meu lado narcisista me obriga a fazer pose até quando abro a porta da geladeira.
Os dois homens riem.
— Tenho uma boa estirpe no ramo das fotografias e já conquistei um nome no mercado. Posso me dar ao luxo de escolher os trabalhos que desejo fazer. – ele aponta em volta. – Eu quis fixar raízes, então montei meu loft e criei o meu bar ao meu estilo.
Dashiel se inclina para frente e derruba os olhos à meia visão.
— Tem uma senhora Jones esperando por você?
— Tem uma loira fenomenal noutra cidade.
— E por que não está com ela?
— Emma Swan é a xerife de minha cidade e está em serviço agora. Eu estava livre e decidi ver lugares novos.
— Navega com ela? – Dashiel sorri e os cantos de sua boca são levemente derrubados pelo sorriso.
— Para lugares que você jamais poderá imaginar. – Killian abaixa o tom de voz e mostra-se receptivo, movendo um dos braços para que o seu decote ficasse mais evidente. Percebe os olhos curiosos de Dashiel. – Um dia, poderá vir junto.
Dashiel não disfarça e mantém os olhos presos no peito do pirata.
— O que houve com sua mão?
— Um crocodilo a arrancou. – o pirata sorri sem exibir os dentes.
— Literal ou metaforicamente?
— Literalmente. Noutra ocasião e em outro lugar, eu lhe contarei detalhes da história.
Passava das duas horas da manhã, quando Regina abre a porta de sua casa e permite que Killian entre calmamente. Mas ela estava ansiosa.
— Quer beber algo, Capitão?
— Não. Vou ser rápido em meu relato.
Um sorriso ansioso e generoso domina os lábios de Regina.
— O seu amigo sem compromissos é um modelo fotográfico internacional e é o dono do bar. Não há mistérios nele, embora tenha o típico olhar dos órfãos. É um tanto disfarçadamente triste e tenha certeza que se um poste elétrico se mover, o seu Dashiel irá transar com ele. Ele é guloso e vai devorar tudo aquilo que tiver vida, seja ser humano ou extraterrestre. É capaz de “pegar” até um troll.
A boca de Regina se abre e fecha, mas ela não consegue esboçar reação em palavras.
— O seu amigo é bem eclético e posso apostar minha única mão, que ele sentiria uma...”química” até pelo meu querido crocodilo dourado.
— Ele tocou em você?
— Não, Majestade. Mas eu toquei nele. Quando me despedi, inclinei-me e beije-lhe os lábios. Ele demonstrou ser algo muito normal dentro da cabeça dela. – Killian se dirige para a porta. – Sugiro que controle os seus sentimentos por ele, porque o homem é um ouriço venenoso do mar e não irá se apegar à pessoa alguma. Ele é do tipo de sujeito que vê as pessoas como possibilidades, apenas.
Regina acompanha o pirata e abre a porta da casa para que ele saia.
— Cuidado com ele, Majestade. Minha cabeça está borbulhando com a informação de que ele é um Moncaliere. Não sei quando ou onde, mas esse sobrenome já foi pronunciado alguma vez em minha vida.
— Pode ser impressão sua, Capitão.
— Pode ser sim. Mas eu lhe sugiro que não se entusiasme com esse oásis. A água pode ser envenenada.
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